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interview ISSN 2175-6708

abstracts

português
Entrevista com o professor português Duarte Cabral de Mello abordando sua trajetória como crítico e acadêmico

español
Entrevista con el profesor portugués Duarte Cabral de Mello se acerca su carrera como crítico y académico

how to quote

FERREIRA, M. Piedade; GUTIÉRREZ MOZO, María Elia. Entrevista com Duarte Cabral de Mello. Intelectual português aborda sua trajetória como crítico e acadêmico. Entrevista, São Paulo, ano 14, n. 055.04, Vitruvius, ago. 2013 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/14.055/4830>.


Álvaro Siza Vieira e Duarte Cabral de Mello, VII Bienal Iberoamericana de Arquitetura e Urbanismo, Lisboa, 2008
Foto divulgação [Acervo BIAU]


Nos anos 70, depois de uma série de contatos com colegas de várias nacionalidades em congressos Portugal e Barcelona, dos quais se destacam figuras ilustres como Fernando Távora, Nuno Portas, Carlos Duarte, Álvaro Siza Vieira, Oriol Bohigas e Frederico Correa, tem a oportunidade de jantar com Peter Eisenman. Após levar com “um dedo na ferida” Eisenman convida-o para se lhe juntar no IAUS.

O seu trabalho de investigação no IAUS debruçou-se principalmente sobre os jogos que iniciara com a “poesia concreta”, de modo que foi responsável pelo lettring e grafismo da revista publicada pelo instituto, a “Oppositions”. No entanto, também escreveu artigos que na altura não foram considerados publicáveis mas cujos temas desenvolveu nas sua restante obra escrita, especialmente na tese de Doutoramento.

M. Piedade Ferreira: Esta atitude crítica, que aliás transportou consigo para o ensino e a prática, surgiu instintivamente de uma necessidade de afirmação intelectual ou foi também influenciada pelo contexto social e político da época, no sentido de corresponder a um desejo de libertação?

Duarte Cabral de Mello: O que me tem movido e feito viver é a curiosidade e a vontade de entender melhor o mundo em que estou, tentando construir a sua maior legibilidade apoiado num coletivo alargado; empenhado em que ele seja, ou volte a ser, a base do florescimento da vida na Terra. A afirmação intelectual não me interessa porque vai ao arrepio disto.

O desafio do Peter Eisenman animou-me durante anos. Valeu e vale.

MPF: Pode falar-nos um pouco acerca destes temas e porque na altura terão sido considerados demasiado arriscados para publicação?

DCM: Importa esclarecer que o trabalho de investigação que desenvolvi no IAUS se centrou nos problemas da aquisição e mudança de sentido do Meio Físico Construído; mesmo quando participei nos projetos encomendados a este Instituto com objetivos mais operativos e concretos. O meu trabalho real foi o de estudar aquele Meio e procurar, sincrônica e diacronicamente, a articulação entre o seu desenho e o seu impacto sobre a vida das pessoas que o habitam, estudo esse que me parece hoje ainda mais pertinente, mais necessário e mais urgente do que há quarenta anos.

Na altura esse trabalho, necessariamente rudimentar ainda que pioneiro, caía fora do quadro de referência dominante no Instituto e, por isso, os referidos escritos terão sobrado do plano inicial de publicação das Oppositions.

Por fim, as minhas incursões na poesia concreta foram meramente operativas para construir com o Mario Gandelsonas o nome da revista que tínhamos decidido publicar.

MPF: Até que ponto pensa que esta mistura entre a Arquitetura e um contexto assumidamente artístico influenciou o trabalho que se realizava no Instituto? Existia mais espaço para o erro e a experimentação no projeto, assim como a abertura para a crítica de arquitetura através de meios como a performance e a instalação? Até que ponto considera que isso hoje ainda é possível?

DCM: É comum imaginar-se que instituições como o IAUS se constituam como verdadeiras torres de marfim; espaços de liberdade sem peias nem limites. Mas, na verdade, o IAUS, como muitas instituições congêneres, vivia de promover e/ou de responder a investigações muito concretas, como por exemplo os dois projetos em que colaborei: (1) o The Street as a Component of the Urban Environment, estudo sobre o papel das ruas no espaço urbano, para U.S. Dept. of Housing and Urban Development (1970-1973) e o The Design of Alternative Low-Rise High-Density Housing, feito conjuntamente com a New York State Urban Development Corporation (UDC) entre 1970 e 1973. E, o projeto Generative Design Research Program, que, entre 1972 e 1973, desenvolvi conjuntamente com o Peter Eisenman, o Mário Gandelsonas e a Diana Agrest, foi financiado pelo US National Institute for Mental Health (NIMH).

Tudo o resto – as exposições, as conferências, os debates e convívios abertos que, no início dos anos 70, transformaram o IAUS numa instituição muito viva e num lugar de passagem quase obrigatório para um número crescente de pessoas com formações e nacionalidades diferentes – resultou do grande empenhamento dos membros do Instituto, da gestão dos projetos encomendados, de uma rede alargada de contatos e do apoio de mecenas que consideraram essas atividades polarizadoras da vida cultural novaiorquina.

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