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A vigésima primeira edição da V!RUS quer lançar um olhar qualificado sobre este processo e sua dimensão digital, com especial atenção a estudos e reflexões sobre aspectos variados do momento atual

As medidas de segurança para contenção da pandemia causada pelo novo coronavírus, no início de 2020, incluíram o confinamento residencial e a suspensão de todas as atividades presenciais consideradas não essenciais ao funcionamento da sociedade. Em poucas semanas, grande parte do quotidiano de milhões de pessoas ao redor do planeta deslocou-se para a Internet e, particularmente, para a world wide web. A crise impôs, com urgência, uma revisão frequentemente intuitiva de maneiras de comunicar-se nos âmbitos profissional, familiar, afetivo, político, entre outros. Indivíduos e grupos historicamente resistentes e críticos da cultura digital viram-se obrigados a uma imersão às pressas e improvisada em seus meios, ao mesmo tempo em que aprofundou-se o abismo social entre aqueles que têm acesso à rede e aqueles que não têm.

A vigésima primeira edição da V!RUS quer lançar um olhar qualificado sobre este processo e sua dimensão digital, com especial atenção a estudos e reflexões sobre aspectos variados do momento atual; projetos e experiências especialmente desenvolvidos no âmbito da pandemia; e considerações sobre o conhecimento acadêmico acumulado capaz de fornecer mecanismos para enfrentamento dos desafios atuais e daqueles por vir.  Pois, se, por um lado, a pandemia é, sem dúvida, uma imensa tragédia planetária, por outro lado, um amplo conjunto de regras, condutas, dúvidas, inferições, experimentações, projetos, invenções, em tantos âmbitos, dela emerge. É dizer que este momento constitui uma riquíssima e inesperada fonte de insumos para reflexões sobre a comunicação digitalmente mediada, em todos os níveis: seus pressupostos, potencialidades, limites, meios, riscos e consequências.

Interessam-nos trabalhos que abordem o tema de forma crítica e fundamentada, a partir de perspectivas distintas mas complementares – histórica, tecnológica, política, econômica, artística, ambiental, comportamental, social, dentre outras. Em todos os trabalhos, os meios digitais ou a cultura digital devem necessariamente constituir um dos principais dados do problema abordado. Da mesma forma, apenas artigos que contenham uma reflexão crítica sobre o papel do digital serão aceitos para avaliação.

 

Esperamos reunir reflexões e experimentações sobre – mas não apenas – os seguintes tópicos

+ A pandemia e a pesquisa em Humanidades: revisão de conceitos e categorias analíticas, ampliação do campo, métodos e procedimentos, o papel do pesquisador
+ Referências teóricas, metateorias, sistemas, complexidade, cibernética, ecologia da comunicação, transdisciplinaridade
+ Desigualdade social, pandemia e confinamento: conexão à Internet, acesso a equipamentos, alfabetização digital, ambiente doméstico
+ Isolamento social e o medo do diferente: revisões e retrocessos na construção do comum, discursos de ódio, redes sociais
+ Participação política: a multidão fragmentada, ciberespaço e cena pública, processos decisórios públicos
+ Tecnopolíticas: big data, privacidade, uso de dados, Inteligência Artificial, aplicativos de segurança e aplicativos de controle
+ Fake news e a noção de verdade: manipulação de informação de interesse público, moderação e monitoramento, atitudes em relação ao conhecimento científico
+ Gestão pública, transparência e governança, políticas públicas para cidades e sociedades pós-pandemia
+ Espaço público, esfera pública: esvaziamento, revisões conceituais, narrativas
+ Ciberespaço, um espaço público? categorias analíticas, dinâmicas e conflitos
+ Revisões espaciais: alterações durante e após a pandemia no desenho das edificações, das cidades, da paisagem, do território
+ Habitação: funções e limites redefinidos, a superexposição do privado, conexões digitais entre esferas privada e pública, habitar espaços informacionais
+ A casa burguesa oitocentista resiste melhor a pandemias: fora-sujo-perigoso x dentro-limpo-seguro, concepções higienistas, a casa como laboratório
+ Comércio no confinamento: padrões de consumo, aplicativos, entregadores e precarização, repensando modalidades de compras e pontos de vendas
+ Teletrabalho: referências históricas, comodidade e tecnologia, ambiente doméstico e precarização
+ Compartilhamento de informação via rede: repositórios em nuvem e novas dinâmicas de trabalho, plataformas participativas online, aplicativos de serviços, privacidade
+ Adaptações e invenções: objetos para novas demandas, o design revisitado
+ Processos de ensino e aprendizagem via Internet: conceitos, metodologias, práticas inovadoras, espaços de aprendizagem, o papel do professor
+ Processos de projeto em arquitetura, urbanismo e design, BIM e a colaboração mediada e comunicação via Internet
+ Modelagem física, fabricação digital, processos de projeto e produção à distância
+ Produção artística e o digital: história, contemporaneidade, projetos, exame crítico
+ Audiovisual, documentação e leituras da pandemia, explorações, experimentações, a onipresença do vídeo como linguagem
+ A imagem como campo exploratório de suporte de informação: linguagens, narrativas, técnicas
+ Memórias da pandemia: documentação, difusão, projetos especiais, preservação
+ Cartografias digitais e representações da cidade: registros e omissões, propriedade e controle dos mapeamentos contemporâneos, plataformas GIS, CIM
+ O corpo confinado: corpos conectados, corpos em rede, representações do corpo, corporeidade à distância, cyborg e cyburg
+ Pandemia, diversidade e confinamento: identidade de gênero, multiculturalidade, povos originários
+ Extensão universitária: lives, webinars e além, a quem se destinam, quem tem acesso?
+ Projetos com comunidades e construção do comum: ações participativas comunitárias, tecnologias sociais digitais, ações cidadãs bottom-up

Além de textos e imagens estáticas, são bem-vindos ensaios fotográficos, vídeos, filmes curtos, animações e gifs, peças sonoras, musicais e depoimentos em arquivos de áudio, projetos de instalações artísticas e de arquitetura, urbanismo e design acompanhados de reflexão crítica sobre sua concepção, apresentações de slides e outras linguagens digitais, considerando o interesse do Nomads.usp em explorar usos de meios digitais para divulgação científica via Internet.

As contribuições serão recebidas EM PORTUGUÊS, INGLÊS OU ESPANHOL através do website da revista até o dia 23 de agosto de 2020, segundo as diretrizes para autores, disponíveis.

 

Datas importantes

Julho de 2020: Chamada de trabalhos

23 de agosto: Data limite para recebimento de submissões

A partir de 28 de setembro: Informação aos autores sobre aceite e solicitação de adequações

26 de outubro: Data limite para recebimento das adequações dos autores

9 de novembro: Data limite para recebimento da versão traduzida do artigo

Dezembro de 2020: Lançamento da V!RUS 21

<br />Imagem divulgação


Imagem divulgação

Chamada de Trabalho V!RUS 21

inscription dates
in 23/08/2020

FAU USP
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo
Rua do Lago 876 – Cidade Universitária
São Paulo SP Brasil

source
Revista V!RUS
São Paulo

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