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architectourism ISSN 1982-9930

Agra, Índia. Foto Victor Hugo Mori

abstracts

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Elane Ribeiro Peixoto e Julia Mazzutti Bastian Solé, autoras do guia de Ceilândia chamado Rolê pela Cei, explicam a motivação em realizar um guia a partir da perspectiva de jovens moradores de uma das cidades satélites de Brasília.


how to quote

PEIXOTO, Elane Ribeiro; SOLÉ, Julia Mazzutti Bastian. Construindo o Guia de Ceilândia. Arquiteturismo, São Paulo, ano 14, n. 162.02, Vitruvius, set. 2020 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/14.162/7897>.


Este guia de Ceilândia, que chamamos Rolê pela Cei (1), sustenta-se nos resultados de três anos de pesquisa desenvolvida no Centro de Ensino Fundamental de Ceilândia – CEF 19. Quais as relações que os estudantes estabelecem com a cidade? Foi essa nossa pergunta inicial. Em parceria com a professora de Artes, Vânia Romão, propusemos um programa de curso em que a cidade seria o tema central a partir da qual se formulariam questões sobre a percepção do espaço urbano e sobre os laços afetivos com ele estabelecidos. Em diálogo com a professora, ajustamos nossa proposta de forma a permitir a sobreposição de conteúdos de nosso interesse ao que é exigido pela Secretaria de Educação. Vimos, então, a oportunidade de transformar Ceilândia em nossa sala de aula e em nosso livro-texto.

01-08. Páginas do guia Rolê pela CEI. Um guia afetivo de Ceilândia, de Elane Ribeiro Peixoto e Julia Mazzutti Bastian Solé
Imagem divulgação

Durante os anos de 2018 e 2019, propusemos uma série de oficinas com os alunos do 9° ano, ou seja, os alunos mais velhos do ensino fundamental e com maior desenvoltura em perambular pela cidade, para que assim nos ensinassem sobre suas práticas espaciais. As oficinas eram antecedidas por aulas nas quais buscávamos apresentar conteúdos mínimos de urbanismo e de princípios da cidade modernista, da história de Brasília e de Ceilândia. Nos preocupamos em oferecer instrumentos que possibilitassem nossos jovens parceiros a lerem um mapa da cidade e nele se localizarem. Para isso, propusemos a construção de uma maquete-mapa, recurso importante para que eles percebessem melhor o espaço urbano. Precisávamos ouvi-los sobre suas vivências para que elas pudessem nos mostrar uma Ceilândia da qual apenas esboçávamos ideias vagas. Para preencher nossas lacunas, propusemos aos estudantes que escrevessem diários com os trajetos casa-escola-casa; textos e desenhos que falassem sobre as formas de morar; lugares importantes de convívio e de encontro.

01-08. Páginas do guia Rolê pela CEI. Um guia afetivo de Ceilândia, de Elane Ribeiro Peixoto e Julia Mazzutti Bastian Solé
Imagem divulgação

Munidos de curiosidade, interesse e, confessamos, de emoção, transpusemos os altos muros do CEF 19, encimados por uma cerca de arame farpado. Começamos nossa exploração pelas vizinhanças, pelo centro da Ceilândia e, depois, pelo Plano Piloto. Nosso intuito era percorrer a capital federal em círculos crescentes, traçados a partir da escola, de maneira que fosse possível vislumbrar a metrópole. Ambicionávamos conhecer Ceilândia para além do que nos oferecem a literatura e as nossas vivências restritas ao Plano Piloto. Para isto, era preciso que nos deixássemos guiar por quem mora na cidade, transita por suas ruas, vive em suas casas e trabalha em suas escolas. Nossos guias foram, primeiro, os alunos do 9° Ano A (2018) e depois do 9° Ano F (2019). Levados por eles, descobrimos as práticas das ruas, o interior das casas, histórias que iam da Guariroba ao Sol Nascente. Aprendemos sobre seus gostos musicais, as palavras preferidas, como pintam os olhos ou como penteiam os cabelos em elegantes e elaborados topetes. Nos deixamos conduzir também pelos professores do CEF 19, com quem conversamos nos cafés -- na mesa da copa da escola, o lanche é partilhado, cada um contribui como quer e como pode. É a hora em que eles conversam sobre os alunos. Muitas vezes, perguntávamos como atrair a atenção de adolescentes cheios de energia e inquietação – havia sempre um conselho disponível.

01-08. Páginas do guia Rolê pela CEI. Um guia afetivo de Ceilândia, de Elane Ribeiro Peixoto e Julia Mazzutti Bastian Solé
Imagem divulgação

A vivência dos professores, somada à ideia de Ceilândia como cidade-documento, possibilitou a formulação de propostas pedagógicas capazes de envolver os adolescentes de forma mais sedutora e mais comprometida. O trabalho realizado no Centro de Ensino Fundamental 19 de Ceilândia exemplifica um passo na direção de uma educação mais participativa e localmente referenciada. A cidade torna-se documento e seus jovens moradores, pesquisadores de sua história, de seus acervos e possibilidades.

01-08. Páginas do guia Rolê pela CEI. Um guia afetivo de Ceilândia, de Elane Ribeiro Peixoto e Julia Mazzutti Bastian Solé
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Todo o material produzido pelos coautores deste guia, os alunos do CEF 19, deu suporte à elaboração do Rolê pela Cei. O conjunto de nossas experiências na cidade e o fabuloso cabedal de conhecimento generosamente produzido pelos estudantes foram sendo tramados com nossas leituras teóricas, vindas da história urbana, dos métodos de história oral, da problematização da memória, das questões que fecundam os debates sobre o patrimônio cultural e da antropologia. Também os depoimentos de moradores pioneiros de Ceilândia, disponíveis no Arquivo Público do Distrito Federal, sustentam os personagens que dão vida ao nosso guia – podemos dizer que é uma ficção baseada em relatos reais. Seus personagens são inspirados nas muitas pessoas que conhecemos durante esta jornada.

01-08. Páginas do guia Rolê pela CEI. Um guia afetivo de Ceilândia, de Elane Ribeiro Peixoto e Julia Mazzutti Bastian Solé
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Rolê pela Cei soma-se aos muitos guias de Brasília que, em sua maioria, estão circunscritos ao Plano Piloto, aos seus monumentos e sua arquitetura erudita. Nossa contribuição é revelar, a quem não a conhece, uma Ceilândia atual, na qual sua história está presente. Nosso propósito foi construir com muitas mãos o conteúdo aqui apresentado. Esperamos ter sido trespassadas, quiçá com alguma sensibilidade, pelas muitas vozes presentes nestas páginas.

01-08. Páginas do guia Rolê pela CEI. Um guia afetivo de Ceilândia, de Elane Ribeiro Peixoto e Julia Mazzutti Bastian Solé
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Se toda pesquisa busca seguir os rigores metodológicos, a veracidade e a primazia das fontes documentais, e divulgar seus resultados em linguagem acadêmica, ela também permite, como ato criativo que é, se apresentar de outras formas.

01-08. Páginas do guia Rolê pela CEI. Um guia afetivo de Ceilândia, de Elane Ribeiro Peixoto e Julia Mazzutti Bastian Solé
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Este guia é um convite para conhecer melhor a Ceilândia, desta vez, pela perspectiva de alguns de seus adolescentes.

Capa do guia Rolê pela CEI. Um guia afetivo de Ceilândia, de Elane Ribeiro Peixoto e Julia Mazzutti Bastian Solé
Imagem divulgação

nota

NE – Essa resenha é um dos textos de apresentação do guia comentado. Ver também a outra apresentação do livro: MOURA, Cristina Patriota de; DERNTL, Maria Fernanda. Rolê pela CEI. Um guia colaborativo de uma Brasília não monumental. Resenhas Online, São Paulo, ano 19, n. 225.04, Vitruvius, set. 2020 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/19.225/7896>.

1
RIBEIRO PEIXOTO, Elane; SOLé, Julia Mazzutti Bastian. Rolê pela CEI. Um guia afetivo de Ceilândia. Primeiro Volume. Brasília, Editora UnB, 2020.

sobre as autoras

Elane Ribeiro Peixoto é doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo. Professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, integra o Programa de Pós-graduação dessa instituição, orientando pesquisas na área de história da cidade, história e crítica da arquitetura e patrimônio cultural.

Julia Mazzutti Bastian Solé é mestranda em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília. Pesquisadora, curadora e projetista nas áreas de patrimônio, arte, arquitetura e urbanismo.

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