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my city ISSN 1982-9922

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QUEIROZ, Marcus Vinicius Dantas de. Qual é sua ideia para a feira de Campina Grande? Oficina de projeto participativo. Minha Cidade, São Paulo, ano 14, n. 165.02, Vitruvius, abr. 2014 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/14.165/5125>.



Durante os dias 31 de maio, 01 e 02 de junho de 2013, o Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Campina Grande (CAUUFCG) realizou a extensão universitária Qual é sua ideia para a Feira de Campina Grande? Oficina de Projeto Participativo. A ação foi fruto de uma parceria com a Secretaria de Planejamento do município (SEPLAN), e contou com o apoio e a participação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SEDE), Secretaria de Educação (SEDUC), Secretaria de Cultura (SECULT), Gerência de Vigilância Sanitária (GVISA) e Superintendência de Trânsito e Transporte Público (STTP) da Prefeitura Municipal de Campina Grande; Unidade Acadêmica de Ciências Sociais (UACS), Unidade Acadêmica de Design (UADesign), Unidade Acadêmica de História (UAHis), Unidade Acadêmica de Geografia (UAG) e grupo de extensão Campina Grande (PB), arquitetura e patrimônio cultural (PROBEX) da Universidade Federal de Campina Grande; Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Paraíba (CAUUFPB), Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco (CAUUFPE), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP).

Como em muitas cidades nordestinas, a feira está na origem do núcleo urbano de Campina Grande, ainda no século XVII. Assentado sobre o Planalto da Borborema, agreste paraibano, o município desempenhou papel de entreposto entre o litoral e o sertão, local de parada de tropeiros e viajantes, de encontro e transição de paisagens e culturas (Mata Atlântica –Caatinga, Tropical Litoral – Semiárido, Cana-de-açúcar - Agropecuária). Ao longo dos séculos, mesmo com as mudanças de lugar, a feira configurou e se tornou indissociável dos seus espaços suporte: ruas, becos, largos, casas de mercado, armazéns,conjuntos edificados, territórios, mercadorias, feirantes, fregueses, sons, cheiros, cores, sabores, modos de fazer, de vender e de se relacionar constituem um rico e sistêmico universo, capaz de permitir a experiência de volta no tempo e nos fazer compreender a construção de nossa própria identidade. A feira, livre, dos emboladores de coco, das memórias, da literatura de cordel, do verde do milho espalhado pelo chão no mês de junho, da informalidade, das bodegas, do inesperado, dos cassinos e cabarés, de Jackson do Pandeiro e de tantos outros ícones da cultura campinense e brasileira.

A partir do reconhecimento da importância social, econômica e cultural da Feira de Campina Grande para a cidade e região (candidata a Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil - IPHAN), e na tentativa de estabelecer e alargar o diálogo entre o tradicional/consolidado erecentes demandas, a Oficina de Projeto Participativo teve como objetivo a elaboração de diretrizes e partidos projetuais para a requalificação do espaço, nos campos do projeto urbano, da arquitetura e do design.Os estudos desenvolvidos foram subsidiados por levantamentos prévios, que se debruçaram sobre questões de caráter físico, econômico, social e cultural da área de intervenção. O processo ocorreu de modo colaborativo, com a participação de feirantes e usuários da área, poder público, universidades, órgãos de promoção e proteção do patrimônio cultural, instituições e demais setores da sociedade. Com a finalidade de aproximar comerciantes, usuários e agentes envolvidos, bem como de ampliar as percepções dos técnicos e dos estudantes vinculados acerca do espaço de intervenção projetual, a ação foi realizada em um estúdio de projeto montado dentro da própria feira, no pátio interno do edifício do Mercado Central.

Painel de opiniões
Foto Pedro Carvalho

Grupos de Trabalho
Foto Marcus Vinicius

Assim, após dois meses de estudos, levantamentos e diagnósticos, três dias de oficina e três plenárias realizadas, foram apontadas diretrizes e partidos de projeto para doze pontos considerados importantes nesse momento do debate:

Mercado Central

A partir do cumprimento das normas da Vigilância Sanitária, manutenção dos usos já existentes no espaço (feira de carnes, cereais, alimentação etc.) e incorporação de usos afins (feira de peixes, câmaras frigoríficas). Requalificação dos edifícios de valor cultural, com a remoção dos acréscimos que interferem na leitura do conjunto arquitetônico original. Aproveitamento dos edifícios do mercado, do pátio interno e das ruas entre os blocos para uso comercial. Substituição da grande coberta metálica, adicionada sobre o complexo edificado, por outra que melhore as condições de ventilação e iluminação dos ambientes internos, tire proveito dos recursos naturais (captação da água das chuvas, energia solar) e se harmonize com os edifícios de valor histórico-arquitetônico.

Largo da Feira e edifício do Pau do Meio

Recuperar a leitura do conjunto urbano do Largo da Feira (largo + ruas + edifícios do entorno), com a valorização da morfologia original do espaço e tratamento específico e apropriado para cada um dos elementos do tecido (ruas, calçadas, quadras, edifícios, praças, largos etc.). Remoção das construções que se fixaram na área ao longo do tempo. Manutenção e requalificação do edifício do Pau do Meio (art déco) para abrigo da administração da Feira e do Mercado Central. Aproveitamento do Largo da Feira para uso comercial e cultural. A ocupação deve tirar partido da topografia do lugar e privilegiar a opção por estruturas flexíveis e desmontáveis, em detrimento da fixidez das estruturas de concreto e alvenaria.


Eixo Feira de Flores e Artesanato / Cassino EldoradoValorização do eixo de circulação Feira de Flores (Rua Manoel Farias Leite) / Cassino Eldorado (Rua Manoel Pereira de Araújo), em seus aspectos estéticos, urbanos e paisagísticos. O desenho da área deve privilegiar o trânsito de pedestres e veículos não motorizados de pequeno porte (carrinhos de feira e para a venda de mercadorias, carros de mão, bicicletas etc.), e desestimular a circulação de veículos motorizados (carros, motocicletas, ônibus etc.). Manutenção dos usos atuais, reordenamento das bancas de rua e marcação dos acessos de modo a liberar fluxos e visuais.

Gastronomia

Requalificação dos serviços de alimentação e implantação do Polo Gastronômico Feira de Campina Grande, de modo a agregar valor aos produtos comercializados no local e a prestigiar a culinária existente na área.

Espaços para manifestações culturais

Manutenção e criação de espaços para manifestações culturais novas e existentes (música, dança, teatro, cultos religiosos, audiovisuais, artes plásticas, artes e ofícios, leitura, exposições etc.). Os espaços devem ser distribuídos por toda a área da feira, de maneira a valorizar as escalas e os locais onde já acontecem. Criação de três polos principais para atividades culturais: 1) no Largo da Feira, espaço livre, público e aberto para manifestações programadas e espontâneas; 2) no Mercado Central, largo no cruzamento dos eixos de circulação, para atividades programadas e espontâneas; 3) no Cassino Eldorado.

Edifício do Cassino Eldorado

Restauro e requalificação do edifício para abrigo de equipamento cultural. O espaço deve abrigar o Museu do Bordel/Memorial da Feira, com exposições e atividades sobre a história e a cultura do local. O acervo deve valorizar as temáticas sobre patrimônio cultural imaterial (artes e ofícios, lazer, modos de produção e comércio, relações sociais e de trabalho, música, literatura de cordel etc.). O projeto de requalificação do edifício e a formação e exposição do acervo devem se vincular aos conceitos mais recentes de construção de museus pelo mundo, de maneira a estimular a interatividade entre visitante e acervo através da utilização dos mais avançados recursos tecnológicos.

Feira de aves (galinhas), Rua Manoel Pereira de Araújo

Manutenção da venda e do abate de aves na Feira Central. Em lote atualmente desocupado, na própria Rua Manoel Pereira de Araújo, abertura de largo e construção de instalações adequadas para a comercialização de animais vivos. Aproveitamento de edifício adjacente ao largo aberto para a criação de abatedouro coletivo, de acordo com todas as normas da Vigilância Sanitária. Manutenção da feira de temperos na área.

Feira da Rua Deputado José Tavares

Foram apresentadas três propostas para o espaço: 1) manutenção da situação atual, com o logradouro ocupado pela feira livre todos os dias e trânsito fechado para a circulação de veículos motorizados (carros, ônibus, motos etc.); 2) na perspectiva de desobstrução da via para abertura de corredor de transporte público, seguindo diretrizes da Superintendência de Trânsito e Transporte Público (STTP) da PMCG, a Feira deveria ser transferida para as ruas Cristóvão Colombo e Pedro Álvares Cabral, nos trechos entre a Avenida Floriano Peixoto e a Rua Deputado José Tavares; 3) proposta conciliadora entre as opções 1 e 2, propôs-se a abertura da Rua Deputado José Tavares para trânsito de domingo a quinta-feira e o fechamento do tráfego nas sextas e nos sábados, para a realização das atividades na Feira Livre.

Configurações das barracas e da feira de rua

Manutenção e valorização das relações entre feira e espaços públicos, com a ocupação de parte das ruas do entorno do Mercado Central e do Largo da Feira com atividades comerciais, sem trânsito de veículos motorizados. Respeito às dinâmicas, aos tempos, à diversidade e aos modos de expor e vender cada tipo de mercadoria: bancas, barracas, balaios, tablados, lonas, chão, carros de mão etc.; situação permanente ou sazonal, fixa ou efêmera; frequência diária, semanal, temporadas anuais, extraordinária. Valorização do design popular e do universo local no desenho de novos espaços para exposição e venda de produtos. Remoção das barracas das frentes dos prédios e do passeio público, de modo a recuperar as fachadas e o potencial econômico dos imóveis e a melhorar a mobilidade da área. Centralização dos conjuntos de barracas no eixo das ruas. Criação de áreas para a guarda das barracas desmontáveis, distribuídas em vários pontos da Feira Central.

Setor de confecções e calçados

Para esses seguimentos foram apresentadas cinco propostas. A) Manutenção da atividade nos logradouros públicos, nas regiões onde atualmente se encontram. Para tanto, devem ser construídas novas estruturas de abrigo, que sejam leves, flexíveis e compatíveis com a natureza das mercadorias comercializadas. B) Transferência da atividade para o Largo da Feira. As soluções para os espaços de comércio podem tirar partido da topografia do lugar e privilegiar a opção por estruturas flexíveis e desmontáveis, em detrimento da fixidez das estruturas de concreto e alvenaria (conforme ponto 02). C) Criação de largos e praças de comércio em lotes vazios da região da Feira Central. D) Aproveitamento de galpões abandonados, alguns de valor histórico-arquitetônico, para a criação de pequenos centros de compra. E) Criação de centro de compras, vinculado a edifício-garagem, na Rua Deputado José Tavares. No desenvolvimento do projeto, podem ser adotadas soluções mistas, a partir da associação das diversas possibilidades acima apontadas.

Estacionamentos

Criação de bolsões de estacionamentos e edifícios-garagem. A distribuição das vagas e fluxos de trânsito e acesso deve ser descentralizada, de modo a atender as mais variadas localizações de comércio.

Selo Verde e Patrimônio Cultural do Brasil

Considerar, nas soluções de projeto, aspectos de sustentabilidade urbana e ambiental (tratamento dos resíduos sólidos, aproveitamentos dos recursos naturais, gestão das águas, eficiência energética, instalação de ciclovias, privilégio do transporte coletivo etc.). Para tanto, projeto, obra e uso dos espaços devem seguir parâmetros nacionais e internacionais de certificação verde. A PMCG, em comum acordo com os feirantes e demais agentes interessados, deve buscar, junto ao IPHAN, o registro da Feira de Campina Grande como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Tal reconhecimento valoriza e salvaguarda a cultura do lugar, fortalecendo a memória e a identidade do seu povo. Cultura, memória e identidade fortalecidas atraem turistas e dinamizam a economia.

Grupos de Trabalho
Foto Marcus Vinicius

notas

NA 1
O relatório completo da extensão universitária Qual é sua ideia para a Feira de Campina Grande? Oficina de Projeto Participativo está disponível para download na fanpage <www.facebook.com/feiradecampina>.

NA 2
Participaram da oficina Agharad do Nascimento Setubal (CAUUFCG), Agnaldo Batista (Gerente da Feira/SESUMA), Alba Valéria Cruz Melo (SEPLAN/PMCG), Alberto VoubanBurity de Oliveira Junior (CAUUFCG), Ana Carolina de Moraes Andrade Barbosa (UADesign/UFCG), Andrea Carolino do Monte (CAUUFCG), Anselmo Martins Dantas (SEPLAN/PMCG), Araci Brasil Leite de Arruda Câmara (STTP),Bárbara Barbosa Tsuyuguchi (SEPLAN/PMCG), Bárbara Bezerra Fonseca (CAUUFCG), Beatriz Brito Mendes (CAUUFCG), Beatriz Lemos Cavalcante de Carvalho Santiago (CAUUFPB), Bianca Cristina Alves Albino (CAUUFCG), Breno Vieira Crispim (CAUUFCG), Camila de Almeida Vilar de Miranda (SEPLAN/PMCG), Carla Gisele Macedo Santos Martins Moraes (IPHAN), Carlos Alejandro Nome (CAUUFPB), Caroline Melo de Moraes Barroso (SEPLAN/PMCG), Daniel Duarte Pereira (UFPB/INSA), Luciano de Souza e Silva (IPHAN), Dennis Cláudio Ferreira (Geografia/UFCG), Diogo Gomes Pereira Batista (CAUUFPB), Edilza Vidal de Oliveira (SEPLAN), Eldon Evangelista de Oliveira (Design/UFCG), Emanuel Oliveira Braga (IPHAN), Erick Vinicius da Silva Cunha (CAUUFCG), Eudes Leal (SEPLAN/PMCG), Fabiano de Melo Duarte Rocha (SEPLAN/PMCG), Fernanda Gomes de Macedo (CAUUFCG), Fredi Guimarães, Gustavo Magalhães Silva Miranda (FAVIP), Gilmar Alves (SEPLAN), Giovanna de Aquino Fonseca Araújo (SECULT/PMCG), Heitor de Andrade Silva (CAUUFCG), Ingrid Ellen Herculano dos Santos (Design/UFCG), Iranilson Buriti de Oliveira (UAHis/UFCG), Jéssica da Silva Macedo (CAUUFCG), Joana D’Arc Araújo (SEPLAN), João Batista Guedes (UADesign/UFCG), João Matias de Oliveira Neto (SEPLAN/PMCG), JonathaElvys G. Miranda (SEPLAN/PMCG), Josane Duarte (SEPLAN/PMCG), José de Araújo Batista (SEPLAN/PMCG), José Felinto de Araújo Netto (CAUUFCG), José Maria Bezerra Filho (IPHAN), José Paulino da Silva Filho (SEPLAN), Juliano Loureiro Celino Morais de Carvalho (Senado Federal), Lincoln da Silva Diniz (UAG/UFCG), Luciana Andrade dos Passos (CAUUFPB), Luciano Diniz (GVISA/PMCG), Márcio de Matos Caniello (UACS/UFCG), Marcus Vinicius Dantas de Queiroz (CAUUFCG), Maria do Socorro Dantas Ferreira (SEPLAN/PMCG), Maria Verônica Ribeiro do Vale da Costa (SEPLAN/PMCG), Marina Barroso de Carvalho (SEPLAN/PMCG), Marina Paiva Baracuhy (SEPLAN/PMCG), Mauro Normando Macêdo Barros Filho (CAUUFCG), Miriam de Farias Panet (CAUUFCG), Morgana Targino de Oliveira (SEPLAN, GVISA/PMCG), MyllenaMiliann Silva Melo (CAUUFCG), Najara Medeiros de Araújo (SEPLAN),Natália Ferreira de Queiroz Nome (StudioN), Ney de Brito Dantas (CAUUFPE), Osvaldo Salvino Araújo Filho (Design/UFCG), Pablo Raphael de Lacerda Ferreira (CAUUFPB), Paula Augusta Ismael da Costa (IPHAEP), Pedro Freire de Oliveira Rossi (IPHAEP), Pedro Henrique Vale Carvalho (CAUUFCG), Raul Ramalho de Melo (SEPLAN), Renally Maria Clemente (CAUUFCG), Rodolfo Araújo M. Costa (SEPLAN/PMCG), Sanderson Cabral Oliveira (CAUUFCG), Silvia Maia Nascimento (SEPLAN/PMCG), Valmir Borba de Araújo (CAUUFPB), Valmir Pereira da Silva (SEDUC/PMCG) e Vitor Trajano Silva Luna (CAUUFPB).

sobre o autor

Marcus Vinicius Dantas de Queiroz é arquiteto e urbanista (UFPB), mestre (EESC/USP), professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Campina Grande.

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