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VALLE, Marco do. O verbo e a prancheta. Resenhas Online, São Paulo, ano 01, n. 001.23, Vitruvius, jan. 2002 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/01.001/3256>.


"Para mim a arquitetura não é o mais importante. Importantes são a família, os amigos e este mundo injusto que devemos modificar", diz Oscar Niemeyer na epígrafe do livro. A frase revela a força decisiva de suas origens e dos fatores de teor não-arquitetônico em seu imaginário e em sua concepção não-funcionalista de trabalho, com alcance internacional.Esses aspectos se salientam na forma de apresentação de seus trabalhos, que inter-relacionam desenhos e textos reflexivos.No livro, ilustrado com belos desenhos inéditos, especialmente preparados para o volume, o autor desenvolve com simplicidade e rigor essa forma de apresentação, que vem elaborando desde há muito. Ela data da primeira publicação (1935) de um projeto de sua autoria: o "Club Sportivo", na revista da Diretoria de Engenharia da Prefeitura do Distrito Federal. Esse projeto foi apresentado só por meio do desenho.Diferentemente, após os encontros com Le Corbusier, em 1936, no projeto para o Ministério da Educação, e com Rodrigo Mello Franco de Andrade, no Patrimônio Histórico (SPHAN), o desenho de Niemeyer obteve maior desenvoltura ao se apresentar associado à argumentação escrita. Exemplos desse teor registram-se, já em 1939, com o memorial descritivo do Pavilhão do Brasil na Feira de Nova York, em co-autoria com Lúcio Costa, e também com a residência para o escritor Oswald de Andrade, cujo projeto, compreendendo desenhos e argumentos, foi publicado na revista "Arquitetura e Urbanismo".Esse modo de apresentação das obras, que procura estruturar criticamente o trabalho, ecoou no país e no exterior. Seu desenvolvimento foi intensificado com a criação, em 1955, pelo próprio arquiteto, da revista "Módulo". Nela é publicado, em 1958, o seu célebre "Depoimento", com uma autocrítica severa, que propõe mudanças em seu próprio trabalho, que frutificariam em Brasília. Em "Minha Experiência em Brasília" (1961), seus desenhos, mais livres, encontram-se integrados ao texto, explicando o seu partido arquitetônico e a nova plasticidade.A conexão entre o projeto e o verbo, cujo melhor exemplo é "A Forma na Arquitetura" (1978), se fez método de trabalho para o arquiteto: "Se os argumentos que encontro não são válidos, volto à prancheta". Logo, o diálogo do arquiteto com Rodrigo M.F. de Andrade ampliou seus horizontes e conferiu a Niemeyer a capacidade de amalgamar um conjunto tão grande de informações que, pode-se dizer, sua obra, vida e história, tal como no caso dos autores "clássicos", já se confundem com a história do país e da arquitetura brasileira e internacional.No presente livro, o autor, aos 93 anos de idade e 62 de profissão, logra sintetizar tanto os caminhos de sua arquitetura quanto o papel de pensadores, políticos, arquitetos e engenheiros, que trabalharam ao seu lado, e ainda sua vida em família. A mesma capacidade de síntese, própria de sua arquitetura, fascina na obra literária. Além dos já citados, o livro reelabora e unifica outros escritos: "Quase Memórias - Viagens, Tempos de Entusiasmo e Revolta" (1968); "Como Se Faz Arquitetura" (1986); "Meu Sósia e Eu" (1992); e "As Curvas do Tempo - Memórias" (1998).Não obstante ainda se encontram dados e depoimentos novos, fruto da lucidez de uma memória privilegiada. Assim, o autor narra sua atuação em projetos importantes, como a Universidade de Mangueira (antiga Universidade do Brasil), o já referido Ministério da Educação (ao lado de Lúcio Costa), o Hotel Ouro Preto (1938), a Pampulha (1940-42), a sede da ONU, Brasília etc. O texto ainda assume a forma de um manifesto ao reivindicar, quanto à construção de um Setor Cultural no Eixo Monumental de Brasília, a unidade arquitetural.O livro trata do exílio do arquiteto e de seus trabalhos no estrangeiro: o apoio de André Malraux para que Niemeyer, mediante um decreto de De Gaulle, pudesse trabalhar como um arquiteto francês; os contatos com correligionários na França, que culminaram com o projeto da nova sede do Partido Comunista Francês; o projeto para a Bolsa de Bobigny e o Espaço Oscar Niemeyer, no Havre; o projeto da urbanização de Grasse, que também se deve a Malraux.O autor recorda ainda suas obras na Itália (por exemplo, a sede da editora Mondadori, em Milão), na Argélia (a Universidade de Constantine) e projetos para Israel e uma pequena cidade no deserto de Negev. O desejo, no exílio, de regressar ao Brasil, que é tratado poeticamente, e os projetos do Memorial da América Latina, do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, assim como a idéia de construir o Caminho de Niterói, também são focalizados. Por fim, o autor conclui:"Releio este livro, e definir meu pensamento sobre arquitetura me parece indispensável. Dizer que não vejo a minha arquitetura como solução ideal, mas, modestamente, como a minha arquitetura. Aquela que prefiro, mais livre, coberta de curvas, a penetrar corajosamente nesse mundo de formas novas que o concreto armado oferece."Sem dúvida, trata-se de muito mais do que só de "Minha Arquitetura".

[Texto originalmente publicado no Jornal de Resenhas, Folha de São Paulo, sábado, 13 de janeiro de 2001. Reprodução proibida sem autorização do autor]

sobre o autorMarco do Valle é artista plástico e professor de arquitetura e de escultura na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

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