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interview ISSN 2175-6708

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Nesta entrevista, Renato Viégas fala sobre sua formação, o início da carreira e seus dilemas, a opção pelo trabalho no Estado e as possibilidades de realizar grandes obras de infra-estrutura em São Paulo

how to quote

JEREZ, Clarissa Turin; MELLO, Joana. Renato Viégas. Entrevista, São Paulo, ano 09, n. 035.02, Vitruvius, jul. 2008 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/09.035/3286>.


Residências Indaiatuba. Arquitetos Renato Viégas, Fernando Viégas e Cristiane Muniz

Clarissa Turim Jerez: Além da Companhia de Metrô você trabalha em algum escritório ou outra companhia atualmente?

Renato Viégas: Não. Desde que assumi o cargo de diretor não tive mais tempo, não me pareceu muito adequado. A disponibilidade não é só de tempo. Os problemas de gestão e os institucionais absorvem muita energia, a maioria das vezes gasta desnecessariamente.

CTJ: Você acha que o fato de os seus dois filhos terem optado pela arquitetura e a mais nova ter se ligado, ainda que indiretamente, à profissão revelam a centralidade da arquitetura na sua vida? Como foi trabalhar com eles?

RV: Nunca fiz proselitismo. Quando o Fernando se decidiu fiquei apreensivo, prevendo certas angústias pelas quais iria passar. Pensando melhor, vi que essas haviam se originado de minhas vicissitudes em relação à profissão e não conhecia os problemas das outras alternativas. Trabalhar com eles foi sempre prazeroso. Nunca foi uma relação muito profissional, continuada. Era natural que enquanto o casal (Fernando Viégas e Cristiane Muniz) era estudante, estagiasse em meu escritório. Isso ocorreu entre 93 e 94, período que fiquei afastado do metrô, cedido a outras empresas. Havia constituído a Polis Arquitetura e Engenharia com um primo – o engenheiro Franklin Viégas. Foi ainda na Polis que fizemos as casas de Indaiatuba, a do Franklin e o hotel de Búzios. Já com eles sócios do UNA Arquitetos, desenvolvemos alguns estudos para o Metrô do Rio e a Escola de Poá – que valeu prêmio do IAB. Com a Mariana, realizamos, entre outros, o projeto de uma estação padrão para a linha A da CPTM. Também projetamos uma casa em Atibaia – que foi construída. A Mariana desenvolveu um TGI muito bom, sobre o trecho ferroviário entre Luz e Barra Funda. Na apresentação, o Antonio Carlos Barossi, orientador da Mariana, me fez comentá-lo – foi emocionante. A Bebete, minha filha mais nova, formou-se em cinema na FAAP mas logo cedo direcionou sua carreira para a fotografia. Fez vários cursos complementares. Entre eles fotografia de arquitetura, com o Nelson Kon, no SENAC. Ela então começou a trabalhar com o UNA, com a Mariana, e com outros arquitetos, inclusive o Paulo Mendes da Rocha. É hoje professora do SENAC na cadeira de fotografia de arquitetura.

CTJ: O que eu estou querendo dizer é que talvez o fato de você ser um apaixonado pela arquitetura de alguma maneira induziu essa paixão em seus filhos?

RV: Em casa se falava, se fala, muito de arquitetura. Tudo que eles fizeram eu acompanhei de perto. Eles começaram a ter compreensão sobre o que seja trabalhar quando eu estava no Metrô – no meu retorno, em 77. A arquitetura sempre se fez presente em casa, para além do trabalho. Os livros e revistas de arquitetura e artes plásticas, em geral, são objetos muito bonitos. Por outro lado não percebiam aquela ruptura, muito nítida para outros profissionais, entre lazer e trabalho. Às vezes iam me buscar no metrô, o ambiente era muito bom, de muita camaradagem. O Roberto Mac Fadden foi meu vizinho, e tinha filhos da mesma idade. Outros colegas arquitetos nos visitavam.

CTJ: Você deu aula em outras faculdades além da FAAP no IAD? Como é essa experiência de professor? Isso te ajudou na produção arquitetônica?

RV: Eu nunca dei aula de arquitetura. Dei palestras sobre projeto e planejamento, o que é diferente. É um conhecimento condensado de sua própria experiência. Procuro sempre respeitar qualquer interlocutor, deixar claro as intenções dos projetos. Não sei se daria conta de passar e acolher tantas preocupações o tempo todo. No IAD, dava aula de desenho e composição e também design que chamava-se Desenho do Objeto. Fazia um esforço enorme para interessar o grupo. Inventava trabalhos. Achava que tinha descoberto algo que podia interessá-los e a resposta era muito pequena. Ainda assim foi gratificante ver alguns talentos desabrocharem. Creio que não passaram de três ou quatro. Na memória, com clareza, ficou apenas uma que foi ser artista plástica. Acho que só poderia dar aula com muita dedicação – o que era incompatível com o caminho que trilhei.

CTJ: Quais arquitetos você admira atualmente?

RV: O Paulo Mendes da Rocha conseguiu com seus trabalhos mais recentes tornar muito evidente a consistência de todo seu percurso. Apresenta sempre soluções muito específicas para os programas, entendidas como algo que o arquiteto não deve receber como coisa dada. Trabalha com e para além dos programas. A técnica construtiva e a escolha dos materiais também caminham juntas, sem exibicionismos, nessa conformação do lugar para habitat do homem. Nesses aspectos os exemplos mais fortes são, digamos, as reformas da Pinacoteca e do Edifício da FIESP – expressões da dinâmica vida das cidades. Creio que considerações semelhantes poderiam se aplicar a Álvaro Siza. As respostas são diferentes. No Siza, vejo uma procura pela máxima carga expressiva com o mínimo de elementos – o que no dizer do Rubem Braga é o luxo dos grandes artistas.

Residência Franklin Viégas. Arquitetos Renato Viégas, Fernando Viégas e Cristiane Muniz


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