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Concluído no dia do aniversário da cidade, o mural possui várias referências às grandes obras do falecido arquiteto.

O muralista e artista plástico iniciou no dia 14 de janeiro uma grande pintura na parede lateral do edifício Ragi, na Praça Oswaldo Cruz (número 124), no início da Avenida Paulista, em São Paulo, em homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer, falecido no dia 5 de dezembro do ano passado. A obra tem 52m de altura por 16m de largura e nela aparecem a Pampulha, o Copan, o Museu Oscar Niemeyer e o Palácio do Planalto. Todos os dias, Kobra chegava ao local às 7h30 e trabalhava até as 20h, ao lado de outros quatro artistas do Studio Kobra. A obra foi concluída no dia 24 de janeiro e entregue no aniversário da cidade, dia 25.

Eduardo Kobra retratou em novembro de 2012 duas obras de Niemeyer - a catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida, mais conhecida como catedral de Brasília, e a Igreja São Francisco de Assis da Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais – no grande mural que fez na Usina Termelétrica Norte Fluminense, em Macaé, Rio de Janeiro (foram ao total 12 painéis com homenagens a monumentos ou construções icônicas de dez cidades brasileiras, além de Paris). “As obras da usina projetei e fiz quando Niemeyer era ainda vivo. Agora, embora ele não fosse paulista, quis homenageá-lo no aniversário de São Paulo, em um dos cartões símbolos da cidade, que é a região da av. Paulista. Afinal, ele era um cidadão do mundo”, diz Kobra.

A pintura de Niemeyer e as obras na usina de Macaé se inserem na mesma linha dos trabalhos que produziu no ano passado nos EUA, com grande repercussão, quando transpôs o Monte Rushmore de Keystone, em Dakota do Sul, para Los Angeles, na Califórnia; e fez o belíssimo mural O beijo está no ar em Manhattan, na região de Chelsea, conhecida por abrigar algumas das melhores galerias de arte de Nova York.

Também no final do ano passado, na Igreja do Calvário, em São Paulo, Kobra fez o mural Viver, Reviver e Ousa, com uma releitura do lindo monumento às Bandeiras, do escultor Victor Brecheret.

Para o trabalho na Praça Oswaldo Cruz, o muralista tem o apoio da Urbe Andaimes, da Galeria de Arte André, do Hotel Ramada e do próprio Edifício Ragi (que comprou todas as tintas).

sobre o artista

Muralista e artista plástico, o brasileiro Eduardo Kobra, 37 anos, nascido no estado de São Paulo, é um expoente da neo-vanguarda paulista. Seu talento brota por volta de 1987, no bairro do Campo Limpo com o pixo e o graffiti, caros ao movimento Hip Hop, e se espalha pela cidade. Com os desdobramentos que a arte urbana ganhou em São Paulo, ele derivou – com o Studio Kobra, criado nos anos 90 - para um muralismo original - inspirado em muitos artistas, especialmente os pintores mexicanos e no design do norte-americano Eric Grohe - beneficiando-se das características de artista experimentador, bom desenhista e hábil pintor realista. Suas criações são ricas em detalhes, que mesclam realidade e um certo “transformismo” grafiteiro.

Nesse caminho ele desenvolveu o projeto “Muros da memória” que busca transformar através de murais a paisagem urbana e resgatar a memória da cidade. Os desenhos são a síntese do seu modo peculiar de criar - através do qual pinta, adere, interfere e sobrepõe cenas e personagens das primeiras décadas do século XX. Essas obras são uma junção de nostalgia e modernidade, por meio de pinturas cenográficas, algumas monumentais. Através delas cria portais para saudosos momentos da cidade. O mais conhecido dos seus murais, de 1000 m2, foi realizado em 2009 na avenida 23 de Maio, em comemoração ao aniversário de São Paulo. “A idéia é estabelecer uma comparação entre o ar romântico e o clima de nostalgia, com a constante agitação de hoje”, afirma o artista.

O projeto alcançou repercussão nacional. Além dos inúmeros trabalhos na cosmopolita São Paulo, a maior cidade brasileira, Kobra produziu murais em Brasília, Rio de Janeiro, Belém do Pará, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Kobra, inquieto, estudioso e autodidata, também faz pesquisas com materiais reciclados e novas tecnologias, como a pintura em 3D sobre pavimentos (muito difundida por nomes internacionais, como Julian Beever e Kurt Wenner). A convite da prefeitura de São Paulo, o artista realizou diversas obras em 3D, como na Praça Patriarca, no centro da Cidade, a primeira no Brasil; e na Avenida Paulista, símbolo da megalópole. A técnica anamórfica consiste em "enganar os olhos". A pintura é distorcida ou mesmo incompreensível na maioria dos ângulos de visão, mas ao ver do ângulo correto, estipulado pelo artista, se torna um 3D com incrível variação de profundidade e realismo. Recentemente o artista iniciou um novo p rojeto, o “Greenpincel”.

ficha técnica

- Painel de 52m de altura por 16m de largura
- Realizado por quatro artistas
- Foi usado Spray e Látex acrílico, com esmalte sintético

Apoio de Urbe Andaimes, Galeria de Arte André (que representa as telas do artista no Brasil), Hotel Ramada e Edifício Ragi (que comprou todas as tintas).

Niemeyer por Kobra<br />foto Silvana Romano

Niemeyer por Kobra
foto Silvana Romano

Mural na Avenida Paulista para Niemeyer

source
Airton Gontow - assessoria de imprensa
São Paulo SP Brasil

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