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arquitextos ISSN 1809-6298


sinopses

português
Segre aponta para projetos urbanos que ainda apostam na convivência urbana e nos espaços públicos de cidades como Buenos Aires, Córdoba, Bogotá, Montevidéu, Caracas e Santiago do Chile

english
Roberto Segre shows urban projects that are still willing to invest in public space in cities like Buenos Aires, Bogotá, Montevideo, Caracas and Santiago de Chile

español
Roberto Segre eseña proyectos que aun apuestan por el espacio público y convivencia urbana en ciudades como Buenos Aires, Bogotá, Montevideo, Caracas y Santiago de Chile


como citar

SEGRE, Roberto. Espaço público e democracia: experiências recentes nas cidades de América Hispânica. Arquitextos, São Paulo, ano 05, n. 060.04, Vitruvius, maio 2005 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/05.060/461>.

Espaço real ou cyberespaço urbano?

Centros urbanos e espaços públicos constituíram duas questões essenciais nas agendas urbanísticas dos anos oitenta e noventa. Estes, assumidos como o âmbito da sociabilidade, da expressão política e cultural e como o lugar de condensação da identidade da cidade; ficaram inseridos nas políticas orientadas para a melhoria da qualidade ambiental das cidades com relação às atividades dos habitantes, dos fluxos turísticos, revertendo assim as deformações provocadas pelos investimentos imobiliários. Neste contexto, os valores patrimoniais dos centros urbanos obtiveram uma significativa importância. Atualmente, as intervenções concretizadas no âmbito europeu definem uma progressiva revitalização dos espaços da centralidade; na América Latina, políticas semelhantes não tiveram conseqüências parecidas, como demonstrei em diversos ensaios escritos ao longo de três décadas (1). Afirmação ratificada em recentes encontros (2003) acontecidos na Europa e nos Estados Unidos: o seminário sobre “Les ciutats (in) visibles” no Centro Cultural da Cidade de Barcelona (CCCB) e a conferência internacional na Harvard Graduate School of Design sobre o tema “Import/Export. Latin American Urbanities” (2).

Este debate intensificou-se quando as contradições presentes na cidade com o processo gerado pela globalização e o neoliberalismo geraram a privatização dos espaços públicos – o “assalto ao público”, parafraseando Gustavo Remedi (3) –, e produziu uma reação contra a especulação econômica e latifundiária que negava o valor da cidade como um bem cultural, e os espaços públicos como os locais da sociabilidade democrática, do convívio e do intercâmbio social. Nos anos 90, inúmeros projetos urbanos foram propostos no Brasil e na América Latina para recuperar e criar espaços públicos, inspirados na experiência de Barcelona, cidade que apostou na elaboração de um sistema urbano, apoiado não apenas no resgate das praças e parques existentes, mas também na transformação dos vazios dos espaços intersticiais e residuais – por exemplo, o recente Fórum (4) –, em áreas multifuncionais apropriadas ao uso coletivo da população. A cidade catalã, que surgiu após estas intervenções foi identificada não só pelo caráter social e comunitário do seu sistema de espaços públicos freqüentados pelos cidadãos catalães, mas também pelos inúmeros turistas atraídos, entre outros fatores, pelas possibilidades de convívio social oferecida pelo sistema de novos setores urbanos dedicados à cultura e ao lazer (5).

O lugar público deve ser concebido como um espaço urbano acessível onde se produz o encontro da diversidade. Neste sentido, é um reflexo direto da essência da cidade – segundo Colin Rowe, geradora do domínio público (6) –, que provém da presença e coexistência de uma multiplicidade de pessoas, ofícios, comunidades e culturas que se complementam mutuamente. Por isto, a qualidade urbana de uma cidade é avaliada a partir do significado e da riqueza dos lugares públicos que a compõem. Na cidade contemporânea, não aparece aquela presença evidente dos lugares públicos que forneciam à cidade tradicional aquela expressão identificadora – na América Latina, a Praça Maior (7), ou as esquinas urbanas (8) –, que se convertiam em um cosmos habitado pela coletividade. Por outra lado, a noção de espaço público não pode ser só restrita à operações cenográficas sobre ruas, praças e parques. Na nova interpretação da “esfera pública”, a ênfase deve concentrar-se na “dimensão política da vida social” que caracteriza o “espaço público” metropolitano em seu caráter de território de mediação entre sociedade e estado, porque é ali que se transformam em públicas as expressões políticas da cidadania segundo as diferentes formas de associação e conflito (9).

Refletir sobre o espaço público obriga a pensar o espaço como recurso, como produto, como prática e como significado (sensual, social, político, simbólico). Ou seja, a apropriação e utilização particular do espaço, tanto em nível material como simbólico (10), como a transformação dos espaços existentes e a produção de espaços inéditos (11), tem que se identificar com diferentes projetos culturais “emergentes” ou contraditórios (12). O mais preocupante em relação ao “assalto ao público ou privatização” não é a apropriação pessoal do público – o que seria uma forma de socialização –, mas o esvaziamento e deterioração do espaço social, ou seja, o desaparecimento de um conjunto de formas e funções que favoreciam o relacionamento social e a vida democrática, que ameaçam sumir com os repressivos controles originados na guerra ao terrorismo internacional (13). Citemos alguns dos fatores que incideram na perda do valor atual do espaço público: a) tendência á fratura urbana; b) intervenções “super-modernas” na cidade; c) a sub-urbanização como fuga do centro ou modernização disfarçada; d) a presença do carro e das vias de circulação rápida; e) consolidação do “bairro-mundo” ou “casa-mundo”, definidos pela concepção classista e individualista do mundo; f) esvaziamento, abandono e deterioração das infraestruturas e dos espaços públicos tradicionais; g) o surgimento de “meta-espaços” públicos que substituem as atividades tradicionais dos espaços públicos reais (supermercados, templos religiosos, shoppings, etc.).

Esta negação do tradicional espaço público urbano não acontece somente na prática mas é baseada nas recentes formulações teóricas. Rem Koolhaas, ao afirmar “que a rua é morta; que os pedestres estão nos canais e fluxos, e que as tipologias dominantes são o arranha-céu e o shopping” (14), está substituindo a cidade histórica pela nova configuração aberta, intermitente e arbitrária das galáxias ou arquipélagos urbanos, identificados pelos sistemas viários e pelos mega-prédios ou bigness, onde se desenvolve a vida social. A cidade é uma miragem, um espetáculo teatral, uma ilusão, constantemente cambiante: neste sentido tinham razão nos anos sessenta Marshall McLuhan (15) e Robert Venturi (16), ao falar tanto da virtualidade das mensagens visuais como das “falsas” imagens arquitetônicas de Las Vegas, que continuam atuais nas transposições constantes dos espaços urbanos. Em Nova York, o arquiteto John Herde se especializou em criar gigantescos shoppings no subúrbio com simulacros das principais ruas e avenidas de Manhattan (17). Mas, ao mesmo tempo, a perda da coesão social física gerada pelas comunicações virtuais e o predomínio do cyberespaço (18) acessível desde a moradia individual – a TV como instrumento de interação e de voyeurismo entre as pessoas, nos reality shows, no The Apprentice de Donald Trump, e no filme Truman´s Show (19) –, esvaziara os espaços comerciais, que são hoje os núcleos que aglutinam a vida urbana. Segundo Rem Koolhaas, no ano de 2010 55% dos compradores em Estados Unidos vão adquirir as mercadorias por sistemas virtuais (20). Se a tendência atual do sistema capitalista é a dissociação e a alienação, desaparecendo com a dinâmica social gerada pela multidão (21), não é por acaso que Spencer Tunick reuniu e fotografou nas diferentes cidades do mundo milhares de corpos nus dóceis e vulneráveis, como um retorno ao essencial da vida humana na cidade que é a congregação dos indivíduos nas atividades sociais (22).

O estudo do espaço público no seu processo de conformação histórica é necessário para compreender as mudanças ocorridas nas significações, funções e usos que determinaram a existência das diferentes centralidades nas cidades da América Latina que ainda não foram destruídas pelas novas tendências desagregadoras da vida urbana. Com exceção das grandes metrópoles, que segundo Carlos Fuentes são o “espelho de Europa” (23), a persistência da tradição histórica e a multi-culturalidade da população urbana além da mistura de funções nas áreas centrais (24) mantém vivo o dinamismo social dos espaços cotidianos. Neste sentido, para obter uma cidade mais habitável para os seus cidadãos é necessária a reorganização real e simbólica dos seus espaços como expressão de uma forma diferente de vivê-la, de relacionar-se e de pensá-la, baseada na emergência de uma nova estética ou forma de se relacionar com o mundo. Ou seja, definir um espaço público concebido como elemento promotor da socialização e das articulações pessoais criando as possibilidades da “imaginação do mundo” no contexto urbano (25).

Gardel redivivo no porto de Buenos Aires

Carlos Gardel e o porto são os dois ícones de Buenos Aires que se identificam com o tango e a denominação de porteños aos habitantes da cidade. Eles estabelecem o cordão umbilical com a Europa, tanto na viagem marítima da chegada ao país – Borges falava que os argentinos provêm dos barcos –, como na triste metáfora do abandono, contida no tango Volver. Daí que o resgate e a re-funcionalização dos antigos armazéns de Puerto Madero, situados ao longo do centro da cidade, foi uma benéfica operação de reafirmação da continuidade e valorização do espaço público na malha tradicional. Esta iniciativa foi promovida pelo governo do presidente Menem, à procura de uma renovação urbana associada às políticas de rentabilidade econômica, de marketing e da concorrência entre as cidades “mundiais”. Constituiu o maior empreendimento de intervenção na cidade de América Latina – com um investimento público e privado de aproximadamente 2000 milhões de dólares provenientes do Estado e do sistema financeiro internacional (Soros, Eurnekián, Chab-Terrab) –, identificado com o “modelo Barcelona” (26) e com as iniciativas portuárias inglesas desenvolvidas em Liverpool e nos Dockland de Londres.

A ocupação da estrutura linear de 25 quarteirões formada pelos armazéns construídos em tijolos e estrutura metálica – pertencentes à functional tradition industrial do século XIX –, por escritórios, restaurantes, universidades, centros de lazer e cultura e lofts residenciais foram acompanhados pela construção de novas torres empresariais – duas construídas pelo arquiteto César Pelli (torre República e Bank of Boston); a Telecom, por John, Pedersen & Fox; e o edifício Malecón de HOK International –, hotéis, torres de apartamentos e a reciclagem de silos, também adaptados para moradias de luxo – um deles desenhado por Philippe Starck –, distribuídos nos terrenos livres existentes numa superfície de 175 Ha. O museu Fortabat de Rafael Viñoly e a ponte de pedestres de Santiago Calatrava completaram a sua identificação publicitária e cenográfica, apoiadas nas obras dos profissionais do star system internacional. O caráter sofisticado e elitista do conjunto coincidiu com o sonho utópico de Menem, que declarou que Argentina já pertencia ao Primeiro Mundo e fez votar no Congresso uma lei atrelando obrigatoriamente o dólar ao peso, num artifício especulativo que teve como posterior conseqüência o maior naufrágio social e econômico na história do país.

Segundo Jorge Moscato, esta intervenção exclusiva e gentrificada, foi benéfica para a cidade. Primeiro, porque possibilitou que as corporações internacionais e a camada mais rica da população não abandonassem a cidade tradicional, evitando assim a sua decadência com a criação das novas centralidades comerciais e financeiras no subúrbio distante. Segundo, porque reverteu o processo de privatização da costa de Buenos Aires que esteve em andamento com o governo de Menem (27), reafirmando a existência de uma faixa de espaços públicos que unem os contrapostos bairros das zonas sul e norte na frente do rio, único pulmão paisagístico da cidade, separado dela pelas abandonadas estruturas portuárias. Além disso, nos anos setenta, a ditadura militar criou uma ilha artificial na frente da Costanera Sur, com a proposta de especular com estes terrenos destinados a conter um centro de negócios. Hoje constitui a Reserva Ecológica, um gigantesco espaço verde ainda selvagem.

A política de valorização da costa do rio de la Plata, ao longo da Capital Federal e do Grande Buenos Aires, foi um dos principais objetivos do Plan Urbano Ambiental (1998) do governo da cidade, concretizado nas intervenções da Prefeitura em novos parques, áreas de lazer, mobiliário urbano e infra-estruturas esportivas (28). Por último, foi também importante a participação dos melhores escritórios de profissionais argentinos nos projetos realizados – Baudizzone, Lestard, Varas; Dujovne & Hirsch; Juan Carlos López; Manteola, Sánchez Gómez, Santos, Solsona; Hampton & Rivoira; Mario Roberto Alvarez, e outros –, que garantiram a qualidade arquitetônica e urbanística do conjunto.

Córdoba: modernidade e centro histórico

Aos inícios dos anos oitenta existia um descontrole sobre as iniciativas privadas no centro da cidade – naquele momento com um milhão de habitantes –, caracterizado pelas atividades comerciais e a intensa circulação de veículos que ameaçavam a subsistência dos monumentos do período colonial. Quando Miguel Angel Roca assumiu o cargo de secretário de obras públicas da prefeitura, elaborou um programa de resgate do centro histórico. Posteriormente, na década de noventa, fez a proposta de descentralização do sistema administrativo local e desenhou nos diferentes bairros periféricos os Centros de Participação Comunitária (CPC), com prédios de uma forte expressão formal, antagônicos com a cinzenta arquitetura dos bairros, e imaginados como novos centros da vida social e cultural da comunidade urbana. Discípulo do arquiteto americano Louis Kahn, assimilou dele a disciplina da rigorosa composição geométrica dos prédios, além da importância atribuída à rua como espaço de encontro social dos habitantes (29). Os princípios essenciais foram: considerar o arquiteto como um ativista cultural e promotor da valorização do espaço urbano para os pedestres; procurar a qualidade ambiental das ruas, avenidas e praças que enquadram os monumentos históricos; imaginar o centro da polis como um espaço democrático, multifuncional, assumido como “catedral urbana” e apoiar a reabilitação dos edifícios históricos para as novas funções da modernidade.

A proposta desenvolvida foi anterior à difusão do modelo “Barcelona” na América Latina – Roca assumiu a “reconstrução crítica da cidade de Berlim”, realizada por Josef Kleihues na IBA (1979-1987) (30) –, e procurou articular um desenho “moderno” com a identidade urbana e arquitetônica do centro histórico. Ao refazer as calçadas na frente da Catedral e do Cabildo na Praça de Armas, projetou no piso as linhas principais que definem os contornos de cada prédio para obter uma dupla leitura deles a partir da planta e da elevação, tema repetido em todos os monumentos cívicos e religiosos da área central. Porém, a contribuição principal de Roca foi o desenho do mobiliário urbano ao longo das ruas dos pedestres que configuram o núcleo comercial. A diversidade de elementos propostos – bancos, pérgulas, luminárias – definiram um land mosaics (31) mudando as características dos espaços das diferentes ruas, transformadas no verão, com o sistema verde de trepadeiras sobre as pérgulas, num salão urbano em sombra protegido do sol e do calor, misturando as atividades populares cotidianas com a elegância das boutiques (32).

Contrapondo-se às metáforas das cidades “invisíveis” de Ítalo Calvino, a criação da cidade “visível” real significa a multiplicação do “efeito” urbano, possível de se concretizar com a participação da iniciativa privada, acompanhando o programa da prefeitura, num agenciamento coletivo gerador do discurso fractal de dobras urbanas. Isto aconteceu quando os donos das lojas renovaram os prédios ou construíram novos locais. Em contraposição à malha “cartesiana” das ruas tradicionais, criaram sistemas de pequenas lojas distribuídas ao longo de galerias a céu aberto – lembrança das galleries do século XIX em Paris – com um traçado livre no interior dos quarteirões que permitiu um percurso alternativo na cidade, com a irregularidade da casbah islâmica. Ou seja, foi multiplicado o espaço público, neste caso situado nos terrenos privados, que enriqueceu a vida social urbana, negada nas grandes cidades pela proliferação dos shoppings fechados e introvertidos.

Espaços democráticos na cidade de Montevidéu

Uruguai, país de aproximadamente três milhões de habitantes, concentra em Montevidéu mais da metade da população, e apresenta um índice de urbanização do 90%. Isto significa que neste início do século XXI, o conceito “fechado” de cidade vem sendo substituído pela visão mais ampla do “território urbanizado” na escala do país (33). Esta pequena nação, considerada nos anos cinqüenta a “Suíça da América”, tinha uma população de alto nível educacional e cultural, e uma coerência social definida pelo predomínio da classe média. Nos anos setenta, a ditadura militar provocou uma crise econômica que gerou uma forte emigração e uma violenta queda no nível de vida dos habitantes. Com o retorno à democracia nos anos oitenta, os governos neoliberais pretenderam que o Uruguai se convertesse no centro financeiro do Continente, sediando em Montevidéu a representação permanente do Mercosul. A rejeição a esta política, combatida pelas forças populares de esquerda aglutinadas no partido Frente Amplio se impôs, primeiro na prefeitura de Montevidéu – em 1990 foi votado o Dr. Tabaré Vázquez, e em 1995, até agora, ao longo de dois mandatos, o arquiteto Mariano Arana –, e finalmente, em novembro do 2004, com a nomeação de Tabaré Vázquez para a presidência da República.

Esta trajetória política marcou as intervenções na cidade de Montevidéu, caracterizadas por iniciativas de conteúdo social alheias aos grandes investimentos externos e à criação de centros sofisticados de consumo ou de lazer. Foram banidas as propostas dos anos cinqüenta que pretendiam apagar a malha tradicional do centro histórico e substituí-la por altos blocos de escritórios, hotéis e moradias de luxo (34). Com a criação do Plano Estratégico da Cidade (1993) e a congregação da cidadania para participar nos programas da prefeitura no “Acuerdo Ciudadano para el Desarrollo de Montevideo”, se estabeleceram os principais objetivos a concretizar: a) melhorar as condições de vida e as infraestruturas de serviços públicos das camadas pobres; b) resgatar a identidade perdida e a qualidade dos espaços públicos das áreas suburbanas; c) articular a expansão da cidade “compacta” com o território regional e rural; d) densificar a malha urbana; e) valorizar a extensão dos assentamentos ao longo da costa do Río de la Plata e a sua significação como área de lazer e turismo; f) expandir os espaços públicos e as áreas verdes; g) recuperar os prédios deteriorados dos bairros tradicionais e particularmente do centro histórico (Ciudad Vieja) (35).

Alguns dos principais projetos realizados no centro da cidade foram a revitalização da Avenida 18 de Julio; o novo desenho da Praça Independência, com um piso em quadrícula que preanuncia a entrada na “Cidade Velha”; a imagem contemporânea da Praça 1o. de Maio – na frente do Palácio Legislativo –, adequada às concentrações políticas. Particular importância outorgou-se ao centro histórico e as infraestruturas portuárias, com a criação de uma área de pedestres em volta da Alfândega e do Mercado do Porto, importante núcleo de convívio social. Com a ajuda da Junta de Andalucía da Espanha está em desenvolvimento um ambicioso programa de recuperação das casas abandonadas na Cidade Velha e no popular bairro Sur (Réus), – conjuntos habitacionais especulativos surgidos no final do século XIX –, executado com o trabalho dos operários reunidos em cooperativas de ajuda mútua, que tem como objetivo a criação de moradias populares (36). A perspectiva futura da expansão urbana se orienta em direção oeste, contornando a profunda baía até a Fortaleza do Cerro, sítio militar simbólico do período colonial, com uma maravilhosa vista para a cidade. Como acentuação desta vontade urbanística, aos pés do Cerro foi colocado o emotivo e ascético Memorial de los Desaparecidos (2000), elaborado pelos jovens arquitetos Marta Kohen e Rubén Otero, em lembrança das vítimas da ditadura militar.

O povo nas ruas de Santiago de Chile

Quem teve a emotiva experiência de participar da euforia popular no curto governo de Salvador Allende, lembra-se da intensa presença do povo nos espaços públicos da cidade; alguns deles equipados com novas infra-estruturas culturais e de lazer: por exemplo, o parque O´Higgins, inaugurado em 1972. Quando o Chile organizou a Terceira Conferência Mundial de Desenvolvimento e Comércio das Nações Unidas (UNCTAD III), foi construída no centro da cidade uma torre de escritórios com um embasamento para as atividades culturais – o edifício Gabriela Mistral –, que se transformou no ícone urbano do governo socialista. Finalizado o evento, constituiu um centro de encontro popular dos jovens e estudantes, congregados por exposições, eventos musicais, teatrais e culturais (37). Quando o general Pinochet destruiu o palácio presidencial La Moneda – onde morreu Allende –, instalou o governo da ditadura neste prédio que nomeou Diego Portales (criador do sistema repressivo policial), o isolou com um muro e fechou o acesso ao público. Acabou também a dinâmica social da vida urbana no centro da cidade deslocada para os bairros da elite burguesa: Ñuñoa, Las Condes. Aqui surgiram, a partir dos anos setenta, as torres de escritórios de aço e vidro – o World Trade Center (1995) –; as luxuosas lojas nos malls; e os shoppings, nas ruas Providencia, Vitacura, Pedro de Valdivia etc, assumindo os modelos internacionais do sistema comercial e financeiro globalizado. Com a concentração de sofisticadas torres elaboradas por arquitetos locais de prestígio – Borja Huidobro, J. Echenique, E. Browne, J. Sabbag – o espaço público foi qualificado com novas calçadas, parques, praças e estacionamentos subterrâneos. Entre os mais recentes citemos a inserção de obras de arte na avenida Vitacura – de Jorge Figueroa e Paola Durruty (2001) – e o elaborado paisagismo da praça Perú no bairro Las Condes de Sami de Mizrahi Dinar (2002).

Finalizada a ditadura, o centro da cidade voltou a assumir a vitalidade identificada com a presença da multidão nas ruas e a multiplicação do comércio informal. Foi definido um sistema para os pedestres com um desenho contemporâneo do mobiliário urbano e se desenvolveu o resgate e reciclagem de prédios históricos. Na malha do período colonial se articulam dois eixos definidos pelos principais espaços de significação simbólica: um que conecta a praça da Constituição na frente do palácio presidencial; a praça de Armas com a Catedral, o Correio e a Prefeitura; e outro perpendicular em direção ao centro cultural da estação ferroviária Mapocho. Com a restauração do palácio de LaMoneda, foi redesenhada a praça que anteriormente era utilizada como estacionamento de carros. Os arquitetos Undurraga e Deves criaram uma circulação diagonal que permitiu uma percepção dinâmica contraposta à monumentalidade simétrica do palácio. Os arquitetos Rodrigo Pérez de Arce, Sebastián Bianchi, Álvaro Salas e Leonor Caamaño elaboraram uma refinada solução paisagística da praça de Armas dividida em áreas funcionais, com uma distribuição da vegetação que facilitou a valorização perceptiva dos monumentos e uma integração homogênea das calçadas com o nível da rua, somente diferenciados pelo tratamento texturado dos pisos. Por último, o conjunto do Mercado Central e a estação Mapocho definiram um núcleo gastronômico e cultural de grande movimentação popular gerada pelos eventos que são organizados no grande espaço livre da estação ferroviária (38).

Bogotá: estética e solidariedade

Num país dominado pela violência de uma guerra civil que se prolonga por mais de meio século, a cidade de Bogotá, hoje com mais de seis milhões e meio de habitantes, apesar de viver momentos pontuais dramáticos – a revolta popular do Bogotazo (1948) em conseqüência do assassinato do líder político Jorge Eliecer Gaitán; o bombardeio pelo exército do Palácio de Justiça na Praça Bolívar (1985), matando os juízes reféns e os guerrilheiros do M-19 –; caracterizou-se por uma articulação de planos urbanísticos e pelo alto nível estético da construção civil. A Cidade Universitária, projetada em 1936 pelo arquiteto alemão Leopoldo Rother, foi o principal estopim do desenvolvimento da arquitetura moderna – na imagem das “caixas brancas” –, que assumiu nos anos cinqüenta uma expressão regionalista local com a utilização generalizada do tijolo a vista nas obras dos mestres Carlos Martinez e Rogelio Salmona. As propostas urbanísticas elaboradas no início da primeira metade do século por Le Corbusier, Paul Lester Wiener e José Luis Sert, foram parcialmente aplicadas, particularmente no ordenamento do sistema viário. Mas até os anos noventa, a dinâmica do crescimento urbano se desenvolveu sobre a base do planejamento tecnocrático, com o descontrole dos assentamentos periféricos espontâneos, a construção de grandes conjuntos habitacionais, a desordem do transporte público, a carência de áreas verdes e a aplicação dos modelos metropolitanos, como aconteceu nas torres de escritórios do Centro Administrativo Nacional (39).

Na última década do século passado, as iniciativas promovidas pelo prefeito Enrique Peñalosa Londoño para o resgate e qualificação do espaço público de Bogotá – que afortunadamente continuaram até hoje (2004) nas gestões dos seus sucessores – mudaram radicalmente a imagem urbanística da cidade. Com a criação do Distrito Capital na nova Constituição de 1991 e a elaboração do “Plan de Ordenamiento Territorial 2001-2010”, os novos planos propondo a organização de cinco novas centralidades distritais, geraram projetos urbanos que concretizariam estes objetivos: priorização e organização do transporte público; criação de infraestruturas técnicas para as áreas suburbanas e bairros com população de recursos precários; inserção de novos equipamentos culturais; a definição de um sistema verde na escala distrital e do bairro, reintegrando o pedestre à vida urbana e a revitalização do esvaziado centro tradicional (40). Intervenções desenvolvidas em diferentes escalas, que foram sempre assinadas por profissionais de prestígio para garantir a qualidade estética das obras.

A transcrição do modelo de Curitiba na organização dos eixos viários prioritários para o transporte público – o “Transmilênio” –, foi um dos principais fatores do sucesso obtido na ordenação funcional e formal da cidade; dominada por um sistema caduco de velhos ônibus e vans privadas que transformavam a vida cotidiana dos cidadãos em um caos. A extensão das linhas até distritos periféricos distantes, a eficiência funcional e a alta qualidade do desenho dos ônibus e dos pontos fixos – estações desenhadas por Javier Vera, Fernando Leon Toro Vallejo e Gabriel Jaime Giraldo Giraldo –, facilitaram a imediata participação entusiasta de população e incidiram na diminuição dos carros privados nas ruas. O sistema de parques e praças – aproximadamente 900 desenhados, recuperados e nomeados “parques para aprender a vivir” –, abrangeu a escala de parque metropolitano – Simón Bolívar, El Tunal, San Cristóbal –; a criação de eixos verdes com ciclovias – Alameda Santa Fé, de 80 km de extensão ao longo de vários bairros; Alameda El Porvenir de 17 Km de Felipe González, Pacheco Mejía, Juan Ignácio Muñoz Tamayo –; a criação de espaços públicos verdes em áreas deprimidas – La Aurora II de Giancarlo Mazzanti, Rafael Esguerra Cleves, Carlos Hernández Correa (41) –; e as praças “secas” no centro da cidade: a praça San Victorino elaborada pelo Taller del Espacio Público de Lorenzo Castro Jaramillo e o mobiliário urbano da Avenida Jiménez de Quesada, de Rogelio Salmona e Luis Kopec.

Por último, a criação de uma rede de bibliotecas públicas – algumas delas situadas em bairros populares –, obteve um grande sucesso pela intensa afluência de público, em particular dos jovens. As principais, elaboradas pelos melhores arquitetos locais são: a Virgilio Barco de Rogelio Salmona; El Tunal de Manuel Antonio Guerrero, Suely Vargas, Márcia W. de Vargas; El Tintal, de Manuel Bermúdez. A experiência de Bogotá é um modelo significativo na América Latina, não somente pela qualidade estética dos projetos, mas principalmente pela luta desenvolvida para multiplicar os ambientes públicos de convívio, tanto nas áreas “nobres” como no distante subúrbio pobre, no difícil equilíbrio econômico do sistema neoliberal, contrapondo-se à segregação espacial e social da cidade que impõem a especulação e os interesses do grande capital financeiro e das elites locais.

Caracas: uma cidade em conflito

A cidade é o espelho da vida econômica, social, política e cultural da comunidade que a habita. Como as suas estruturas físicas e espaciais se conformam ao longo do processo histórico, elas mudam de valor e de significado em coincidência com a dinâmica da vida social. Caracas é o reflexo das profundas tensões e contradições que caracterizaram a história de Venezuela. Quase três séculos de adormecida economia colonial mantiveram a coerência da malha regular hispânica até finais do século XIX. Nas primeiras décadas da República, se integraram às novas estruturas acadêmicas com uma concepção do espaço democrático, presente nos prédios da área próxima da praça Bolívar: os principais são o Capitólio e a primeira sede da Universidade. Posteriormente, Carlos Raúl Villanueva inseriu no centro um conjunto habitacional moderno – El Silencio (1942) –, mantendo a diversidade e a dinâmica das funções populares cotidianas. Com a descoberta do petróleo, o país passou a viver da exploração deste recurso natural, quase abandonando a dinâmica produtiva, agrícola e industrial. Os infinitos recursos permitiram construir rodovias urbanas de alta velocidade e gigantescas torres – o conjunto Parque Central (1979) –; ou tentar eliminar os assentamentos precários nas colinas que envolviam o vale de Caracas, com inúmeros blocos habitacionais (1952), também desenhados por Carlos Raúl Villanueva (42). A cidade, dividida entre os bairros “formais” ricos da zona este e os pobres na zona oeste – com a metade da população pobre morando nos cerros – gerava uma paisagem segregada e quase inabitável, dominada pela presença invasora do carro individual.

Entre os anos setenta e oitenta diversas iniciativas urbanísticas tentaram resgatar a “humanidade” urbana e a integração espacial e social perdida. A criação do Metrô ao longo da vale de Caracas permitiu valorizar o transporte público – apresentava uma alta qualidade de desenho, elaborado sob a direção de Max Pedemonte – e integrar os grupos sociais diferenciados que circulavam nele. As estações se transformaram em elementos de revitalização urbana criando áreas para os pedestres, em particular no centro da cidade. A segunda iniciativa importante foi o projeto de Carlos Gómez de Llarena para preencher o vazio da Avenida Bolívar e configurar um eixo de espaços públicos – o parque Vargas –, com prédios culturais que articulavam o centro tradicional – identificado com o Palácio de Justiça – com a expansão em direção este nas áreas das classes abastadas. Ao mesmo tempo no assentamento precário de San Agustín, próximo ao Parque Central, se tentou estabelecer um centro de serviços – La Franja de Manuel Delgado (1989) –, que não foi assimilado pelos habitantes. Intervenções que dilatavam o espaço público e propugnam o fim da segregação social e espacial (43).

Vários críticos de arquitetura – Segre, Gómez, Posani, Niño, Hernández de Lasala –apostaram no sucesso destes projetos. Porém, evidentemente, teve uma visão mais realista o urbanista Martín Frechilla (44), que observava que os profundos conflitos sociais submergidos e ainda não explodidos invalidavam as propostas hipoteticamente renovadoras do desenho urbano. A ratificação desta tese foi á violência urbana do Caracazo (1989) contra as medidas econômicas do presidente Carlos Andrés Pérez. Os moradores pobres dos cerros desceram para o asfalto e vandalizaram as lojas e os shoppings da classe média (45). A partir deste momento se desencadeou uma crise política, econômica e social no país que culminou com a eleição de Hugo Chávez para presidente de Venezuela (1998). Representando no governo os interesses das classes menos favorecidas economicamente, a esperança de transformar o país com as novas leis da Constituição estabelecendo a “democracia participativa” (1999) não se concretizou em função da violenta reação da oposição. Antagonismos sociais que se manifestaram agressivamente no espaço urbano, transformando Caracas em uma cidade partida.

A classe média, fechada nos seus espaços privatizados da zona este (46) convertidos em guetos e feudos nos municípios identificados com a “oposição” – Chacao, Baruta, El Hatillo e as urbanizações de La Florida, El Paraíso, Bello Monte – criou um entorno de ação próprio, assumindo um valor icônico a praça Altamira, renomeada “praça da Liberdade”, que abrigava as manifestações políticas, posteriormente estendidas pelas rodovias até a Avenida Bolívar. Os “chavistas” ocupavam o extenso território do município Libertador na zona oeste, chegando até o centro da cidade e a Avenida Bolívar, que configurava um campo de disputa entre os dois grupos. Finalizada sem sucesso a longa greve do 2003 e com a vitória de Chávez no referendum (2004), acalmaram-se as tensões sociais e a violência cotidiana, mas poucas serão as iniciativas do governo para intervir na estrutura urbana consolidada. Sem dúvida, os interesses políticos estão dirigidos para a melhoria das condições de vida da população de baixa renda, agindo nos dilatados assentamentos espalhados pelos cerros. Quando a democracia “participativa” consiga achar o seu ponto de equilíbrio, a cidade voltará a constituir o lugar de encontro dos dissímiles membros da comunidade.

notas

1
SEGRE, Roberto. Las estructuras ambientales de América Latina. México, Siglo XXI Editores, 1977; SEGRE, Roberto. América Latina fim do milênio. Raízes e perspectivas da sua arquitetura. São Paulo, Studio Nobel, 1991; SEGRE, Roberto. “América Latina urbana. El colapso de los modelos em la crisis de la modernidad”, em Conference Book. 11th. Conference of the International Planning History Society (IPHS). Planning Models and the Culture of Cities. Barcelona, Escola Técnica Superior d´Arquitectura del Vallés (Universitat Politécnica de Catalunya), 14-17 jul. 2004, p. 57-70; SEGRE, Roberto; VÉLEZ CATRAÍN, Antonio. “Por qué hablar de modelo europeo de ciudad en América Latina?”. Revista de Occidente, n. 230-231. Madri, jul./ago. 2000, p. 11-24; SEGRE, Roberto (edit). América Latina en su arquitectura. México, UNESCO, Siglo XXI Editores, 1975.

2
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3
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sobre o autor

Roberto Segre, arquiteto e crítico de arquitetura, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro

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