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projetos ISSN 2595-4245


sinopses

português
Studio Sumo, um dos jovens escritórios mais inovadores de Nova York, realizou três projetos para a universidade japonesa Josai – Museu de Arte Mizuta, Escola de Administração e Alojamento Estudantil –, arquitetura contemporânea de herança modernista.

english
Through three projects in Japan, this article discusses the work of Studio Sumo, considered one of the most innovative young firms in New York.

como citar

NEIVA, Simone; DEL RIO, Vicente. Um Sumo norte-americano no Japão. Três projetos de um jovem escritório de Nova York. Projetos, São Paulo, ano 16, n. 189.01, Vitruvius, set. 2016 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/16.189/6213>.


O terceiro projeto do Sumo para Universidade Josai foi um edifício de alojamentos para a escola para assuntos internacionais no campus de Chiba-ken. No Japão as universidades de maior prestígio recebem muitos estudantes de diversas partes do mundo e costumam oferecer apoio e alojamento, sobretudo no primeiro ano. Neste caso, o terreno escolhido para o projeto ficava entre o campo de futebol universitário ao sul e campos arroz, já fora do campus, ao norte. Primeiramente o Sumo propôs um partido não tradicional, que contratasse com os demais edifícios do campus: uma espécie de aldeia ou vila, com edifícios-objeto entremeados por jardins e um acesso central. Os módulos de alojamentos seriam pequenos edifícios de dois pavimentos interligados por uma sala coletiva com acesso a um deck externo comum, proporcionando o encontro. Os estudantes também compartilhariam cozinhas comuns distribuídas pelos diversos módulos, o que ajudaria o sentimento de comunidade.

A segunda proposta, que acabou sendo construída, foi a de um edifício tradicional deixando o máximo do terreno livre para desenvolvimentos futuros. A pedido da universidade o estudo preliminar foi feito em uma semana, ainda sem um programa definitivo: um bloco único de cinco pavimentos com uma grande abertura nos dois primeiros de modo a integrar o edifício com a paisagem dos campos de arroz. Tal estratégia se assemelha ao shakkei (cena emprestada) da arquitetura paisagística japonesa, que incorpora a paisagem de fundo na composição de um jardim. No térreo foram localizados os apartamentos para professores e os espaços de função coletiva: pequena cafeteria, lavanderia, caixas de correio, e salas de estudo, além do Memorial Takamado – um pequeno museu com o acervo do príncipe que intermediou a parceria entre a Coreia o Japão na Copa do Mundo.

Essencialmente, os quatro pavimentos superiores concentram os quartos, com soluções estranhas para os padrões ocidentais mas comuns nos apartamentos japoneses por conta da necessidade de se maximizar o uso do espaço. Além disso, os estudantes da Josai tem origens diversificadas e alguns podem pagar alugueis altos, outros não. Isso levou o Sumo a desenvolver um projeto com tipos de alojamentos diferenciados. Os melhores quartos ficam nos andares inferiores, podem ser individuais ou duplos, e dispõem de banheiros com chuveiros e um pequeno espaço para tirar e deixar os sapatos antes de entrar. Mas a maioria dos apartamentos são para estudantes menos afluentes, para eles há quartos para uma, duas, ou quatro pessoas (dois beliches) mas sem banheiro ou chuveiro. Como o quarto fica apertado para quatro pessoas, cortinas instaladas nos beliches ajudam a se manter a privacidade. Neste caso, os estudantes utilizam-se de banheiros e chuveiros coletivos, dispostos junto ao núcleo de circulação vertical em todos os andares. As janelas dos quartos dão para a fachada norte, com vista total para os campos de arroz.

Para o projeto do dormitório considerou-se uma media de 8 m2por aluno, entre espaço privado e comum. A maioria do espaço exterior foi tratada como espaço comum. As portas dos quartos abrem-se para um corredor de acesso e este, através de portas duplas corrediças, para um outro corredor ao longo de toda a fachada entremeado com balcões em balanço, dedicados a fumantes (no Japão se fuma muito). Esse corredor externo faz de interface entre exterior e interior, representando a engawa, característica marcante da composição espacial japonesa. A engawa é a área de madeira a frente das portas corrediças e sob o beiral do telhado da casa tradicional japonesa. Equivale ao espaço da varanda no Ocidente. Este espaço de transição pode ser compreendido tanto como extensão da edificação quanto do espaço exterior. Desde a casa, a engawa é considerada um prolongamento do espaço o interior e é usada como um ambiente informal. Do exterior, a engawa pertence ao jardim, ainda que situe-se em um patamar mais elevado do solo. Neste projeto, o Sumo propõe a releitura da engawa como um espaço informal, familiar aos japoneses, que enriquece a vida comunitária do dormitório.

A ideia do Sumo foi criar um alojamento que não necessariamente fosse lido como tal, com uma fachada principal onde não houvessem muitas janelas à vista, parecida com a fachada de um prédio de apartamentos, mas que fosse singular. Essa singularidade foi obtida através do corredor externo com os balcões dentados para fumantes, e a dinâmica criada por uma grelha envoltória de réguas de alumínio. Sobre a estrutura do edifício aplicou-se a fachada, constituída basicamente por uma grelha constituída por réguas de alumínio cujos comprimentos e larguras variam, gerando alternâncias e reentrâncias. Essa rica textura da fachada principal gera leveza ao edifício e cria uma grande riqueza estética durante o dia pois, voltada para o sul, ela se modifica com a luz do sol e o jogo de sombras. À noite a envoltória quase que desaparece, transpassada pela luz interior.

A envoltória pode ser entendida como uma releitura de dois elementos típicos da machiya – edificações tradicionais em madeira, encontrados por todo Japão. Nelas, uma espécie de grelha de madeira cobre praticamente toda a fachada frontal cuja função e manter a neve, a sujeira, e a chuva afastadas da porta, além de proteger os moradores de eventuais perigos externos. O outro elemento é o sudare – uma cortina fina de bamboo que ainda hoje são utilizadas em casas, restaurantes e casas de chá. O sudare serve a dois propósitos, regular a entrada de luz e permitir que a pessoa veja sem ser vista; são um espécie de muxarabi. São elementos da estética japonesa que permitem que espaços separados continuem conectados, criando um mistério e beleza sobre aquilo que encobrem, seja uma mulher, a cerejeira em flor, ou estudantes em um corredor, no caso do alojamento.

A obra, realizada pela construtora Obayashi como todas as outras da Universidade Josai, foi executada com extrema rapidez. O edifício não possui colunas mas paredes portantes e as lajes de piso são muito leves pois 50% dela foi pré-fabricada e completadas com painéis de isopor onde o piso foi assentado. Isto acelerou a construção, pois com lajes muito mais leves, o edifício pôde ser erguido economicamente e em apenas oito meses.

Escola de Administração

Museu de Arte Mizuta

Alojamento Estudantil

fonte
Studio Sumo
Nova York

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original: português

fonte
Sumo Studio
Nova York

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