Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Para Roberto Romano, a sátira e o uso do ridículo são armas poderosas para castigar tolices e arrogâncias de poderosos, mas não podemos nos enganar sobre o risco de danos graves à sociedade e à democracia que os ridículos mandatários atuais podem causar.

how to quote

ROMANO, Roberto. Uma ponderação. Sobre o ridículo e a vingança dos poderosos. Drops, São Paulo, ano 19, n. 137.07, Vitruvius, fev. 2019 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/19.137/7277>.



Noto, preocupado, alguns comentários de amigos e colegas que tratam os eventos do atual governo apenas como risíveis. Creio ser um erro. Recordo que na ditadura de 1964 muitas piadas correram sobre a presumida falta de erudição, inteligência e a máxima tolice de militares. O alvo maior foi Costa e Silva. Nos EUA, quando o militar lá esteve, diziam as anedotas, se alguém batesse à porta, Costa Silva diria “between”. Se um problema de matemática era proposto, o afoito exclamaria “qualquer criança resolve”. Instado a equacionar a questão, diria “chamem uma criança”. Até o desodorante 1010, o presidente chamaria de ioiô. E as risadas seguiam, fartas.

Nada contra o riso, pelo contrário! Tenho um livro inteiro sobre a sátira, no qual defendo o uso do ridículo para castigar tolices e arrogâncias de poderosos. Mas preocupa imaginarmos que o ridículo seja o pano de fundo de uma camada de governantes. Ele, na verdade, é apenas ensaio para dissolver resistências mais severas dos governados.

Luciano de Samosata tem um conto sobre Dionísio que deve fazer refletir. Os indianos inimigos de Dionísio caíram na gargalhada ao enxergar o seu “exército” composto de gente fraca e engraçada. Ledo engano. Dionísio e seu “exército” reduziu os indianos e seus elefantes ao pó, impiedosamente.

As bobagens do Chanceler, do ministro da Educação, da ministra pastora, e outras, podem perfeitamente ser uma armadilha para que, rindo, ajudemos a nossa derrota. Os ensaios truculentos e nada engraçados contra a universidade pública (o suicídio do reitor, a invasão e prisão dos administradores da UFMG e outras) deram passagem ao exército ridículo. Mas nos bastidores são armadas ações que agradam empresários e truculentos vários, com dimensão trágica.

Riamos dos gracejos e tolices, mas sem cair na autoconfiança suicida. Com o AI-5 ficou claro que as risadas sobre os militares foram ineficazes para banir o arbítrio e a truculência. Sem goiabeira ou sem cartinhas aos professores, a técnica do poder pela força será mantida e ampliada. É sempre bom seguir o ensino de Spinoza: cautela!

sobre o autor

Roberto Romano, filósofo, é professor titular de ética e filosofia política da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp.

Charge de Millor Fernandes, detalhe, exposição no Instituto Moreira Salles de São Paulo, 2018
Foto Abilio Guerra

 

comments

137.07 sociedade
abstracts
how to quote

languages

original: português

share

137

137.01 política

Os monstros moram ao lado

Carlos A. Ferreira Martins

137.02 ensino

Trotes

O afogamento do espírito

Roberto Romano

137.03 homenagem

Robert Ryman

A pintura minimalista e os vestígios da mão

Rodrigo Queiroz

137.04 legislação

Tragédia no Ninho do Urubu é reflexo do descaso com projeto

Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro

137.05 política

Chega logo, Momo!

O verde azul são-carlense versus o laranja brasiliense

Carlos A. Ferreira Martins

137.06 política

Guerra ou paz

A ajuda humanitária dos amigos da onça

Carlos A. Ferreira Martins

newspaper


© 2000–2019 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided