In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.
Revelando a riqueza e inventividade de construções contemporâneas, livro tenta desconstruir o imaginário negativo sobre o país latino-americano. Também se propõe fazer uma análise da história do país e seu desenvolvimento, sob forte influência brasileira
Ao falar do Paraguai muitos brasileiros associam imediatamente o país a ideias como contrabando, produtos falsificados e também à Guerra da Tríplice Aliança. No Brasil, pouco se sabe sobre a realidade desse vizinho, que tem belas paisagens, uma cultura bem característica e uma população de cerca de 6,5 milhões de pessoas que falam as duas línguas oficiais, espanhol e guarani.
O livro Arquiteturas contemporâneas no Paraguai, que será lançado no dia 28 de novembro em São Paulo, tenta desconstruir esse imaginário preconceituoso e negativo ao revelar a riqueza e inventividade das construções contemporâneas realizadas por uma nova geração de arquitetos paraguaios. Também se propõe a fazer uma análise da história do país e do seu desenvolvimento, muito marcado pela influência de sucessivos governos brasileiros.
A publicação bilíngue (português-espanhol) apresenta uma seleção de obras marcadas pela experimentação construtiva e muita criatividade, utilizando materiais básicos: tijolos, concreto e vidro. Com apenas esses recursos, as obras de arquitetos como Solano Benitez e Javier Corvalan têm alcançado grande destaque na arquitetura mundial.
Com textos críticos e uma seleção de 29 obras, o livro, organizado pela Goma Oficina, propõe um novo olhar ao país, seu território e cidades, abordagem que pode ajudar muito a pensar o futuro (e presente) das cidades brasileiras, já que toda essa geração de profissionais vem encontrando soluções criativas aos desafios sociais e urbanos locais. Podem ser também referências para a solução dos problemas urbanos do Brasil, em geral muito semelhantes.
Informações sobre o livro Arquiteturas contemporâneas no Paraguai
O escritor paraguaio Augusto Roa Bastos descreveu seu país como uma “uma ilha cercada de terra, de infortúnios, de tempo parado”. Essa imagem do isolamento, ainda presente em nosso imaginário, talvez reforce a surpresa que temos ao descobrir, no país vizinho, uma produção arquitetônica que nos permite repensar nosso campo de atuação como arquitetos.
Se num olhar inicial somos atraídos pelos distintos empregos do tijolo, um contato mais próximo nos revela a pluralidade dessa arquitetura. Diferente de momentos brasileiros anteriores, como nas chamadas escolas carioca ou paulista, percebemos aqui um grupo de arquitetos que não se caracteriza por manipular um léxico de elementos arquitetônicos que são empregados nas obras, que não se apoiam exclusivamente no emprego da matéria ou na questão técnica como justificativas para as escolhas plásticas.
O que parece reunir essa nova geração de arquitetos, que vem se formando nos últimos trinta anos e atualmente tem como local de reunião o Taller E da Faculdad de Arquitectura, Diseño y Arte da Universidad Nacional de Asunción – Fada UNA, é sua maneira de encarar o ofício do arquiteto. Suas atuações se baseiam num processo constante de experimentação e investigação, que tensionam o estado atual das coisas: os modos de fazer arquitetura – entendida aqui como projeto e como obra – e os modos de ensiná-la.
Por tratar-se de um método e um estado permanente de inquietude criativa, a investigação se manifesta de maneiras diferentes na produção do grupo. Embora com diferentes ênfases, as pesquisas estão majoritariamente orientadas pelo entrecruzamento da inovação técnica com a otimização dos recursos disponíveis, sempre em busca de novas plasticidades e atmosferas, geralmente obtidas a partir da exploração pouco usual de materiais ordinários.
Há projetos em que a otimização de recursos materiais e sociais são mais salientes como ponto de partida para a criação, como no Teletón, do Gabinete de Arquitectura; na Capela Cerrito, de Javier Corvalán e Violeta Pérez; nas Puentes Flotantes, do Acqua Alta; e nos Centros Comunitários, do OCA. Em outros, como na Vivienda Takuru, de José Cubilla; e na Caja de Tierra, do Equipo de Arquitetura, a inquietude parte da busca de renovação de técnicas tradicionais, como a taipa de pilão, partindo do material mais abundante no continente latino americano: a terra. Há também os que tomam a inventividade plástica e espacial como cerne da especulação, como no caso da Caja Obscura, do Laboratório de Arquitectura, ou da Casa Mburicao, do Estudio Elgue.
Esse espírito inventivo transborda para outras atividades articuladas pelo grupo e, caminhando pelas imediações do Taller E, dentro e fora da universidade, pode-se encontrar toda sorte de experimentos – estruturas de garrafas PET, hamacas gigantescas, vigas de terra. Da mesma forma, ao organizarem a XI BIAU, sediada esse ano em Asunción, os comissários Ana Román e Arturo Franco e o coordenador paraguaio José Cubilla realizaram uma experiência com o enorme potencial intelectual e prático que os congressos de arquitetura na América Latina costumam reunir. Ao invés de apenas trocar experiências e informações, os curadores de cada país formaram equipes com arquitetos paraguaios e desenvolveram como parte central da exposição projetos permanentes para uma região com carência material e enorme riqueza cultural da cidade: o bairro Ricardo Brugada, conhecido popularmente por Chacaritas.
É esse cenário que motivou a organização do livro Arquiteturas contemporâneas no Paraguai. Em fotografias e textos preparados por brasileiros e paraguaios, a publicação permite a aproximação com essa arquitetura, procurando difundir técnicas e estratégias que, para além do contexto paraguaio, podem inspirar soluções contundentes e criativas para todo o continente.
Com lançamento marcado para o dia 28 de novembro, às 19h na sede do IAB-SP, o livro foi editado pela Romano Guerra Editora em parceria com a Editora Escola da Cidade, com patrocínio da Cerâmica Atlas e realização da Goma Oficina e Unibes Cultural.
serviço
Arquiteturas contemporâneas no Paraguai
Goma Oficina, org.
Romano Guerra Editora e Editora Escola da Cidade, 2019
apresentação
Lena Império Hamburger e Maria Cau Levy
textos
Javier Rodríguez Alcalá, Eduardo Verri, Pedro Beresin e Vitor Pena
posfácio
Fernando Luiz Lara
coordenação editorial
Abilio Guerra, Fernanda Critelli e Silvana Romano Santos
projeto gráfico
Maria Cau Levy, André Stefanini, Ana David e Christian Salmeron
Impressão
Pancrom
Patrocínio
Cerâmica Atlas
realização
Goma Oficina e Unibes Cultural
1ª edição, 176 páginas, fotos, ilustrado, colorido, capa dura, papéis Offset 120g/m2e Pólen Bold 90g/m2, 17 x 24 cm, ISBN 978-85-88585-86-7 (Romano Guerra), ISBN 978-85-64558-46-5 (ECidade)
Imagem divulgação [Romano Guerra / Editora da Cidade]
Imagem divulgação [Romano Guerra / Editora da Cidade]
Imagem divulgação [Romano Guerra / Editora da Cidade]
Imagem divulgação [Romano Guerra / Editora da Cidade]