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architectourism ISSN 1982-9930

Vista panorâmica de Londres a partir da roda-gigante London Eye. Foto Victor Hugo Mori

abstracts

português
Percorrer terras mineiras com interatividade entre passado e futuro, entre turismologo e guias locais, integrado em um ambiente arquitetônico, tal conjectura levou ao título deste artigo.

english
Follow the path from Minas Gerais lands with interactivity between past and future, between tourismologist and local guides, to be integrated into an architectural environment, so this conjecture that led to the title of this article.


how to quote

SANTOS JR, Sérgio Antonio dos; NORTHRUP, Virginia Maria. Minas Gerais. Um lugar de muitas possibilidades. Arquiteturismo, São Paulo, ano 05, n. 057.05, Vitruvius, nov. 2011 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/05.057/4130>.


O campo historiográfico da arquitetura é bastante atraente aos diversos tipos de público, sendo este o principal instrumento da indústria turística no seguimento: cultural arquitetônico. A importância das viagens de estudo, ressaltadas por Le Corbusier, deixam claro que estes dois campos das ciências sociais aplicadas – arquitetura e turismo, estão intimamente ligados, pois proporcionam a nós aprendizes a oportunidade de vivenciar a arquitetura. Entender o turismo como fenômeno complexo e dinâmico das relações humanas e, reconhecê-lo como ponto forte da economia mundial que serve de subsídio para diversas cidades, como é o caso das cidades históricas de Minas Gerais, onde sua principal receita é proveniente do turismo. Com esta bagagem feita de experiências e memórias, há muito preconizado, adquirimos real referência e nos tornamos críticos.

O que torna Minas Gerais um lugar de muitas possibilidades? São respostas que adquirimos ao percorrer o horizonte mineiro, que proporciona ao seu visitante uma capacidade singular de preservar o ontem, projetar o amanhã e vivenciar o hoje, refiro-me respectivamente as Cidades Históricas, Instituto Inhotim e o bairro Pampulha.

Enquanto estudante de turismo aprendi a ver a cidade como um todo, desde os cenários naturais formados por serras, cachoeiras, rochedos que por si só já valeriam a viagem; observar o ritmo de vida da população local, apreciar a culinária e hospitalidade, integrar-se neste âmbito das relações humanas era primordial a um turismólogo. Compreender a arquitetura como portadora da história de um determinado período, é simplesmente história da arte. No entanto, ao retornar como graduando de arquitetura é notório que no bacharelado de turismo, foi ausente conhecimento da história e teoria da arquitetura e urbanismo, conteúdo que deveria ser obrigatório, pois a cidade parecia se apresentar de outro jeito, um simples saber que fez toda a diferença.

Recordo-me dos ensinamentos do professor de patrimônio referente às principais cidades históricas, que surgiram durante o período que vai de 1700 a 1800. Em 2011, Ouro Preto completou trezentos anos com muitas histórias e tesouros, que só de perto se tem a noção de sua real importância, a cidade já foi capital do estado e tornou-se patrimônio da humanidade.

A percepção das cidades históricas que tivemos como futuros arquitetos e urbanistas se diferem ao acompanhar as edificações, elas vão de acordo com o traçado ondulante do terreno formando verdadeiros paredões proporcionados pelas antigas vendas e residência, pois não apresentarem recuos laterais. Tais fatores combinados em ruas estreitas formam uma lógica labiríntica proposital, que servia para emboscadas de ladinos, escravos, arruaceiros, senhorzinhos galanteadores, enfim, um pouco de história sobre algo que necessariamente não é admirável, mas deve ser respeitado. Contada pelo guia local e cocheiro ao interagir sobre o tema.

Todas as cidades históricas possuem as mesmas características: a igreja matriz situada na parte mais alta, a praça nos arredores, as edificações e ruas formando a labiríntica, portanto concordamos com o dizer: “quem conhece uma, conheceria todas”. Mas em essência não em suas particularidades.

Mariana abriga a maior mina de ouro do mundo aberta ao turismo, a descida para as galerias subterrâneas se faz de modo lúdico, através de um carrinho trolley, que chega a trezentos e quinze metros de extensão e cento e vinte metros de profundidade, onde se vê um lago natural; neste ponto da viagem tivemos contato com um professor de geografia que acompanhava seus alunos de São Paulo, ele proferiu alguns dos mandamentos do turismo aos jovens que gostariam de levar de recordação algumas pedras, seriam estes: “da natureza nada se tira a não ser fotos… nada se deixa a não ser pegadas… nada se mata a não ser o tempo… nada se leva a não ser saudade!”, uma lição importante em amplos os sentidos, esperamos que eles tomem para a vida.

Antônio Francisco Lisboa sem dúvida é uma das figuras mais importantes relacionado à arte colonial no Brasil, com um estilo relacionado ao Barroco e Rococó. Em Congonhas onde se encontra os doze trabalhos do artista, que correspondem aos doze profetas, fomos inicialmente questionados se compreendíamos o que era o barroco. Este tipo de informação nunca é clara o bastante, pois trata-se da arte do detalhe e de toda a forma possível do exagero, não se prende aos estilos, mas se faz presente neles. É possível observar tal constatação na Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto, uma estrutura abarrocada no estilo colonial português, Notre Dame em Paris – gótica/barroca, o edifício da Bolsa de Café em Santos – eclético/barroco, dentre uma infinidade de exemplos, no período contemporâneo o Museu MAXXI em Roma, desenvolvido pela arquiteta Zaha Hadid é desconstrutivo, sua estrutura barroco-minimalista. Para entender o trabalho de Antônio Francisco Lisboa se fez necessário tal compreensão, além desta riqueza em ornamentos e detalhes, o guia adverte que observemos o girassol presente na maioria das obras como a própria igreja de São Francisco de Assis, Laurentino Gomes e Dan Brown citam em seus livros diversas personalidades como maçons, neste ensejo Antônio também seria membro da maçonaria, por evidência era grão mestre. O girassol contém trinta e três pétalas, número que representa grau máximo dentro da seita, mas devido a doença degenerativa que lhe rendeu o pseudônimo de Aleijadinho é expulso e ingressa na ordem rosa cruz, uma vertente da maçonaria que aceita mulheres e pessoas com deficiência.

Igreja Nossa Senhora do Carmo, Ouro Preto
Foto divulgação

Quando se está saturado da antiguidade, em Brumadinho é possível se deparar com o que há de mais atual, o instituto Inhotim é um espaço a céu aberto que reúne obras de arte contemporânea, um lugar raro onde o homem deixou a natureza ainda mais bela contando com o paisagismo de Roberto Burle Marx, o jardim botânico possui um dos maiores acervos de espécies ornamentais do Brasil. Deve-se reservar um dia inteiro para conhecer o complexo, das galerias a que mais chama a atenção é justamente a que conferiu aos arquitetos  Alexandre Brasil, André Prado, Bruno Santa Cecília, Carlos Alberto Maciel e Paula Zasnicoff, o segundo lugar do prêmio jovens arquitetos pela galeria Miguel Rio Branco.

Ainda nesta viagem de estudo, finalizamos em Pampulha – promenade de Oscar Niemeyer, que a um só tempo é berço da arquitetura moderna e marco de sua maturidade. O efeito Pampulha que trouxe confluência de dois momentos separados no tempo, trata-se dos maiores ícones da cultura nacional sobre a prática arquitetural, em um período racionalista do modernismo europeu, encontramos a forma livre e, as curvas tão diferentes. Por isso quem vai a Minas encontra passado e futuro ao mesmo tempo, percebe uma economia crescente, infraestrutura em amplo desenvolvimento, além da própria vocação turística que conta com os principais centros artísticos e culturais brasileiros.

sobre os autores

Sérgio Antônio dos Santos Júnior possui graduação em Turismo e graduação em andamento em Arquitetura e Urbanismo. Trabalha como agente de viagens e dedica-se ao "arquiteturismo" elaborando viagens conceituais, envolvendo aspectos da interação entre arquitetura e turismo, também é voluntário junto ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados – ACNUR para a Fundação Escola Comunitária, na Libéria. A função de projetista designa-se também em ajudá-los a criar planos de construção detalhado.

Virginia Maria Northrup é empresaria e designer de interiores, possui graduação em andamento em Arquitetura e Urbanismo.

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057.05 na estrada
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