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Biselli e Katchborian
Organização de Abilio Guerra; apresentação de Alessandro Castroviejo Ribeiro; fotos de Nelson Kon; colaboração de Mario Figueroa

Romano Guerra Editora
coleção Arquiteto Brasileiro Contemporâneo, volume 2
128 páginas, 23 x 23 cm, brochura
ilustrado, cor, fotos e desenhos
2007, português
ISBN: 978-85-88585-10-2

Patrocínio Hunter Douglas - Lei de Incentivo à Cultura / Ministério da Cultura

Aquisição na Livraria Vitruvius

 
             
 

Sobre o livro

Biselli e Katchborian formaram-se na Universidade Mackenzie em meados da década de 1980, quando tardiamente era discutido o pós-modernismo no Brasil. Qualquer arquiteto atento à época entraria no debate tomando posição crítica ao fazer moderno acomodado, cordato e desatualizado praticado por muitos no Brasil daqueles tempos. Sensíveis ao momento, engajaram-se inicialmente nas experiências pós-modernistas de caráter mais historicista e figurativo. Tendências que se esgotaram rapidamente, mas que tiveram o mérito de retomar e recolocar novas posturas acerca da composição – afastada do vocabulário crítico, porém não abandonada por muitos mestres da vanguarda moderna – como estratégia importante no processo de projeto. Esta fase historicista foi muito breve e logo seria abandonada pelos dois em favor de outras referências mais abstratas e geométricas, tanto procedentes das novas abstrações dos anos 1980 e 1990 quanto do ideário moderno, em especial da arquitetura de Frank Lloyd Wright. No decorrer de duas décadas de trabalho, estudos da arquitetura – principalmente contemporâneos – foram cotejados pelos arquitetos e de alguma maneira incorporadas no ideário poético do escritório. Muitos arquitetos foram objetos de seus olhares atentos, alguns com maior interesse, como Thom Mayne (Morphosis), Renzo Piano, Rem Koolhaas e, recentemente, Oscar Niemeyer.

Se as dúvidas sobre a continuidade ou não da arquitetura moderna ainda persistem, um olhar sistemático através da arquitetura de Biselli e Katchborian aponta, em um primeiro momento, para uma postura alinhada à continuidade da modernidade. Admitem-se alguns elementos e idéias: a tradição do novo, o sentido positivista ancorado no devir tecnológico, a preferência pelas formas abstratas. Entretanto, abandonam-se outros, como o sentido de um projeto de caráter heróico e monástico e a crença em um funcionalismo reducionista. Na turbulência de nossos dias, quando muitas noções de arte perambulam à deriva, Biselli e Katchborian acreditam na beleza do objeto, na arquitetura de arrojos formais e plásticos que emociona e agrada de imediato. Optam com freqüência pelas operações compositivas, sofisticadas e ricas, que pedem mais atenção para serem percebidas e apreciadas. Nas obras mais recentes, insinua-se uma admiração por Oscar Niemeyer, embora nada em suas obras indique algo próximo de uma postura ou programa de arte que problematize a brasilidade, os regionalismos ou coisas afins. Pelo contrário, suas atitudes de projeto e de cultura apontam para um corpo-a-corpo com a produção contemporânea internacional, sem rodeios.

Ao enfrentarem os diversos programas e escalas de projeto, Biselli e Katchborian deixam claro que o fazer arquitetura é sempre um pensar a partir de experiências anteriores. Uma casa é uma casa, um ginásio é um ginásio, e os problemas da disciplina arquitetônica passam pela tipologia, pela escala, pelas tensões entre o individual e o coletivo; eles se nutrem da tensão entre a permanência e a transformação, entre a pluralidade e a escolha. Essas são algumas das razões e os sentidos de seus discursos, sempre abertos às inquietações futuras, sempre confiantes nos apelos dirigidos aos sentidos e à razão pragmática, sem receios ou medos inibidores, sempre flertando com a beleza das máquinas e das formas abstratas.

Sobre os arquitetos Mario Biselli e Artur Katchborian

Dentro do panorama da nova arquitetura brasileira, com dezenas de novos talentos, temos a presença destacada da dupla Mario Biselli & Arthur Katchborian. Os arquitetos paulistas, autores de projetos institucionais importantes – Escritório de Advocacia de Curitiba (1996), Escola Coreana em São Paulo (1999), Ginásio Municipal de Barueri (2001), Igreja de Tamboré (2001), Escola Cáritas em São Paulo (2002), etc. – são vencedores de concursos nacionais de extrema importância, ocorridos em anos recentes e que contaram com a concorrência de centenas de escritórios de arquitetura de todo o país. Tais projetos, depois de construídos, que marcarão a paisagem urbana de importantes capitais de estados brasileiros, são os seguintes: Estação São Cristóvão no Rio de Janeiro RJ (Supervia) – 1º Prêmio em Concurso Nacional em 2000; Aeroporto de Florianópolis SC – 1º Prêmio em Concurso Nacional em 2004; Sede da FAPERGS em Porto Alegre RS – 1º Prêmio em Concurso Nacional em 2004; Teatro de Natal RN – 1º Prêmio em Concurso Nacional em 2005; Centro Judiciário de Curitiba PR – 1º Prêmio em Concurso Nacional em 2006.

Sobre o autor da apresentação

Alessandro José Castroviejo Ribeiro, arquiteto pela FAU Mackenzie (1980), professor da FAU Mackenzie e Belas Artes. Mestre e doutorando pela FAU-USP. Foi editor geral da revista AU – Arquitetura e Urbanismo (1989-1991) e foi responsável, com Vasco Caldeira, pela seção “Casas do Brasil” na mesma revista (1993-2005). É autor de artigos sobre arquitetura e em periódicos especializados brasileiros e internacionais.

Sobre o organizador da edição

Abilio Guerra, arquiteto pela FAU PUC-Campinas (1982), professor da FAU Mackenzie. Foi professor da FAU PUC-Campinas (1987-1995). Mestre e doutor em História pelo IFCH-Unicamp, editor de www.vitruvius.com.br e co-autor do livro Rino Levi – arquitetura e cidade. Editor da revista Óculum durante toda sua existência, foi responsável pela vinda ao Brasil do arquiteto francês Christian de Portzamparc (Prêmio Pritzker). Idealizador das Salas Especiais “Jo Coenen / Maastricht” e “Alberto Varas / Natural-Artificial” nas 3ª e 4ª Bienais de Arquitetura de São Paulo da Fundação Bienal, tendo sido coordenador do Fórum de Debates da 5ª edição (2003), que contou com a presença dos arquitetos Peter Cook, Benedetta Tagliabue, Riek Bakker, Patrick Berger, Nathalie De Vrie e diversos outros. Foi idealizador e coordenador do Workshop Rios Urbanos, promovido pelo Consulado Holandês (2003). Atualmente é sócio da Romano Guerra Editora, especializada em arquitetura e urbanismo.

Para aquisição, entre na Livraria Virtual Vitruvius.

 
     
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