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architectourism ISSN 1982-9930


abstracts

português
Leia no artigo de Maurício Azenha o relato de um típico sonho de arquiteto ao passar pela França de vivenciar espaços que fazem parte do seu imaginário, como é o caso da Ville Savoyer de Le Corbusier, e não decepcionaram ao autor

english
Read in the article by Maurice Azenha the story of a typical architect's dream after going to France. He experienced there spaces that are part of his imagination such as the Villa Savoye by Le Corbusier and that did not disappoint the author

español
Lea en el artículo de Mauricio Azenha el relato de un típico sueño de arquitecto al pasar por Francia y vivenciar espacios que fueron parte de su imaginario como es el caso de Ville Savoyer de Le Corbusier, que no decepcionan al autor


how to quote

DIAS, Maurício Azenha. Turismo afetivo com Le Corbusier. Arquiteturismo, São Paulo, ano 03, n. 029.04, Vitruvius, jul. 2009 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/03.029/1539>.


Julho. Manhã de terça-feira de sol em Paris. Provavelmente, os parisienses estão se preparando para sair ao trabalho.

Eu, graças aos céus, estou de férias nessa cidade linda e com aquelas preocupações que todo turista tem ao acordar. Em que lugar vou passear hoje?

Foi assim que, candidamente olho para minha mulher (que não é arquiteta) e decreto: vamos para Poissy. É claro que já a havia preparado para este turismo arquitetônico, falado de Le Corbusier e sua importância para todos os arquitetos, etc, etc.

Além do que Poissy fica nos arredores de Paris, o que seria uma boa oportunidade para visitar um lugar sem multidões de turistas com suas máquinas digitais.

Combinado, e lá pelo meio-dia pegamos o metrô que nos levaria a La Defense, onde tomaríamos o RER para Poissy. Aqui um parêntesis: RER é um híbrido de trem e metrô (que nenhum francês me ouça), que liga as áreas periféricas ao centro de Paris.

E assim fomos. Quinze minutos de metrô e descemos na esplanada de La Defense com o grande arco ao fundo. Impressiona-me a quantidade de pessoas que visita Paris e não vai a La Defense.

Tudo bem, talvez arquitetura contemporânea não seduza a maioria dos turistas, mas só o fato de ver uma outra cara de Paris já deveria servir de motivação.

Pois bem, após uma pausa para comer uma maçã surrupiada do bufê do café da manhã do hotel estamos prontos para entrar em outro buraco e pegar o RER.

Pontualmente no horário marcado no bilhete (que maravilha quando as coisas funcionam) o trem parte para um encontro combinado há quase 30 anos e sempre adiado.

Poissy é a última parada do RER. Poucos minutos embaixo da terra e a composição aflora na superfície e vamos vendo a paisagem mudando. A viagem é bem curta, cerca de 40 minutos e algumas estações depois vejo a placa Poissy na pequena estação.

Vejo também uma imensa fábrica da Peugeot, e fico imaginando como mudou o lugarejo que em 1929 servia para veraneio da família Savoye.

Saímos da estação e nem sinal de uma parada de ônibus (claro que não, havíamos saído pelo lado errado). Paro uma velhinha e falo as palavras mágicas: Ville Savoye e ela me mostra a parada de ônibus (na verdade um micro terminal) e pronto.

É só chegar perto e ver no terminal todos os (poucos) ônibus e destinos.

Claro que ao entrar no ônibus falo novamente as palavras mágicas ao motorista e ele gentilmente me dá um sorriso e acena positivamente.

Pela minha pronúncia de Ville Savoye ele imediatamente percebeu que não falo nada de francês. Mas tudo bem, dez minutos depois o motorista para o ônibus em frente a um muro branco e fala “Ville Savoye”. Descemos eu, minha mulher e as duas japonesas.

Aí começa o encantamento. Uma pequena alameda de pedrisco sombreada por árvores, e após uma curvinha a esquerda lá está à casa que todo mundo queria ter projetado.

Numa pequena clareira, em meio a um silêncio solene estava ela, como a me esperar para esse encontro tão adiado.

A caixa branca, suspensa por delgados pilotis, estabelecendo um belíssimo contraste com o verde do fundo e o azul intenso do céu.

Após uns minutos de contemplação ouço minha mulher comentando “ela é bem pequena” e entendo que aos olhos de quem não é arquiteto (ela é psicopedagoga) e que não conhece história de arquitetura a Ville Savoye é apenas uma casa.

Mas como a Mona Lisa é também só um quadro pequeno, continuo a me encantar com tudo que essa pequena casa representa.

Hoje, ela faz parte dos monumentos franceses e está em perfeito estado de conservação, tendo tido o seu último restauro em 2006.

Pego na carteira sete euros e continuo a caminhar pelas minhas aulas de TA na FAUS nos anos 80. Faço a promenade architeturale sem a menor pressa e o que é melhor, sem aquele monte de gente que você encontra na maior parte dos monumentos da França.

Após pouco mais de uma hora de visita tomamos o caminho de volta. Após alguns minutos de espera o mesmo ônibus com o gentil motorista para na nossa frente.

Nem precisei perguntar nada, afinal ele já deve estar careca de saber que a grande maioria dos visitantes que chegam a Poissy está lá por uma única razão.

Quinze minutos depois estamos de volta ao RER prontos para continuar a difícil tarefa de pensar no que fazer.

Sem dúvida é difícil imaginar uma casa como aquela na década de 20 e não dá para não se curvar ao velho Corbu.

Antes de escrever esse pequeno depoimento turístico arquitetônico peguei um velho livro de Stephen Gardiner, Le Corbusier (Cultrix, 1977) e li essa frase do velho mestre:

“Tenho 77 anos e minha moral pode se resumir no seguinte: na vida é preciso realizar. Vale dizer, agir com modéstia, correção e precisão. A única atmosfera propícia à criação artística é a resultante de regularidade, modéstia, continuidade e perseverança.”

Tão bonito quanto uma das suas obras primas que embora tenha adiado, não a deixei de encontrar.

sobre o autor

Maurício Azenha Dias é arquiteto e urbanista pela FAU Santos onde é professor desde 1996. É mestre em arquitetura e urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie

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029.04 Arquitetura turística
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