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Silvio Sguizzardi e Marcio Coelho comentam o projeto residência Horitzó, do escritório catalão RCR Arquitectes, cujos titulares Rafael Aranda, Carme Pigem e Ramon Vilalta ganharam o Prêmio Pritzker 2017.

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SGUIZZARDI, Silvio; COELHO JR, Marcio Novaes. Pritzker a seis mãos. Sobre a obra dos arquitetos Rafael Aranda, Carme Pigem e Ramon Vilalta. Projetos, São Paulo, ano 17, n. 196.02, Vitruvius, abr. 2017 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/17.196/6509>.


"Paisagem e arquitetura se unem para criar prédios que estão intimamente ligados ao lugar e à época" (1).

O reconhecimento internacional do Prêmio Pritzker 2017, conferido ao escritório catalão RCR Arquitectes – dirigido por Rafael Aranda, Carme Pigem e Ramon Vilalta, fundado em 1988, em sua pequena cidade natal de Olot – causou enorme surpresa e suscitou reações diversas da comunidade internacional.

A qualidade da arquitetura nem sempre está na notoriedade de seus agentes ou numa extensa produção. Às vezes, na mais improvável cidadela norueguesa, no deserto australiano, num remoto vilarejo no interior da China ou em meio ao caos de uma megalópole latino-americana, encontramos verdadeiras obras-primas.

O anúncio realizado pelo júri da premiação ressalta o valor universal da estreita relação da arquitetura produzida com o lugar específico expresso pelo trabalho do trio:

“Em nossa época há uma questão importante que as pessoas em todo o mundo estão perguntando, e não se refere apenas à arquitetura, mas também ao direito, à política e governo. Vivemos em um mundo globalizado onde devemos confiar em influências internacionais, comércio, discussão, transações etc. Mas cada vez mais pessoas temem que, por causa dessa influência internacional, perderemos nossos valores locais, nossa arte local e nossos interesses locais costumes. Eles estão preocupados e às vezes assustados. Rafael Aranda, Carme Pigem e Ramon Vilalta nos dizem que pode ser possível ter ambos. Eles nos ajudam a ver, de uma forma mais bela e poética, que a resposta à questão não é ‘ou / ou’ e que podemos, pelo menos na arquitetura, aspirar a ter ambos; Nossas raízes firmemente no lugar e nossos braços estendidos para o resto do mundo. E essa é uma resposta maravilhosamente reconfortante, especialmente se ela se aplica também em outras áreas da vida humana moderna” (2).

Historicamente, o Pritzker tem nos mostrado que, num mundo globalizado, extremamente midiático e coorporativo, ainda há espaço para a surpresa, para o encantamento, para a sensibilidade e para o encontro do homem com a natureza, suas raízes e sua história. Os arquitetos do escritório RCR representam essa realidade.

Sua arquitetura, segundo suas próprias palavras, é imaginada, projetada e construída coletivamente, a partir de uma postura disciplinada, humilde e abnegada em busca da beleza.

Esta beleza se manifesta em várias esferas, seja na simbiose de suas construções com as paisagens vulcânicas da região de La Garrotxa, ou na maneira sensível com a qual lidam com a matéria, estabelecendo relações entre a tectônica de suas obras e o fazer artesanal, intrinsicamente ligado à herança cultural das tradições catalãs.

Seus projetos surgem despretensiosa, delicada e naturalmente, mesclando seus limites à paisagem, adquirindo grande força pela aparente simplicidade de suas intervenções, como se pode observar na implantação do Parque da Pedra Tosca, ou na maneira como as lâminas da residência Horitzó repousam sobre um sítio acidentado.

Entretanto, sua arquitetura representa também muito mais do que essa íntima relação do espaço construído com a paisagem e um profundo senso de identidade e pertencimento.

Além do excepcional conjunto da obra, os arquitetos do RCR desenvolvem sua prática sobre o tripé Escritório (RCR Arquitectes) x Fundação Cultural (RCR Bunka) x Ensino (RCR LAB-A), estendendo os limites de sua atuação a partir de um núcleo gerido a seis mãos em direção à pesquisa e ao ensino de sua metodologia, abrindo seu mundo à troca de experiências, criando uma fundamental sinergia entre o fazer, o pensar e o ensinar.

Esse ato generoso acontece em sua sede, uma antiga edificação industrial, cautelosa e poeticamente transformada em espaço multiuso, conhecida por Laboratório Barberi, o epicentro de sua atuação. Acreditam que, ao dividir sua criatividade, ela se transforma, estabelece novas relações, vira linha, vira matéria e, por fim, vira arquitetura.

Este aspecto colaborativo de suas atividades é justamente apontado como um dos principais fatores para o reconhecimento do valor de seu trabalho, revelando um claro sinal do júri de valorização do fazer coletivo inerente à atual produção arquitetônica:

“O processo que desenvolveram é uma verdadeira colaboração na qual nem uma parte ou o todo de um projeto pode ser atribuído a um só parceiro. Tal abordagem criativa é fruto de uma mistura constante de ideias e de um diálogo contínuo” (3).

A partir da compreensão aprofundada do trabalho desenvolvido pelo escritório catalão, observamos, portanto, que não há ausência de critérios ou aleatoriedade para a seleção do Pritzker 2017. Pelo contrário, o prêmio confere incontestável reconhecimento de uma prática única, madura e sensível, que, agora, merecidamente, ganha o mundo, supera estereótipos e se consolida como um dos grandes escritórios de arquitetura contemporâneos.

notas

1
“Landscape and architecture are united to create buildings that are intimately connected to place and time”. THE PRITZKER ARCHITECTURE PRIZE. Announcement. Madri, The Hyatt Foundation, 2017 <www.pritzkerprize.com/2017/announcement>.

2
“In this day and age, there is an important question that people all over the world are asking, and it is not just about architecture; it is about law, politics, and government as well. We live in a globalized world where we must rely on international influences, trade, discussion, transactions, etc. But more and more people fear that, because of this international influence, we will lose our local values, our local art, and our local customs. They are concerned and sometimes frightened. Rafael Aranda, Carme Pigem and Ramon Vilalta tell us that it may be possible to have both. They help us to see, in a most beautiful and poetic way, that the answer to the question is not ‘either/or’ and that we can, at least in architecture, aspire to have both; our roots firmly in place and our arms outstretched to the rest of the world. And that is such a wonderfully reassuring answer, particularly if it applies in other areas of modern human life as well”. THE PRITZKER ARCHITECTURE PRIZE. 2017 laureates: Rafael Aranda, Carme Pigem e Ramon Vilalta. Madri, The Hyatt Foundation, 2017 <www.pritzkerprize.com/laureates/2017>.

3
“The process they have developed is a true collaboration in which neither a part nor whole of a project can be attributed to one partner. Their creative approach is a constant intermingling of ideas and continuous dialogue”. Idem, ibidem.

sobre os autores

Silvio Sguizzardi, graduou-se arquiteto e urbanista em 2000 pela FAU Mackenzie e mestre em 2011 pela FAU USP. É professor de Projeto de Arquitetura na FAU Mackenzie.

Marcio Novaes Coelho Jr., graduou-se arquiteto e urbanista em 2000 pela FAU Mackenzie, mestre em 2004 e doutor em 2010 pela FAU USP. É professor de Projeto de Arquitetura e Patrimônio Urbano na Faap.

Ambos são sócios do escritório Sguizzardi.Coelho Arquitetura desde 2009 e fundadores do site ARCHIPORNguide.com.

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