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interview ISSN 2175-6708

abstracts

português
Nessa entrevista, feita em Stuttgart, Milos Dimcic descreve o tipo de trabalho que faz e fala sobre as dificuldades de ser contratado por arquitetos para desenvolver projeto algorítmico e participar nas fases iniciais do processo.

english
In this interview, set in Stuttgart, Milos Dimcic describes his work area and talks about the difficuties of being hired by architects to develop algorithm projects and participate in the initial steps of the architectural process.

how to quote

CELANI, Gabriela. Aprendendo com os erros dos outros. Entrevista com Milos Dimcic. Entrevista, São Paulo, ano 16, n. 064.05, Vitruvius, dez. 2015 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/16.064/5824>.


CocconPavilion [Foto divulgação]


Gabriela Celani: Que tipo de trabalhos vocês fazem no Programming for Architecture, pode-se comparar ao trabalho de outros consultores, como designtoproduction, designtofabrication, OnetoOne ou Imagine Computation?

Milos Dimcic: Eu não sei exatamente o que eles fazem, mas em termos gerais o que nós fazemos deveria ser semelhante. Nós temos o mesmo tipo de escritório. O que eu acho que é diferente entre eu e a maioria dos outros é que eles colaboram principalmente com arquitetos, enquanto que eu colaboro com engenheiros estruturais e com empresas construtoras, como a Seele (www.seele.com). Alguns deles colaboram com construtoras, mas eu colaboro com engenheiros estruturais, porque no meu doutorado eu desenvolvi esse nicho de análise estática. Eu posso rodar algoritmos que rapidamente geram as estruturas. Com esses algoritmos eu posso fazer a otimização estática. Eu não acho que nenhum deles pode fazer isso, e esta é a razão pela qual eu tenho recebido muitos trabalhos de engenheiros estruturais.

GC: E quanto ao projeto das estruturas? A designtoproduction, por exemplo, não projeta os edifícios. Eles recebem o projeto dos arquitetos e eles fazem o modelo paramétrico ou desenvolvem o detalhamento algoritmicamente. Qual a relação entre o seu trabalho e o trabalho do arquiteto em termos do projeto?

MD: O problema é que eu sou jovem e não sou alemão. Eu não tenho nenhum contato aqui. Pessoas como Arnold Walz (4) têm atuado no mercado há muito tempo e eles têm muitos contatos, amizades, etc. Então, se eu ofereço algum serviço para um arquiteto, mas ele não me conhece, não somos amigos, não temos nenhuma conexão, ele jamais me daria o trabalho, por uma simples razão: na fase de projeto você não está limitado ou amarrado a nada. Não tem prazos, não tem precisão sobre o que você quer fazer. Quando eu trabalho com empresas como a Seele, não há espaço para experimentação. Eles me dizem exatamente o que eles querem que eu gere; eles me dão as regras e eu devolvo a eles elementos precisos, com parafusos e porcas, etc. No entanto, na fase de projeto ainda há espaço para criar. Então, um arquiteto pode vir me perguntar: o que você pode fazer? E eu direi eu posso fazer isso, e aquilo, e aquilo outro. Então ele vê isso e se ele não quiser me pagar ele simplifica o problema de um modo que um estagiário que sabe Grasshopper consegue fazer, pois na fase de projeto é possível fazer de uma maneira simplificada. E eu sinto que é por isso que eu não recebo projetos de arquitetura, e eu sinto que é por isso que outros pegam este tipo de trabalho, por conta dos bons contatos, então os arquitetos pedem que eles façam. Talvez eles pudessem fazer com um estagiário, mas eles se conhecem por vinte anos, então eles dizem “eu vou deixar você fazer pra mim”.

GC: Isto nos traz a um tópico muito interessante na arquitetura, que é a necessidade de incorporar o desempenho estrutural logo nas fases iniciais do projeto, o que geralmente não ocorre pois os arquitetos não têm esse conhecimento e eles não querem pagar alguém que tenha. Então, o que seria ideal em termos da relação entre o design estrutural e o projeto conceitual?

MD: Isto é exatamente o grande problema, e eu disse um milhão de vezes na minha vida: arquitetos querem economizar dinheiro no começo, por isso eles não contratam alguém que programa. Se você começa a trabalhar no projeto logo no início e você desenvolve algum algoritmo durante o processo, então quando a fase conceitual terminar, você tem tudo parametrizado, você já tem seu algoritmo, então daí em diante você pode automatizar o processo inteiro. Mas o problema é que os arquitetos não estão preocupados com o que acontece depois. Geralmente eles tentam economizar dinheiro na parte que compete a eles no processo. Então, somente se você trabalhar para uma empresa que faz tudo, do projeto conceitual até a construção, eles conseguem entender o valor da automação. Mas os arquitetos não têm interesse nisto, no entanto eu tenho mostrado a eles (as vantagens de ter um programador desde o início). Em um orçamento para um projeto não há verba para a programação. Há o projeto arquitetônico, há a análise estrutural, há a construção, mas não a programação. E então pessoas como nós precisam ser contratadas e um dos envolvidos tem que nos pagar, aí eles brigam entre si sobre quem irá pagar. Eu recentemente tive um projeto com esse problema. Os arquitetos disseram que eles iriam entregar uma estrutura de cobertura com forma livre para os engenheiros estruturais, então eles poderiam analisar. Mas a estrutura era muito complexa, então deveria ser programada. E a questão era quem iria pagar por isso: os arquitetos ou os engenheiros. No final os engenheiros estruturais foram os que me pagaram pela automação, mas eu não acho justo. Os arquitetos deveriam entregar uma estrutura resolvida, mas isso nunca acontece.

Quando eu estava no Brasil, depois de conversar com a Caroline Bos (sócia do UN Studio que também foi palestrante no CAAD Futures), eu percebi que existem grandes escritórios de arquitetura que fazem o projeto, e há essas grandes empresas de construção como a Seele que constroem esses projetos. Entre eles não há competição ou sobreposição de tarefas. Então eles querem me contratar, pelo meu tipo de consultoria que eles não sabem fazer. O objetivo dos grandes escritórios de arquitetura ou das grandes construtoras é fazer o que eu faço dentro dos escritórios, então eles não precisam terceirizar. Assim, eu só posso pegar projetos se eu fizer algo que ninguém dentro dos escritórios deles consegue. É a única maneira que eu consigo trabalhar. A Seele está em 15 países e tem mil funcionários, e somente quando ninguém consegue fazer algo é que eles vêm a mim. E muitas vezes eles me pedem para dizer o que eu faria, então eles dizem que é muito simples e que eles podem fazer sozinhos. Eles somente me contratam se é algo extremamente complexo, o que nem eu sei exatamente se eu posso fazer, mas eu geralmente digo que posso. Então eu me estresso até achar um jeito, e isso é bom pra mim, pois eu aprendo e evoluo. É muito estressante, mas é a única maneira que você consegue trabalho. Então o que fazemos é muito instável no mercado hoje em dia.

GC: Você poderia me contar sobre os projetos no qual você está trabalhando agora?

MD: Eu estou trabalhando no prédio da Bloomberg em Londres atualmente, do Foster, e a Seele está fazendo a construção. Eu estou fazendo a programação de uma balaustrada e será por 2 a 3 meses. E o sistema de fachada paramétrico Schüco ainda está acontecendo, pois nós estamos fazendo algumas análises estáticas adicionais. Agora eu estou incorporando algumas peças de silicone e estou calculando as forças sobre elas. E isso tem sido feito por quase um ano. Eu também estou trabalhando em um pavilhão com Göran Pohl do PohlArchitects. É um projeto que foi desenvolvido na universidade de Saarbrücken e está sendo produzido pela Fiber-Tech (5). Parece um projeto que o Pohl fez anteriormente, o Cocoon. 

GC: E você trabalha por conta própria?

MD: Neste trabalho que estou fazendo em Londres eu não sabia que seria tão intenso. Eu não tinha experiência trabalhando para uma companhia tão grande e então eu calculei errado a quantidade de trabalho. Agora a minha irmã está me ajudando, mas ela mora na Sérvia. Eu gostaria que ela viesse para a Alemanha, mas eu ainda não posso pagar a ela o suficiente para vir. Alguém me disse que como eu trabalho em uma área tão instável eu deveria calcular quando eu preciso e então multiplicar por cinco. Mas o que eu estou fazendo agora é calcular quanto eu preciso e dividir por dois, pois é muito difícil conseguir (trabalho).

GC: E a sua irmã também é uma programadora?

MD: Ela é uma arquiteta e eu estou a ensinando a programar, mas no momento ela está ajudando com coisas que não estão relacionadas a desenvolver código.

Peça desmontada [Foto divulgação]

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