Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

reviews online ISSN 2175-6694


abstracts

português
Partindo do resgate de alguns filmes exitosos no trato com as questões ambientais, a autora enfoca o filme "Home". Esse enfoque particulariza a abordagem singular de Home e demonstra a contribuição do cinema no tocante às questões ambientais.

english
Starting by the recovering of some movies about the environmental problems, the author focus on the film "Home". This approach particularizes the unique focus of Home and demonstrates the movies’ contribution to the discussion of environmental problems.

how to quote

LORDELLO, Eliane. Home. Nosso planeta, nossa casa. Resenhas Online, São Paulo, ano 18, n. 203.04, Vitruvius, nov. 2018 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/18.203/7175>.


“World is our Temple”
Tracy Chapman

Em 1982, foi lançado nos cinemas um filme de nome bastante incomum – Koyaanisqatsi, cuja tradução é ainda melhor se descoberta assistindo ao próprio filme. Dirigido por Godfrey Reggio e produzido por Francis Ford Coppola, Koyaanisqatsi recebeu vários prêmios e fascinou plateias pelo mundo a fora. Feito apenas de música e imagem, o filme focaliza, em especial, as cidades e sua gente, com tocantes closes em grupos e indivíduos, como se neles quisesse nos espelhar. Ao começar com a inesquecível cena de máquinas pesadíssimas encetando a destruição de uma paisagem, Koyaanisqatsi oferece um presságio do desequilíbrio cada vez mais atual do ser humano no mundo por ele produzido (1).

Cataratas de Iguaçu, Província de Missões, divisa entre Argentina e Brasil
Foto divulgação

Em 1988, a mesma parceria de diretor e produtor, exitosa com Koyaanisqatsi, lança Powaqqatsi, cuja tradução também vale conferir no próprio filme. Igualmente narrado apenas por música e imagem, trata-se agora de um enfoque mais particularizado, ocupado da modernização de cunho tecnológico em países em desenvolvimento. É, sobretudo, mais detido no labor humano e sua crueldade, com estarrecedoras cenas de trabalho desumano de efeitos devastadores para a natureza, a exemplo do garimpo de Serra Pelada.

Formação geológica no congelado Lago Baikal, Sibéria, Rússia
Foto divulgação

Em 1992, o cinema nos brinda com Baraka, uma sinfonia de imagens e sons dirigida por Ron Fricke. Focalizando culturas religiosas milenares e sua estreita relação com a natureza, percorrendo diversos países, levando-nos a escutar as mais variadas vocalizações da fé, Baraka nos entrega a divindade da natureza em todo o seu esplendor. Desse modo, é um contraponto esperançoso para os dois filmes antes descritos.

Vulcão Ol Doinyo Lengai, Quênia
Foto divulgação

O cinema nos oferece também este Home – Nosso Planeta, Nossa Casa, dirigido por Yann Arthus. Tendo muito em comum com os títulos antes citados, pela amplitude do âmbito geográfico, por seu apelo à sensibilização para a realidade do planeta, pela grandiosa harmonia de som e imagem, Home diferencia-se dos demais pelo didatismo. Muito pertinente, aliás, é este tom didático, para um filme lançado em esfera mundial em 5 de junho de 2009, data decisiva para conscientização sobre o meio ambiente.

Seguindo seu propósito de conscientização, Home começa pela origem do planeta Terra, e a partir daí nos faz viajar por mais de sessenta países, mostrando-nos a grandeza de nossa casa, e a amplitude e a seriedade de seus problemas. Tudo isso é entrelaçado pelo conceito de rede, sempre enfatizando que, desde a sua origem, tudo na Terra é interligado.

Sistema vulcânico de Lakagigar, Islândia
Foto divulgação

A rede é tecida por culturas que ainda hoje têm de sobreviver à escassez dos mais básicos recursos, a água, por exemplo, mas que, mesmo assim, vivem em sintonia com a natureza, como as tribos africanas. É também urdida pela ganância de poucos para terem muito, a triste rede. É o caso das cidades implantadas à força do capital em desertos os mais inapropriados possíveis, e, que, ricas em dinheiro e pobres em consciência, não buscam sequer soluções mais inteligentes. Para nossa grande tristeza, há ainda, na trama-rede, a matança desenfreada de animais, e o filme toca fundo nesta ferida, ao colocar em cena o bailado de uma baleia no seu grande palco, o mar, para, em seguida, cortar para um cruel barco baleeiro japonês.

Rio Tungnaa River, noroeste de Landmannalaugar, Islândia
Foto divulgação

Por outro lado, em conformidade com o seu objetivo didático, o filme mostra também exemplos de soluções ambientalmente corretas e favoráveis à manutenção das boas tramas da rede, como a geração de energia eólica na Dinamarca. Ainda conforme a meta didática, Home é todo narrado por uma só voz, o que cria também grande cumplicidade entre a narração e a plateia. A narradora original é a atriz Glenn Close, mas, para que o didatismo seja pleno, o filme é dublado para os mais diversos idiomas, e vale dizer que a dublagem brasileira é de notável qualidade.

Nascente Grand Prismatic, Parque Nacional Yellowstone, Wyoming, USA
Foto divulgação

Ao retomarmos um breve recorte de filmes focados na questão ambiental, vemos que o cinema vem tentando dar a sua contribuição. Podemos dizer que Home vem a culminar a amostra antes dele exposta, sendo, portanto, parte de uma genealogia maior de filmes que apelam com justiça para a necessidade crucial de melhor zelarmos pela Terra. Mais ainda, para sobrevivermos no planeta que é a nossa casa, como mostra Home, e no mundo que é o nosso templo, como dizem os versos de Tracy Chapman – World is our Temple. Cuidemos, pois, da casa e do templo.


Home – Nosso Planeta, Nossa Casa, de Yann Arthus-Bertrand (filme completo)

nota

NE – Home – Nosso Planeta, Nossa Casa. Yann Arthus-Bertrand, França, 2009, documentário 2h. Com Salma Hayek, Glenn Close e Jacques Gamblin.

1
Sobre o filme Koyaanisqatsi, ver: GUERRA, Abilio. Quimpassi. O registro dos momentos fugidios do cotidiano. Arquiteturismo, São Paulo, ano 09, n. 097.05, Vitruvius, abr. 2015 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/09.097/5562>.

sobre a autora

Eliane Lordello é arquiteta e urbanista (UFES,1991), Mestre em Arquitetura (UFRJ, 2003) e Doutora em Desenvolvimento Urbano na área de Conservação Integrada (UFPE, 2008). É arquiteta da Gerência de Memória e Patrimônio da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo.

comments

203.04 filme
abstracts
how to quote

languages

original: português

share

203

203.01 livro

E se Ibirapuera não fosse parque?

Francine Sakata

203.02 livro

A reforma de Pereira Passos escrutinada pelo olhar arguto de José Vieira

Sobre o romance O bota-abaixo

José Roberto Fernandes Castilho

203.03 livro

Desenho e a arquitetura

O croquis como a gênesis do projeto segundo Rafael Perrone

Julio Roberto Katinsky

203.05 evento

Sobre as casas do homem

Aula Magna para os alunos da FAU Mackenzie

Abilio Guerra

newspaper


© 2000–2018 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided