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my city ISSN 1982-9922

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Edifício de valor histórico, a Creche Marina Crespi está sendo demolida. O texto registra a solicitação de processo de tombamento do imóvel.

how to quote

FRANCO MARTINS, Alexandre. Creche Marina Crespi. Pedido de tombamento de edifício em demolição. Minha Cidade, São Paulo, ano 10, n. 119.05, Vitruvius, jun. 2010 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/10.119/3473>.



São Paulo, 27 de junho de 2010.

Ao CONPRESPA/C José Eduardo de Assis Lefèvre (Presidente)Ref.: Demolição do Edifício Creche Marina Crespi / Associação Montessori do Brasil / Fundação Ninho-Jardim Condessa Marina Regoli Crespi

Pedido de tombamento

Objetivando a preservação do patrimônio cultural, histórico e arquitetônico do bairro da Mooca, constituído principalmente por exemplares pertencentes à arquitetura industrial e ferroviária do final do século XIX e início do século XX, (uma vez que ambas estão conectadas comercial e fisicamente), vimos através desta fornecer subsídios que permitam a abertura do processo de tombamento de edificações significativas ao desenvolvimento do bairro acima citado bem como o engrandecimento de São Paulo como província e posterior Estado do Brasil.

As informações detalhadas a seguir visam à abertura do processo de tombamento do edifício da Creche Marina Crespi/ Associação Montessori do Brasil, que está sendo demolida neste momento, localizada na Rua João Antonio de Oliveira, nº 59, Mooca, São Paulo – SP.

Histórico

O Edifício da creche Marina Crespi localiza-se na Rua João Antonio de Olíveira, nº 59, no bairro da Mooca, São Paulo. Segundo informações contidas na publicação Arquitetura Italiana em São Paulo, de Anita Salmoni e Emma Debenedetti, foi inaugurada em 1936, a partir do projeto do Arquiteto Italiano, Giovanni Batista Bianchi (1).

Conhecida como “Nido” (Ninho em italiano) Marina Crespi, o edifício foi construído para ser a creche do Cotonifício Crespi (2), importante indústria têxtil existente no bairro da Mooca, cujos edifícios fabris, alguns ainda remanescentes, também foram projetados pelo mesmo profissional:

“A Creche Condessa Marina Crespi funcionava e ocupa, ainda hoje, um excelente edifício construído em 1936. Começou a funcionar em 1937, por iniciativa ‘da Condessa que foi buscar na Itália a planta e o funcionamento’, segundo um informante. Consta como autor do projeto Giovanni Batista Bianchi.

A creche destinava-se aos filhos das operárias. Em 1966 a Condessa afastou-se da creche, segundo informaram suas atuais mantenedoras, Irmãs Franciscanas Missionárias. Mas o cotonifício continuou a administrá-la até 1973 (segundo informantes da creche), ou até 1968-69 (segundo informantes do cotonifício) e posteriormente se afasta.

Atualmente a creche atende crianças de 0 a 6 anos, mediante pagamento que, em 1977, era de CR$500,00, no máximo, podendo ser menos conforme o salário da interessada. A creche situa-se na Rua Antônio de Oliveira, 59, a uns 500 metros do cotonifício” (3).

A creche era um dos equipamentos que compunham as instalações do complexo industrial do Cotonifício Crespi: edifício fabril, vila operária, campo de futebol (atual Juventus), escola e creche, etc.

“A constante ampliação do capital permite a expansão da indústria, que constrói em seu redor todo um aparato a seu serviço e para uso dos empregados. Além do edifício da fábrica foram construídas casas, entre elas as das “Trav. Cav. Rodolfo Crespi”, que é na verdade uma vila, a Creche Condessa Marina Crespi, o estádio da Rua Javari, atualmente pertencente ao Clube Juventus, e que se chama Estádio Conde Rodolfo Crespi” (4).

É importante frisar que os edifícios que faziam parte do complexo industrial e de seus equipamentos não estavam concentrados, mas ficam separados pelas ruas do loteamento. Isto torna-se mais fácil de entender se compararmos com a configuração espacial da Cia. Nacional da Juta e da vila Maria Zélia, contemporânea ao Cotonifício Crespi. Na Cia. Nacional da Juta, a vila e os demais equipamentos, como escola, igreja, armazém, etc, estavam conjugados com o terreno da fábrica e foram construídos todos ao mesmo tempo, seguindo um projeto arquitetônico e pode-se até dizer, urbanístico, e no caso do Cotonifício Crespi, os equipamentos estão dispersos e foram construídos em datas e períodos distintos:

“Em 1912 o empresário Jorge Street compra as terras do Cel.Fortunato Goulart (o terreno ia do rio Tietê até a Av. Celso Garcia ) para dar inicio ao projeto de construção da Fábrica e da Vila Operária Maria Zélia.A Vila foi projetada pelo arquiteto Paul Pedraurrieux, baseada nas cidades européias do início do século, como podemos notar pelo quadriculado de suas ruas e pela ornamentação de suas edificações. Tratava-se de uma mini cidade: Capela, Jardins, duas Escolas (Meninos e de Meninas), creche, coreto, armazéns, ambulatório médico, dentista, açougue e salão de festas, que representavam um avanço para a política industrial da época.

Street chefiava a execução do projeto pessoalmente acreditava que 'não ia construir nenhuma obra de caridade, mas sim uma obra de justiça e de direito social'." (5)

O prédio da creche, hoje encoberto pela vasta vegetação existente em seu terreno, tem características distintas, que o caracterizam como impar na cidade de São Paulo, não assemelhando-se com qualquer outro edifício construído no período, quer seja por sua arquitetura, com características que o aproximam à composição de navios e embarcações, quer seja pela função, um edifício próprio para creche. Neste caso, arquitetura e programa são modernos:

“por fim, a creche dos Cotonifícios Crespi na Mooca. Apesar de ter sido terminado quase oito anos depois da inauguração da primeira casa de Warchawchik, a creche, com suas delgadas colunazinhas de base, as faixas horizontais de tijolos, delineadas por alvenaria, e as amplas janelas, pareceu tão radicalmente moderno, que alguns dos jornais insurgiram-se e o censuraram. A nosso ver, trata-se da melhor obra de Bianchi” (6).

Originalmente, o edifício possuía três pavimentos, térreo, 1º andar e 2ºandar, sendo que parte deste último pavimento utilizada como terraço descoberto. Sua planta é em forma de “J” e é organizada longitudinalmente por um eixo central, correspondente aos corredores, que separam as salas. Na extremidade esquerda, possui três corpos semi-circulares salientes. O acesso principal é marcado por uma escadaria dupla.

Com o passar dos anos e com a necessidade de mais espaço, o terraço descoberto de parte do 2º andar foi coberto e transformado em salas, alteração que não comprometeu a qualidade do projeto original.

Neste edifício é valido traçar um paralelo com o texto de Le Corbusier em Por uma Arquitetura, quando este autor versa sobre as qualidades do desenho dos transatlânticos e as recomenda aos arquitetos, ao examinar o navio Aquitania:

“Aos arquitetos: Uma parede toda em janelas, uma sala em plena claridade. Que contraste com nossas janelas de casas que furam uma parede determinando de cada lado uma zona de sombra tornando triste a peça e fazendo a claridade parecer tão dura que as cortinas são indispensáveis para peneirar e amortecer esta luz.

Aos arquitetos: O valor de longo corredor, volume satisfatório, interessante; a unidade de matéria, a bela ordenação de elementos construtivos, sadiamente expostos e reunidos com unidade.

Aos arquitetos: Formas novas de arquitetura, elementos na escala humana, vastos e íntimos, a libertação dos estilos asfixiantes, o contraste dos cheios dos vazios, das grandes massas e dos elementos graciosos” (7).

Apesar de utilizar materiais tradicionais, como tijolo aparente e argamassa raspada de revestimento, é interessante como Giovanni Batista Bianchi busca as características exaltadas por Le Corbusier em seu texto: janelas amplas, volume distinto, gradis limpos e esguios, ordenação dos elementos construtivos, etc.

E segundo Telma de Barros Correia, o edifício da creche é:

“Um exemplo expressivo de arquitetura de tendência art déco de inspiração náutica é o prédio da Creche Condessa Marina Crespi, construído na Mooca pelo Cotonifício Rodolfo Crespi. Projetado pelo arquiteto italiano Giovanni Battista Bianchi, em 1936, o prédio incorpora referências a passadiços e escotilhas, além mastros e formas curvas que também remetem a navios” (8).

Além de manter a sua função original desde a inauguração, o prédio também abrigou a Associação Montessori do Brasil (de 1969 a 1997), sendo a pioneira na aplicação do método Montessori e o Colégio Meta. Atualmente era utilizado como creche da prefeitura e sede da Fundação Ninho Jardim Condessa Marina Regoli Crespi.

Em meados do mês de junho de 2010, teve início a sua demolição. Como a visibilidade do edifício é prejudicada pelo muro que foi construído na testada do terreno e também pela existência de grandes árvores, sua destruição ocorre sem chamar a atenção.

Justificativa

Existem vários motivos relacionados não apenas à história do bairro da Mooca como também à história paulistana e paulista que justificam a medida solicitada.

É de pleno conhecimento, que a história do desenvolvimento da cidade de São Paulo, como metrópole, se deu a partir da industrialização da cidade, iniciada em meados do século XIX, quando se intensifica a fixação de imigrantes oriundos de diversas partes do mundo, principalmente europeus, e com a implantação da via férrea e das fábricas.

Esse processo se dá em várias direções, sendo que os terrenos da Mooca, Belém e Brás, devido à sua proximidade de rios e da ferrovia, mostram-se adequados à instalação das nascentes indústrias, principalmente têxteis, vidrarias e laminações.

As implantações das grandes indústrias contribuíram substancialmente na fixação da população e na urbanização no local onde eram erigidas, determinando, na maioria das vezes, o traçado do entorno da construção fabril e também os edifícios complementares necessários ao seu funcionamento e para uso de seus funcionários, como escolas, vilas operárias, creches, hospitais, etc, uma vez, que a cidade não estava preparada para suprir tais necessidades e era o empresário, no caso, o industrial que cumpria tal papel.

Além disso, cabe ressaltar o surgimento de novos programas associados à estes empreendimentos, e conseqüentemente, a necessidade de reflexão sobre a arquitetura que abrigará tais usos.

É neste contexto que identifica-se a importância do edifício e da creche Marina Crespi. Abaixo estão indicadas algumas das justificativas para a preservação deste edifício:

É um representante físico das novas funções criadas pela industrialização em São Paulo e também de propriedade de uma das primeiras manufaturas do estado (inaugurada em 1897);

Sua criação é fruto da idealização e trabalho de um imigrante italiano: Rodolfo Crespi – figura importante nos meios sociais e políticos da província e depois Estado de São Paulo (Presidente da Fábrica de Cimento Ítalo – Brasileira, Conselheiro do Banco Francês e Italiano para a América do Sul, presidente da sociedade Dante Alighieri, etc);

É uma das construções que compunham o complexo fabril do Cotonifício Crespi, juntamente como o edifício industrial, a vila operária e o estádio de futebol, todos ainda existentes;

Corresponde a materialização das conquistas sociais do operariado brasileiro, juntamente com as leis trabalhistas;

O projeto do edifício foi idealizado profissional italiano de destaque, cujos conhecimentos arquitetônicos estavam atualizados com o que acontecia na Europa. Com arquitetura de destaque na Itália, veio imigrado para o Brasil, onde foi o responsável pelo projeto de importantes obras para as principais famílias italianas em São Paulo, como os Matarazzo e os Crespi. Este fato não impediu que projetasse obras publicas em São Paulo e no interior (Ver lista de obras em anexo). Seu nome é Giovanni Battista Bianchi (1885-1942). Sua obra faz parte da produção arquitetônica realizada por profissionais imigrantes que se estabeleceram em São Paulo, e que foram os responsáveis pela introdução de novas linguagens e vertentes de pensamento, como Gregori Warchavchik (1896-1972), Daniele Calabi (1906-1964) e Giancarlo Palanti (1906-1977).

O edifício da Creche Marina Crespi contribui, para a arquitetura paulista, na medida em que apresenta uma organização volumétrica distinta, cujos referenciais não estão presentes na arquitetura brasileira produzida até então. A utilização de janelas amplas, gradis ortogonais sem elementos decorativos exarcebados, uma ordenação clara e racional dos elementos construtivos. Tais características não são encontradas na casa modernista criada por Warchavchik, por isso pode-se afirmar que a arquitetura de Giovanni Batista Bianchi é inovadoras para a época, principalmente aquela posterior a 1933, e pode ser considerada de vanguarda, juntamente com as obras de Warchavchik:

“a vida em Milão se lhe tornou difícil e resolveu então voltar para o Brasil, em 1933. Deste segundo período, terminado por uma trágica morte, em 1942, é a maior parte de seus trabalhos e talvez, também, a mais significativa. Seu estilo tinha sofrido uma transformação radical e se distinguia, agora, essencialmente, pela valorização dos elementos estruturais, evidenciados pela total abolição de toda decoração aplicada; pela busca em adaptar o edifício ao ambiente natural circunstante” (9).

Estes são alguns dos motivos para preservação do edifício, os quais, esperamos, sejam suficientes para justificar o tombamento de um patrimônio de tamanha importância para a comunidade, tanto como representante de uma tipologia construtiva, como de um momento histórico significativo para a construção da nossa memória e da nossa identidade como cidadãos.

No aguardo de um parecer favorável,

Alexandre Franco Martins

Notas

1
Giovanni Batista Bianchi (1885-1942). Nascido em 1885 em Erba, na Itália, formou-se na Escola de Belas Artes de Milão e estava inscrito regularmente no Álbum Profissional dos Arquitetos e Engenheiros Milaneses. Freqüentou o estúdio de Sommaruga, uns dos mais laboriosos arquitetos de Milão, e famoso pela arquitetura de estilo floreal. Giovanni Batista Bianchi veio para o Brasil em 1911e logo em seguida foi trabalhar na Diretoria de Obras Públicas. Foi sócio do Professor de resistência dos materiais da Escola Politécnica, Alberto Pozzo, com quem construiu alguns edifícios. Em 1927, vai a feira de Nova Iorque, onde constrói um pavilhão e em seguida volta à Itália, lá permanecendo até 1933. Por ter-se recusado inscrever-se ao “Fascio”, a vida em Milão torna-se complicada e decide voltar ao Brasil em 1933. Em novembro de 1942, Giovanni Batista Bianchi, suicida-se. Suas obras são as seguintes:

  • Publicação de duas fachadas, uma delas na Praça Morgagni, no livro italiano “Le Construzioni Moderne in Italia – Facciate di edif. in stile moderno");
  • Escola Normal de Botucatu;
  • Grupo Escolar Campos Sales no bairro da Liberdade (Rua São Joaquim);
  • Grupo Escolar do Bom Retiro (não executado);
  • Grupo Escolar da Lapa;
  • Grupo Escolar de Dois Córregos;
  • Grupo Escolar de Taubaté;
  • Edifício para o Corpo dos bombeiros na Praça João Mendes;
  • Grupo Escolar de Guatinguetá;
  • Escola Normal de Piracicaba;
  • Mansão Monte Murro (com Alberto Pozzo), na rua Peixoto Gomide;
  • Hospital Umberto I;
  • Mansão Gallian, na Avenida Paulista;
  • Casa para o Conde Adriano Crespi, na Avenida Paulista;
  • Casa de Dona Marina Crespi, na Avenida Paulista;
  • Casa de Dona Renata Crespi-Prado, na Avenida Paulista;
  • Edifício Crespi, na Rua São Bento;
  • Casa para o Conde Attilio Matarazzo, Avenida Paulista;
  • Arranjo da Fazenda Santa Cruz, do Conde Crespi;
  • Creche Marina Crespi, na Rua João Antõnio de Oliveira;
  • Casa para o Conde Adriano Crespi, em Santo Amaro;
  • Casa para o Conde Raoul Crespi, em Santo Amaro;
  • Casa própria, no Guarujá;
  • Casa própria em São Paulo, rua dos Belgas;
  • Grupo de casas na Alameda Itu, esquina com a Alameda Campinas;
  • Casa de Dona Renata Crespi-Prado, no Guarujá;
  • Casa Ibsen Ramenzoni, no Guarujá;
  • Casa Sr. Ciro Ramenzoni, na rua dos Franceses;
  • Casa do Engº La Villa , no Bairro do Pacaembu, no cruzamento de três ruas, Angatuba, Itaetém e Itaperuma;
  • Orfanato Cristóvão Colombo, no Ipiranga (não executado);
  • Projeto para um arranha-céu ao lado do Hotel Esplanada (não executado);
  • Ampliação do palacete do Conde Francisco Matarazzo (ampliando o palacete de Saltini);
  • Cotonifício Crespi, na rua Javari, Mooca;
  • Erigiu um pavilhão na Feira de Amostras de New York ;
  • Projetou a Igreja de Mussolini na Itália em 1933;
  • Restaurou a Mole Antonelliana;
  • Ganhou medalha de ouro no concurso para o arranjo da "Manica Lunga".

2
Rodolfo Crespi nasce em Busto Arzini, província de Milão, Itália, em 1874. Vem para o Brasil em 1893, por conta da firma E. D´El Acqua, onde trabalha até 1906. Logo funda, em sociedade, uma pequena fábrica de tecidos de algodão, atividade que lhe é familiar. É presidente da fábrica de cimentos Italo – Brasileira, Conselheiro Fiscal do Banco Francês e Italiano para a América do Sul, presidente do Instituto Colonial Italiano de São Paulo, presidente da Sociedade Dante Alighieri, presidente do Grupo Italiano, representante do Brasil na Exposição de Turim e membro da Comissão de Roma. Figura como grande acionista em diversas companhias e indústrias brasileiras.

O Cotonifício Crespi S/A resulta da firma Regoli, Crespi Co. estabelecida em 1897. Em 1906 é desfeita a sociedade, sendo constituída a firma Rodolfo Crespi e, em 1909, a mesma se torna uma Companhia, com um capital de 3.000:000$000. Seu escritório Adminstrativo esta localizado à rua do Rosário, 12, no palacete João Brícola. Ocupa uma área de 24.000m², sendo que a fábrica se distribui nas seguintes seções: fiação de algodão (20.000 fusos); fiação de cardados (4.000 fusos), onde se fia lã proveniente do sul do país; tecelagem de lã cardada e penteada (129 teares); tecelagem de algodão (700 teares); tinturaria e malharia. À tecelagem de algodão estão associadas outras seções, como as de acabamento e tinturaria, com outras máquinas auxiliares de alvejamento e mercerizagem, onde são produzidos brins, xales e flanelas.

Utilizando algodão comprado no interior de São Paulo e no Nordeste, sua indústria produz, de modo geral: trançados de algodão, cobertores de toda qualidade, colchas, fazendas, forros de cânhamo, galatea, sarjas, alpacas, tecidos estampados, Holanda, Kaki, pano para colchões, casimiras, toalhas para mesa, toalhas para rosto, seda, lã pura, etc. Contam – se aproximadamente 2.000 operários de ambos os sexos. As máquinas são movidas a eletricidade, totalizando uma potência de 1.500 HP. A produção anual é de 1.200kg de fios de algodão, 6.000.000m de tecido de algodão, 300.000kg de fios de lã e 600.000m de tecido de lã.

Informações disponíveis em CARONE, Edgard. A evolução industrial de São Paulo (1889-1930). São Paulo. Editora Senac, 2000, p. 185-186.

3
BLAY, Eva Alterman. Eu não tenho onde morar: Vilas operárias na cidade de São Paulo. São Paulo. Nobel, 1985, p. 268.

4
Idem, ibidem, p. 268

5
www.vilamariazelia.com.br/historia.htm, acessado em 27.06.2010 às 21:36hs

6
SALMONI, Anita; DEBENEDETTI, Emma. Arquitetura italiana em São Paulo. São Paulo, Perspectiva, 1981, p. 126.

7
LE CORBUSIER. Por uma Arquitetura. São Paulo, Perspectiva, 1998, p. 62, 63 e 64.

8
CORREIA, Telma de Barros. Art Déco e indústria – Brasil, décadas de 1930 e 1940. In. Anais do Museu Paulista. São Paulo, 2008, p. 79. Disponível em <www.scielo.br/pdf/anaismp/v16n2/a03v16n2.pdf>.

9
SALMONI, Anita; DEBENEDETTI, Emma. Op. cit., p. 125.

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