Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

reviews online ISSN 2175-6694


abstracts

português
Renato Anelli comenta a exposição “Frank Loyd Wright at 150: Unpacking the archive”, curadoria de Barry Bergdoll, que acontece no MoMA de Nova York até 1 de outubro de 2017.

how to quote

ANELLI, Renato. Desembrulhando Wright. Sobre a exposição do arquiteto Frank Lloyd Wright no MoMA de Nova York. Resenhas Online, São Paulo, ano 17, n. 187.05, Vitruvius, jul. 2017 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/17.187/6618>.


A nova exposição sobre a obra de Frank Loyd Wright, aberta em junho de 2017 no Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York, alcança o feito de trazer novas interpretações para um personagem sobre o qual se acumulam camadas de estudos. Isso não aconteceria sem o arcabouço institucional que a produziu: ela culmina o processo de transferência do arquivo de Wright desde os dois estúdios Taliesen, East em Wisconsin e West no Arizona, para Nova York. Iniciado em 2012 e concluído em 2016 graças ao acordo entre MoMA,  Avery Architecture & Fine Arts Library da Columbia University e Frank Loyd Wright Foundation, a transferência do gigantesco acervo de 55 mil desenhos, 125 mil fotografias, 285 filmes e 300 mil folhas de papel e 2.700 manuscritos tornou-o facilmente acessível a pesquisadores, além de permitir adequadas condições de conservação.

O nome da exposição, Frank Loyd Wright at 150: Unpacking the archive (1), explicita o processo da sua produção simultaneamente à transferência. Curador da exposição e sujeito central do acordo e transferência do acervo, Barry Bergdoll se despede de sua longa atuação junto ao MoMA, iniciada em 2007 quando assumiu a posição de Curador Chefe do departamento de Arquitetura e Design. Bergdoll já havia convidado historiadores de arquitetura acadêmicos como colaboradores, como fora o caso de Jorge Francisco Liernur e Carlos Eduardo Comas que em 2015 se somaram ao curador-assistente Patricio Del Real na exposição Latin America in Construction: Architecture 1955-1980 (2).

Frank Lloyd Wright, “March Balloons”, 1955. Exposição “Frank Loyd Wright at 150: Unpacking the archive”, curadoria de Barry Bergdoll, MoMA Nova York
The Museum of Modern Art | Avery Architectural & Fine Arts Library, Columbia University [The Frank Lloyd Wright Foundation Archives]

Na exposição atual atual, Bergdall ampliou essa estratégia, convidando historiadores, arquivistas, bibliotecários e conservadores que em sua maioria nunca haviam estudado a obra de Wright em profundidade, mas que procuraram no material do acervo, ressonâncias para seus temas de pesquisa.  O objetivo desta exposição não foi o de competir com outras retrospectivas anteriores e sim apresentar novas leituras sobre obras conhecidas ou itens pouco destacados anteriormente.

A estrutura espacial da exposição apresenta claramente as colaborações individuais dispostas em doze seções. Monitores de vídeo em cada seção permitem que os convidados apresentem seu objeto de interesse, seus critérios de seleção e suas interpretações, enfatizando o papel formativo da mostra.

Culminando a sequência de seções, Bergdall apresenta o projeto do arranha-céu de uma milha de altura (Chicago,1956). Ao lado dos enormes desenhos da torre ocorre a projeção de um programa de TV do mesmo ano, no qual os participantes são convidados vendados tentam descobrir quem seria o “arquiteto mundialmente famoso” ali presente. O curador destaca como a ousadia da torre e a presença na mídia procuravam manter a atenção pública a um arquiteto então com oitenta e nove anos de idade e disputando reconhecimento com várias gerações mais jovens que nele se inspiraram. Evita, contudo, a apresentar o projeto como capricho absurdo. Procura suas razões como contraponto de equilíbrio à descentralização de Broadacre City. Frente aos gigantescos desenhos originais, Bergdall interpreta o surpreendente princípio estrutural da torre e decodifica o sentido da homenagem aos engenheiros, cujos nomes foram anotados por FLW no alto da prancha.

Exposição “Frank Loyd Wright at 150: Unpacking the archive”, curadoria de Barry Bergdoll, MoMA Nova York
Foto Renato Anelli

As demais seções são igualmente importantes. Obras conhecidas como o Midway Garden e o Hotel Imperial de Tóquio passam por novas interpretações por Spyros Papapetros e Ken Tadashi Oshima, enquanto alguns dos convidados dedicam-se a obras com menor evidência. Ao apresentar o projeto para as “pequenas fazendas em Davison” (1932-1933), Juliet Kinchin a relaciona à concepção de Wright para o desenvolvimento econômico da interior rural dos EUA após 1929. Ao lado da maquete e desenhos do pequeno e concentrado sítio agrícola, dois monitores de vídeo passam filmes que situam politicamente a concepção do arquiteto no contexto do incremento ao uso extensivo de mão de obra durante o New Deal norte-americano versus a mecanização tecnológica do campo na URSS.

Duas outras seções fazem emergir um cunho político, de caráter identitário em sua obra. São projetos voltados para aquilo que hoje chamamos de minorias. Mabel Wilson mostra como Wright, inconformado com a péssima arquitetura clássica utilizada nas escolas construídas para afrodescendentes no sul dos EUA pelo Rosenwald Funds, propõe sua própria versão para a Hampton Normal and Agricultural Institute em Virginia (1928), interpretando em cores e formas a figuratividade da arte e arquitetura africana. Poucos anos antes, entre 1923 e 1924, Wright interpreta ao seu modo formas da cultura indígena dos Nakomis no projeto para um clube de golfe em Wisconsin. Ainda que a idealizadora da seção, Elizabeth Hawley, as considere estereotipada, sua seleção de fotos e desenhos, acompanhada pelo ensaio no catálogo nos introduzem com profundidade ao continuo interesse do arquiteto pelo artesanato indígena visando sua utilização na ornamentação de seus projetos. Mas se as interpretações da arte africana por Pablo Picasso na França ou  Erich Heckel na Alemanha procuravam apenas a oportunidade de uma figuratividade não clássica na construção da arte moderna, é necessário reconhecer que nessas obras Wright procura incorporar na identidade moderna dos EUA culturas que já fazem parte do país, mas de modo segregado.

Exposição “Frank Loyd Wright at 150: Unpacking the archive”, curadoria de Barry Bergdoll, MoMA Nova York
Foto Renato Anelli

O paisagismo ocupa um espaço relevante na exposição. Therese O’Malley analisa detalhadamente o “Floricycle”, projeto do jardim da casa Darwin D. Martin, realizado por Wright em Buffalo (1903-06) em um bairro planejado por Frederick Olmsted em 1880. Estuda a relação entre a forma circular da disposição das plantas (nativas e exóticas) com os princípios expostos pelo arquiteto em sua conferência “Concerning Landscape Architecture” (1900). Em outra seção, a tensão entre abstração e paisagem é explorada por Michael Desmond ao analisar o plano urbanístico para Galesburg Country Homes, em Michigan (1947-1949) – composto por uma malha de lotes circulares com seus interstícios preenchidos por vegetação.

Duas seções são dedicadas ao papel da representação na obra de FLW e são diretamente decorrentes do trabalho de sistematização e conservação do acervo em Nova York.

Maquete do edifício St. Mark's-in-the-Bouwerie, projeto não construído, Nova York, 1927-31. Exposição “Frank Loyd Wright at 150: Unpacking the archive”, curadoria de Barry Bergdoll, MoMA Nova York
The Museum of Modern Art/Avery Architectural and Fine Arts Library, Columbia University [The Frank Lloyd Wright Foundation Archives]

Ellen Moody demonstra como as maquetes da St. Mark’s Tower (1927-29) e do Guggenheim Museum (1943-59) foram reelaborados e reutilizados pelo arquiteto ao longo dos anos. Análise que foi construída durante os trabalhos de restauração e conservação, descritos na exposição e catálogo. Voltada aos desenhos, a seção de Janet Park nos informa sobre a participação dos desenhistas no desenvolvimento dos projetos a partir das instruções do arquiteto., individualizando as contribuições ao processo criativo.

Arquitetura, urbanismo, paisagismo, mobiliário e artes aplicadas são apresentados através de seus meios usuais, desenhos, fotos e modelos, mas acompanhadas por monitores de vídeo que apresentam depoimentos curatoriais, documentários com o arquiteto ou filmes de época, que ao lado de revistas, jornais e fotos contextualizam historicamente as obras expostas.

Frank Lloyd Wright, Casa Raul Bailleres, projeto não construído, Acapulco, México, 1952. Exposição “Frank Loyd Wright at 150: Unpacking the archive”, curadoria de Barry Bergdoll, MoMA Nova York
The Museum of Modern Art/Avery Architectural and Fine Arts Library, Columbia University [The Frank Lloyd Wright Foundation Archives]

Seguindo o padrão das curadorias de Barry Bergdall, a exposição oferece interpretações sofisticas de modo claro e didático para um público massivo. Sem qualquer conflito entre o conhecimento acadêmico profundo e a atividade museográfica de curadoria. Pelo contrário, a exposição confirma que museu e universidade podem estabelecer cooperações altamente produtivas.

nota

1
Frank Loyd Wright at 150: Unpacking the Archive, curadoria de Barry Bergdoll; Jennifer Gray, assistente de pesquisa. Organizada pelo Museum of Modern Art, New York, e Avery Architectural & Fine Arts Library, Columbia University. The Museum of Modern Art – MoMA, até 1 de outubro de 2017, das 10h30 às 21h <https://www.moma.org/calendar/exhibitions/1660?locale=pt>.

2
Ver: GNOATO, Salvador. O Brasil novamente no MoMA de Nova York. Latin American in Construction: Architecture 1955-1980. Drops, São Paulo, ano 15, n. 092.03, Vitruvius, maio 2015 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/15.092/5522>. ROCHA-PEIXOTO, Gustavo. A América Latina existe. A exposição Latin America in Construction: architecture – 1955-1980 no Museum of Moderen Art de Nova Iorque: uma resenha. Resenhas Online, São Paulo, ano 14, n. 162.03, Vitruvius, jun. 2015 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/14.162/5544>.

sobre o autor

Renato Luiz Sobral Anelli, arquiteto e professor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos.

comments

187.05 exposição
abstracts
how to quote

languages

original: português

share

187

187.01 filme

Besouro, o filme

Uma trajetória lendária

Eliane Lordello

187.02 filme

O som do silêncio

Sobre o sublime, o destino humano e coisa alguma

Abilio Guerra

187.03 livro

Iluminação e a percepção do espaço

Jéssica Fonseca Matos and Paulo Sergio Scarazzato

187.04 livro

A cidade e suas regras

Sobre Grand Urban Rules, de Alex Lehnerer

Fernanda Moscarelli

newspaper


© 2000–2017 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided