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architectourism ISSN 1982-9930

Passeio de ciclistas nudistas, Avenida Paulista, São Paulo. Foto Abilio Guerra, 2019

abstracts

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Gabriel Kogan, arquiteto e professor na Escola da Cidade, escreve mercados e entrega caseira em regiões mais nobres da cidade.


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KOGAN, Gabriel. Como se alimentar em tempos de pandemia. Breve guia de compras na Zona Oeste e Centro de São Paulo. Arquiteturismo, São Paulo, ano 14, n. 158.01, Vitruvius, maio 2020 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/14.158/7730>.


Como se alimentar em tempos de pandemia
Foto Clara Figueiredo

No dia 18 de abril, pedi para meus amigos em redes sociais enviarem recomendações sobre mercados, supermercados e feiras que estivessem tomando precauções para redução de possibilidade de eventuais contágios dentro de seus estabelecimentos (1). Há um foco na região Oeste e Central da cidade de São Paulo. Baseado nesse retorno e em outras experiências que já havia tido, apresento a seguir uma síntese sobre minhas saídas inevitáveis para reabastecimento da geladeira. Organizo a seguir os estabelecimentos da pior para a melhor experiência:

Mercados

1. Casa Santa Luzia

É bastante preocupante o que tem acontecido nesse lugar como ponto de disseminação da doença nas primeiras semanas de epidemia. Há notícias de funcionários doentes. Os clientes não são obrigados a entrar de máscara (pelo menos até a última vez que fui) e nem a passar o álcool, que fica só na entrada, sem ninguém para ajudar na operação. Clientes conversam ao telefone e batem papo pelos corredores. Nem todos os funcionários estavam com equipamentos adequados, havia treinamento de novos funcionários sem proteção durante o horário de abertura. A fila na porta é uma mera formalidade para aumentar o contágio. As pessoas se amontoam na entrada enquanto, dentro, o supermercado está ainda mais abarrotado de gente. Contrariando o bom senso, há fila preferencial de entrada para idosos o que funciona como um verdadeiro incentivo para eles saírem de casa. No caixa, não há qualquer indicação para os funcionários fazerem a higienização da esteira e da máquina de cartão. Como pontos positivos, obviamente, é a incrível oferta de produtos e o preço abaixo da média na região para produtos importados e especiais (como queijos, molhos, embutidos; é meio surreal isso, mas na comparação a diferença chega a ser 25% a menos do que Pão de Açucar ou St. Marché, contrariando o senso comum). Tentei fazer uma compra por telefone e buscar na garagem, mas o atendimento estava despreparado para isso e não consegui informações precisas, mesmo por e-mail. Acredito que é um lugar a se evitar (2).

2. Pão de Açúcar

O supermercado estava demasiadamente cheio e desabastecido. Não tinha papel higiênico (!?), sal, macarrão e produtos de limpeza. Alguém pode dizer que isso aconteceu no começo da epidemia com todos os lugares, mas de fato o Pão de Açúcar tem um histórico de desabastecimento mesmo em condições normais. Vi muitos idosos pelos corredores, comprando bolacha, o que realmente me espanta. Os funcionários foram instruídos a limpar a esteira e a máquina de cartão, mas fazem de maneira proforma, colocando o mínimo de produto e nem se levantando para fazer a operação. Sempre achei que o principal problema desse supermercado é sub-remuneração dos funcionários, que trabalham em condições precárias, a baixos salários. Nesse momento essa contradição fica pior. De forma geral, não entendo muito bem a razão de existência no Pão de Açúcar (3) hoje: extremamente – extremamente! – caro, com pouca oferta de produtos, atendimento displicente.

3. Carrefour

Bairro. Curiosamente, esses pequenos Carrefours (4) que competem com o Minuto não me pareceram uma opção ruim para alguns tipos de compras durante a quarentena. Geralmente, os corredores ficam vazios, o preço é ok, as lojas estão arrumadas. Serve para fazer compras de produtos de limpeza e produtos ultra industrializados (cheguem ao final do texto que explico porque isso é importante!). A variedade de produto é baixa, mas não é para isso que esses supermercados existem.

4. St Marche

Como alguns amigos alertaram, me parece um dos supermercados de médio porte com a melhor preparação para pandemia. Há equipamentos de proteção para funcionários, mas até o momento que eu fui, máscara e gel não eram obrigatórios para entrada de clientes. Ao menos os corredores estão mais vazios do que nos demais lugares que visitei. A variedade é boa, no entanto, pratica preços bastante acima dos demais. Em média, minha compra fica pelo menos 25% mais cara lá. Há um problema seríssimo de arquitetura-layout dos caixas, espremidos junto à saída (geralmente vou no da São Gabriel, mas isso me parece algo comum em todas as unidades), o que gera aglomeração e confusão para saída. Não há um espaço adequado para filas e para compras grandes acaba sendo difícil. Eu diria que o St. Marche (5) seria a melhor opção para fazer uma compra pequena em um supermercado convencional.

Como se alimentar em tempos de pandemia
Foto Clara Figueiredo

(Aqui temos uma quebra de qualidade. Diria que todas as experiências anteriores foram fracas ou medianas. As seguintes são excelentes).

5. Instituto Chão

Preciso admitir que apesar das recomendações, eu nunca tinha ido lá. É flagrante a diferença de cuidado em relação aos grandes estabelecimentos. Máscara e álcool não são uma questão para funcionários e clientes: você só cruza a entrada se estiver com a mão higienizada e com máscara. Há potes de álcool em todos os cantos que se mostrem necessários. Em condições normais, dou preferência para legumes orgânicos, quando há disponibilidade e preço adequado. Não sou o louco do orgânico. Aqui o preço é muito bom e tem uma disponibilidade incrível: não sobram desculpas. Tem praticamente tudo que se possa imaginar em termos de verduras e frutas. Destaco a boa variedade de grãos e alimentos secos, alguns industrializados (mesmo que ainda orgânicos). Pode-se achar polpas congeladas, frango, carnes, queijos. Além de potes de vidro com molhos, mel, pimentas e produtos de higiene. Trata-se do melhor lugar para comprar folhas. Outro ponto positivo é também negativo. Por causa da pandemia eles empacotaram os produtos (por exemplo, tomate, beringela, batatas) em sacos de plástico. Isso ajuda na hora da pesagem e melhora a higiene no caixa. Mas é uma faca de dois gumes porque mostra que o produto foi mais manipulado anteriormente e precisa ser também mais manipulado ao chegar em casa para lavagem. Eu conseguiria fazer uma compra de alimentos só lá? Diria que não; teria que complementar com outras fontes, mas chega próximo. Sendo o Instituto Chão (6) um supermercado orgânico, fiquei um pouco decepcionado com a “curadoria” de alimentos processados. Tem muita coisa, mas nem tudo é bom e faltam alguns produtos (não sei se por causa do momento atual).

6. Instituto Feira Livre

Gostei muito do Chão, mas acho que o Feira Livre se destacou ainda mais. A variedade de legumes e frutas é ridícula: seis variedades de batata doce, cinco tipos de laranja, cajá manga, pimenta Cambuci, limão cravo, três tipos de banana. E... Maracujá... Maracujá orgânico é um assunto sério. Eu tive a impressão que, ao contrário do Chão, que tem muita coisa em bandejinha e com marcas, o Feira Livre é de fato um “farm to table” (pode ser só uma impressão isso...). Há também alguns produtos industriais ou semi industriais, com uma seleção incrível. Comprei frutas vermelhas congeladas e cogumelos excelentes. Tudo estava muito fresco. Sem exceção. O ponto fraco é importante: eles não disponibilizam sacolinhas plásticas ou de papel para reunir os alimentos. Fui com um carrinho de feira gigante e ainda comprei uma ecobag lá. O processo de pagamento demorou quase meia hora, gerei uma fila longa atrás de mim. Todos os alimentos são pesados em uma bacia que não foi higienizada. Bem... No fundo, há algumas vantagens nisso tudo. Os alimentos não passaram por manipulação prévia, ou pouco passaram, e eu gerei menos lixo. Aliás, a mesma compra para 15 dias em um supermercado normal gerou três sacos de 50L de lixo, enquanto lá gerei menos de um terço de saco. Fiquei decepcionado com a seleção de chocolates (amo chocolate e acho que esses com certificação orgânica não são tão bons quanto outros que são também orgânicos, mas não são certificados). Comprei um pão italiano fresco péssimo por lá (e já me alertaram que boa parte da grande variedade de pães frescos vendidos no Feira Livre não são bons mesmo). Há carnes, frangos, grãos e congelado, mas em menor variedade que o Chão. Em linhas gerais, achei meio incrível o que eles têm e todo o cuidado. Não foi um saco ter que fazer a compra e chegar em casa. Mesmo com todos os rituais, achei prazeroso (7).

Como se alimentar em tempos de pandemia
Foto Clara Figueiredo

Entrega em casa

Incluo na lista também pequenos produtores/fornecedores que entregam diretamente. Indico três e aceito outras recomendações. Existem ótimos fornecedores de pães por aí também, feitos com fermentação natural lenta.

1. Peixes do “Mar Direto”

Inacreditável a qualidade do serviço e do produto deles. Os peixes mais frescos que já vi em São Paulo. Por causa de toda a logística de transporte na capital, sabemos que o preço de peixe e frutos do mar geralmente é elevado por aqui. O preço deles é ok. Não chega a ser barato, mas vale a qualidade. Vem tudo embalado a vácuo, “porcionado” e super limpo. O peixe está duro de tão fresco, como se tivesse tirado do mar a pouco. A entrega veio com um entregador da própria empresa (isso é fundamental para mim) e dentro de um isopor lacrado (8).

2. Café do “OCabral Café”

Sempre gostei muito do café deles e ia quase todo dia lá. Estão trabalhando com um serviço de entrega. O café dispensa comentários. Há também outros produtos artesanais. Aliás, o café deles não se compara com nenhum outro que se possa encontrar em qualquer outro estabelecimento acima (a única exceção é o Santa Luzia que me parece ter cafés da Wolf, mas com datas de torrefação não tão novas...). O único ponto negativo é que a entrega está sendo feita por motoboy, algo que eu tenho evitado (9).

3. Chocolate da “Luisa Abram”

Produto incrível. Venda pela internet e acima de cinquenta reais não cobram frete (10). É muito mais barato do que nos supermercados. Eu não consegui ver na hora e esqueci de perguntar antes, mas me parece que a entrega foi feita, infelizmente, por motoboy também. Gosto também muito dos chocolates da Nayah (11), mas achei o website um pouco menos estruturado e não tinha muitas opções de chocolates com mais de 70% de cacau.

Comentários finais

Alguns produtores que eu liguei não estão trabalhando ainda com entregas para consumidores finais. Por que? Já passou da hora...

Para ser justo, menciono aqui também lugares que eu não usei ainda, mas que recebi boas indicações. A Korin (12) tem uma loja própria que entrega em casa. O Empório do Arroz Integral (13) tem um serviço de webvendas (preços absurdamente baixos, não sei as condições de entrega). Ouvi falar bem do supermercado Empório São Paulo. Não fui ao Mambo e nem no Empório Horti Sabor. Além disso, não consegui ir em duas recomendações enfáticas feitas no último post: Madrid Supermercados (14) – que foi unânime nos comentários – e o Quitanda (15) – que dividiu opiniões.

Em resumo, dentro os lugares que testei, a melhor escolha seria uma combinação de compras. Eu ficaria com o Chão e o Feira Livre para compras grandes (tentei fazer compras para quinze dias, agora estou em dez). Complementaria com três outras fontes: Carrefour de bairro, St Marche para uma compra pequena complementar e... alguns pequenos fornecedores que entregam diretamente.

Como se alimentar em tempos de pandemia
Foto Clara Figueiredo

Post Scriptum

Uma coisa não ficou muito clara no texto: o Instituto Chão é um supermercado orgânico, gigantesco comparado com o Instituto Feira Livre. Apesar de eu ter ficado mais impressionado com a variedade de legumes e frutas do Feira Livre, o Chão é mais indicado para quem quer sair menos de casa.

notas

NE – texto originalmente publicado na página Facebook do autor e republicado aqui com pequenas alterações.

1
Gabriel Kogan, página Facebook <https://www.facebook.com/gabriel.kogan2/posts/10159374647642784>.

2
Casa Santa Luzia, página Facebook <www.facebook.com/casasantaluzia>.

3
Supermercado Pão de Açúcar, página Facebook <www.facebook.com/paodeacucar>.

4
Supermercado Carrefour, página Facebook <www.facebook.com/CarrefourBR>.

5
St Marche Supermercado, página Facebook <www.facebook.com>.

6
Instituto Chão, página Facebook <www.facebook.com>.

7
Instituto Feira Livre, página Facebook <www.facebook.com/institutofeiralivre>.

8
Mar Direto, página Facebook <www.facebook.com/mardireto>.

9
OCabral Café, página Facebook <www.facebook.com/ocabrall>.

10
Luisa Abram, página Facebook <www.facebook.com/LuisaAbramChocolates>.

11
Nayah Sabores da Amazônia, página Facebook <www.facebook.com/nayahamazon>.

12
Korin Agricultura Natural, página Facebook <www.facebook.com/korinagriculturanatural>.

13
Empório do Arroz Integral, página Facebook <www.facebook.com/Emp%C3%B3rio-do-Arroz-Integral-1799421743700114>.

14
Madrid Supermercados, página Facebook <www.facebook.com/MadridSupermercados>.

15
Quitanda, página Facebook <www.facebook.com/lanaquitanda>.

sobre o autor

Gabriel Kogan, arquiteto e professor na Escola da Cidade de teoria da arquitetura contemporânea. Desenvolve doutorado na FAU USP.

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