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Análise sobre a obra de Joan Villà, em especial a Residência estudantil da Unicamp, com sua experimentação construtiva proveniente do aprendizado da arquitetura popular, somado aos aspectos refinados de seu desenho urbano e composição arquitetônica.

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MONTANER, Josep Maria; MUXÍ, Zaida. Residência estudantil da Unicamp. Joan Villà, construções para a sociedade. Projetos, São Paulo, ano 13, n. 154.02, Vitruvius, out. 2013 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.154/4895>.


Uma intensa relação com o contexto urbano, o caráter inovador e vanguardista, a experimentação e o uso de tecnologias avançadas e industrializadas, capacidade de conceitualização, custos não excessivos, tendência à sustentabilidade e reabilitação, e a capacidade de entrelaçar a complexidade também são características dos arquitetos sobre os quais trata a nova série, que iniciamos com Joan Villà. Nascido em Barcelona em 1940, aos onze anos foi viver com seu pai no Brasil, onde estudou arquitetura na Universidade Mackenzie em São Paulo. Posteriormente especializou-se em infra-estrutura urbana no Politécnico de Milão e nos princípios dos anos oitenta iniciou os estudos de doutoramento em construção dentro da Escola de Arquitetura de Barcelona. Desde o final dos oitenta é professor de projeto na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Belas Artes e da Universidade Mackenzie.

Foi no final de 1985 quando Villà se envolveu com os movimentos sociais reivindicativos e com as cooperativas de habitação. Desde então trabalha na concepção, ensaio e construção de protótipos pré-fabricados cerâmicos para habitação social, com a vontade de pôr a tecnologia da arquitetura a serviço da solução do problema da habitação, mediante a industrialização e os processos participativos.

Trabalhando no Brasil, tentou aproveitar a mesma tradição do denominado “mutirão” - que procede do trabalho coletivo no campo e que consiste na ajuda mútua - na autoconstrução e remodelação de habitação nas cidades.

Residência estudantil da Unicamp, Joan Villà
Foto Nelson Kon

Unindo a capacidade de auto organização dos que necessitam de habitação e os meios de investigação e proposição da universidade, Joan Villà impulsionou duas experiências consecutivas de laboratórios de pesquisa sobre a Habitação: o Laboratório de Habitação da FAU da Belas Artes em São Paulo, entre 1982 e 1985, coordenado com Jorge Caron, e o Laboratório de Habitação da Unicamp, Campinas, dede 1986 até 1999. Em cada um deles, um grupo de arquitetos, engenheiros e estudantes trabalharam na investigação sobre habitação pré-fabricada e nestes grupos se formaram jovens arquitetos que, mais tarde, se tornaram grandes experts em matéria de políticas de habitação, como Nabil Bonduki e Raquel Rolnik.

No primeiro laboratório desenvolveram painéis armados feitos com tijolo furado, que pesavam no máximo cem quilos, para que pudessem ser transportados e montados facilmente sem gruas por três ou quatro operários, muitas vezes mulheres. O objetivo era construir os diferentes elementos das habitações – paredes, escadas, pilares, lajes, vãos de janelas -, de maneira seriada, in situ, para criar novas comunidades (1), comprometidas em reduzir a circulação de veículos e a pensar novos sistemas de rede e manutenção, sempre recorrendo às tecnologias e à participação. Os bairros protótipos que Joan Villà projetou têm equipamentos básicos, como creche e oficina de trabalho com programa de ocupação e criação de empresas.

Na obra realizada por Joan Villà, às qualidades construtivas desenvolvidas com os painéis armados de tijolo furado e as grandes e leves abóbadas de tijolo, logicamente assimiladas da arquitetura do engenheiro uruguaio Eladio Dieste, se somam outras grandes habilidades, tanto pelo que faz com o desenho paisagístico do espaço urbano, como pela cuidadosa composição visual dos volumes e das cores.

A residência estudantil da Unicamp, Universidade de Campinas (1992), foi construída sobre um terreno com ligeira inclinação e com grandes possibilidades ambientais. Ao mesmo tempo, se levou a termo um processo de participação com os estudantes que, em meados dos anos oitenta, haviam ocupado a universidade para reforçar suas reivindicações. Villà conseguiu unir os desejos que tinham os estudantes para as suas residências com a sua vontade como um arquiteto social de criar uma comunidade ao ar livre. Um sistema modular e escalonado permite criar residências compartilhadas para dois ou quatro estudantes, com três cômodos e um pátio de acesso ajardinado. Esta combinação permite resolver a grande parcela triangular do recinto, com trânsito perimetral de veículos e toda a sorte de espaços livres em diversas escalas no interior: grandes parques, pequenos recintos arborizados para reunir-se a comer ou estudar, ruas para pedestres e pátios comunitários, terraços em cada unidade, além de muitos metros quadrados dedicados a usos comunitários da residência. Às qualidades dos novos sistemas construtivos modulares somem-se as qualidades ambientais do espaço aberto e as qualidades compositivas que se percebe na composição modular e escalonada, com pátios e parques que vão se abrindo em perspectiva e em diagonal, de maneira que esta arquitetura moderna, abstrata e de tecnologia de tijolo, evoca as composições clássicas e a harmonia do Renascimento.

Condomínio Residencial em Cotia
Foto Nelson Kon

Dentro desta experiência na Universidade de Campinas, que corresponde ao segundo Laboratório de Habitação, Joan Villà e sua equipe tiveram a oportunidade de desenvolver outros equipamentos e experimentos: protótipos de casas feitas com o sistema pré-fabricado cerâmico (CPC); a sede do Laboratório de Habitação, construído com uma grande cobertura abobadada (1990); o Centro Integrado de Educação (1990-1992); a Casa do Lago, dedicada a espaço cultural (1994), formada por três abóbadas gigantes, feitas somente de painéis de tijolo, com 18 a 22 metros de vão. As fachadas ou fechamentos destas abóbadas se resolvem com um sistema escalonado e articulado de muros alveolados independentes.

Desde 1997, trabalha associado à Silvia Chile, período do qual se destaca o conjunto residencial Rua Grécia, em Cotia, próximo a São Paulo (2001-2002), formado por 24 unidades residenciais em duplex, organizadas em três fileiras, nas quais a cor joga um papel fundamental. As unidades têm um espaço coberto aberto a quatro ventos no terraço. Estas habitações, de promoção privada para a classe média baixa, são um dos melhores exemplos de habitação popular construído recentemente na área de São Paulo. As habitações têm grandes qualidades pela sua flexibilidade e possibilidades de crescimento; o conjunto cria uma paisagem preciosa de habitação popular que destaca pela leveza de sua estrutura e pela harmonia das cores; além dos espaços livres resultantes para o uso e lazer comunitários. O problema do conjunto é a sua localização; totalmente distanciado de qualquer núcleo urbano, coisa que o separa dos equipamentos e o faz acessível somente com veículo privado. Este erro, tão generalizado, de considerar a habitação como um elemento alheio à estrutura urbana complexa e equipada é recorrente no desenvolvimento fracionado da planificação urbana, do uso do solo e das políticas habitacionais.

A análise destas habitações em Cotia nos permite descobrir uma quarta grande característica da obra de Joan Villà que se soma às três citadas anteriormente e as enriquecem – experimentação construtiva, desenho urbano e composição arquitetônica. Trata-se da capacidade de aprender da arquitetura popular e autoconstruída, com a qual se relaciona desde os anos 80 e que lhe permitiu conhecer os modos de vida e seu reflexo nos elementos arquitetônicos imprescindíveis, como a escada por fora, que não é um capricho compositivo, senão que aporta a possibilidades de crescer, subdividir ou arrendar; e a reserva de espaço nas coberturas, que corresponde à cultura popular da autoconstrução e a previsão de um espaço na parte superior para instalações, reuniões, novos dormitórios ou para estender a roupa. Com a sua obra, Joan Villà consegue uma sintonia inédita entre arquitetura culta e popular.

Esta posição, tão realista, realizada com uma arquitetura que recorre sempre ao tijolo industrial mais simples, e ao mesmo tempo digno, tanto com a sua aparência exterior, como com as perfurações à vista que funcionam como gelosia, que recria formas invariáveis de cada lugar, conecta a obra de Joan Villà com a arquitetura moderna entrelaçada com a tradição construtiva popular, incluindo o realismo da arquitetura catalã: desde as obras de Antoni de Moragas e de Josep Martorell-Oriol Bohigas nos anos 50 até os experimentos de Enric Miralles.

É por isso que a obra de Villà pertence aos dois mundos: América e Europa. São construções leves com forte vontade social, que exploram a fortuna do realismo mediterrâneo em terras americanas. Protótipos magníficos e experimentos úteis que haveriam de ter sido mais difundidos.

Residência estudantil da Unicamp, Joan Villà
Foto Stepan Norair Chahinian

notas

NA
Tradução feita por Silvia Chile 

1
Comunitat, em catalão, também tem o sentido de condomínio ou bairro, segundo sua escala.

sobre os autores

Josep Maria Montaner é arquiteto doutor e catedrático da Universidade Politécnica da Cataluña. É diretor do programa de Mestrado Laboratório da habitação do século XXI na ETSAB.

Zaida Muxí Martínez é arquiteta doutora, professora e coordenadora da Escola Técnica Superior de Arquitectura de Barcelona e co-diretora junto com Josep Maria Montaner do programa de Mestrado Laboratório da habitação do século XXI na ETSAB.

ficha técnica da residência estudantil

local
Barão Geraldo, Campinas (SP)

área do terreno
55000 m²

área construída
28000 m²

número de unidades
300

área das unidades habitacionais
64 m²

conclusão da obra
1992

colaboradores
Paulo Milanez, Ana Lucia Muller, Débora A. Doukan, Edson Takahashi, João Marcos Lopes, Mario Braga, Roberto Pompéia

cálculo estrutural
Yopanan Rebello

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