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my city ISSN 1982-9922

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CLARO, Mauro. Recuperação e restauro da Capela Cristo Operário: uma obrigação. Minha Cidade, São Paulo, ano 01, n. 012.03, Vitruvius, jul. 2001 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/01.012/2084>.


Capela Cristo Operário, em São Paulo
Fotos Mauro Claro


Cristo operário, Mural de Alfredo Volpi
Fotos Mauro Claro

Sagrada Família, Mural de Alfredo Volpi
Fotos Mauro Claro

Santo Antônio, Mural de Alfredo Volpi
Fotos Mauro Claro

Situação dos edifícios no terreno: a) Capela; b) Casa abandonada; c) Galpão (oficinas da antiga Unilabor); d) Edifício de três pisos (oficinas da antiga Unilabor); f) Galpão (oficinas da antiga Unilabor); g) Casa do capelão

 

O edifício da Capela Cristo Operário é o testemunho presente de um projeto de ação junto a uma comunidade de trabalhadores fabris de um bairro popular na cidade de São Paulo na década de 50.

Esse projeto de ação comunitária foi liderado por um padre dominicano que trouxera, de sua experiência como padre e operário na França na década de 30 e de sua militância no movimento Economia e Humanismo, a visão de um trabalho que vinculasse a atuação pastoral com o enfrentamento das contradições materiais da vida da população pobre.

O edifício da Capela é, também, a única parte desse projeto que restou intacta. A comunidade constituída a partir de 1954 em torno da Unilabor – empresa fabricante de móveis modernos e que foi a alma do projeto – dissolveu-se entre 1965 e 1967 por motivos ideológicos, econômicos e políticos.

A empresa Unilabor foi criada por iniciativa desse padre dominicano, Frei João Batista Pereira dos Santos (1913-1985) e do designer Geraldo de Barros (1923-1998) e começou a funcionar em agosto de 1954. Sua principal característica foi o funcionamento interno em moldes de autogestão e a consideração de que os frutos do trabalho coletivo deviam pertencer a toda a comunidade, constituída pelos operários e suas respectivas famílias.

Conforme está dito no artigo primeiro de seu estatuto, a empresa pretendeu funcionar "internamente como comunidade de trabalho, fora do sistema capitalista". Pode-se dizer que a Unilabor constituiu a parte central do projeto de Frei João – na medida em que era a sua porção econômica.

A porção religiosa do projeto, representada pela existência de uma Capela consagrada ao Cristo Operário, vem completar a idéia do empreendimento como projeto abrangente, que tentou questionar e elaborar as relações de classe no cotidiano.

A criação da Capela, a partir de uma construção simples que servira de armazém outrora, envolveu uma plêiade de artistas plásticos, arquitetos e intelectuais que se juntaram a essa direção religiosa-católica.

Tal colaboração nasceu da vontade comum de colocar ao alcance dos trabalhadores não apenas os elementos mais básicos para a sua sobrevivência, como a possibilidade de trabalhar e ganhar o pão de cada dia, mas também o que de melhor a arte e a cultura podiam produzir objetivando, além do progresso material, também o crescimento espiritual.

A obra de decoração da Capela foi executada entre 1950 e 1953 por alguns dos mais atuantes artistas e arquitetos modernos (entre eles o pintor Alfredo Volpi e o designer Geraldo de Barros) e compõe-se de um conjunto de sete pinturas murais, cinco vitrais, luminárias, mobiliário e objetos para o culto, além dos jardins na área externa executados a partir de indicações do paisagista Roberto Burle-Marx.

As pinturas murais, os jardins e o próprio edifício da Capela necessitam de cuidados de restauro e conservação uma vez que problemas estruturais de construção do edifício vêm causando prejuízos às pinturas murais no seu interior e ameaçando a própria edificação.

A importância destas obras e de muitos dos seus autores para a história da arte e da arquitetura brasileiras e a importância social do próprio empreendimento que se instalou a partir da Capela compõem o rol de motivos que apresentamos para este pedido de patrocínio.

A importância destas obras e de muitos dos seus autores para a história da arte e da arquitetura brasileiras e a importância social do próprio empreendimento que se instalou a partir da Capela compõem o rol de motivos que tornam obrigatória a sua recuperação e restauro.

As pessoas, empresas ou instituições que puderem colaborar - com projetos, material, equipamentos, mão-de-obra especializada ou patrocínio financeiro - poderão entrar em contato com alguma das pessoas envolvidas neste projeto (telefones no final deste texto).

Tramita atualmente no Conpresp – Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – pedido de tombamento da Capela sob o seguinte número de processo: 2001-0.115.808-0.

Dados do projeto

sítio e edificações

O terreno onde está situada a Capela tem cerca de 5000 m2 (estimativa) e possui mais cinco edifícios, listados a seguir:

– Capela;
– Casa abandonada;
– Galpão (oficinas da antiga Unilabor);
– Edifício de três pisos (oficinas da antiga Unilabor);
– Galpão (oficinas da antiga Unilabor);
– Casa do capelão.

lista de obras de arte que integram a Capela Cristo Operário, em São Paulo

Alfredo Volpi

– mural Cristo Operário;
– mural Sagrada Família;
– mural Santo Antonio;
– vitral São Mateus;
– vitral São Marcos;
– vitral São Lucas;
– vitral São João.

Yolanda Mohalyi

– mural Anunciação;
– mural Pomba da Paz;
– mural Arvore da Vida.

Giuliana Segre Giorgi (autoria presumível)

– mural nascimento de Cristo.

Geraldo de Barros– vitral da Sacristia
– armários da Sacristia.

Roberto Burle-Marx

– paisagismo dos jardins.

Moussia Pinto Alves

– escultura São João Batista;
– escultura Nossa Senhora.

Elizabeth Nobiling

– pia batismal;
– castiçais do Altar;
– luminárias.

Giandomenico de Marchis

– objetos para o culto.

Robert Tatin

– pia de água benta.

endereço

Capela Cristo Operário
Rua Vergueiro 7290
Vila Brasílio Machado
04272-300
São Paulo SP Brasil

contatos para apoio e patrocínio

Fone da Capela: 011 5062.5520
Fone do Padre Ricardo: 011 5073.2819 / 5073.5096
Fone da Relações Públicas Marinês de Souza Mendes: 011 5073.0435 / 9232.8532
Fone do Arquiteto Mauro Claro: 011 257.7678 / 9614.2228

bibliografia sobre a Capela Cristo Operário e a Unilabor

ARAÚJO, Olívio Tavares de. Volpi - projetos e estudos. In: VOLPI - projetos e estudos em retrospectiva - décadas 40/70. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1993. (136 p.) p. V-XXVIII.

ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo - introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. São Paulo: José Olympio, 1954.

BASTIDE, Roger. A capela do Cristo Operário. Anhembi, São Paulo, v. 4, n. 12, p. 558-61, nov. 1951.

BETING, Graziella. Modernidade na capela - igrejinhas escondidas em cidades e fazendas exibem obras de importantes artistas plásticos. Gazeta Mercantil, São Paulo, Caderno Fim de Semana, p. 1-2, 22/12/2000.

CLARO, Mauro, SZMRECSANYI, Maria Irene. Arte moderna, trabalho e resgate humanístico do cotidiano na Capela do Cristo Operário: São Paulo, 1951-1967. Revista Pós, Universidade de São Paulo, FAU, n. 5, p. 139-49, abril 1995.

CLARO, Mauro. Móvel Unilabor: motivação e sistemática da produção de móveis modernos numa comunidade operária em São Paulo (1954-67). P&D Design 98 - 3º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, 25-8/10/98. Anais. Rio de Janeiro: AEND-BR, 1998. v. 2, p. 485-97.

CLARO, Mauro. Unilabor: desenho industrial e racionalidade moderna numa comunidade operária em São Paulo (1950-67). Universidade de São Paulo, FAU, dissertação (mestrado), professora orientadora Maria Irene Szmrecsanyi, professora co-orientadora Maria Cecília França Lourenço, 1998. 149 p.

COUTO, José Geraldo. O móvel utópico. AD – Arte e Decoração, São Paulo, p. 98-103, n. 220, maio 1998.

GASPARI, Elio. O mural do Cristo Operário de Volpi vai se acabar. Folha de São Paulo, caderno 1, p. 18, 22/10/97.

GERALDO de Barros - o precursor. Design & Interiores, São Paulo, n. 28, p. 49-53, jan-fev 1992.

RAJCZUK, Leandra. Memória e cultura falam no Jardim da Saúde. Jornal da USP, São Paulo, p. 10-1, 2-8-1999.

SANTOS, João Batista Pereira dos. Unilabor - uma revolução na estrutura da empresa. São Paulo: Duas Cidades, 1962. 161 p.

sobre o autor

Mauro Claro é arquiteto (FAU-USP, 1979), realizou mestrado tendo como tema de dissertação a empresa Unilabor (FAU-USP, 1998) e é atualmente doutorando na área de história e teoria do desenho industrial. É professor de desenho industrial da Universidade Mackenzie.

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