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drops ISSN 2175-6716

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Segundo Eliane Caffé, recentemente a grande mídia passou a fazer campanha contra os movimentos sociais organizados na luta pela moradia e atacou de forma indigna uma de suas principais líderes, Carmen Silva, do MSTC.

how to quote

CAFFÉ, Eliane. Carmen Silva, uma líder acima de qualquer suspeita. Drops, São Paulo, ano 18, n. 128.06, Vitruvius, maio 2018 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/18.128/6986>.



Desde que concluímos as filmagens do filme Era o Hotel Cambridge seguimos muito de perto as ações da Frente de Luta Por Moradia – FLM e do Movimento Sem Teto do Centro de São Paulo – MSTC, onde a Carmen Silva destaca-se como uma das principais lideranças.

O cotidiano das ocupações organizadas pela Frente é uma escola de autogestão ética e de intensa resistência dos trabalhadores de baixa renda pelo direito de (sobre)viverem numa cidade tão desigual e hostil como São Paulo.

Nos últimos dias, o ataque do setor mais conservador da grande mídia abateu-se de modo cruel e arbitrário sobre os moradores das ocupações e principalmente sobre suas lideranças femininas, como uma verdadeira inquisição de caça às bruxas e de criminalização aos movimentos sociais que atuam no centro. Estão aproveitando, deitando e rolando em cima da tragédia do edifício que pegou (?) fogo no centro da cidade para construir uma ideologia de repulsa e raiva frente à milhares de famílias sem teto.

A mídia que atende aos interesses dos grandes capitais da especulação imobiliária adora confundir, banalizar, despolitizar e moralizar em cima de fatos tão complexos como o do déficit habitacional. Por exemplo, não relatam nunca que os que habitam esses imóveis abandonados são trabalhadores – faxineiras(os), cuidadores de idosos, garis, pedreiros, encanadores, babás, auxiliares de escritório, motoboys, eletricistas –, ou seja, todos aqueles seres humanos que não tiveram a sorte de nascer na classe dos privilegiados econômicos e que, para ganharem o direito de existir, trabalham prestando serviços manuais e físicos para os mais abastados que não querem desperdiçar tempo de vida com tais “banalidades” sem nenhum glamour.

As classes média e alta parecem não ser capazes de pensar por conta própria e perceber que se eles atacam esses trabalhadores com a fúria que o fazem, é como se estivessem chamando de “criminosos” as babás e outros profissionais que colocam dentro de suas casas para aliviarem seus pesares. Essa falta de pensamento político, resultado da preguiça intelectual dos que vivem dentro de bolhas domésticas e sob a deglutição fast food das notícias que jorram pelas inúmeras mídias de fachada “limpa” e “neutra”, faz com que muitos sejam – sem o saberem – os principais e verdadeiros criminosos perversos, forjados nas armadilhas de massificação e domesticação em que caíram para servirem, eles sim, aos grandes e poucos empreendedores do sistema do capital privado que gera tal grau de sofrimento mundial.

Muito ao contrário destes, Carmen Silva – ao invés do que muitos dizem e pensam – é uma mulher que doou-se por inteiro; que vive em função do coletivo dos trabalhadores injustiçados e que não acumula nenhum imóvel para si. Após tantos anos na militância, seu espírito livre voa bem mais alto e consciente, certa de que a vida é breve demais para prescindir de um bem que é essencial e que devemos deixarmos às outras gerações. Quem duvida disso, basta visitar uma das ocupações sob sua coordenação; basta um dedo de conversa com ela, olhando-a nos olhos,  para ver e compreender seu enorme coração, sua força e paciência infinita para suportar tanta calúnia pública e ainda assim, resistir e não abandonar a barca de companheiras e companheiros. Para quem quiser saber mais do assunto, também indico a excelente matéria sobre o assunto escrito por Laura Capriglione, publicado originalmente no portal Jornalistas Livres, mas reproduzido pelo portal Vitruvius (1).

nota

CAPRIGLIONE, Laura. Jornal Nacional (sempre ele) manipula contra os movimentos de moradia. A quem interessa a reportagem da TV Globo que ataca Carmen da Silva Ferreira? Resenhas Online, São Paulo, ano 18, n. 197.03, Vitruvius, maio 2018 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/18.197/6985>.

sobre a autora

Eliane Caffé iniciou a carreira no cinema como diretora dos curtas Arabesco (1990) e Caligrama (1995). Em seguida, realizou os longas metragens Kenoma, Narradores de Javé, O sol do meio-dia e Era o Hotel Cambridge, todos com prêmios importantes em vários festivais e mostras nacionais e internacionais.

 

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128.06 imprensa marrom
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