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reviews online ISSN 2175-6694

Parque de Educação Ambiental Professor Mello Barreto, paisagismo de Fernando Chacel

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BARTALINI, Vladimir. Paisagismo e ecogênese. A importante contribuição de Fernando Chacel ao paisagismo brasileiro. Resenhas Online, São Paulo, ano 01, n. 001.05, Vitruvius, jan. 2002 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/01.001/3274>.


Foi lançado, no início de abril, o esperado livro em que vem registrada a importante contribuição de Fernando Chacel ao paisagismo brasileiro, mais particularmente, ao carioca. Mas como toda boa obra, que partindo do particular atinge o universal, aquela a que Chacel vem se dedicando na Planície Costeira de Jacarepaguá extrapola os limites geográficos do Rio. Ela desponta como referência para ações similares não só em ecossistemas assemelhados aos seus manguezais e restigas, mas também em outros ecossistemas, sempre que se busquem soluções de compromisso entre a urbanização e a conservação ou recuperação dos valores da paisagem natural.

No livro estão contemplados sete projetos, desenvolvidos entre 1986 e 2000, em associação com Sidney Linhares, três deles já implantados, um em processo de implantação, um já em fase de análise pelos órgãos públicos competentes, um à espera de aprovação do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente e um que só está no aguardo da decisão política de executá-lo.

Com uma única exceção – o da Via Parque – trata-se de projetos empreendidos pela iniciativa privada (num dos casos em parceria com o poder municipal). São, no entanto, quase todos, espaços que se tornaram públicos por força de mecanismos compensatórios em troca da permissão para a realização dos empreendimentos. E todos envolvem a recuperação ou conservação dos ecossistemas locais. Eles também têm em comum uma feição predominantemente linear, fruto mesmo das características das lagunas e restingas daquela baixada, e obedecem a um mesmo critério geral: a passagem gradual da faixa de proteção máxima, correspondente ao mangue, até a mais urbanizada, que pode contar com áreas de estar, quiosques, lagos artificiais, ciclovias, estacionamentos e até edificações, como a do proposto Centro de Estudos do Mar, no Parque Municipal Ecológico Marapendi.

A linguagem formal é sempre discreta, despretensiosa, como a confirmar que os protagonistas da cena são os manguezais e as restingas, não o design; que a principal razão destes projetos não reside na força da imagem e sim no esforço de preservar ou recuperar uma natureza ameaçada ou degradada, ainda que esta operação de salvamento se dê em faixas estreitas, limitadas às vezes a 30 metros de largura, como no caso de Marapendi, atendendo, provavelmente, ao mínimo estabelecido pela legislação para as áreas de preservação permanente junto aos mangues. Por outro lado, num lance generoso e previdente, os projetos incluem como áreas protegidas, faixas de restingas desamparadas pelas leis de defesa do patrimônio vegetal natural.

O que mais impressiona nos casos apresentados é a possibilidade e a viabilidade da recuperação dos ecossistemas. Dando-se conta que isto vem ocorrendo no Brasil, onde o processo de urbanização se pautou e continua se pautando numa brutal investida sobre os valores naturais da paisagem; dando-se conta que, revertendo a costumeira atitude resignada diante do poder dos "fatos consumados", se está investindo não só na proteção dos valores, mas na recuperação dos valores destruídos, estes projetos soariam como fantasias, se não estivessem sendo realizados de fato.

Sem dúvida eles são expressão das conquistas ambientalistas, de uma nova consciência. Mas também revelam que ao capital imobiliário não repugna, antes até pode interessar, a recuperação de ecossistemas. Menos mal, pois antes ele só destruía.

"Paisagismo e ecogênese" veio não só fazer jus à rica trajetória de Fernando Chacel na sua atuação de mais de 45 anos de "paisagista autodidata", como ele se intitula. É um livro que se fazia necessário para o mundo profissional, para o mundo acadêmico e também para um público mais amplo, já que as questões envolvendo a cidade e a natureza extrapolam os limites dos especialistas. Mas não é tarefa fácil atingir toda esta gama de leitores. Um dos sinais das dificuldades está na inclusão de explicações do significado de alguns termos em notas de rodapé, à guisa de glossário. Afora os critérios de inclusão dos termos no glossário não serem claros nem constantes (sendo por isso melhor dispensá-lo) o texto mesmo há de apresentar entraves ao leitor comum, pois está basicamente apoiado numa linguagem técnica.

Que seja, portanto, um livro para técnicos (para os sensíveis e também para os não tanto). Assim sendo, seriam benvindas mais informações sobre as etapas de recuperação dos manguezais e das restingas, mais dados e comentários sobre os empreendimentos que motivaram tais iniciativas de recuperação e também uma talvez prosaica escala gráfica, complementando a preciosa representação dos projetos em planta. Mas, sobretudo, uma planta geral da Barra da Tijuca com a localização dos projetos. Seria assim possível apreender a real importância deste conjunto de intervenções que chega a formar um continuum espacial de nada menos que 13 km de extensão. Afinal, poderia ser nosso Emerald Necklace.

sobre o autor

Vladimir Bartalini é arquiteto, mestre e doutor pela FAU-USP. É professor adjunto da disciplina de Paisagismo na FAU PUC-Campinas desde 1978 e do Grupo de Disciplinas Paisagem e Ambiente da FAU-USP desde 1985. Trabalhou de 1973 a 1977 no Departamento de Parques e Áreas Verdes da Prefeitura do Município de São Paulo e na Empresa Municipal de Urbanização de 1977 a 1984. Desde 1984 presta consultorias em paisagismo para planos e projetos envolvendo áreas verdes urbanas.

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resenha do livro

Paisagismo e ecogênese

Paisagismo e ecogênese

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2001

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