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PADOVANO, Suzana Mara Sacchi. Design Brasil, história e valor. Resenhas Online, São Paulo, ano 08, n. 090.03, Vitruvius, jun. 2009 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/08.090/3034>.


Ler o livro de Ethel Leon, Memórias do design brasileiro, é como fazer uma viagem rumo ao descobrimento dos pioneiros envolvidos com o design brasileiro. São entrevistas realizadas em um período que vai de 1989 à 2008 com Alexandre Wolner, Cauduro e Martino, Emilie Chamie, Estella Aronis, Jorge Zalzupin, Livio Levi, Manoel Coelho, Michel Arnoult, Milly Teperman, Pietro Maria Bardi, Ruben Martins e Zanine.

Como a própria autora relata, seu livro surgiu perante a necessidade que sentiu, desde que começou a lecionar história do design em 2003, de conhecimento por parte dos estudantes, no que se refere aos nomes do design nacional. Por outro lado, a outra razão foi que nesta disciplina "navega-se pelas ondas da Bauhaus" e outras influências estrangeiras e por todo um sentimento mítico de que o design é algo que vem "lá de fora".

Que o leitor não pense serem relatos frios. Muito pelo contrário, a autora possui maestria em escrever de forma fluida, leve e intimista sobre um assunto tão importante que poderia se tornar monótono e sem viço em outras mãos.

As entrevistas são vívidas, cheias de recortes, informações inéditas e pessoais, que configuram a essência de cada designer. O leitor sente-se em casa, como se ele próprio estivesse conversando na sala de estar do entrevistado.

Assim ficamos sabendo que: Alexandre Wollner, aos 80 anos, experiente designer, torna-se "jovem pintor"; Cauduro e Martino tiveram imbroglios com o projeto do metrô; Emilie Chamie entregava seu rigor mais aos seus sentidos do que às suas réguas; Estella Aronis era multidesigner além de dona de casa e mãe; Jorge Zalzupin foi imbatível empresário, designer e administrador de crises; Lívio Levi, designer da luz, foi artista total; Manoel Coelho tem um sonho antigo que é o respeito ao espaço da cidade; Michel Arnoult foi o designer que previu o uso do eucalipto como madeira de escala industrial; Milly Terperman é um empresário cheio de idéias que sempre amou o design; Pietro Maria Bardi teve sua vida foi dedicada à arte e afirmou ser um objeto da cultura industrial um item de museu; Ruben Martins foi titular do primeiro escritório formal de design brasileiro; e Zanine foi o amante da natureza, o mago da madeira, e que por suas mágoas refugiou-se no exterior, e muito muito mais...

Ao percorrermos todas estas páginas com suas diferentes histórias, podemos apreender dois diferentes níveis de narrativas: o primeiro é a do conhecimento da história do design brasileiro, desconhecida por muitos; a segunda é a leitura do contexto econômico e social do Brasil durante todo este período relatado.

Nesta obra temos a oportunidade única de apreciar os vários produtos, sejam eles objetos ou projetos gráficos destes designers, muitos dos quais não tinham vindo à público anteriormente.

Para muitos que já conhecem os produtos, mas não conhecem sua história inteira, este livro é a oportunidade de ter acesso ao conceito de trabalho atrás de cada um, dos escritórios ou estúdios informais, seus projetos, a história de sua concepção, desenvolvimento, fabricação, seja ela artesanal, semi-industrial ou industrial. Podemos também acompanhar as vitórias e as agruras de cada entrevistado, tendo como pano de fundo as dificuldades tecnológicas, sistêmicas e fabris pelas quais passaram.

Esta leitura nos permite também recuar no tempo e verificar que ainda hoje persiste grande parte dos problemas econômicos, sociais e industriais. As lamentações de ontem são muito similares às de hoje: a falta de identidade brasileira que acometeu o mundo do design, a noção de que design é algo decorativo, a falta de cultura dos empresários brasileiros para entender design, a invasão de empresas estrangeiras, entre outros.

Muito pouco se escreve sobre o design no Brasil, esta fascinante atividade cujos conhecimentos ficam restritos ao seu círculo de entendidos e que, diga-se de passagem, poderia estar em um nível de desenvolvimento muito mais acelerado e com maior representatividade. Esta obra, entretanto, servirá de referência e farol para todos aqueles que se interessam por design, sejam leigos, alunos, pesquisadores e mesmo para designers como eu, que de uma forma ou de outra, mesmo tendo tido o privilégio de conhecer pessoalmente quase a maioria dos entrevistados e seus trabalhos, ao lê-la, pude aprofundar meu conhecimento emocional e particularidades destas grandes personalidades e mestres.

sobre o autor

Suzana Mara Sacchi Padovano é designer industrial (Mackenzie, 1975); Mestre pela Rhode Island School of Design (Providence / RI / Massachussetts / USA, 1975 à 1977). Foi professora no Departamento de Projeto de Desenho Industrial, no Mackenzie, na Unip e na FAAP, e nesta última foi Coordenadora das Faculdades de Desenho Industrial e Moda até 2006. Proprietária do Studio de Consultoria em Design, Sacchi Designers e da marca Eccentrica, de bijoux e jóias, é Consultora de Design Industrial do NUTAU/USP - Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo

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