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architexts ISSN 1809-6298


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O artigo mostra como a iluminação e a cenografia são estratégicos na atração de um maior público para as mostras da Grande Galeria da Evolução, localizada dentro do Jardin des Plantes no centro de Paris


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MAGDALENO, Marcello. Grande Galeria da Evolução em Paris: iluminação e cenografia. Arquitextos, São Paulo, ano 05, n. 057.05, Vitruvius, fev. 2005 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/05.057/501>.

A partir da década de 80, os museus vêm sofrendo um profundo processo de modificação enquanto instituições de cultura, processo de que foi precursor o Centro Georges Pompidou, inaugurado anteriormente. A ampliação em seus programas arquitetônicos, com a criação de lojas, cafés e atividades complementares, o uso de novas tecnologias audiovisuais, assim como a transformação das exposições em espetáculos, com o fim de atrair mais público, criaram uma nova interface com a sociedade. A idéia de museu passou a estabelecer interseção com o universo do entretenimento.

Localizada dentro do Jardin des Plantes no centro de Paris, a Grande Galeria da Evolução é hoje, junto com o Museu de História Natural de Londres e o de Nova York, uma mostra de como os museus de história natural vêm sofrendo modificações para atrair cada vez mais público. Luz e cenografia também fazem parte dessa estratégia.

A Grande Galeria está instalada em um prédio de 1889, tombado pelo patrimônio histórico francês. A área total da edificação é de 10.000 m2 sendo 6.000 m2 de exposições permanentes, divididos em salas e balcões ao redor de uma grande nave com uma clarabóia de 1000 m2 e o pé-direito de cerca de 30 metros. A nave permite uma rápida compreensão do espaço da exposição, o que facilita a localização do visitante e o planejamento de sua visita. A clarabóia, originalmente a fonte de luz natural da exposição, que não contava com sistema de iluminação, é hoje opaca e iluminada internamente com uma luz azulada. Nela estão instalados refletores de diversos tipos voltados para a área da exposição. O projeto de iluminação ressalta a arquitetura original do interior do prédio e tem papel fundamental tanto na ambientação quanto nos destaques do acervo. Na parede junto aos elevadores foi instalado um enorme backlight com 25 metros de altura por 60 metros de comprimento, acompanhando a nave em seu sentido longitudinal.

A exposição permanente que fala da evolução da vida no planeta foi montada como uma peça de teatro. Divide-se pelo espaço da galeria em três atos – Diversidade do mundo vivente, Evolução da vida e O Homem e o meio ambiente – que buscam emocionar e provocar a reflexão do público através de dispositivos museográficos, vídeos e efeitos de luz e som. Os atos são integrados a arquitetura do prédio, com percursos livres nos grandes espaços e induzidos nos balcões e salas menores. Toda a área de exposição atende a um conceito de imersão, como uma caixa cênica, onde o visitante é isolado da luz natural e passa a observar os objetos dentro de um ambiente climatizado, com iluminação controlada que destaca áreas e objetos. A iluminação pode influenciar a cognição e o comportamento das pessoas e, assim, criar uma exposição tão grande em que a luz natural não está presente pode provocar um desgaste ao visitante. Assim, a luz de caráter cênico está muito bem dosada na galeria, causa impacto e propicia uma concentração produtiva para se entender o conteúdo do acervo. A existência de áreas de descanso com luz natural e uma iluminação mais suave é fundamental para este bom resultado.

O primeiro ato, Diversidade do mundo vivente, dá início à exposição no nível da entrada do visitante e nele é representado o começo da vida nos mares e sua diversidade e, por isso, essa área tem uma iluminação geral baixa, com alguns objetos pontualmente bem iluminados. Os tons de azul predominam e o néon é bastante utilizado. Ainda nesse primeiro nível chama a atenção uma instalação que simula a vida de pequenos organismos que vivem entre grãos de areia. O visitante atravessa uma espécie de cabine com gigantescos grãos de areia e se depara com modelos ampliados dos organismos que habitam esse tipo de ambiente – tudo ao som de ondas do mar quebrando na areia. A solução foi excelente para explicar como vivem tais organismos, já que não é possível observá-los a olho nu. A instalação foi montada por cenógrafos de uma companhia de teatro francesa.

No nível seguinte, o primeiro ato segue apresentando os animais terrestres, divididos em cinco áreas para cinco temas, que versam sobre as Florestas Tropicais, a Savana Africana, Fauna e Flora da França, Ártico e Antártica e o Deserto do Saara. O destaque deste espaço é a polêmica procissão de animais de diversas espécies da Savana Africana colocados lado a lado. Os curadores da exposição frisam que o importante para eles é antes salientar a grande diversidade que promover a observação simulando a forma natural. A solução cenográfica ou desnaturalizada acabou se tornando a marca da Grande Galeria.

O Homem e o meio ambiente, que constitui outro ato, ocupa o balcão no nível seguinte. Com o uso de maquetes, textos e fotos em backlight, entre outros dispositivos, a exposição conta a evolução da paisagem, dos transportes, da poluição no planeta etc. e outros assuntos ligados ao tema. Tanto vitrines quanto objetos sobre bases de madeira são muito bem iluminados por fibras óticas e pequenos refletores com filtros para proteger o acervo. Em geral, os objetos estão iluminados por três fontes – uma luz de frente, uma de pino e uma de contra, evitando a formação de sombras fortes que prejudicariam a compreensão dos objetos. Em anexo ao balcão está a sala que expõe espécies raras e extintas, onde o ambiente é fortemente controlado pelos curadores e técnicos que cuidam do acervo.

Medidores instalados na sala informam os níveis de umidade e quantidade de luz a que o acervo está exposto. Tudo aparece em gráficos nos computadores, nas salas dos responsáveis pela exposição, ligados em rede. As vitrines desta sala, na maioria centenárias, são iluminadas através de um sistema de fibras óticas ligadas a pequenos geradores. As fibras não transmitem raios UV (ultravioletas), que são extremamente danosos ao acervo, principalmente ao orgânico. O acervo constituído de peles, couros e peças de história natural é muito sensível e admite uma radiação máxima de 50 lux. A fotoquímica é um processo de deterioração cumulativa sujeito à quantidade de horas e à intensidade em que um determinado objeto está exposto à luz.

A Evolução da vida, que ocupa o quarto e último nível, está montada nos mesmos moldes da exposição do Homem e o meio ambiente, seguindo as mesmas concepções museográfica e de iluminação.

Uma das grandes atrações é o show de luz e som que acontece uma vez por dia na nave central. Durante aproximadamente uma hora tem-se a sensação de que se passou um dia inteiro – tudo acompanhado por uma trilha sonora feita especialmente para este fim. As várias luminosidades que acontecem durante um dia são reproduzidas sobre a exposição da diversidade dos animais terrestres. A iluminação e o som são controlados por uma central de audiovisual que conta com mesas de luz e de som. Essa central também trabalha na finalização de filmes científicos que são exibidos dentro e fora do museu.

A exposição de pré-figuração, um marco na história do museu

A Grande Galeria da Evolução do Museu de História Natural de Paris foi inaugurada em 1889 como Grande Galeria de Zoologia, enfrentou problemas que culminaram em 1965 no fechamento para visitação do público. Em 1987, o governo francês lançou um concurso internacional de arquitetura com o intuito de reformar o espaço e modificar a exposição. A equipe vencedora foi liderada pelos arquitetos Paul Chemetov e Borja Huidobra e pelo diretor de teatro René Allio.

Em 1988, o corpo técnico do museu, juntamente com os vencedores do concurso, criaram uma exposição de pré-figuração para estudar vários aspectos pedagógicos, museográficos, espaciais e de iluminação. Essa exposição foi fundamental para buscar a melhor maneira de comunicar a mensagem do museu aos visitantes. Nela os vários assuntos foram apresentados em diversos suportes como vídeos, painéis e maquetes para uma posterior avaliação de qual deles seria o mais adequado para transmitir as informações científicas. Em 1994, o museu foi reaberto ao público com uma nova exposição montada com base nos resultados apurados, colocando, assim, em prática, os conceitos desenvolvidos na exposição de pré-figuração.

Quase dez anos depois, a questão da cultura como entretenimento, o papel dos museus e sua função pedagógica estão em pleno debate. As experiências internacionais merecem ser discutidas e podem ser bons exemplos para os museus brasileiros.

nota

1
A base deste texto foi publicada com o título “Um museu teatral” na revista Luz & Cena, nº 56. Rio de Janeiro, dez. 2003.

sobre o autor

Marcello Magdaleno é arquiteto formado em 1995 pela UFRJ. Atuou como colaborador no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro e participou de equipe do Escritório Técnico Científico responsável pelo projeto de revitalização do Museu Nacional, financiado pelo CNPq

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