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Eduardo
de Almeida Romano Guerra Editora
Menção Modalidade Publicações da Premiação IAB-SP 2006 |
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Sobre o livro Eduardo de Almeida gosta de repetir sua máxima: “o melhor detalhe é aquele que não se vê”. A frase se refere ao detalhe que condensa aqueles problemas da arquitetura e que merecem atenção, cuidados e desenhos especiais, mas que não deveriam chamar a atenção, sequer deveriam ser percebidos, pelo risco de provocar o interesse de um ornamento, pelo risco de decorar e insinuar um virtuosismo que o arquiteto renega e que comprometeria a síntese da arquitetura moderna. Detalhe imperceptível a um olhar descuidado, mas fundamental para a compreensão do todo. Almeida usa essa charada para provocar interlocutores e dar pistas ao esforço visual que deve julgar os atributos de sua arquitetura. Na verdade, seu enigma quer prevenir e direcionar a acuidade visual do observador para que possa ser reconhecida a inteligência estética em seus projetos. Na verdade, essa arquitetura apenas se confirma quando os “invisíveis” detalhes deixados pelo arquiteto forem descobertos e compreendidos pela visão cultivada do observador atento. Talvez também haja uma ponta de ironia nesse “slogan”, se for levado em conta que quanto mais for se aproximando da difícil concisão formal da técnica, mais imperceptível e indecifrável se tornará essa realidade material para a maioria. De qualquer jeito, a metáfora corresponde ao seu código profissional e coincide com o recurso possível para preservar uma maneira própria de atribuir valor à arquitetura num quadro hegemônico em que o heroísmo, a invenção e uma sorte de realismo estrutural tomaram conta do meio. Autor de uma arquitetura precisa, clara, discreta, porém intensa, em que fica explícita uma atitude moderna mais cara ao seu tempo, ao progresso e, portanto, à civilização do que restrita à cultura ou ao conjunto das tradições brasileiras. Uma arquitetura em que arte e técnica se ajustam e completam, mediadas pela noção estética moderna e cognitiva. Não pela estética que emociona, mas pela estética que permite conhecer uma ordem inacessível à razão. Projetos impecáveis em que se procuram encontrar a maior transparência e simplicidade entre o processo de estruturação formal da arquitetura e sua construção material. Um trabalho exaustivo, imprevisível, demorado e cansativo em que se aspira alcançar o objeto definitivo a partir do conjunto de premissas tipológicas e opções técnicas estabelecidas. Em que tudo fica previsto e nada é deixado por verificar. A publicação de um conjunto de obras de Eduardo de Almeida é oportuna, num momento de perplexidade profissional, para compreender diversas acepções modernas e para enfrentar a idéia nacional mais prestigiada que todavia se sustenta, pese seu evidente anacronismo. Enquanto o consenso levou arquitetos a difundir um projeto menos patente e mais restrito, houve os que organizaram o sentido moderno de maneira que lhes deu acesso a uma concepção promissora, notável e respeitada, mas que acabaria à margem, por não enquadrar-se bem com os aforismos e dogmatismo da profissão. O presente livro, primeiro da coleção “Arquiteto brasileiro contemporâneo”, foi inspirado na exposição “Eduardo de Almeida”, Sala Especial da 6ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, promovida pela Fundação Bienal de São Paulo e Instituto de Arquitetos do Brasil, Pavilhão da Bienal no Ibirapuera, São Paulo, 22 de outubro a 11 de dezembro de 2005. Sobre Eduardo de Almeida Nascido em 24 de outubro de 1933, Eduardo Luiz Paulo Riesencampf de Almeida graduou-se arquiteto pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo em 1960. Em 1962, fez cursos de Desenho Industrial e História da Arte e da Arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Florença, Itália. Obteve doutoramento pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo em 1971. Foi professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, onde ensinou Desenho Industrial e Projeto de Edificações. Desempenhou também intensa atividade na pós-graduação da FAU-USP como professor e orientador. Desenvolveu ao longo de sua vida profissional intensa atividade como arquiteto, e atualmente é sócio-diretor do escritório Eduardo de Almeida Arquitetos Associados. Trabalhou associado aos arquitetos Arnaldo Martino, Sérgio Bernardes, Arthur Fajardo Netto, Henrique Pait, Ludovico Martino e Dácio Ottoni. Esta trajetória é repleta de projetos residenciais que lhe renderam algumas premiações em concursos, como nas recentes IV e V Bienais de Arquitetura de São Paulo, e no concurso Bticino Interior da Arquitetura de 1999. Obteve prêmio na Categoria “Habitação Coletiva – Obra Construída” na premiação anual do IAB em 1974, com o edifício Gemini. O conjunto da produção de casas do arquiteto merece destaque pela pesquisa desenvolvida ao longo dos anos sobre o tema da habitação. Algumas casas construídas já nos anos 60 e 70 tornaram-se referência para as atividades de reflexão e projeto de arquitetura em São Paulo, como a casa Define, a casa Almeida, a casa Sigrist e a casa Tassinari. Desenvolveu também
projetos de outras naturezas, tendo alguns projetos institucionais sido
reconhecidos em premiações, como o primeiro prêmio no Concurso de Anteprojetos
para o Novo Campus da Fundação Getúlio Vargas, em Sobre o organizador Abílio Guerra, arquiteto pela FAU PUC-Campinas (1982), professor da Escola da Cidade e da FAU Mackenzie. Foi professor da FAU PUC-Campinas (1987-1995). Mestre e doutor em História pelo IFCH-Unicamp, editor de www.vitruvius.com.br e co-autor do livro Rino Levi – arquitetura e cidade. Editor da revista Óculum durante toda sua existência, foi responsável pela vinda ao Brasil do arquiteto francês Christian de Portzamparc (Prêmio Pritzker). Idealizador das Salas Especiais “Jo Coenen / Maastricht” e “Alberto Varas / Natural-Artificial” nas 3ª e 4ª Bienais de Arquitetura de São Paulo da Fundação Bienal, tendo sido coordenador do Fórum de Debates da 5ª edição (2003), que contou com a presença dos arquitetos Peter Cook, Benedetta Tagliabue, Riek Bakker, Patrick Berger, Nathalie De Vrie e diversos outros. Foi idealizador e coordenador do Workshop Rios Urbanos, promovido pelo Consulado Holandês (2003). Atualmente é sócio da Romano Guerra Editora, especializada em arquitetura e urbanismo. Para aquisição, entre na Livraria Virtual Vitruvius. |
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