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my city ISSN 1982-9922

abstracts

português
A Praça Cívica é um espaço verde no qual se encontra um centro cultural, local muito frequentado na década de 1980, guarda referências históricas e faz parte da memória coletiva da cidade. A construção de um terminal de ônibus descaracterizará a praça.

english
The Civic Square is a green space in which it is a cultural center, popular place in the 1980s, that guards historical references and is part of the collective memory. The construction of a bus terminal deface the square.

español
La Plaza Cívica es un espacio verde en la que hay un centro culturalel un centro cultural, lugar popular en la década de 1980, guarda referencias históricas y es parte de la memoria colectiva. La construcción de una terminal descaracterizará la plaza.

how to quote

FREITAS, Alexandre de. Era uma vez uma praça. O triste fim da Praça Cívica. Minha Cidade, São Paulo, ano 15, n. 177.01, Vitruvius, abr. 2015 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/15.177/5475>.



A atual administração pública de São José do Rio Preto SP (2012-2016), cidade do interior do estado de São Paulo com aproximadamente 420 mil habitantes, lançou um projeto denominado “Mobilidade Rio Preto 2030”, no qual existem propostas para implantar ônibus articulados em corredores exclusivos, ciclovias, viadutos, terminais rodoviários, dentre outros.

De modo geral, toda essa infraestrutura urbana agradou os rio-pretenses. Porém, a construção de um terminal de ônibus urbano numa praça causou polêmica a ponto do Ministério Público se envolver no assunto.

A proposta é construir um novo terminal de ônibus urbano na Praça Cívica – Praça jornalista Leonardo Gomes –, um logradouro central muito próximo ao terminal que já existe na cidade. Do ponto de vista da administração, o local é ideal devido esta proximidade, o que permite, entre outras coisas, a integração entre os terminais.

Acontece que a Praça Cívica é um espaço verde com referências sentimentais e históricas para cidade. Ela foi inaugurada em 19 de julho de 1980, juntamente com o centro cultural Daud Jorge Simão, que abriga a biblioteca pública da cidade e museus.

Seu projeto inicial previa 18 mil m² de área construída, com concha acústica, museus e centro comercial com 15 pavimentos. A concepção do projeto foi do engenheiro/arquiteto José Gonçalves Toscano, o qual fez significativas obras modernistas na cidade. Todo esse complexo foi pensado na administração do prefeito Wilson Romano Calil. Porém, com a troca de mandato, a administração do prefeito Adail Vetorazzo desistiu do projeto inicial e fez a obra conforme é hoje em dia.

O Ministério Público chegou a pedir explicações sobre o projeto, fato que gerou um acordo entre o Ministério Público e prefeitura. Por fim, a juíza Tatiana Pereira Viana Santos, da 2ª Vara da Fazenda, não aceitou a liminar em ação civil pública que o Ministério Público propôs na tentativa de barrar a construção do novo terminal.

O projeto foi remodelado com a promessa de aumentar o número de árvores. Em síntese, ganhou ares de “ecologicamente correto” e será executado, pondo fim à Praça Cívica.

O que mais chama a atenção nas discussões acerca da construção desse terminal é a quase exclusiva preocupação com a área verde, fato que inegavelmente é de extrema relevância, visto que promove a absorção de carbono produzida pelo trânsito da área central. Porém, a análise do ponto de vista da referência histórica e da preservação da memória do local foi incipiente. O que demonstra, de modo geral, uma certa ignorância de parte da população quanto a esses aspectos.

Le Goff nos lembra da importância da memória como continuidade cultural, uma espécie de ponte entre o passado e o presente. A revitalização da Praça Cívica, que vem sendo esquecida por sucessivas administrações, significaria o fortalecimento da memória coletiva da cidade e a criação de identidade entre o cidadão, a história e a cultura.

As características arquitetônicas e o espaço verde que compõem a praça já seriam suficientes para a preservação da mesma. Mas não é só isso: ela foi palco de muita memória e de referências sentimentais para toda uma geração.

Como morador da cidade, vivi o auge da Praça Cívica na década de 1980. Ali era ponto de encontro de crianças, adolescentes e jovens. Lembro das paqueras, dos namoros, do algodão doce, pipoca e cachorro quente. E de, às vezes, burlar a fiscalização e pular no espelho d’água que existia ali.

Foram sensações coletivas relevantes para uma geração. A construção do terminal vem comprovar que no Brasil, em especial em cidades médias do interior, não há uma preocupação séria com a preservação da memória e da sua história.

É um triste fim para um lugar que teve um alegre começo.

Praça Cívica, São José do Rio Preto
Foto Alexandre de Freitas


sobre o autor

Alexandre de Freitas é graduado em Geografia pela Faculdade Dom Bosco de Monte Aprazível, pós-graduado pela Unicamp, professor universitário no curso de Arquitetura e Urbanismo da Unilago e professor de Geografia da rede municipal de ensino de São José do Rio Preto.

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