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abstracts

português
Um livro poético que retrata procedimentos e experiência do profissional da iluminação. Promove o discernimento de como usar a luz, expandir sua visão do mundo, aguçar a criatividade de forma a usar a luz para melhorar a qualidade de vida dos usuários.

english
A poetic book that portrays procedures and experience of lighting designer. Promotes understanding of how to use the light, expand your world view, sharpen creativity in order to use light to improve life quality to users.

español
Un libro poético que representa los procedimientos y la experiencia del profesional de iluminación. Promueve la comprensión hacia ampliar su visión del mundo, agudizar la creatividad y utilizar la luz para mejorar la calidad de vida de los usuarios.

how to quote

MATOS, Jéssica Cristine da Silva Fonseca; SCARAZZATO, Paulo Sergio. O olhar do lighting designer. Resenhas Online, São Paulo, ano 16, n. 180.03, Vitruvius, dez. 2016 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/16.180/6326>.


“Para qualquer ambiente construído, os espaços são a melodia e a luz sua orquestração. Para que o design da iluminação se desenvolva, sua mensagem tem que ressoar na arquitetura”
Howard M. Brandston, Aprender a ver, p. 105

Livro publicado originalmente pela Illuminating Engineering Society of North America (IESNA) em 2008 e traduzido para a língua portuguesa em publicação de 2010, é destinado a profissionais, estudantes e professores. Entretanto sua linguagem de fácil entendimento, torna-o acessível às pessoas comuns – pessoas que usam a luz diariamente. Aborda questões conceituais do design da iluminação tratando-a como forma de melhorar a qualidade de vida das pessoas e transformar o espaço construído.

O livro estrutura-se em quatro partes: Aprender a ver, Assumir Responsabilidades, Criatividade e Comunicação. A integração desses quatro elementos leva à arte do pensar.

A mais simples característica da iluminação e também seu maior mistério é o processo de “aprender a ver”. Na primeira parte do livro, com esse título, o autor explica o que é esse processo: “Aprender a ver significa registrar mentalmente as causas de nossas emoções ou reações em resposta à experiência da cena que estamos vendo” (p. 14). Esse processo é imprescindível para que possamos apreciar, relembrar e registrar. O contexto que se encaixa, a cultura inserida, os aspectos demográficos e a resposta humana são itens que precisam ser compreendidos no processo de ver.

Brandston aponta a grande gama de sentimentos e significados ligados à luz - na filosofia a luz é uma metáfora para o conhecimento, na ciência, um componente fundamental de trabalho, nas artes cênicas, uma ferramenta de manipular emoções, para o restante das pessoas, o principal meio pelo qual adquire-se informação. Além, da influência da luz em relação ao comportamento do usuário – acalmar, incitar, confrontar, inspirar e conduzir.

A visão é afetada pelas emoções, experiências e sentimentos. O processo de construção de um banco de memórias de ambientes bem iluminados, que possam ser utilizados em projetos a serem desenvolvidos é fundamental no aprendizado do ver. Contrariando a prática de apoiar-se apenas no uso de ferramentas de medições e normas no design de iluminação:

“Assim como não precisamos de um termômetro para saber se estamos quentes ou frios, certamente também não precisamos de um luxímetro para nos dizer o que podemos ou não podemos ver” (p. 29).

Para trabalhar com a luz primeiro tem que compreendê-la. O autor sugere equipamentos simples: uma mão, um luxímetro, uma cédula de dinheiro e um espectroscópio que, segundo ele, são suficientes para o aprendizado da iluminação. O processo de avaliar, estimar e medir é a metodologia indicada até que a iluminação torne absolutamente familiar.

O projeto de iluminação requer espírito criativo sem apegos a regras e equipamentos, com a habilidade e experiência para sensibilizar.  A importância dos olhos e mente abertos para avaliar toda e qualquer experiência visual. É interessante questionar o que se vê:

“Que tipo de luz é essa? Qual é a sua fonte, localização, distribuição, direção, intensidade? Como ela faz as pessoas olharem à sua volta? Como ela age sobre os materiais e as cores?” (p. 46).

Na segunda parte, “Assumindo responsabilidades” Brandston atribui ao designer de iluminação a responsabilidade do projeto. O designer é o responsável por prover a criatividade e fornecer soluções únicas. O êxito dependerá de quão criativa suas soluções são.

Brandston exemplifica mencionando um momento que sentiu grande responsabilidade: década de 80, quando lhe confiaram o projeto de iluminação da Estátua da Liberdade, em seu centésimo aniversário. No capítulo Iluminando a Dama, explica o processo de projeto que sua equipe adotou detalhadamente. O designer reconhece que esse projeto demandou mais que uma cuidadosa aplicação de suas habilidades profissionais, tratava-se de um projeto especial, símbolo para todo o mundo. E ele o responsável por aquele trabalho, não apenas perante o Comitê Franco-Americano e os arquitetos responsáveis pelo restauro, mas também sentiu uma enorme responsabilidade perante a própria obra, seus 250 milhões de habitantes dos EUA e todos mais no mundo afora que a admiram pela liberdade que representa.

O designer precisa ter preparo para assumir a responsabilidade. Para que isso se torne possível tem que estar aberto para pensar e debater assuntos não apenas ligados à sua profissão, mas também filosofia, poesia, ficção.... Quanto mais conhecimento a respeito do universo e da vida, melhor exercerá sua arte.

Na terceira parte “Tornando-se criativo” aponta a criatividade como a maior contribuição que alguém tem a oferecer. A criatividade muitas vezes significa a ruptura com o convencional. Então, o designer não pode estar apegado, deve ser livre.

Quando caminhamos apenas pelas regras, não é necessário assumir responsabilidade. Entretanto quando o designer opta pela criatividade, escolhe a parte mais difícil: a originalidade e não a conformidade. Será conhecido pelo diferenciado. Suportar essas responsabilidades, rende recompensas.

Na primeira parte do processo de projeto de iluminação o designer precisa evocar uma imagem do que ele deseja ver, limpando completamente sua mente de qualquer ideia que possa comprometer sua solução criativa e singular. É comum que reminiscências da memória prejudiquem o raciocínio criativo, e isso não pode ser permitido.

A iluminação deve servir às pessoas e valorizar o espaço, então assim como as pessoas não são todas iguais, não existe uma solução única capaz de solucionar todos os problemas de iluminação. Daí a importância do processo de design colaborativo, definido no início de cada projeto juntamente com o cliente, indicando exemplos de lugares que gostam, juntamente com a equipe definindo ideias e uma linguagem comum, mostrando exemplos aplicados até que o cliente comece a ter uma compreensão sobre os níveis de iluminação que melhor atendam suas expectativas. O autor defende que “o processo do design da iluminação será único para o indivíduo que dele se servirá, e produzirá um resultado único” (p. 56).

O espaço de projeto é definido como o volume na qual o usuário existe naquele momento. A forma como o usuário percebe o espaço pode ser trabalhada com a luz. A luz é o elemento que pode unificar e diferenciar espaços, criar focos e desenvolver uma hierarquia e movimento. É essencial entender qual o sentido que o designer quer passar desse espaço. Para isso o autor sugere um questionamento sobre esse espaço: O que é o espaço? Qual o significado mais amplo do seu uso? Qual o tipo de estabelecimento abriga esse ambiente, público ou privado? ... E assim segue classificando. Essas respostas revelam características próprias, que deverão ser solucionados de diferentes formas.

Na última parte “Comunicação” esclarece a importância da comunicação do projeto. É essencial que as pessoas envolvidas compreendam o projeto. O designer deve saber comunicar ao cliente o que ele receberá no final, para isso sugere diversos meios: expressão verbal e oral, desenhos, protótipos, maquetes físicas e eletrônicas. Mais de um método são necessários para esse diálogo. Para Brandston os três métodos mais eficazes para essa comunicação são: falar, escrever e desenhar!

Desenhar é colocar as ideias no papel, possibilitando as outras pessoas entenderem. Até mesmo um croqui deve ser considerado uma arte. O designer precisa vender suas ideias tanto para si mesmo como para os clientes em potencial.

Enfim, finaliza o livro com os últimos conselhos e “empurrões” para o designer. Ressalta novamente a importância do aprender a ver, de livrar-se de paradigmas e visões pré-definidas que bloqueiam a criatividade, reitera ser mais importante a percepção do que os cálculos e normas e afirma que a maior recompensa do aprendizado do ver é a autoconfiança.

sobre os autores

Jéssica Fonseca Matos é arquiteta. Mestranda em Iluminação, no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Tecnologia e Cidade na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (FEC-Unicamp).

Paulo Sergio Scarazzato é arquiteto. Doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo. Professor junto à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUSP) e à Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (FEC-Unicamp).

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resenha do livro

Aprender a ver

Aprender a ver

A essência do design de iluminação

Howard M. Brandston

2010

180.03 livro
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original: português

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180

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