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architectourism ISSN 1982-9930

Residência de D. Odaléa Brando Barbosa, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, tombada pelo Inepac

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PAIVA, Lincoln. Andar como experiência estética. Baudelaire, Aragon e Benjamin: flanando por Paris. Arquiteturismo, São Paulo, ano 13, n. 145.04, Vitruvius, abr. 2019 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/13.145/7334>.


Para quem estuda caminhabilidade, mas não quer ficar preso apenas no “caminhar como infraestrutura”, ou da importância do desenho urbano da cidade em detrimento da espacialidade.

Importante notar como a arte na virada do século 19 – quando ainda não era voltada para consumo, não era produto – capturava como as alterações urbanas modificavam a vida das pessoas, as práticas sociais, ou seja, a espacialidade.

Queria comentar três livros que mostram muito bem isso, de três autores que se inter-relacionam. O primeiro, Spleen de Paris de Charles Baudelaire, foi escrito entre 1858 e1865 e publicado em 1869; o segundo autor é Louis de Aragon, que escreveu Le Paysan de Paris em 1926; por último, Passagens (“Das Passagen-Werk”), obra incompleta de Walter Benjamim, que se inspirou no livro de Aragon para escrever um de seus trabalhos mais importantes (ele já havia tratado do outro literato, em “A Paris do Segundo Império em Baudelaire”, de 1938). Benjamin lega um enorme ensaio sobre a cidade de Paris no século 19, quando a capital se construía como metrópole, cheia de boulevares que eram, ao mesmo tempo, portas de entrada e de saída. Avalia que a cidade, transformada em templos do consumo, produziu enormes desigualdades.

Boluevard de Vaurigard, Paris, c.1900, cartão postal
Foto divulgação

O cenário que une os três livros é a nova Paris planejada pelo Barão Haussmann. A mudança ocorrida com o plano dos boulevares de Paris alterou o modo de vida parisiense, sua estrutura econômica e social, transformações que não ficou incólume no campo das artes e foi muito bem capturada pela poesia de Charles Baudelaire, pela prosa surrealista de Louis de Aragon e pela filosofia de Walter Benjamim.

Benjamim vai se inspirar no livro de Aragon, texto pautado por uma série de impressões do caminhante que se deslumbrava com a cidade ao tentar entender sua dinâmica. É de tirar o fôlego! Benjamin conta que lia por dia apenas três páginas para não ter um ataque do coração.

Aragon e os surrealistas irão propor a cidade como cenário das deambulações surrealistas; era preciso encontrar o inconsciente da cidade. Claro que tanto o surrealismo, quanto o dadaísmo, foram influenciados pela flanerie de Charles Baulelaire, assim como o próprio Benjamim, que foi o principal tradutor das obras de Baulelaire para o alemão.

A UFMG lançou ano passado um box com os três livros das “Passagens” de Walter Benjamim, que estava esgotado há anos. Trata-se de uma referência multidisciplinar obrigatória para quem estuda as cidades.

Gustave Caillebotte, Rua de Paris; dia chuvoso, 1877
Imagem divulgação [Art Institute of Chicago]

sobre o autor

Lincoln Paiva é autor do blog Mobilidade Sustentável, membro da SLoCat (Sustainable Low Carbon Transport), coordenada pelo Departamento desenvolvimento socioeconômico da ONU. É também membro da Cities-for-Mobility, rede mundial de mobilidade urbana coordenada pela Cidade de Stuttgart, e do GT de Meio Ambiente e Mobilidade do Movimento Nossa São Paulo. É sócio-diretor do escritório de Consultoria de Mobilidade Sustentável Green Mobility e idealizador do Projeto MelhorAr de Mobilidade Sustentável. É mestrando do programa de pós-graduação da FAU Mackenzie.

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