Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

reviews online ISSN 2175-6694


abstracts

português
Texto de Eliane Lordello comenta o livro “Viagem ao Rio: cartas da juventude (1848-1849)”, de Edouard Manet, coletânea de cartas da viagem do jovem pintor francês à cidade do Rio de Janeiro.

english
Review on the book Viagem ao Rio: Cartas da juventude (1848 -1849), de Edouard Manet.

how to quote

LORDELLO, Eliane. Correspondência e turismo. O Rio de Janeiro por Edouard Manet. Resenhas Online, São Paulo, ano 14, n. 157.01, Vitruvius, jan. 2015 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/14.157/5384>.


As viagens são um campo prolífico para a correspondência, legando-nos várias obras literárias que permitem melhor conhecer cidades, países, em diferentes épocas, por um olhar muito particular: o do viajante, o do turista. Eis o caráter, por exemplo, de Viagem ao Rio: cartas da juventude (1848-1849) (1), do pintor Edouard Manet (1832-1883).

Manet viajou ao Rio de Janeiro em finais de 1848, a bordo do navio-escola Havre et Guadeloupe, quando tinha apenas dezessete anos. Aspirante a futuro marinheiro, com esta viagem o jovem Manet visava preparar-se melhor para prestar, no início de 1850, as provas de admissão da Escola Naval. A viagem foi iniciada em novembro de 1848 e foi narrada dia a dia por Manet em cartas destinadas aos seus familiares.

O navio ancorou na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, em fevereiro de 1849. Em sua apresentação do livro, o tradutor Jean Marcel Carvalho França faz um importante destaque: “Há de se ter em conta, entretanto, que Manet é uma das personalidades mais importantes que pisaram o solo carioca ao longo do século XIX”.

A primeira carta do futuro pintor a mencionar o Rio de Janeiro é destinada a sua mãe, datada de 5 de fevereiro de 1849, encabeçada, além da data, pela localização “Na Baía do Rio de Janeiro”. A baía é descrita aí com as seguintes palavras:

“A baía do Rio de Janeiro é encantadora, povoada de navios de guerra de todas as nações e cercada por montanhas verdes, nas quais se notam, aqui e ali, belas habitações” (2).

Sobre a vida urbana em si, há comentários de Manet sobre o comportamento de homens e mulheres, brancos e negros, policiais e civis, a guarda nacional, o carnaval, festas religiosas e algumas considerações sobre a estrutura física do poder. Esta última surge, por exemplo, quando relata, à sua mãe, em carta encabeçada pela localização “Do porto do Rio de Janeiro”, sem data, o que segue:

“Ia me esquecendo de comentar que o palácio do imperador é um verdadeiro casebre, bastante mesquinho. De resto, o governante quase não ocupa esse prédio, preferindo antes residir num castelo de nome São Cristóvão, situado a pouca distância da cidade” (3).

Se a arquitetura da cidade construída não parece fascinar Manet, que lhe dedica poucas descrições, a natureza envolvente o encanta, como pode ser comprovado no relato de seus passeios, que denotam também a riqueza de sabores naturais.

“Os passeios são encantadores, desfrutamos da mais bela natureza que se pode imaginar e temos à mão tantas frutas quanto desejamos. Diariamente, uma chalupa de terra vem a bordo carregada de bananas, laranjas, ananases, etc.” (4).

Em outro momento, em carta ao primo Jules, encabeçada pela localização “Do porto do Rio de Janeiro”, e datada de “segunda-feira 26 de fevereiro”, Manet reforça a beleza dos arredores da cidade, afirmando: “Os arredores da cidade são incomparavelmente bonitos, nunca vi uma natureza tão bela”. Descrevendo visita a uma “ilha situada no fundo da baía”, que o tradutor identifica, em nota, como provavelmente a Ilha de Paquetá, o futuro pintor narra passeio por uma “floresta virgem” (5). A correspondência é curta, mas significativa da prevalência da natureza sobre a cidade na apreensão do futuro pintor.

De edição primorosa, este pequeno livro tem um belo projeto gráfico, e conta com ilustrações do século XIX, que inclusive dão uma visão da época em que Manet esteve no Rio. Exemplar disso é a ilustração que reproduz o óleo sobre tela intitulado Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, 1848, de Charles J. Martin (Museus Castro Maya/Iphan/MinC, Rio de Janeiro).

Há ainda uma série de desenhos de Manet feitos a bordo do veleiro Havre et Guadeloupe, entre 1848 e 1849 que encerra com chave de ouro a pequena joia que é este livro.

notas

NA – Este artigo integra a produção da linha de pesquisa Paisagens Epistolares.

1
MANET, Edouard. Viagem ao Rio: cartas da juventude (1848-1849). Rio de Janeiro, José Olympio, 2002.

2
Idem, ibidem, p. 68-69.

3
Idem, ibidem, p. 80.

4
Idem, ibidem, p. 83.

5
Idem, ibidem, p. 92.

sobre a autora

Eliane Lordello é arquiteta e urbanista (UFES, 1991), mestre em Arquitetura (UFRJ, 2003), doutora em Desenvolvimento Urbano (UFPE, 2008). Arquiteta da Gerência de Memória e Patrimônio da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo.

comments

resenha do livro

Viagem ao Rio

Viagem ao Rio

Cartas da juventude (1848-1849)

Edouard Manet

2002

157.01
abstracts
how to quote

languages

original: português

share

157

157.02

Observações sobre o livro Cemitério da esperança

Benjamin Moser, um crítico severo de Brasília

Edson Mahfuz

157.03

A juventude e a invenção do Brasil

As obras formadoras da ideia de Brasil e do que é ser brasileiro

Luiz Philippe Torelly

157.04

A arquitetura contemporânea ou a sedução da superfície ornamentada

Heliana Angotti-Salgueiro

157.05

As experiências de revitalização em seis cidades

Nova York, Londres, Havana, Buenos Aires, Cidade do Cabo e Rio de Janeiro em questão

Fernando Carneiro

157.06

O padeiro e o sopro divino

Abilio Guerra

newspaper


© 2000–2017 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided