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OLLERTZ, Aline. Morte e vida de uma revista de arquitetura. Resenhas Online, São Paulo, ano 06, n. 071.01, Vitruvius, nov. 2007 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/06.071/3100>.


“Morte e vida de uma revista de arquitetura”
Eduardo Corona, no último editorial da revista, nov./dez. 1971

Passaram-se 34 anos desde o fechamento da revista Acrópole para que sobre tal importantíssimo documento histórico fosse feito um estudo a fundo sobre sua trajetória. Fernando Serapião, arquiteto e assistente editorial da revista Projeto Design, folheou seus 391 exemplares num árduo levantamento de enorme significado tanto para aqueles que conhecem a revista e sabem da sua importância, como para aqueles que ainda virão a descobrir.

O estudo resultou na sua dissertação de mestrado sobre edifícios de apartamentos na cidade de São Paulo, o que por um momento quase levou Serapião a seguir um outro caminho: “nós achávamos – mesmo trabalhando na redação de uma revista do gênero –, que os fatos e os edifícios publicados já estão registrados e não mereceriam um segundo olhar. Por isso analisando sob este ponto de vista, não haveria motivo para compilar ou mesmo recortar uma publicação periódica – como faz grande parte dos trabalhos acadêmicos. Ledo engano. Uma revista como a escolhida tem dentro das 27.542 páginas publicadas, um universo a ser decifrado que esta dissertação está longe de esgotar.” (1).

A busca pelos edifícios de apartamentos e o levantamento sobre a revista, mostrou a importância daquela publicação no período de sua existência e não é a toa que é uma referência tão buscada por estudiosos até hoje. “Além de ser o periódico que mais edições publicou no país, dentro de nosso subtema – o prédio de apartamentos –, ela é imbatível: dos 134 edifícios do gênero, indexados pelo Índice de Arquitetura Brasileira 1950/70, a Acrópole registrou 97 exemplares, ou seja, possui o invejável alcance de 72,38%. Para comparar, em segundo lugar, está a revista Habitat (com 19 exemplares publicados, ou seja, 14,17%) e em terceiro, a AD – Arquitetura e Decoração, com 13 prédios indexados, o que representa um alcance de 9,70% dos prédios de apartamentos publicados no período.” (2). Mesmo que o assunto dos edifícios residenciais paulistanos não tenha sido eliminado da pesquisa, esta terminou como um inédito e belíssimo trabalho sobre o percurso da revista Acrópole.

A revista Acrópole teve duas direções durante sua existência, o que resultou em significativas diferenças notadas pelo autor. Serapião divide sua dissertação em dois períodos, de acordo com o caminho percorrido pela revista: a primeira fase, correspondente á direção editorial de Roberto Corrêa Brito, período que vai de maio de 1938 até a edição nº 171, em 1952; e a segunda fase, sob editoria de Max Grunwald, de 1952 até dezembro de 1971, com o derradeiro exemplar nº 391 (3).

Segundo Serapião, o primeiro proprietário, Roberto Corrêa Brito, dirigia o Cadastro Imobiliário de São Paulo e queria publicar volumes sobre a obra recente do arquiteto Eduardo Kneese de Mello. Foi diante desse convite que Kneese de Mello incentivou Corrêa Brito a editar uma revista de arquitetura. Além de Kneese de Mello há outros engenheiros envolvidos na criação dessa revista: Walter Saraiva Kneese, primo de Kneese de Mello, Alfredo Ernesto Becker e Henrique Mindlin.

A “velha Acrópole”, como Carlos Lemos se referiu ao primeiro período da revista na conferência de abertura do Docomomo em 2005, tinha características distintas do segundo período, desde a capa até o conteúdo. Sobre a capa, na primeira fase, vinha ilustrada sempre com a mesma imagem, o Erecteu, um dos templos da acrópole grega, com exceção dos três primeiros números. A única coisa que mudava era a cor da mesma, no entanto sempre monocromática. Serapião destaca que havia nessa época uma nítida confusão entre editoriais e publicidade, fato notado em inúmeras situações, dentre elas na proximidade da revista com o mercado imobiliário, exemplificada pela publicação no final da revista de um caderno com todas as vendas de imóveis registradas no cartório da cidade. Há também indícios de inúmeras matérias pagas, pois junto ao projeto havia propagandas com logotipos e telefones das empresas vinculadas àquela construção.

Em números, a revista de Roberto Corrêa Brito publicou a maioria dos projetos do Estado de São Paulo, 88,86%. Quanto ao programa, a revista publicou 50,35% de matérias sobre residências unifamiliares; em segundo lugar vem os prédios de apartamentos, com 14,84%. Em terceiro lugar vêm os edifícios de escritórios (5,91%), seguido de hotéis (5,03%), escolas (3%) e os edifícios com fins esportivos (2,56%). Dos projetos publicados pela revista Acrópole de Corrêa Brito, 90,10% são privados, enquanto apenas 9,9% são públicos.

É no final do ano de 1952 que Max Grunwald, funcionário da revista desde 1939, se torna diretor da Acrópole. Já na primeira edição da nova fase, a capa vem ilustrada por um projeto residencial desenhado pela equipe da Construtécnica, e traria a partir de então uma ilustração diferente a cada número. Uma das grandes diferenças entre a direção anterior para essa, segundo Serapião, é a maneira de selecionar os projetos para a publicação: “é perceptível, com esta mudança de postura, a diferença de qualidade de projetos publicados, mesmo que, durante um período considerável, ainda sejam vistos alguns projetos, os quais observados a partir do ponto de vista atual do que seja um material adequado, destoam do restante”. Este processo, segundo Manfredo Grunwald, filho de Max Grunwald, “aconteceu automaticamente, a gente selecionava, mas não foi consciente”, no entanto segundo Manfredo, eles realmente limitavam mais a apresentação dos materiais na revista, tendo em vista o processo adotado anteriormente.

A revista de Max Grunwald, também publicou a maioria dos seus projetos do Estado de São Paulo (78,91%), “por força da circunstância”, segundo Manfredo Grunwald, já que havia grande dificuldade em conseguir projetos de outros Estados, por causa da necessidade de viagens e outras questões que dificultavam esse processo. Nessa fase, há um predomínio de obras vinculadas ao movimento moderno, e a publicação de projetos públicos passa a aumentar, enquanto diminuíam as obras privadas.

É desse período também a aproximação da revista com o Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB. Tal aproximação pode ser notada em algumas passagens, como quando Max Grunwald junto com Oswaldo Bratke, no início da década 50, inauguraram no térreo do prédio do IAB estandes de vendas de materiais de construção, o que permitiu o término da construção do prédio daquele instituto e a entrada de Max na direção da revista. É também a partir do nº 184 da revista que o IAB passa a publicar na Acrópole o Boletim oficial do IAB, inteiramente realizado pelo instituto. “O Instituto, no meu tempo, a protegeu [a revista Acrópole] na medida do possível [...] ele [Max Grunwald] deveria ter seu nome gravado no IAB”, afirma Oswaldo Bratke em entrevista a Hugo Segawa (4).

É junto com o declínio do número de páginas comerciais que se inicia o declínio da revista, que vem a fechar em 1971. Segundo o autor, a relação de páginas editoriais e comercias no início do período dos Grunwalds era de 1/1, enquanto que após o ano de 1967 essa proporção chega a 2/1.

Ainda naquela época existiam algumas outras revistas de arquitetura que eram publicadas como: Arquitetura e Engenharia (1946-1965), Brasil Arquitetura Contemporânea (1953-1957), AD Arquitetura e Decoração (1953-1958), Módulo (1955-1965), Brasília (1957-1961) e Arquitetura (1961-1969) (5). Mas nenhuma perdurou tanto tempo e publicou tantas edições como a revista Acrópole. Até dezembro de 2005, quando do término do trabalho de Serapião, a Acrópole era a revista com maior número de exemplares (391), já que as revista em circulação no momento – a Projeto Design e a AU – Arquitetura e Urbanismo – marcavam até aquele momento 311 e 141 exemplares, respectivamente.

Em conclusão, cabe ressaltar que a revista foi demasiadamente importante para a publicação da arquitetura da época e para o registro do vertiginoso crescimento da cidade de São Paulo. “Então, assim como não se deve creditar em demasia a imparcialidade da revista, – que, de fato, não existia –, não dá também para desconsiderá-la como veículo que registrou tal produção com tamanha freqüência”. (6).

“Acabou-se então a Acrópole. E ficamos por muito tempo sem uma revista”
Oswaldo Bratke (7)

notas1
SERAPIÃO, Fernando Castelo. Arquitetura Revista: a Acrópole e os prédios de apartamentos em São Paulo. 1938-1971. São Paulo, 2005.

2
Idem, ibidem.

3
A coleção de exemplares da revista Acrópole, de Manfredo Grunwald, foi doada para a biblioteca da Fundação Armando Álvares Penteado.

4
SEGAWA, Hugo. A arte de bem projetar e bem construir. Entrevista de Oswaldo Bratke. Projeto, n. 106, p. 162, dez. 1987 / jan. 1988).

5
SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil 1900-1990. EDUSP. São Paulo, 1997.

6
SERAPIÃO, Fernando Castelo. Op. Cit..

7
SEGAWA, Hugo. Op. Cit., 1987.

sobre o autorAline Ollertz é estudante da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie e membro do Grupo de Pesquisa O Desenho da cidade e a verticalização: São Paulo de 1940 a 1957.

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