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A demolição e descaracterização de casas modernas em Joinville colocam em questão a preservação do patrimônio da arquitetura moderna brasileira disseminado pelas mais variadas regiões do país.

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MENDES, Thiago Borges. Sobre as residências modernas de Joinville. Projetos, São Paulo, ano 15, n. 178.05, Vitruvius, out. 2015 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/15.178/5768>.


A recente demolição de uma residência na Rua Aquidaban, do arquiteto Antonio Alberto Cortez, e a intervenção em outra residência na Rua Lages, projetada pelo arquiteto Luis Napoleão Carias de Oliveira, causaram um significativo pesar não apenas entre os arquitetos em Joinville. Se para a sociedade elas constituíam um cenário urbano consolidado na memória, para os arquitetos elas representavam dois exemplos fundamentais de um importante conjunto de residências modernas.

Isso se deve ao fato de que foi no programa residencial, isto é, de iniciativa privada, onde houve a mais profícua e significativa produção na arquitetura moderna nesta cidade. Ainda que a modernidade em âmbito nacional tenha sido primeiramente viabilizada pelo Estado através de edifícios públicos.

No caso da residência da Rua Lages, para citar um exemplo, o elegante manejo dos elementos construtivos ou estruturais exercia o mesmo protagonismo já garantido aos outros materiais. Esse modo de conceber, onde a identidade do objeto dependia equivalentemente de todos seus componentes, residia sobre alguns critérios de projeto que encontravam na síntese formal sua essência. Deste modo, o léxico projetual vinculava-se e dependia diretamente do programa estabelecido pelo cliente.

Ainda, esta renúncia a estabelecer uma hierarquia ao confrontar o projeto, transcendeu, neste caso, inclusive, para o equilíbrio das qualidades espaciais de seus ambientes. Se no setor íntimo os ambientes eram orientados ao pátio posterior, no setor de serviços – como cozinha e banheiros, estes ambientes eram articulados por pátios exclusivos e ajardinados, no justo limite entre a construção e a ‘rua’. Tal sutileza, determinante na solvência do projeto, chega a estender-se também à caixa d’água, feito que em situações frequentes não reclamaria a atenção de parte dos arquitetos. Assim, sua forma é definida por uma pirâmide invertida, apoiada sobre um pilar e destacada na fachada frontal, sugerindo um contraponto à condição essencialmente térrea e horizontal da residência.

Este exercício de abordagem à residência da Rua Lages, além de destacar a sua qualidade e a solução muito oportuna do autor do projeto, pretende fazer notar a importância da produção deste período e trazer à luz a produção de outros preeminentes arquitetos, como Joaquim Guedes e Antonio Alberto Cortez.

Salvaguardar estas obras, seja por registro, catalogação ou tombamento seria uma demonstração do entendimento de que o patrimônio edificado não é fruto apenas do período colonial, e que hoje ainda, podemos estar produzindo possíveis construções significativas. Não somente pelo edifício, mas pela pequena paisagem urbana que se associa à memória coletiva.

A este respeito, essa preservação deixaria exemplos de um momento em que o arquiteto renunciava à retomada de estilos passados, concentrando-se em buscar na própria obra seu significado. Exatamente o contrário da prática atual, onde a subjetividade e intuição constituem as premissas fundamentais de uma produção que, ante tudo, revela sua submissão aos apelos visuais e à efemeridade.

nota

NE – agradecemos ao fotografo Larry Sestrem por autorizar a publicação das fotos.

sobre o autor

Thiago Borges Mendes é arquiteto (UNERJ SC, 2002), com especialização em projeto (Univali SC, 2006) e Master em Teoria e Prática do Projeto de Arquitetura (Universitat Poltècnica de Catalunya, Barcelona, 2008). É professor de projeto na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UNISOCIESC, Joinville SC.

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178.05 patrimônio
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