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arquitextos ISSN 1809-6298


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Veja os seguintes projetos dos arquitetos Angelo Bucci, Fernando de Mello Franco, Marta Moreira e Milton Braga: Agência de propaganda DPTO, Casa Mello em Ribeirão Preto, Casa Mariante em São Paulo e Clínica de Odontologia em Orlândia


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GUERRA, Abilio. Quatro projetos do grupo MMBB. Arquitextos, São Paulo, ano 05, n. 056.02, Vitruvius, jan. 2005 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/05.056/510>.

A obra dos arquitetos Angelo Bucci, Fernando de Mello Franco, Marta Moreira e Milton Braga (2), do grupo MMBB, se insere na tradição específica da chamada “Escola Paulista”, arquitetura que se disseminou em São Paulo a partir dos anos 50 liderada por Vilanova Artigas e que têm na inventividade construtiva de severas estruturas de concreto armado aparente sua marca registrada. O jovem grupo mantém um profícuo diálogo com Paulo Mendes da Rocha, maior expressão desse ideário nos dias atuais e de quem herdou um gosto especial pelo experimentalismo nas soluções estruturais, nas esquadrias e nos vedos. Os quatro projetos apresentados aqui têm como ponto comum o prisma reto original e o desenho geométrico rigoroso e pouco propenso às exceções, que reverbera até mesmo no detalhamento bem apurado das peças menores e dos engates entre materiais distintos.

A agência de propaganda DPTO (São Paulo, projeto 1994, inauguração 1994) é uma construção compacta de 800 m2, que abrigava originalmente salas e espaços amplos de escritório nos pisos com iluminação natural e um estúdio fotográfico, hoje desativado, no subsolo parcialmente enterrado. A estrutura é de peças pré-fabricadas apoiadas de forma isostática, com todos pilares e vigas na periferia do volume. Os pisos são constituídos por lajes “Pi” colocadas lado a lado e orientadas no sentido do vão maior de 9,50 metros, decisão que sacrifica o desempenho para a obtenção de um vazio frontal em todo o edifício. Aqui se alojará a escadaria de metal, com lances que vencem integralmente a altura de cada piso, solução engenhosa que permite a transmissão do peso para as vigas de bordo, evitando uma estrutura subsidiária que inevitavelmente macularia a sobriedade de seu desenho. São justamente as diagonais dos lances da escada que dão dinâmica à elevação frontal envidraçada como as demais, quebrando a regularidade ortogonal reiterada pelas lâminas horizontais dos quebra-sóis de alumínio. A concentração da circulação vertical na área frontal possibilita que em todos os pisos sejam alocadas nos fundos as salas menores para direção e usos específicos, como banheiros, instalações, etc.

A casa Mello (Ribeirão Preto, 2000/2002) retoma o tema recorrente em Vilanova Artigas e seguidores da estrutura sustentada por apenas quatro pilares. Aqui a solução ganha uma versão híbrida, com duas vigas invertidas de porte correndo em paralelo por cima da laje de cobertura e apoiados nos quatro pilares, retraídos em relação às quatro faces, o que implica em balanços expressivos. Quatro tirantes de metal engastados nas vigas e dispostos próximos das faces cooperam na sustentação da laje inferior suspensa do solo e engastada nos pilares. A concentração dos esforços nestas duas linhas permite grandes planos de vidro no vão integral e recortes amplos nas duas lajes, conformando um pátio interno lateral que abrigará a piscina e a única escada de entrada. A planta em forma de “U” facilita o agenciamento dos cômodos segundo o princípio de divisão funcional, locando-se a área social na frente do lote, a área íntima de quartos e banheiros no fundo e a entrada, área de serviço e circulação na área voltada para a lateral direita do lote. O já mencionado experimentalismo ganha aqui grande expressão. Visando aliviar o peso na periferia da laje inferior, são usados nos fechamentos opacos painéis industriais de papel kraft prensado. O clima quente em grande parte do ano justifica a sustentação dos vidros fixos deslocados para fora do alinhamento da laje inferior, permitindo uma ventilação constante. Na impermeabilização da laje de cobertura foi resgatado o espelho d’água instalado durante o processo de cura do concreto, artifício desenvolvido e utilizado largamente por Mendes da Rocha desde a década de 60.

A casa Mariante (Aldeia da Serra, 2000/2002), um caixote de concreto e vidro implantado em lote de 20 m X 40 m no subúrbio de São Paulo, é formada por duas lajes nervuradas sobrepostas. As lajes quadradas – com 16,20 m de lado e com alvéolos de 90 X 90 cm – são suspensas do solo por quatro vigorosos pilares, de secção quadrada de 45 cm de lado, que distam um do outro 9,90 m na ortogonal. Na cobertura, o espelho d’água que impermeabiliza a laje é recoberto por elevados pisos quadrados de concreto. A repetição geométrica quase obsessiva é subvertida por uma série de decisões projetuais dissonantes, que regulam os usos e as visuais. As duas escadas sobrepostas, que levam do solo ao piso principal e deste à cobertura, se alojam no vão equivalente a dois alvéolos de largura por dez de comprimento, ocupando uma posição levemente deslocada do centro, assimetria que permite a adequada disposição dos espaços internos. Nas faces frontal e posterior abrem-se grandes vidraças corridas, sendo que na primeira impera um talude gramado que é truncado pela entrada no canto esquerdo, desequilíbrio compensado na parte superior, onde a caixa d’água é sustentada pela coluna frontal direita. Na face voltada para o quintal temos duas pontes em cotas e posições diferentes conectando em nível a casa com o terreno em aclive. As faces correspondentes aos quartos e à grande sala são mais homogêneas, mas o efeito de suspensão da primeira é contestada pelo peso conferido à segunda pelos volumes da lareira e das instalações de serviço no piso térreo.

A Clínica de Odontologia (Orlândia, 2000/2002), outro caixote de concreto e vidro suspenso do solo, subverte a clareza estrutural presente nos outros projetos com um jogo de dissimulação. O projeto parece ao olhar desatento sustentado por quatro pilares locados dois a dois nos lados menores do volume, embutidos em paredes de concreto que não tocam o chão nem o teto. Os pilares sustentam duas grandes vigas invertidas que correm na direção longitudinal por cima da laje de cobertura de 7 m X 21,5 m, o que permitiria a suspensão do volume por cima. Mas o real desempenho das cargas é outro. Dispostos a cada seis metros no alinhamento das vigas e pilares de concreto, seis delgados pilares metálicos de secção circular, dissimulados em geral nas paredes divisórias do piso superior, descarregam parte substancial da carga da laje de cobertura em alguns dos pequenos pilares de concreto que mantém a laje inferior erguida a 1,48 m do solo. Estes pilares inferiores, de secção quadrada, com intercolúnio de 2 metros, servem como ponto de fixação da vidraçaria do piso inferior, que fica semi-enterrado e retraído cerca de um metro em relação ao alinhamento da fachada. É justamente nesse espaço entre as faces maiores envidraçadas e os pilares metálicos que se dão as circulações de clientes e funcionários, a primeira voltada para a rua, a segunda para o pequeno quintal e conectada com as escadas que levam ao exterior e ao piso inferior. A sala de entrada, de onde partem os dois corredores, fica em um dos extremos, contíguo ao alpendre externo coberto e protegido pela empena lateral. A proteção solar é potencializada por painéis móveis de ripado de madeira estruturados em peças metálicas, uma reminiscência longínqua das treliças de madeira da arquitetura colonial.

notas

1
Publicação original: GUERRA, Abilio. "Quattro progetti del gruppo MMBB", in Casabella, n. 723, Milão, jun. 2004, p. 31-47.

2
Por ocasião da produção deste artigo esta era a composição societária do escritório. Atualmente o arquiteto Angelo Bucci atua sozinho, com escritório próprio.

sobre o autor

Abilio Guerra é professor da FAU PUC-Campinas e da Belas Artes, editor do Portal Vitruvius e co-autor de Rino Levi – arquitetura e cidade (São Paulo, Romano Guerra Editora, 2001)

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