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architectourism ISSN 1982-9930


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O lugar do mundo onde universidade e governo se uniram por um espaço mais informado.


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CELANI, Gabriela. Welcome to Melbourne. A cidade mais "livable" do mundo. Arquiteturismo, São Paulo, ano 07, n. 083-084.02, Vitruvius, fev. 2014 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/07.083-084/5052>.


A cidade de Melbourne passou, nos últimos 15 anos, por uma série de transformações que a tornaram um dos locais mais agradáveis do mundo, de acordo com o ranking "Most livable cities" (1). O conceito de livability inclui segurança, saúde e walkability, a facilidade de caminhar pela cidade. Segundo Rob Adams (2), diretor de projeto da prefeitura, as medidas tomadas para se obter a qualidade que se tem hoje incluiram não apenas um bom sistema de transporte e incentivos à construção de edifícios habitacionais no centro antigo da cidade, mas também detalhes, como um bom mobiliário urbano e um programa para incentivar a arte urbana. Além disso, o centro da cidade possui uma complexa rede de galerias comerciais e passagens de pedestres. Algumas delas datam do final do século XIX e início do XX. Uma das mais interessantes é a QV, que percorre espaços livres entre edifícios, dando acesso a vazios no miolo da quadra que acabaram se transformando em agitados pontos de encontro.

Além do centro antigo há um centro novo, onde se encontram edifícios comerciais altíssimos (incluindo o edifício mais alto do hemisfério Sul, o Eureka Tower) (3). Essa área, apesar de menos interessante, também tem excelentes espaços para pedestres, cheios de atividades, principalmente às margens do rio. Outro importante centro de atividades é o Queen Victoria Market (4), que abriga uma feira livre todos os dias e tem atividades noturnas uma vez por semana.

Bicicletas públicas no centro da cidade de Melbourne
Foto Gabriela Celani

Algumas áreas anteriormente degradadas, como as Docklands e a Federation Square,  em frente à estação de trem Flinders, foram objeto de grandes projetos de renovação urbana nos últimos anos. O projeto da Federation Square foi objeto de um concurso internacional lançado em comemoração ao centenário da independência australiana, e vencido pelo escritório local Lab Architecture Studio (5). Seu programa compreende escritórios, espaços de exposição, de entretenimento e de alimentação, incluindo uma área para shows ao ar livre. A principal característica do projeto é o uso da geometria fractal no desenho das fachadas, o que confere ao conjunto grande singularidade.

O projeto de renovação do antigo porto da cidade, conhecido como Docklands (6), fica em uma área afastada do centro. Os novos edifícios construídos nessa região possuem um mix de habitação, escritórios, comércio e restaurantes, além do Etihad Stadium (7). Foi também feita uma completa reconstrução do pier, que se tornou uma enorme área de pedestres e, mais uma vez, vê-se muita arte urbana. Essa região da cidade pode ser acessada facilmente pelas inúmeras linhas de bondes elétricos que servem Melbourne de maneira eficiente, limpa, acessível e silenciosa, ou ainda pelos trens subterrâneos que servem a cidade. As estações de trem são uma atração à parte, em especial a Southern Cross, com sua cobertura ondulada, e a Melbourne Central, que fica escondida dentro de um enorme shopping center no miolo de uma quadra, mas traz uma surpresa: um edifício de uma antiga fábrica de cerveja encontra-se preservado dentro da estação.

Outra coisa que chama a atenção em Melbourne é a integração das Universidades com a cidade. O Royal Melbourne Institute of Technology (RMIT) possui diversos edifícios espalhados pela parte Norte do centro da cidade. Alguns foram construídos recentemente e outros aproveitam edifícios antigos, mas com projetos ousados de requailificação.

O campus da Melbourne University, por outro lado, data do fim do século XIX, quando ficava fora dos limites da cidade. Conforme Melbourne foi se expandindo, o campus acabou sendo cercado pela cidade e integrou-se a ela. Ao longo de mais de cem anos, esse campus, formado originalmente por edifícios isolados, foi sendo preenchido, tornando-se uma área densa, mas com espaços intersticiais pensados para acomodar atividades e promover a interação social. Algumas exceções, como passagens que tinham pouca circulação de pessoas, têm recebido intervenções, como a instalação de "pop-up coffee-shops". Segundo Tom Kvan, diretor da Escola de Arquitetura, Construção e Planejamento, para a universidade o campus é um laboratório vivo (living lab). Uma prova disso é o projeto para o novo edifício da Escola de Arquitetura. Resultado de um concurso internacional, ele foi pensado como um edifício pedagógico, em que diferentes materiais e tipos de estruturas são usados, além de medidas para garantir a sustentabilidade e o conforto ambiental.

Tanto a UniMelbourne como o RMIT disponibilizam museus, teatros e outras atividades para a população local e seus estudantes ocupam boa parte dos edifícios residenciais do centro. Isso aumenta a integração das Universidades com a comunidade e contribui para tornar as ruas seguras a qualquer hora do dia. Mas essa não é a única contribuição dessas universidades para a cidade. O RMIT possui uma forte ligação com os escritórios de arquitetura locais, colaborando no desenvolvimento de projetos que envolvem alta tecnologia, como fabricação digital e análises computacionais avançadas.

A UniMelbourne, por sua vez, desenvolve diversos projetos na área de Spatially Enabled Society em parceria com as autoridades municipais e estaduais. Um exemplo disso é o projeto Australian Urban Research Infrastructure Network - AURIN (8), que desenvolve um sistema de informação geográfica open source, fácil de utilizar e disponibilizado na Internet. Com acesso aos dados coletados pelo governo, o sistema permite que pesquisadores e planejadores urbanos tomem decisões baseadas em fatos concretos, não em especulações ou suposições. O Centre for Spatial Data Infrastructures and Land Administration – CSDILA (9) é um dos usuários do sistema AURIN. É possível baixar gratuitamente diversas publicações do site do SCDILA, com estudos de caso de tomada de decisão e simulações baseadas em informações georeferenciadas. Dentre outras ferramentas, o CSDILA desenvolveu a Walkability tool (10), que permite fazer simulações de tempo e eficiência de percursos para pedestres. Esses laboratórios estão muito interessados em estabelecer convênios com universidades brasileiras.

Gabi Celani em Melbourne
Foto divulgação

notas

NA
Veja também a matéria sobre a exposição Melbourne now.

1
<https://www.eiu.com/public/topical_report.aspx?campaignid=Liveability2013)>

2
<https://www.melbourne.vic.gov.au/ABOUTCOUNCIL/COUNCILPROFILE/Pages/managementteam.aspx>

3
<https://www.eurekaskydeck.com.au>

4
<http://www.qvm.com.au>

5
<www.labarchitecture.com>

6
<www.docklands.com>

7
<www.etihadstadium.com.au>

8
<www.aurin.unimelb.edu.au>

9
<http://www.csdila.unimelb.edu.au>

10
<http://blogs.unimelb.edu.au/aurinands/2013/06/04/walkability-deliverable-8-final-product-post>

sobre a autora

Gabriela Celani é arquiteta e professora da Unicamp, e viajou a Melbourne a convite do Prof. Tom Kvan, diretor da Escola de Arquitetura da Universidade de Melbourne, para participar do Urban Research Think Tank.

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