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interview ISSN 2175-6708

abstracts

português
Andrea Macadar entrevista o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, ganhador do Prêmio Pritzker 2006, numa conversa sobre a arquitetura do Pavilhão do Brasil, construído na Feira Internacional Expo’70, na cidade de Osaka, Japão

english
Andrea Macadar interview the architect Paulo Mendes da Rocha, winner of the Pritzker Prize in 2006, in a conversation about the architecture of the Brazil Pavilion, built at the World Expo '70 in Osaka, Japan

español
Andrea Macadar entrevista al arquitecto Paulo Mendes da Rocha, ganador del premio Pritzker 2006, en una conversación sobre la arquitectura del Pabellón de Brasil, construido en la Feria Internacional Expo `70, en la ciudad de Osaka, Japón

how to quote

MACADAR, Andrea. Paulo Mendes da Rocha. Entrevista, São Paulo, ano 07, n. 026.02, Vitruvius, abr. 2006 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/07.026/3302>.


Pavilhão Brasileiro na Expo’70 em construção, Osaka, Japão. Arquiteto Paulo Mendes da Rocha

Andrea Macadar: Para Montaner (1996), a sua obra “faz pensar a arquitetura moderna brasileira desde uma outra modernidade. Como um horizonte, onde a autonomia dirige sua arquitetura e se mantém como uma abertura e não como um encerramento [...]. Durante os anos 1970, o Brutalismo Paulista disseminou-se em tom menor pelo país, espalhando-se pela imitação formal diluída e nem sempre criteriosa através de outras regiões brasileiras”.

O esgotamento se deu em parte pelo impulso transformador e na obtenção de realizações menos significativas, identificadas muitas vezes em sua grandiosidade e ousadia estrutural como monumetalismo estatal daquele momento. Mas, para o Pavilhão Brasileiro da feira internacional de Osaka – que, a princípio pretendeu representar sua melhor intenção para com a arquitetura internacional, e ainda promover novas aflorações contestativas da cultura nacional – fica a questão sobre o que o senhor realmente quis demonstrar com a arquitetura do Pavilhão em Osaka, e, quais os pontos sociais e culturais representados por ele para aquele momento (ano 1970)? O senhor afrontaria estas descrições como uma forma de abertura para a arquitetura brasileira? Por quê não um encerramento talvez tardio ou atemporal para a representação arquitetônica daquele período cuja arquitetura brutalista enfrentava novos questionamentos na esfera mundial?

Paulo Mendes da Rocha: Acompanhei a construção do Pavilhão do Brasil lá em Osaka e de muitos outros. E mesmo se eu não soubesse – você deve ficar atenta, no caso, como o Brasil, estou falando de Osaka aqui, por exemplo – como o Brasil já chegou tarde pra questão, eu quando cheguei lá, pude ver os outros pavilhões em fase de acabamento. E você percebe que é uma arquitetura peculiar, não serve como modelo de arquitetura. A União Soviética fez qualquer coisa com cento e tantos metros de altura. Estava na época dos primeiros vôos, não é? Os vôos foram em sessenta e poucos. Aquela, em setenta, era a década dos astronautas. Então as coisas tinham esse caráter fundamentalmente simbólico, inclusive o nosso pavilhão que eu não vou nem comentar. Mas não serve como. Não sei se foi isso que você falou, mas queria dizer que eu não concordo, não representa a arquitetura, de jeito nenhum, porque eu me lembro muito de um país asiático onde havia dois ou três pagodas, verdadeiros pagodas, sabe o que é um pagoda? Aquelas construções de telhadinhos sucessivos. Havia um da Tailândia, cada um se dá o direito... O próprio pavilhão do Japão é um exemplo interessante de tecnologia aplicada: um imenso pavilhão que foi todo suspenso de uma só vez. A cobertura, tudo isso é muito interessante, mas não é uma questão que você pode colocar num âmbito de desenvolvimento da arquitetura, ou da expressão da arquitetura no momento, não é bem isso. Claro que há exceções, como o famoso pavilhão do Brasil, do Niemeyer e do Lúcio Costa. É porque eles estavam levando a arquitetura como uma coisa pra lá de extraordinária, é uma questão tipicamente americana, de consciência sobre a natureza, e vamos inaugurar a cidade contemporânea para os outros. Não era tanto assim, era de novo uma visão efetivamente simbólica.

AM: Qual seria a maior função do pavilhão brasileiro em Osaka? Ele existiu para abrigar uma certa função, qual seria a principal? O que deve representar? Deve representar um momento?

PMR: Não, ele representa um conhecimento, desenvolvimento tecnológico. Mas não sei se todos os países têm essa preocupação com a idéia fundamental do que seja arquitetura, quanto à cidade contemporânea, coisas do tipo: Como é que fica o transporte público? Acho que a vida cotidiana fica muito longe do edifício simbólico de um modo geral. Nós estamos vivendo uma outra época que não é a época que as populações se moviam pela religião, por exemplo. Atravessavam desertos, abriam-se as águas do Mar Vermelho e atravessavam comandados por Moisés. Essa época já passou. Portanto, a catedral, a monumentalidade, atualmente somos nós, a consciência que temos da presença do homem no universo. E passou esse tempo. É impossível você simbolizar essas coisas, já não é mais a nossa época. Então um pavilhão hoje podia ser qualquer coisa muito extraordinária, que não tem muito a ver com a questão arquitetônica, com arquitetura propriamente dita.

AM: E a identidade cultural não deve permanecer?

PMR: Não é, é que tudo isso acabou. Essa história de identidade cultural, ela existe para mover coisas porque existe, nada disso se extingue da noite para o dia. Mas o interesse em exprimir essa identidade ela já não tem, é quase arqueologia para todo mundo. Para um africano se reportar a máscaras, a hábitos, já é uma arqueologia para ele mesmo. Nós somos um homem contemporâneo muito pela primeira vez e temos que assumir consciência disso. Naturalmente, feito com toda história. Não é que sejamos uma novidade, somos novidade para nós mesmos entendermos isso. Tanto que as dificuldades estão aí. Ainda se mata. Se você imaginar um homem matando o outro é uma visão terrivelmente arcaica, não é verdade? Pelo menos é o que se imaginava. E imaginar um homem que seja capaz de fazer isso – não porque seja pecado, nos dez mandamentos, seja de que religião for – ou de que código jurídico for, simplesmente porque sim, não é do âmbito humano, leva um tempo. Nós estamos nesse andamento. Só que eu não saberia. Não quero dizer que eu tenha razão, mas acho que não estamos mais em época de dizer quem somos, como uma nação especial, isso e aquilo, numa feira internacional. Somos todos cidadãos desse mundo, inclusive na prática, no ponto de vista antropológico. O que é a população hoje de um país? É toda miscigenada.

AM: No caso do Pavilhão Brasileiro de Osaka, então não teve nenhum motivo para ser de alguma maneira representativo?

PMR: Não, eu não pensava assim naquele tempo, é quase meio século, nos anos 70, nós estamos...Em 2004. Para mim, ainda naquela época, o que aquele pavilhão queria exprimir, antes de mais nada, era a consciência da ocupação dos estados naturais da América com as construções. Então, simbolicamente, era um teto ideal, que teria um teto de cristal da nossa FAU, colocado sobre a própria paisagem, que seria a paisagem simulada naquelas colinas, com um número mínimo de pilares, ou seja, uma especialidade técnica de construção que pretendia revelar nítido conhecimento técnico para fazer o que quisesse. Portanto duas boas vigas para aquele vão e cada viga apoiada em dois pilares com a sucessão mais normal, mais tranqüila de esforços: balanço – vão central e balanço lateral, porém não em quatro vezes. Um dos apoios se transforma na cidade de modo simbólico. Aqueles dois arcos cruzados são a cidade. E chamamos “largo do café” para dizer uma cidade brasileira, do ponto de vista simbólico. Uma coisa mundana, gentil e um tanto divertida. Afinal de contas é uma feira em que todas as instalações, vamos dizer, enjoadas no caso, são aborrecidas...:Banco do Brasil, Cacex, Itamarati, escritorinhos... Aproveitamos o aborrecimento, o contratempo, para resolver de uma maneira que me pareceu também interessante para a arquitetura dessas feiras mundiais, sempre históricas. Fazer um anexo, ou seja, um lugar onde você vê você mesmo. Porque o anexo é muito intrigante, a figura do anexo em arquitetura, é o mesmo que se vê do outro lado, enfim. Se você construiu alguma coisa em que você estando lá dentro só vê lá fora, a idéia do anexo corresponde a um contraponto de si mesmo. Um dos exemplos mais extraordinários é a famosa torre inclinada em Pizza, que se eu não me engano, é o batistério. Outro famoso, já nosso, digamos, é o que o Oscar Niemeyer fez na Mondadori em Milão, que é o grande Pavilhão da Mondadori. Depois que você entra no subterrâneo, você não sabe onde vai dar lá fora. E quando surgem lá no auditório, no saguão do auditório, a cafeteria e a livraria, você sai num terraço fora e vê aquela Mondadori onde você estava lá longe refletida no lago já andou quase cem metros, cinqüenta metros no mínimo se distanciando um do outro. Isso é muito lindo porque é o contraponto cenográfico de um para si mesmo... É um espelho, uma mirada, uma especulação de si mesmo. É muito interessante. A figura no anexo em arquitetura, é histórica.

AM: E esse passeio, gerado de certa forma, ele continua... Em todos os pavilhões, nas formas de acesso e circulação.

PMR: É eu sei.

AM: No caso de 39 a rampa, seria um passeio...

PMR: Ah, sim! A rampa é externa...

AM: Você vê o anexo, de dentro também vê uma parte lá fora...

PMR: Pode ser, mas eu não pensei nisso. Eu pensei no anexo em tese, não pensei nesse ou naquele...

Planta original de cobertura do Pavilhão do Brasil-Expo’70 em Osaka

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Mario Coyula

Roberto Segre

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