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interview ISSN 2175-6708

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Roberto Segre entrevista Paolo Soleri, que atua desde a década de 1940. Um homem visionário, que já trabalhou com Frank Lloyd Wright, comenta sua visão sobre o mundo atual

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SEGRE, Roberto. Paolo Soleri. Entrevista, São Paulo, ano 02, n. 007.01, Vitruvius, jul. 2001 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/02.007/3345>.


Arcosanti, deserto do Arizona, EUA. Projeto de Paolo Soleri

Paolo Soleri e Arcosanti: o laboratório da utopia
Roberto Segre

Para os atuais jovens estudantes ou arquitetos, provavelmente, o nome de Paolo Soleri seja pouco familiar. É fato que seu nome não aparece nas revistas do jet set nem concorre nos encontros mediáticos onde são aclamados os astros da profissão. Sua obra não está incluída em alguns recentes textos sobre a arquitetura moderna: apenas citado nas histórias de Manfredo Tafuri ou Josep Maria Montaner, é ignorado por William Curtis, Kenneth Frampton ou Diane Ghirardo. No entanto, não está totalmente ausente do cenário atual da cultura arquitetônica: no ano passado (2000), participou da Bienal de Arquitetura de Veneza – dedicada ao tema less aesthetics, more ethics, organizada por Massimiliano Fuksas – onde recebeu o "Leão de Ouro" em reconhecimento a sua trajetória. Ao mesmo tempo A.J. Lima editou um luxuoso livro que recolhe suas principais obras, publicado por Jaca Book de Milão.

Na realidade Soleri aparece como uma figura mítica aos que nos iniciamos no debate arquitetônico na década dos sessenta. Aqueles eram tempos heróicos de fervor e esperanças no futuro da humanidade. A Revolução cubana e Che Guevara; o movimento estudantil de maio de Paris; os textos de Marcuse; os hippies, Martin Luther King e a oposição à guerra do Vietnã, implicavam num compromisso político e ético identificado com as propostas ambientais que desejavam controlar a deterioração da natureza e as contradições geradas pelo gigantismo das megalópoles. Por um lado apostavam na aplicação de métodos racionais para resolver os novos problemas ecológicos gerados pela espécie humana – a confiança de Tomas Maldonado no ato projetual; a busca de um equilíbrio entre ambiente e sociedade, colocado por Amos Rapoport, Edward Hall, John Mc Hale, Christopher Alexander e J. Broadbent –; por outro lado surgiram múltiplas imagens de um contexto físico dominado pela alta tecnologia: as cúpulas geodésicas de Buckminster Fuller; as cidades "espaciais" e as mega estruturas- que tanto entusiasmaram Reyner Banham – de Yona Friedman, os Metabolistas japoneses, Archigram; as bio estruturas de Alfred Newman, Paul Maymont, Moshe Safdie, D.G. Emmerich, Walter Jones, Zvi Hecker e outros.

Nesse contexto surge a obra de Soleri (1919). Ao finalizar seus estudos universitários em Turim, Itália, viaja a Arizona e integra-se à comunidade de Taliesin com Frank Lloyd Wright (1947-48). Logo volta à Itália e dirige uma fábrica de cerâmica nas proximidades de Salerno. Finalmente, emigra aos Estados Unidos em 1956 e instala-se em Scottsdale, Phoenix, e cria Cosanti, um centro de estudos sobre construção, arquitetura, urbanismo e ecologia, e uma fundição de sinos de bronze, que até hoje geraram a base econômica essencial das pesquisas e edificações. Desde 1970 constrói no deserto a comunidade de Arcosanti, protótipo urbano que devia alcançar uma população de sete mil habitantes.

Naquela década começaram a ser difundidos os imaginativos desenhos de Soleri, logo publicados num luxuoso livro pela MIT Press. O que diferenciava as imagens utópicas de Soleri das restantes – mais inspiradas na alta tecnologia e nas rigorosas geometrias de células articuladas- era a fusão entre homem, natureza e tecnologia, numa trama compacta de gigantescas unidades habitacionais enraizadas na terra, porém que ao mesmo tempo pareciam complexas naves espaciais. Integravam entre si a herança orgânica de Wright, a tradição construtiva dos romanos e a visão das megacidades da ficção-científica, num sistema gráfico totalmente inédito, cujo monocromatismo lembrava as fantasias espaciais e formais de Piranesi.

O outro aspecto que chamava a atenção em Soleri era sua dedicação passional a um projeto totalizador, baseado não somente numa realidade construtiva, arquitetônica e urbanística, mas também num conceito de vida social e de seus fundamentos filosóficos e religiosos, divergentes da realidade que impera na sociedade capitalista norte-americana. Sua renúncia aos prazeres e benefícios mundanos da civilização tecnológica, levou-o a radicar-se no deserto com um reduzido grupo de seguidores, e manter ao longo destas décadas um cotidiano ascético e monacal, distante do feroz individualismo, o economicismo, o consumismo, o desperdício e o hedonismo superficial, que caracteriza a atual cultura "global" do mundo desenvolvido. Tratava-se de organizar um laboratório social e arquitetônico que fosse além do conceito de utopia -como não lugar, ou de perfeição formal acabada e concluída- e definisse um modelo ambiental que articulasse natureza, história e sociedade, em busca de um futuro melhor. Esses ideais não foram compreendidos por Reyner Banham, que com injusta mordacidade definiu esta experiência como um encontro entre as Termas de Caracalla e o Club Mediterranée.

Ao participar recentemente de um seminário sobre "Geografia e Geometria" na Escola de Arquitetura de Tucson, Arizona, com a ajuda do professor Ralph E. Hammann, tive uma entrevista com Paolo Soleri em Cosanti, num dia pouco comum no deserto, onde durante todo o ano reina implacavelmente o tórrido sol. Logo de uma habitual temperatura de 30° C ao meio-dia, a visita a Arcosanti aconteceu sob uma tempestade negra que fez descer o termômetro a 5° C, totalmente insuportável com nossa vestimenta tropical.

Arcosanti, Casa de Fundição

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