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Lina Bo Bardi – Sutis substâncias da arquitetura
Olivia de Oliveira

Romano Guerra Editora / Editorial Gustavo Gili
400 páginas, 17 x 24 cm
ilustrado, fotos e desenhos, capa dura
2006, versões em português e inglês
ISBN: 85-88585-06-5 (para versão em português)

Prêmio Modalidade Publicações da Premiação IAB-SP 2006

Finalista na categoria "Sir Nikolaus Pevsner International Book Award for Architecture" do RIBA International Book Awards – edição 2007

Finalista na categoria "arquitetura e urbanismo, fotografia, comunicação e artes" do Prêmio Jabuti 2007

Resenha de Márcia Ferreira Luz
Resenha de Vera Santana Luz
Aquisição na Livraria Vitruvius

 
             
 

Sobre o livro

Lina Bo Bardi utilizou o termo substâncias, em vez de materiais, para explicar de que estaria feita sua arquitetura; composta pelo essencial, por aquilo que alimenta, dá fundamento e resistência à vida. Compreende-se assim a importância de determinados elementos vegetais, minerais, aéreos ou aquosos em seus edifícios e das expressões utilizadas por ela para nomear alguns deles: rio São Francisco, cachoeira da Mata Grande onde mora o Pai-Xangó, cidadela, terreiro, jardim de ervas aromáticas e cheirosas, termos simbólicos referidos a lugares existentes e às tradições populares.

Suas arquiteturas vêm tratadas como lugares “sagrados”, enquanto curativos mágicos e, sobretudo, enquanto lugares lúdicos e coletivos onde a noção de tempo linear deixa de existir, onde o prazer e o desejo afloram livremente. Por elas multiplicam uma combinação infinita de peças: rios, gárgulas, cachoeiras, árvores, carrosséis, escadas… Tal repetição de um mesmo elemento em obras, épocas e lugares distintos faz com que toda noção cronológica de tempo seja apartada de sua obra, tornando-se essa um crisol, onde as coisas se misturam e se superpõem. É a busca do contato com as coisas rotineiras e banais – práticas e expressões populares, que vão da culinária ao artesanato, da música às artes plásticas, do futebol à dança, curas, cantos e contos populares –, expressões essenciais de uma espontaneidade perdida, sem medo ao efêmero e ao casual.

Lina pertence a uma geração que sobreviveu à 2ª Guerra para a qual importava liberar a imaginação e trabalhar com o que se tinha nas mãos. Sua obra regenera o “lixo”, aquilo que foi dado por impuro, inútil ou perdido, fragmentos de vida dos quais surge uma potente e atualíssima crítica a uma sociedade deteriorada pelo frenesi do consumo. Ela é uma confrontação crítica e real a um estado de coisas, apontando contra todo tipo de pensamento bipolarizado que contrapõe o bem e o mal, entre natureza e artifício, ordem e caos, moderno e vernacular, passado e presente, lúdico e religioso, sonho e razão… Estas arquiteturas aguçam os sentidos, assinalando-nos estratégias de sobrevivência.

Este trabalho aproxima-se à obra de Lina Bo Bardi do mesmo modo somático com que ela abordou o mundo, desde seus aspectos marginais, escondidos, esquecidos, frágeis e efêmeros, que são os verdadeiros materiais ou substâncias de sua arquitetura, aquilo que a distingue e a torna extra-ordinária. Obra, aqui, entendida não como um edifício acabado, mas como um conjunto de detalhes existentes e dados inadvertidos a respeito deste “organismo” inquieto, que jamais cessa de ser construído, daí a importante quantidade de desenhos e materiais inéditos que este livro traz à luz.

Sobre Lina Bo Bardi

Achillina Bo nasce em Roma, em 1914, e se gradua arquiteta em 1939. No ano de 1940 funda em Milão, com o arquiteto Carlo Pagani, o "studio della Via Gesù 12", escritório de arquitetura e design que é bombardeado em agosto de 1943. Atuante na discussão sobre movimento moderno que se forma em torno a Ernesto Rogers, Lina participa também da criação do jovem grupo de arquitetos Movimento di Studi per l'Architettura. E é neste ambiente efervescente que Lina se aproxima de Pietro Maria Bardi, protetor e porta-voz do "racionalismo" na Itália, a quem esposará em 1946, mesmo ano da mudança do casal para o Brasil, onde viverão até o final de suas vidas.

Lina teve uma expressiva passagem por Salvador, aonde – além dos projetos da Casa do Chame-Chame (1958), Solar do Unhão (1961-63), Plano de Recuperação do Centro Histórico de Salvador (1986-88) – sua magnética personalidade juntou em torno de si representativos personagens da cultura baiana, formada por nomes que se tornaram ícones, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Joaquim Koellreutter, Glauber Rocha e muitos outros.

Em São Paulo, onde viveu a maior parte dos 46 anos de Brasil, Lina projetou e construiu dois dos mais importantes marcos da paisagem paulistana: o Museu de Arte de São Paulo – Masp (1957-68) e o SESC Fábrica da Pompéia (1977-82). Além de outros projetos de arquitetura, concebeu inúmeras exposições, cenografias e objetos utilitários, além de editar a revista Habitat por diversos anos. Lina Bo Bardi faleceu no dia 20 de março de 1992, em São Paulo, aos 77 anos.

Sobre a autora

Olivia Fernandes de Oliveira nasceu em São Paulo. Diplomada pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (1986), estudou no Istitutto Universittario di Architettura di Venezia e é mestre e doutora arquiteta pela Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Barcelona (2002), orientanda do professor Josep Quetglas.

Olívia de Oliveira é autora de diversos escritos sobre a obra de Lina Bo Bardi, com destaque para a monografia editada pela revista 2G n° 23/24 (Gustavo Gili, 2003), ensaios para os catálogos das exposições Lina Bo Bardi architetto (Biennale di Venezia, 2004) e Cruaté & utopie. Villes et paysages d’Amérique latine (Bruxelas, 2003) e artigos publicados em revistas de diversos países.

Foi professora e pesquisadora de arquitetura na École Polytechnique Fédéral de Lausanne, Universidade Federal da Bahia e Escuela Tècnica Superior de Arquitectura de Barcelona. Atualmente é sócia do escritório Butikofer & de Oliveira, sediado em Lausanne, Suíça, com projetos premiados em concursos de arquitetura e urbanismo locais e internacionais.