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interview ISSN 2175-6708

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português
Veja a entrevista de Antônio Agenor Barbosa e Juliana Mattos com o arquiteto Marcos Konder, cujo mais conhecido projeto é o Monumento aos Mortos da II Guerra Mundial, no Aterro da Glória, Rio de Janeiro

english
Vea la entrevista de Antônio Agenor Barbosa y Juliana Mattos con el arquitecto Marcos Konder, cuyo más conocido proyecto es el Monumento a los Muertos de la II Guerra Mundial, en el Aterro de la Gloria, Río de Janeiro

español
Read the interview of Antonio Agenor Barbosa and Juliana Mattos with architect Mark Konder, whose best known project is the monument to the dead of World War II, in aterro Gloria, Rio de Janeiro

how to quote

BARBOSA, Antônio Agenor; MATTOS, Juliana. Marcos Konder. Entrevista, São Paulo, ano 08, n. 029.02, Vitruvius, jan. 2007 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/08.029/3297>.


Capa do livro de poesia de Marcos Konder

Antônio Agenor Barbosa e Juliana Mattos: Fora do âmbito da arquitetura o senhor tinha ou ainda tem outras áreas de interesses e aptidões? Que tipos de atividades chegou a desenvolver?

Marcos Konder: Como já mencionei, posso falar que além da arquitetura, encantaram-me sempre a música, a pintura, sendo esta uma atividade que cheguei a ter como hobbie. Também me aventurei na atividade da poesia chegando, até mesmo, a publicar recentemente o livro de poesias “Dimensões”, uma coletânea de diversos poemas meus, com os mais variados temas, inclusive a arquitetura. Relembro aqui também minha militância nas lutas pela classe dos arquitetos, bem como a participação no Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), tendo exercido inclusive o cargo de presidente do mesmo instituto, no departamento do Rio de Janeiro, no início dos anos 60. Na verdade, minha linha sempre foi a de um profissional essencialmente ligado à arquitetura. Dessa forma, atuei tanto na esfera particular, no caso com um pequeno escritório, quanto na esfera pública onde, como já mencionei, destaca-se o período de trabalho na Prefeitura e o privilégio de conviver com profissionais como Affonso Eduardo Reidy e Carmen Portinho. Mas, de certo modo, fiquei à margem de tudo isso, pois, não fui fundo em nenhuma dessas esferas. Nem tive um grande escritório de arquitetura, nem fiz questão de alçar grandes cargos no funcionalismo público, como fizeram muitos dos meus colegas. Assim, paralelamente, uma outra atividade à qual exerci foi a de professor, tendo lecionado durante 20 anos na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, antiga Universidade do Brasil.

AA / JM: O senhor tem uma idéia de quantos projetos e obras suas já foram executadas?

MK: Tenho poucas obras de grande interesse, apenas cerca de uma dezena de edifícios construídos. Por outro lado, tenho muitos projetos, mais de 60, e muitas idéias lançadas no papel. Isso aconteceu, principalmente, por causa do meu interesse em sempre participar de concursos de arquitetura. Acreditava que o concurso era uma maneira de encarar desafios que, em geral, as atividades profissionais convencionais, o dia-a-dia do arquiteto não me proporcionava. Eu sempre encarei os concursos de forma muito séria, como uma maneira de expor minhas idéias, e com muita motivação, mesmo que eu não tenha vencido muitos dos concursos dos quais participei. E, talvez, devido ao sucesso que obtive logo cedo, ainda estudante ou recém-formado, como foi o caso do concurso do Monumento, eu posso dizer a vocês que me tornei, praticamente, um arquiteto viciado em concursos.

E cabe dizer que eu sempre prezei muito a minha liberdade de pensamento projetual, de maneira que, mesmo tendo algumas oportunidades e convites para trabalhar em nichos de mercado imobiliário de natureza mais especulativa, confesso que nunca tive nem talento nem interesse para me desenvolver nesse ramo.

Posso citar, por exemplo, as poucas obras que tenho no Rio de Janeiro: o Monumento aos Pracinhas, o Centro Administrativo São Sebastião, que é a Sede da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, onde posso dizer, que é uma obra minha que foi recentemente “emporcalhada” pelo atual prefeito César Maia, o Restaurante Rio´s, ali no Parque do Flamengo, esta minha casa, onde estamos agora, aqui no bairro de Santa Teresa, uma outra casa que projetei no bairro do Itanhangá, mas que infelizmente foi totalmente descaracterizada. Tenho algumas casas em Petrópolis, entre outras poucas obras de menor notoriedade.

AA / JM: Quais foram os seus projetos mais recentes?

MK: Como já mencionei, eu nunca tive um grande escritório de arquitetura. Sempre fui um franco-atirador. De maneira que, à medida que fui envelhecendo, minha atividade profissional se reduziu muito. Mas nunca deixei de produzir, às vezes mesmo sem ter um cliente. Estou sempre desenhando e pesquisando e mantenho ainda um grande interesse pela arquitetura e pelo projeto. Por exemplo, em 1992, eu já tinha 65 anos de idade e ganhei novamente um concurso de arquitetura. Foi o Pavilhão para a Conferência Internacional de Meio Ambiente, a Rio 92. E da mesma forma fiquei emocionado, pois concorri com muita gente jovem. Recentemente, concluí um projeto de um Memorial em Itajaí, Santa Catarina. Fiz até mesmo, para a minha empregada, o projeto da casinha dela, aqui numa comunidade em Santa Teresa.

AA / JM: O senhor foi presidente do IAB, nos anos 60, e professor da FAU, durante 20 anos. Poderia nos falar um pouco sobre essas experiências?

MK: Minha ligação com o IAB começou já na época de estudante e seguiu desde então. O Antonio Pedro de Alcântara, que foi meu colega de turma, e o Altino Neves haviam entrado para o IAB e me convidaram para algumas reuniões. O IAB funcionava, na época, como um clube de gentlemans, todos muito bem vestidos, de colete, terno e gravata e, em geral, titulares de grandes escritórios de arquitetura. Sei que grandes figuras ocuparam a Presidência do IAB como o Paulo Antunes, o Ary Garcia Rosa e o Maurício Roberto. Convivi no Instituto com alguns dos mais importantes arquitetos brasileiros como os irmãos Roberto, Paulo Antunes e o meu saudoso amigo Maurício Nogueira. No IAB passei a conviver com diversas visões de mundo, mas identifiquei-me muito com o Maurício Roberto sendo seu vice-presidente. Depois de algum tempo tornei-me Presidente do IAB. No entanto não concordava com o Maurício Roberto quanto à questão dos concursos, que ele era contra por achar uma exploração já que não se pagava o arquiteto durante o processo de desenvolvimento dos projetos. Ele, que era titular de um grande escritório, defendia que os arquitetos deveriam ser contratados diretamente e serem pagos pelos seus serviços. No máximo, o que ele aceitava era que fossem organizados pequenos concursos privados e não mais que isto. Eu, que como já disse anteriormente, sempre fui viciado em concursos, defendia a realização dos mesmos de forma ampla para que se escolhesse a melhor idéia para determinados projetos. E uma das nossas realizações mais importantes daquele tempo do IAB foi o fato de que nós fundamos uma Revista de Arquitetura que era, creio, uma das únicas revistas da classe de arquitetos feitas no Brasil. Esta revista durou muito tempo e eu devo dizer que foi graças ao empenho e à dedicação do Maurício Nogueira que era, na verdade, a alma de revista. Eu passei 15 anos de minha vida militando no IAB mas, depois de tanto tempo, eu me afastei um pouco e fui perdendo contato com as diretrizes do Instituto.

Quanto à minha atividade acadêmica eu faço aqui uma confissão íntima para vocês. A minha entrada como professor se deu, a princípio, por meros interesses pecuniários. Eu estava numa pior, sem grana, e eu me dava bem com o Ulisses Burlamaqui e ele me convidou para ser Professor. Foi exatamente assim como relatei para vocês que eu me tornei Professor.

E ele conseguiu que eu fosse inicialmente contratado por um pequeno período e depois fui efetivado como Professor Assistente e depois fui Adjunto e por aí vai. Comecei como Professor de composição, na verdade o Projeto de Arquitetura. Eu era um professor jovem, tinha boas idéias e alguma criatividade, a despeito de não concordar com algumas das propostas curriculares que eu era obrigado a desenvolver. Mas o fato é que ainda hoje, vez por outra, eu encontro colegas na rua que me param e falam assim: “olha, eu fui teu aluno e gostava muito das suas aulas”. Então eu acho que até pude contribuir e influenciar, no bom sentido, na boa formação de muitos arquitetos. O fato é que no meu tempo a Escola de Arquitetura ainda era fortemente dominada por grupos conservadores e isto era muito difícil de ser modificado. Mas eu tive muitos bons alunos e alguns que até se desenvolveram muito na profissão como foi o caso do Carlos Nelson Ferreira dos Santos.

Mas o fato é que eu comecei a me cansar das rotinas acadêmicas e eu tinha muito mais gosto, e até mais talento, para atuar como arquiteto e não como Professor. Também contribuiu o fato de que a mudança da faculdade da Praia Vermelha para a Ilha do Fundão me desestimulou um pouco. Era muito longe para ir para o Fundão, e isto coincidiu com um período mais produtivo da minha carreira. Tinha que conciliar as minhas atividades como profissional liberal no escritório, o trabalho na Prefeitura e ainda, por dois ou três dias na semana, as aulas na Escola de Arquitetura.

Depois de algum tempo o Governo Federal lançou um programa de aposentadoria para funcionários com menor tempo de carreira e eu aproveitei este programa e me aposentei com apenas vinte anos de trabalho como professor, mesmo recebendo uma aposentadoria mais baixa do que o padrão de quem trabalha os 35 anos que o Governo exige.

AA / JM: Como o senhor percebeu e apreendeu algumas das mais importantes transformações do Brasil e, em particular, do Rio de Janeiro a partir dos anos 50? Tais como a transferência da Capital, a construção de Brasília, a construção do Parque do Flamengo – onde alguns anos depois iria ser construído o seu projeto do Monumento aos Mortos da Segunda Guerra – e o Plano Lúcio Costa para a Barra da Tijuca. E a respeito da Fusão da Antiga Guanabara com o Estado do Rio o senhor tomou partido na época? O que acha de alguns movimentos recentes que se propõem a desfazer a fusão e retomar os limites geopolíticos da Guanabara?

MK: Olha, quando nós nos formamos, nos anos 50, o mercado para os arquitetos era muito restrito. Inclusive até na construção civil, pois nós sofríamos a concorrência de Engenheiros Civis que atuavam nas grandes construtoras. Eles não faziam projetos, eles tinham desenhistas profissionais que faziam os projetos e eles apenas assinavam.

Mas o fato é que o Rio de Janeiro era a Capital e, por este motivo, quase todos os projetos de arquitetura que teriam que ser feitos até em outros Estados do Brasil passavam por aqui, pelos ministérios que estavam sediados aqui. E tudo isto tinha um jogo político. Alguns arquitetos bem relacionados conseguiam pegar trabalhos em outros Estados. Com a mudança da Capital para Brasília tudo isto acabou. Mas, por outro lado, muitos arquitetos começaram a se impor profissionalmente. O arquiteto Paulo Casé, por exemplo, foi um dos que começaram a trabalhar em grandes empresas da construção civil. Ele trabalhava em uma grande firma que eu, para ser sincero, não me lembro agora do nome.

O Rio passou a sofrer grandes transformações e eu pude presenciar todas estas mudanças como o desmonte do Morro de Santo Antonio, a construção do Parque do Flamengo onde logo depois eu venci o Concurso do Monumento. As duas obras pioneiras do Aterro do Flamengo foram o MAM do Reidy e o Monumento. Houve muita polêmica sobre as transformações viárias geradas pelas pistas do Aterro e muitos arquitetos eram contra.

Sobre Brasília eu me lembro que fui à Cidade logo depois da inauguração. E naturalmente para nós, Brasília representou não só um avanço como também uma grande conquista para a arquitetura e para o urbanismo no Brasil. Mas, por outro lado, os arquitetos mais jovens, entre os quais eu me incluía, começaram a reagir àquelas imposições de que em Brasília tudo era sempre feito por um pequeno grupinho de arquitetos ligados ao Governo. O Lúcio era um sujeito muito sério, sem dúvida, mas eu discordava de certas diretrizes e normas que ele lançou em Brasília que me pareciam uma espécie de “censura estética”, podemos dizer assim.

E aqui no Rio nós também começamos a lutar com certas imposições da Prefeitura. Uma das coisas que eu lutei muito, e da qual eu me orgulho, foi para que os arquitetos e também os engenheiros autônomos pudessem assinar seus projetos sem estarem vinculados a nenhuma grande empresa ou incorporadora da construção civil como era até aquele momento. Ou seja: o arquiteto tinha que ser sócio de uma construtora para poder aprovar seu próprio projeto, perante a Prefeitura. E eu disse, certa ocasião, aos funcionários responsáveis da Prefeitura o seguinte: “Olha, o nosso diploma de arquiteto, nos outorga a responsabilidade de assinar nossos próprios projetos. Podemos até não nos responsabilizar pela execução da obra, mas o Projeto de Arquitetura é de nossa total responsabilidade.”

Quando surgiu o Plano da Barra, de fato, foi de grande impacto na Cidade. Eu trabalhava no DER e foi o próprio DER que convidou o Lucio Costa para fazer o Plano da Barra da Tijuca, no intuito de se prevenir contra a especulação imobiliária. E como se sabe, o Lucio fez aquele plano idílico, mas que foi totalmente desfigurado posteriormente. E o próprio Lúcio Costa repudiou estas mudanças que foram feitas no seu plano original.

Dedicatória de Marcos no livro de poesias "Dimensões", volume da biblioteca do IAB-RJ

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