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my city ISSN 1982-9922

abstracts

português
Descrever a história das cidades por meio da narrativa visual é um processo diferente no ensino da História da Arquitetura. Através do desenho poderão ser estabelecidas conexões que levam a pensar mais profundamente sobre a cidade.

english
Describing the history of cities through visual narrative is a different process in teaching Architecture History. Through the drawing can be established connections that lead to think more deeply about the city.

español
Describir la historia de las ciudades a través de la narrativa visual es un proceso diferente en la enseñanza de la Historia de la Arquitectura. A través del diseño podrán ser establecidas conexiones que llevan a pensar más profundamente sobre la ciudad.

how to quote

PATRON, Rita; BECK, Giulia; DALDIM, Luan Bobato. A história das cidades e a narrativa visual. Minha Cidade, São Paulo, ano 19, n. 219.01, Vitruvius, out. 2018 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/19.219/7143>.



As palavras e imagens descrevem as experiências construídas entre os anos de 2014 e 2017 na disciplina de Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo 3 da Universidade Positivo. Os trabalhos realizados foram experimentos de diferentes formas de leituras teóricas e históricas através da comunicação visual. Se pretende compartilhar essas abordagens e novas formas de condução dessas aulas, pois os exercícios se transformaram ao longo dos anos, e as práticas didáticas se renovaram constantemente. O objetivo foi proporcionar a interação do estudo da história escrita com a produção visual, contando a trajetória das cidades e o caminho de entendimento de suas sociedades, através de composições pictóricas, vídeos e histórias em quadrinhos; tendo a evolução da morfologia urbana, como cenário de sua criação.

O trabalho criativo na arquitetura requer estabelecer uma relação particular com o espaço, e compor um repertório de conceitos e embasamentos introdutórios, inerentes à morfologia, faz parte do processo de aprendizado da disciplina. A proposta aqui procura romper com a metodologia tradicional da sala de aula, para dar maior protagonismo ao aluno, e permitir que a busca e o intercâmbio entre todos, sejam as ferramentas para o desenvolvimento do conhecimento.

A construção da cidade imaginária de Zenobia, descrita no livro As cidades invisíveis (1), tinha como desafio transpor o limite textual, e partir para a visualização real. O processo de criação de uma cidade factível de existir, passou a ser interpretado e materializado pelos alunos. Tal processo (leitura, interpretação, concepção e desenho) fez com que a visualização e assimilação espacial se tornasse algo mais palpável por eles (2).

Por sua vez, as HQs contavam histórias gerais, repletas de imagens em distintas formas de expressão, criando personagens variados, ou mesmo combinando o real, a criação arquitetônica, com a fantasia. As ilustrações poderiam remeter-se a diferentes marcos históricos ou até mesmo localidades comuns. A intenção era destacar pontos e fatos importantes, e confrontá-los com a arquitetura, resultante de culturas diversas. Uma dessas histórias apresentava como cenário e protagonista, a cidade de Istambul, e utilizava o personagem de um gato, como espectador silencioso percorrendo e observando as transformações carregadas de memórias e vestígios em cada rua. A interpretação da cidade e da cultura, mesmo com um vínculo na realidade, mescla a sutileza entre a arquitetura edificada, histórica e imponente, com o ser etéreo que transita por ela sem jamais interferir em sua estrutura.

A metodologia desenvolvida com as HQs, alçou contornos ilimitados com o desenvolvimento dos vídeos. A ideia original (3) fazia alusões a storyboards, croquis e colagens em movimento, que contavam períodos da história da arquitetura com toques de humor. A nossa produção foi bem mais abrangente. Os alunos se alimentaram de arquitetura, cinema, música e literatura, mostrando uma preocupação com o lado mais pessoal e humano das cidades e fizeram de seus relatos uma poesia visual. Configurando assim, suas próprias histórias de arquitetura (4).

Conforme as abordagens foram se tornando mais complexas e elaboradas, as exigências e liberações artísticas dos próprios alunos foi sendo ampliada. O ano de 2017 marcou uma nova etapa nessa série de produções. Para contar a história do desenvolvimento urbano da cidade de Amsterdam, os acadêmicos Giulia Beck e Luan Daldim descontruíram a ideia da narrativa visual, para conceber uma nova linguagem: E se a cidade deixasse de existir amanhã?” A história urbana deixa de ser informativa para ser reflexiva. “E se tudo o que foi construído, desaparecesse? E se a arquitetura, a cidade e a vida que ela possui, acabasse?” (5).

O documentário, contou com participações de alunos de mestrado da Saxion University of Applied Sciences, da Holanda. A equipe enfatizava em seu trabalho, não só a história urbana do local, mas também, a história social de Amsterdam. As técnicas narrativas foram mescladas por meio dos desenhos, adicionando personagens e ilustrações, permeadas por entrevistas e relatos pessoais. A estética eleva a cidade de Amsterdam como a grande estrela urbana cujo espírito abarca as fantasias e aspirações da sociedade. O posicionamento dos autores propõe uma reflexão a respeito das nossas cidades na atualidade: De onde viemos e para onde vamos com a bagagem e o conhecimento adquirido que temos?

Na interdisciplinaridade surgida com estes exercícios, os alunos redescobriram o processo criativo na arquitetura, em meio a tantas regras, muitas vezes existentes nas concepções projetuais. A arte e a história se tornaram mais visíveis e representaram uma mudança do paradigma cultural do curso. Na elaboração de suas propostas, e para aprofundar os conhecimentos relativos a morfologia e história urbana, haviam discussões em equipes para adaptar os roteiros, desenhos e interações. Estes estudos paralelos, acabaram gerando os making offs que acompanhavam o produto final. As implicações de conceber os trabalhos, deram o start no que foi o diferencial do processo de aprendizagem: as investigações e deliberações em conjunto. Os estudantes passaram de espectadores e leitores, para construtores e intérpretes de suas histórias.

A medida em que as atividades eram consolidadas, os feedbacks das turmas apresentavam um ponto em comum: a percepção deles da contribuição destas atividades para a sua formação. Percebeu-se uma postura bastante crítica, evidenciando o entendimento da atividade como um processo contínuo, em que cada uma das etapas é importante. Quando questionados sobre o que haviam aprendido, e qual a importância dos exercícios para a sua formação, os alunos responderam:

“As atividades propostas nos ajudaram a ampliar nossa percepção do meio em que estamos inseridos, aumentando o nosso entendimento sobre as cidades e pensamento logico por trás da sua formação. A demonstração da estrutura das cidades, refletindo a sua cultura, crenças e costumes, nos ajudam a perceber a importância do estudo da história para a definição de estratégias projetuais das cidades do futuro.”

As cidades são um universo por si só: são dinâmicas, expandindo-se no tempo e no espaço. O espaço construído sempre foi um reflexo dos anseios e dos ideais de seus habitantes, como um cenário de suas vidas. E é desta história, que esta abordagem se propôs a contar.

notas

NE - Trabalho apresentado originalmente em BECK, Giulia; DALDIM, Luan Bobato; PATRON, Rita.O aprendizado da história das cidades através da narrativa visual. In Revista Seminário de História da Arte. Volume 01, nº 07. Pelotas, CCS UFPel, 2018.

1
As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino (1998), cujas cidades são descrições do viajante Marco Polo ao imperador Kublai Khan, podendo ser reais ou não.

2
Photoshop – Zenobia. In Youtube.

3
Baseada em trabalhos já desenvolvidos em disciplinas de Teoria e História da Arquitetura 3 da Universidade Presbiteriana Mackenzie, no ano de 2014. In Youtube.

4
História de Barcelona e O Plano Cerdà. In Youtube.

5
Vídeo realizado pelos acadêmicos Giulia Beck e Luan Bobato, para a disciplina de Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo 3, da Universidade Positivo. No Amsterdam – What if Amsterdam disappeared? In Youtube.

sobre os autores Rita Patron é doutoranda em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie e Mestre em Teoria e História pelo Programa de Pesquisa e Pós Graduação em Arquitetura – Propar UFRGS. Professora do Curso de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

Giulia Beck é estudante de Arquitetura e Urbanismo (Universidade Positivo/ Urban Design Saxion – University of Applied Sciences – 2016-2017).

Luan Bobato Daldim é estudante de Arquitetura e Urbanismo (Universidade Positivo).

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