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Em 1957, Luis García Pardo, um dos maiores arquitetos modernistas do Uruguai, construía um edifício marco da arquitetura mundial, o primeiro residencial pendurado em cabos de aço. Trata-se do El Pilar, em Montevidéu.

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TORRES, Fernanda; FERRÉS, Conrado. Arquitetura no sangue: pai, filho e neto. Luis García Pardo e o edifício El Pilar em Montevidéu. Projetos, São Paulo, ano 14, n. 160.03, Vitruvius, abr. 2014 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/14.160/5135>.


Em 1957, Luis García Pardo, um dos maiores arquitetos modernistas do Uruguai e muito conceituado internacionalmente, construiu um edifício que se tornou um marco da arquitetura mundial, o primeiro residencial pendurado em cabos de aço. Trata-se do edifício El Pilar, em Montevidéu, na esquina da Av. Brasil com a Rambla (avenida beira-mar) do Rio da Prata e a Boulevard Espanha.

Luis García Pardo e Adolfo Sommer Smith, Edifício El Pilar, Montevidéu, 1957. Vista da praia
Autor desconhecido [Arquivo García Pardo]

Luis García Pardo e Adolfo Sommer Smith, Edifício El Pilar, Montevidéu, 1957
Autor desconhecido [Monografías Elarqa, n° 6 Luis García Pardo. Editorial Dos Puntos, Montevidéu, 2000]

Ainda admirado e estudado em todo o mundo, o projeto do El Pilar (realizado em parceria com o arquiteto Adolfo Sommer Smith) surgiu de um desafio, já que o terreno era irregular: um triângulo com um ângulo de quase 45 graus, e um recuo de quatro metros às bordas com as três vias que o cercavam. Como resultado a superfície edificável era muito pequena, de apenas 34 m2.

A engenhosa solução estrutural liberou as plantas e fachadas de apoios intermediários, aproveitando ao máximo a área construível e possibilitando a inclusão de um fechamento envidraçado contínuo.

García Pardo definiu um único pilar (que centraliza as circulações verticais – escadas e elevadores) e colocou em seu extremo superior grandes vigas em balanço, onde são pendurados cabos de aço que sustentam os extremos livres das lajes dos pisos. Os suportes são amarrados por um grupo de cabos que correm pelo muro de divisa com o vizinho e são ancorados num volumoso maciço de concreto – que também funda o pilar cilíndrico – na base do edificio. Os elementos de sustentação só oferecem sua resistência à compressão (pilar de concreto) ou à tração (cabos de suspensão), o que permite explorar ao máximo as propiedades características dos materiais para isso empregados: o concreto e o aço.

Luis García Pardo e Adolfo Sommer Smith, Edifício El Pilar, Montevidéu, 1957. Vista da fachada na proa sobre a Rambla (avenida beira-mar)
Autor desconhecido [Arquivo García Pardo]

Luis García Pardo e Adolfo Sommer Smith, Edifício El Pilar, Montevidéu, 1957
Autor desconhecido [Monografías Elarqa, n° 6 Luis García Pardo. Editorial Dos Puntos, Montevidéu, 2000]

Luis García Pardo e Adolfo Sommer Smith, Edifício El Pilar, Montevidéu,1957. Da esquerda para a direita: Maquete do projeto, 1955; Fachada recém construída; 1957; Estrutura em construção, 1957
Autor desconhecido [Arquivo García Pardo]

A solução adotada permitiu obter nove andares, um piso a mais do que permitiria a outra solução possível, caso cada laje fosse um balanço fixado ao pilar cilíndrico.

Além da resolução construtiva e do valor urbanístico do prédio, o interior dos apartamentos gerou, em relação às vistas e perspectivas, uma situação de extraordinária proximidade com a rambla e a praia. Enquanto as áreas de serviço se distribuem em torno do pilar, o dormitório e sala de jantar se abrem para a paisagem da costa.

“El Pilar” foi considerado pelos críticos de arquitetura alemães Frei Otto e Udo Kulterman como o primeiro edifício residencial pendurado do mundo.

Luis García Pardo e Adolfo Sommer Smith, Edifício El Pilar, Montevidéu, 1957. Perspectiva [Arquivo García Pardo]

Luis García Pardo e Adolfo Sommer Smith, Edifício El Pilar, Montevidéu, 1957. De cima para baixo: Planta do térreo; Planta do subsolo; Planta do apartamento tipo; Planta de cobertura [Arquivo Garcia Pardo]

Quem foi ele

Luis García Pardo viveu 95 anos (de 1910 a 2006). Formou-se na década de 40 na Faculdade de Arquitetura de Montevidéu. Foi um dos mais destacados de sua geração, ao introduzir as premissas formais e espaciais da arquitetura moderna e racional no Uruguai.

Em sua carreira combinou a arquitetura com as artes plásticas, a docência, estudos científicos e estudos de novas técnicas construtivas, como foi o caso do sistema VECA, que com o uso racionalizado de diversos tipos de materiais pretendia ser acessível a toda população.

Participou de inúmeros concursos, ganhou dezenas de prêmios internacionais e foi referência mundial em projetos arquitetônicos modernos.

Especializou-se em acústica e morou e trabalhou no Brasil de 1973 a 1983.

Muito ligado ao Brasil e à arquitetura brasileira, foi amigo de Oscar Niemeyer, Burle Marx e Rino Levi, sendo que com este último fez alguns projetos em parceria, entre eles o Concurso do Euro Kursaal no País Basco. Também acolheu o arquiteto Vilanova Artigas no Uruguai, quando ele precisou sair do Brasil para não ser preso pela ditadura militar.

A arquitetura mantém-se no sangue da família. Luis García Pardo é pai de Conrado García Ferrés, avô de Santiago García Aliseris e sogro de Thaís Milani, sócios do escritório paulista FMC Arquitetura junto com o Arquiteto Roberto Campanhã.

sobre os autores

Conrado Ferrés é sócio no escritório FMC Arquitetura e filho do arquiteto García Pardo. Fernanda A. Torres é jornalista  e assessora de comunicação.

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