Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

architexts ISSN 1809-6298


abstracts

português
Conheça artigo premiado no Prize for the Best Essay on Urban and Regional Themes by Young Authors, promovido pela Foundation for Urban and Regional Studies da Inglaterra, e que trata da relação entre as obras de Calvino e o universo urbano

english
Read the article awarded with the Prize for the Best Essay on Urban and Regional Themes by Young Authors, promoted by the Foundation for Urban and Regional Studies in UK, relating Calvino's works and the urban field

español
Lea el artículo ganador del premio Prize for the Best Essay on Urban and Regional Themes by Young Authors, promovido por la Foundation for Urban and Regional Studies en Inglaterra, que relaciona la obra de Calvino con el universo urbano


how to quote

CONCEIÇÃO, Silvio José. Cidades ‘italianas’ ou a complex(c)idade em Italo Calvino. Arquitextos, São Paulo, ano 05, n. 060.05, Vitruvius, maio 2005 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/05.060/462>.

“Estamos perdendo uma capacidade humana fundamental: a capacidade de pôr em foco visões de olhos fechados, de fazer brotar cores e formas de um alinhamento de caracteres alfabéticos negros sobre uma página branca, de pensar por imagens. Penso numa possível pedagogia da imaginação que nos habitue a controlar a própria visão interior sem sufocá-la e sem, por outro lado, deixá-la cair num confuso e passageiro fantasiar, mas permitido que as imagens se cristalizem numa forma bem definida, memorável, auto-suficiente, icástica”
Italo Calvino, Seis propostas para o próximo milênio.

Cidades ‘italianas’

Este ensaio propõe uma abordagem da cidade através da literatura de Italo Calvino, a partir das reflexões sobre a cidade presentes em sua obra. Refiro-me às possibilidades da literatura em termos de liberdade de pensamento e de sua capacidade para tratar o drama urbano como forma de contribuir com as ciências que têm a cidade por seu objeto. Neste caso, da literatura pode-se extrair mais que a interpretação e análise dos signos arquitetônicos e espaciais; é possível aprender com suas estrutura, função e linguagem. Reclamo para a ciência uma abordagem da cidade que faça dialogar as vivências urbanas e os constructos teóricos da literatura. A literatura, inspirando-se na urbanidade, interpreta os dilemas humanos em sua potência, propõe leveza e multiplicidade em sua forma, concentra pensamentos, sentimentos e ações vividos no espaço e ainda possibilita-nos a apreensão de lugares outros, expostos e propostos pela via literária. Neste sentido, Italo Calvino aprende com o ‘urbano’, constrói significados e apresenta a cidade como protagonista e ao mesmo tempo cenário, como ambiente de vivências das contradições e complexidades de seus personagens e histórias.

Conectar as Cidades Italianas com as possibilidades científicas de abordagem do espaço urbano é compreendê-las como representação de realidades que nunca serão totais, mas que se articulam através dos ‘passeios’ urbanos da literatura e de pretensões literárias da questão urbana.

O termo Cidades Italianas é uma referência ao escritor Italo-cubano Italo Calvino. Ao definí-la desta forma e não como Cidades Calvinianas ou Calvinistas, descartamos a possibilidade de serem referidas ao Calvino da Reforma Protestante. Aqui, trata-se do Calvino – Italo até no nome. Na verdade, é tanto uma homenagem ao autor, como uma referência à sua Pátria, a Itália. Outro termo aqui importante é o de Complex(c)idade, onde realço a complexidade da cidade, apresentada inclusive pelo próprio Calvino como um de seus principais símbolos e como capaz de representar a contradição e a complexidade da vida humana. Este trabalho pretende percorrer caminhos das ‘cidades da literatura’ do referido autor com olhares de um pensamento da complexidade. Estou consciente dos possíveis descaminhos, mas propomos a literatura como guia de uma também possível abordagem urbana.

Italo Calvino, no prefácio para uma edição de Ferragus discorre sobre a tarefa de Balzac ao escrever sobre Paris. Este prefácio foi lançado em seu livro Por que ler os clássicos, com o nome de A cidade-romance em Balzac:

“Transformar em romance uma cidade: representar os bairros e as ruas como personagens dotadas cada uma de um caráter em oposição às outras; evocar figuras humanas e situações como uma vegetação espontânea que germina no calçamento desta ou daquela rua ou como elementos de tão dramático contraste com elas a ponto de provocar cataclismos em cadeia; fazer com que em cada momento mutável a verdadeira protagonista seja a cidade viva” (2).

A referência de Italo Calvino às cidades está presente em parte significativa de sua obra. Literatura e ciência podem conviver de modo articulado, nos ensinando outros caminhos de apreensão e análise da cidade e do espaço urbano. A cidade em Calvino não é apenas cenário de suas fábulas, contos e ensaios, é um organismo vivo, onde a vida urbana acontece, onde ele constrói, re-significa e singulariza a cidade. Estas cidades são as de Marcovaldo, do Sr. Palomar ou as invisíveis, presentes e sentidas em sua literatura.

Abordar a cidade, como faz Italo Calvino, não é apenas função ou atividade dos literatos e poetas, visto que ele demonstra que um mesmo objeto pode ser compreendido em várias de suas vertentes, contextos e histórias. Ele não limita a cidade apenas aos aspectos físicos de suas construções, fala de personagens e vidas construídas no espaço urbano. É por este motivo que vejo os escritos Italianos com o seu lugar de destaque na literatura mundial, abrindo espaço para os teóricos, para os pensadores e profissionais que têm como ofício a cidade e o espaço urbano em sua concepção.

Através de suas cidades, é possível a criação de relações em várias vias. É possível ver cidades, passear por elas, entender e compreender sua formação, sentir seus cheiros, viajar pelos seus encantos, dilemas e problemas. Vejo em sua abordagem a alma multifacetada de um poeta que cria diálogos e situações inusitadas com seus interlocutores. Poderia ser a alma de vários outros profissionais: sociólogo, geógrafo, arquiteto, urbanista, mas é a de um ser que consegue ultrapassar os muros do conhecimento disciplinar e imprimir nas suas cidades as múltiplas possibilidades de percursos dos seus personagens, de suas tramas e ainda do ‘nosso caminhar’ em seus espaços concebidos. Aí pergunto: é possível não se apaixonar pelas Cidades Invisíveis? Como ficar inerte ao entrar nas Cidades Italianas, quando elas nos saltam à vista, nos olham, caminham e sentem as nossas intenções?

Pode até parecer personificação demais do espaço. Mas assim como percorremos, passeamos e habitamos a cidade, ela também nos habita, nos percorre e nos passeia. Marcamos e somos marcados no e pelo espaço urbano; nossos desejos e anseios ficam impressos nas ruas das nossas vidas e das nossas cidades. O que seríamos sem os nossos órgãos e o que seria deles sem nós? O que é a cidade sem nós, que no plano do tangível construímos suas imagens e símbolos a cada instante? E este ‘nós’ tanto são as pessoas, as ruas, casas e árvores, como os ‘nós’ da inextricável trama que dá forma e sentido à rede urbana.

Cidade e literatura

A cidade pode ser pensada a partir de qualquer experiência urbana, e é inocente pensar que só os ‘iniciados’ nos estudos urbanos têm a capacidade de analisar, representar e reconstruir as suas dinâmicas e sentidos. Por isso, é importante pensar e analisar a cidade também pelas contribuições literárias. Poderia ter escolhido algum outro autor para ajudar-me nesta difícil tarefa, mas preferi Italo Calvino porque ele mesmo admite a cidade como um caminho para a compreensão do drama humano.

Fazer e propor diálogos entre as ciências urbanas e a literatura pode ser uma forma de criar conexões entre elas, para que seus profissionais possam refletir sobre o papel que cada uma delas têm com os habitantes do lugar. Acredito também que a literatura muito tem a ensinar à ciência e não posso negar a recíproca – talvez, apenas com menor intensidade. Imaginamos uma ciência que seja também para (e com) o cidadão comum, que sente, vive e tem seus desejos reprimidos ou exaltados nos seus espaços de permanência e passagem. Esta posição pode ser ambiciosa demais para a ciência (talvez nem mesmo a ciência queira este diálogo), mas não o é para a literatura; esta última tem os seus propósitos ampliados e defendidos por Calvino, como se segue:

A excessiva ambição de propósitos pode ser reprovada em muitos campos da atividade humana, mas não na literatura. A literatura só pode viver se se propõe a objetivos desmesurados, até mesmo para além de suas possibilidades de realização. Só se poetas e escritores se lançarem a empresas que ninguém mais ousaria imaginar é que a literatura continuará a ter uma função. No momento em que a ciência desconfia das explicações gerais e das soluções que não sejam setoriais e especialísticas, o grande desafio para a literatura é o de saber tecer em conjunto os diversos saberes e os diversos códigos numa visão pluralística e multifacetada do mundo (3).

Calvino fala dos desafios da literatura na busca de saber tecer conjuntamente visões plurais do mundo. Não será este também um dos desafios da ciência, e em particular das ciências urbanas? Percebo nesta questão mais uma contribuição Italiana ou Calviniana – como queiram – que vem ao encontro de teorias e abordagens complexas ou de um pensamento da complexidade, exercitadas na ciência atual em contraste com as visões reducionistas e simplistas da ciência clássica. Edgar Morin [1999a] diz que é preciso substituir um pensamento disjuntivo e redutor por um pensamento do complexo, no sentido originário do termo ‘complexus’: o que é tecido junto. Isto é o que Calvino propõe, defende e alerta para a literatura e Morin, dentre outros autores, para as abordagens científicas. Aqui, lanço-me a propor pontes entre a ciência e a literatura, através de uma abordagem da cidade, baseada e articulada com a complexidade. Não tenho a pretensão de propor uma ‘ciência outra’ da cidade, até porque esta abordagem, creio eu, já venha sendo desenvolvida por outros centros que tratam-abordam das questões urbanas. O que penso fazer é apenas contribuir com um olhar urbano da literatura e um olhar literário das questões urbanas.

Italo Calvino compreende a complexidade da cidade e a coloca em sua obra, coisa que a ciência continua tentando percorrer, modificando sua lógica reducionista e mutiladora, através da mudança de seus paradigmas. A partir disto pode haver um diálogo maior entre literatura e ciência, que embora tenham horizontes distintos se propõem a estudar, refletir, apresentar e representar a vida humana como protagonista da própria vida urbano-social. O que importa são as relações estabelecidas entre as artes, as ciências, as filosofias e as atividades humanas em geral.

Calvino em Seis propostas para o próximo milênio, livro publicado após sua morte, contendo cinco das seis conferências que ele faria na Universidade de Harvard, aborda alguns valores literários que considera importantes e que deveriam ser preservados: leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade e consistência, esta última não chegou a ser escrita. Quando fala da exatidão, evoca dois símbolos contraditórios que acompanham o pensamento do homem: a chama e o cristal, onde valoriza as possibilidades de movimentos e dinâmicas da chama, e a ‘completude’ dos cristais em sua constituição. Ele descreve estes símbolos como sendo duas formas de beleza perfeita e como duas formas de se crescer no tempo, e continua sua análise, evocando a cidade, também como possibilidade literária:

Outro símbolo, ainda mais complexo, que me permitiu maiores possibilidades de exprimir a tensão entre racionalidade geométrica e emaranhado das existências humanas, foi o da cidade. Se em meu livro Le città invisibli continua sendo para mim aquele em que penso haver dito mais coisas, será talvez porque tenha conseguido concentrar em um único símbolo todas as minhas reflexões, experiências e conjecturas; e também consegui construir uma estrutura facetada em que cada texto curto está próximo dos outros numa sucessão que não implica uma consequencialidade ou uma hierarquia, mas uma rede dentro da qual se podem traçar múltiplos percursos e extrair conclusões multíplices e ramificadas (4).

Nas conjecturas entre os símbolos evocados, Calvino percebe na cidade as formas de se crescer no tempo do cristal e da chama. A agitação interna da chama e a serena e difícil lição dos cristais presentes na cidade, que ao mesmo tempo é serenidade e dinamismo, sublimação e movimento e que, ao sabor do vento das vivências dos grupos, comunidades e sociedades formam e transformam a cidade.

As cidades

Chama, cristal, cidade e literatura, conceitos que se relacionam em alguns aspectos. Italo Calvino apresenta algumas distinções entre o cristal e chama, observando suas estruturas e percebendo as ligações e conexões destes com a cidade, como possíveis caminhos para a literatura; ele chega a definir-se como um partidário do cristal, mas reconhece a beleza e riqueza da chama. Enxergamos aqui, dentre outras coisas, a complexidade da abordagem, pois nem a chama é tão inconstante quanto parece, nem o cristal é tão estável como se apresenta, e muito menos definível é a cidade, que por sua vez abriga tanto a chama quanto o cristal. Prigogine, estudando tempo, caos e as leis da natureza faz uma importante consideração que colabora com o desenvolvimento da nossa temática:

Comparem um cristal e uma cidade. O primeiro é uma estrutura de equilíbrio, pode ser conservado no vácuo. A segunda tem também uma estrutura bem definida, mas esta depende de seu funcionamento. Um centro religioso e um centro comercial não têm a mesma função nem a mesma estrutura. Aqui, a estrutura resulta do tipo de interações com o ambiente. Se isolássemos uma cidade, ela morreria. Estrutura e função são inseparáveis. (5)

Acredito nesta proposição e faço algumas considerações: as estruturas e as funções são inseparáveis; e na cidade podem conviver várias funções em diferentes estruturas e vice-versa, não existe um determinismo funcional das estruturas; elas podem abrigar prioritariamente algumas funções, mas ao longo da história funções outras podem ser incorporadas, inclusive modificando a própria estrutura. Sobre esta questão, Italo Calvino aponta em Zoé, uma de suas cidades invisíveis, para um diferencial desta: engana-se aquele que já tem uma cidade idealizada, e ao ver suas estruturas, imagina sua função:

Quem viaja sem saber o que esperar da cidade que encontrará ao final do caminho, pergunta-se como será o palácio real, a caserna, o moinho, o teatro, o bazar. Em cada cidade do império, os edifícios são diferentes e dispostos de maneiras diversas: mas, assim que o estrangeiro chega à cidade desconhecida e lança o olhar em meio às cúpulas de pagode e clarabóias e celeiros, seguindo o traçado de canais hortos de depósitos de lixo, logo distingue quais os palácios dos príncipes, quais são os templos dos grandes sacerdotes, a taberna, a prisão, a zona. Assim – dizem alguns – confirma-se a hipótese de cada pessoa tem em mente uma cidade feita exclusivamente de diferenças, uma cidade sem figuras e sem forma, preenchida pelas cidades particulares.
Não é o que acontece em Zoé. Em todos os pontos da cidade, alternadamente, pode-se dormir, fabricar ferramentas, cozinhar, acumular moedas de ouro, despir-se, reinar, vender, consultar oráculos. Qualquer teto em forma de pirâmide pode abrigar tanto o lazareto dos leprosos quanto as termas das odaliscas. O viajante anda de um lado para o outro e enche-se de dúvidas: incapaz de distinguir os pontos da cidade, os pontos que ele conserva distintos na mente se confundem. Chega-se à seguinte conclusão: se a existência em todos os momentos é uma única, a cidade de Zoé é o lugar da existência indivisível. Mas então qual é o motivo da cidade? Qual é a linha que separa a parte de dentro da de fora, o estampido das rodas do uivo dos lobos? (6)

A cidade de Zoé confunde aqueles que consideram apenas superficialmente a estrutura, e que tentam buscar na sua memória as formas e as funções que a elas poderiam estar ligadas. A ciência quando generaliza, às vezes, pode incorrer neste mesmo caminho, mas a cidade por seu caráter humano das práticas e vivências urbanas não pode se deixar levar pelo caminho mais fácil. Alguns profissionais que trabalham a cidade como objeto de seus estudos necessitam investigar os problemas e as questões como coisas únicas. Ainda que a constância dos trabalhos possa trazer uma certa experiência, esta deve ser usada na construção de esboços e não de soluções e “diagnósticos” definitivos.

Questões como a segurança, a moradia e o desemprego para citar alguns exemplos, são às vezes abordados como coisas universais, de fato o são, mas possuem particularidades. As soluções e encaminhamentos devem ser estudados caso a caso; não dá para simplesmente puxar o repertório mais parecido e sair aplicando a solução dada ao caso anterior. É preciso atentar para fato de que as cidade podem ser como Zoé, e mais: não apenas ser uma Zoé, como possuir várias Zoés no seu interior. Os problemas urbanos, mesmo com semelhança em suas variáveis, são únicos. Entender a Zoé que existe na cidade é poder abordá-la sem mutilações. É preciso deixar que as cidades nos mostrem suas relações, nos façam atentar para a sua complexidade, e refletir sobre os conceitos pré-concebidos. Zoé nos ensina que para compreendermos uma cidade é preciso conhecer e compreender as suas partes. Neste caso, farei dialogar mais uma vez Italo Calvino e Edgar Morin, que recorre ao princípio de Pascal como necessário à mudança do paradigma científico, através de um pensamento que compreenda as relações entre todo e partes e a complexidade dos objetos:

“É preciso recorrer ao princípio de Pascal, que citamos uma vez mais: “Como todas as coisas são causadas e causadoras, ajudadas e ajudantes, mediatas e imediatas, e todas são sustentadas por um elo natural e imperceptível, que liga as mais distantes e as mais diferentes, considero impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, tanto quanto conhecer o todo sem conhecer, particularmente as partes” (7).

E Calvino, em As cidades invisíveis descreve um diálogo entre Marco Polo, o viajante veneziano, e Kublai Khan, o imperador que deseja conhecer seu império através das viagens de Marco Polo, onde podemos perceber a sensibilidade do autor para a questão do todo e de suas partes:

“Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra.

– Mas qual é a pedra que sustenta a ponte? – pergunta Kublai Khan.

A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra – responde Marco –, mas pela curva do arco que estas formam.

Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois acrescenta:

– Por que falar das pedras? Só o arco me interessa.

Polo responde:

– Sem pedras o arco não existe” (8).

Considero que estes diálogos entre o viajante e o imperador, entre Morin e Calvino muito podem contribuir para a abordagem da cidade, do espaço urbano e de suas demais questões. Como falar do arco que dá forma à ponte, sem entrar na materialidade das pedras que o formam? Proceder diferente é recorrer à ‘idéia geral’ do arco. A generalização e a idealização são até importantes para o exercício de ‘projetar’ o arco – conhecer as relações entre o vão a vencer e a altura da ponte, mas também o conhecimento do material se faz necessário. O arco da ponte é de pedra, ele tem suas peculiaridades, e por isso as pedras não podem ser desprezadas, são elas que dão ‘forma à ponte em forma de arco’. Deve-se conectar as partes ao todo, o todo às partes, a idéia e o projeto com a matéria e com o material.

Ao falar da pedra, do arco, do todo e das partes da ponte tenho mais uma vez a oportunidade de aprender com a literatura, e esta é uma oportunidade também das ciências. Morin descreve os possíveis ensinamentos da literatura para a ciência em geral, o que nos estimula neste percurso da cidade literária:

“As ciências realizavam o que acreditavam ser sua missão: dissolver a complexidade das aparências para revelar a simplicidade oculta da realidade; de fato, a literatura assumia por missão revelar a complexidade humana que se esconde sob as aparências de simplicidade. Revelava os indivíduos, sujeitos de desejos, paixões, sonhos, delírios; envolvidos em relacionamentos de amor, de rivalidade, de ódio; inseridos em seu meio social ou profissional; submetidos a acontecimentos e acasos, vivendo seu destino incerto. [...]

Melhor ainda: a literatura revela o valor cognitivo da metáfora, que o espírito científico rejeita com desprezo.[...]

A metáfora literária estabelece uma comunicação analógica entre as realidades muito distantes e diferentes, que permite da intensidade afetiva à inteligibilidade que ela apresenta. Ao levantar ondas analógicas, a metáfora supera a descontinuidade e o isolamento das coisas. Fornece, freqüentemente, precisões que a língua puramente objetiva ou denotativa não podem fornecer” (9).

Os olhares na/da cidade

A literatura e a metáfora podem enriquecer os sentidos da ciência, e conseqüentemente de uma ciência urbana, que se detém sobre as questões da vida nas cidades e nas relações humanas que brotam desta convivência. É preciso recorrer à literatura para entender os vários níveis de abordagem que não se encerram, muito pelo contrário, ampliam o olhar e superpõem situações diversas dependendo de onde se está quando se olha. É diferente olhar e estudar a cidade se estando do alto, ou imerso nas suas ruas e avenidas. Analisar um bairro através de esquemas de uso do solo não resolve a questão da ocupação, pode ser necessário um mergulho maior para que ‘se sinta’ o seu pulsar. À medida que nos aproximamos ou nos distanciamos da cidade para compreendê-la, temos sempre uma nova situação. A estrutura, a utilização e o convívio na cidade são feitos em vários níveis de organização, sem que isto represente hierarquia, apenas a diversidade de sua constituição e a necessidade da multiplicidade de olhares. Vejamos uma descrição que Italo Calvino faz no livro As cosmicômicas sobre o universo, quando trata da forma do espaço:

“O universo era, pois, considerado não uma intumescência grosseira ali plantada como um nabo, mas uma figura angulosa e pontiaguda em que cada reentrância ou saliência ou facetamento correspondiam cavidades e bossagens e denteações do espaço e das linhas por nós percorridas. Esta era, no entanto, ainda uma imagem esquemática, como se tivéssemos de lidar com um sólido de paredes lisas, uma compenetração de poliedros, um agregado de cristais; na verdade o espaço no qual nos movíamos era todo ameado e perfurado, com agulhas e pináculos que se irradiavam de todas as partes, com cúpulas e balaústres e peristilos, com bífores e trifórios e rosáceas, e nós, embora nos parecesse cair sempre e direto para baixo, na realidade escorríamos nas bordas de modinaturas e frisos invisíveis, como formigas que para atravessar uma cidade seguem percursos não traçados sobre o pavimento das ruas mas ao longo das paredes e tetos e das cornijas e lustres. Ora, falar em cidade é ter ainda em mente figuras de qualquer formas regulares, com ângulos retos e proporções simétricas, ao passo que em vez disso devemos ter sempre presente como o espaço se recorta em torno de cada cerejeira e de cada folha de cada ramo que se move ao vento, e de cada borda serrilhada de cada folha, e ao mesmo como se modela em torno as nervuras de cada folha, e de cada rede de nervuras no interior de cada folha e sobre os ferimentos de que as flechas de luz as crivam a cada instante, tudo se imprimindo em negativo na pasta do vazio, de modo que não existe nada que não tenha deixado lá seu vestígio, todos os vestígios possíveis de todas as coisas possíveis e, juntamente, cada transformação desses vestígios instante por instante, de modo que a verruguinha que cresce embaixo do nariz de uma califa ou a bolha de sabão que pousa sobre o seio de uma lavadeira modificam a forma geral do espaço em todas as suas dimensões” (10).

E prossegue, como que explicando as formas a partir do próprio olhar. Aquelas dependem da aproximação ou distanciamento deste. O olhar modifica e torna distinto o objeto. Para cada um dos observadores, um objeto se forma e se cristaliza na fugacidade da chama. A metáfora do olhar, e no nosso caso – de olhar a cidade –, é uma potencialidade ainda pouco explorada. É interessante olhar a cidade em vários de seus aspectos com olhares também múltiplos e variados. Olhar com todos os sentidos e fazer as conexões entre as imagens e o que elas representam. A cidade se forma a cada instante e a cada olhar, uma nova cidade, por isso, o método não pode ser totalizante, não se pode considerar o espaço urbano e suas relações como apreendidas no ‘todo’ de uma pesquisa urbana, é importante saber que estamos sempre com filtros que ora realçam cores, ora não as revelam, ora permitem ver em profundidade e outras vezes numa dimensão mais ampla, ora suavizam os contornos, outras vezes tornam opaca a forma. Estas são possibilidades para a compreensão urbana da cidade, enquanto construção social coletiva.

“Assim a vista, a nossa vista, que obscuramente esperávamos, foi a vista que em realidade os outros tiveram de nós. [...] Os olhos inexpressivos de uma gaivota escrutam a superfície das águas. Lá embaixo os olhos franzidos pela máscara de um pescador submarino exploram o fundo. Por trás das lentes de uma luneta os olhos de um capitão de longo curso e por trás dos óculos escuros de uma banhista convergem seus olhares para a minha concha, depois seus olhares se cruzam, esquecendo-me. Enquadrado por olhos míopes sinto-me sob a observação míope de um zoólogo que procura me enquadrar no olho de uma Rolleiflex. Naquele instante, um banco de minúsculas enchovas recém-nascidas passa diante de mim, tão minúsculas que só parece haver lugar em cada um daqueles peixinhos brancos para o pontinho negro dos olhos, e é um pulverilhar de olhos que atravessam o mar.

Todos esses olhos eram meus. Eu os havia tornado possíveis, eu tivera a parte ativa; eu lhes fornecera a matéria-prima, a imagem. Com os olhos viera todo o resto, logo tudo o que os outros, que tinham olhos, haviam se tornado, e todas as suas formas e funções, e a quantidade de coisas que por terem olhos haviam conseguido fazer, em todas as suas formas e funções, decorria daquilo que eu havia feito. [...]

E no fundo de cada um daqueles olhos eu habitava, ou seja, habitava um outro eu, uma das imagens de mim, e se encontrava com a imagem dela, no ultramundo que se abre atravessando a esfera semilíquida da íris, o negror das pupilas, o palácio dos espelhos das retinas, em nosso verdadeiro elemento que se estende sem margens nem confins” (11).

A questão do olhar, Calvino também trata em Palomar, e neste caso o faz a partir da compreensão da cidade pelos pássaros. Qual a cidade dos pássaros? A das altas e baixas construções? A cidade dos pássaros pode ser abordada num aspecto que é muito difundido nos estudo urbanos, que é o da verticalização ou não do uso de seu solo. Isto é o que parece importar para os pássaros, pois, a partir daí podem definir sua trajetória de proximidade ou não do solo, durante as revoadas. É impressionante como os vários aspectos da cidade são colocados pela literatura. Neste caso, não pretendo apenas comentar os escritos de Italo Calvino, é preciso trazer à tona o próprio texto Italiano em alguns de seus fragmentos, quer por sua beleza ou pela indiscutível maestria dos seus constructos literários. As longas citações que permeiam o nosso texto são justificadas à medida em que são reconstruções contextuais, a partir de representações e leituras das Cidades Italianas – o próprio autor defende que toda leitura de um clássico é uma releitura, e toda releitura é sempre a descoberta de uma nova leitura. Vejamos então a Cidade dos pássaros em Palomar, para em seguida entrarmos na Cidade dos gatos de Marcovaldo.

“O terraço está disposto em dois níveis: um mirante ou belvedere sobranceia a confusão de tetos pelos quais o senhor Palomar perpassa um olhar de pássaro. Procura pensar o mundo como é visto pelos voláteis; à diferença dele os pássaros têm o vazio que se abre sob eles, mas talvez nunca olhem para baixo, vêem apenas dos lados, equilibrando-se obliquamente nas asas, e seu olhar, como o dele, para onde quer que se dirija só encontra tetos mais altos ou mais baixos, construções mais ou menos elevadas mas tão cerradas que não lhes permitem descer mais que isto. Que lá embaixo, encaixadas, existam ruas e praças, que o verdadeiro solo seja aquele nível do solo, ele o sabe com base em outras experiências; por agora, com o que vê daqui de cima, não poderia suspeitá-lo.

A verdadeira forma da cidade está neste sobe e desce de tetos, telhas velhas e novas, arqueadas ou planas, chaminés estreitas ou corpulentas, latadas de cânulas e varandas de eternit ondulado, gradis, balaustradas, pequenas pilastras amparando vasos, reservatórios de água metálicos, águas-furtadas, clarabóias de vidro, e sobre tudo isto se ergue a mastreação das antenas televisivas, retas ou tortas, esmaltadas ou enferrujadas, em modelos de gerações sucessivas, variadamente ramificadas em chifres ou esgrimas, mas todas magras como esqueletos e inquietantes como totens” (12).

A cidade pode ter ou não a capacidade de atrair e manter algumas espécies animais e vegetais. Além da lição do olhar do pássaro, podemos ponderar sobre a capacidade de diversificação social e espacial de nossas cidades. Vem à mente as questões sócio-ambientais que necessitam cuidado e apreço. A falta de esgotos, o uso desordenado do solo, a carência de serviços públicos, a não preservação de áreas verdes, a degradação de rios e lagoas que cortam e formam a cidade, o não abastecimento de água, bem como o uso indiscriminado e predatório deste recurso natural. Estas são apenas algumas questões que definem a qualidade de vida das populações na cidade. Falar do olhar dos pássaros e da cidades dos gatos é também refletir sobre a degradação urbana, a especulação imobiliária e a impermeabilização do solo nas cidades, principalmente nas metrópoles.

“A cidade dos gatos e a cidade dos homens estão uma dentro da outra mas não são a mesma cidade. Poucos gatos lembram o tempo em que não havia diferença: as ruas e as praças dos homens eram também ruas e praças dos gatos, e os gramados, e os pátios, e as sacadas, e as fontes: vivia-se num espaço amplo e variado. Porém, de algumas gerações para cá os felinos domésticos são prisioineiros de uma cidade inabitável: as ruas são ininterruptamente percorridas pelo tráfego mortal dos carros trucidagatos; em cada metro quadrado de terreno onde se abria um jardim ou uma área livre ou as ruínas de velha demolição agora imperam condomínios, habitações populares, arranha-céus novos e faiscantes; todo corredor fica apinhado de carros estacionados; os pátios são recobertos um a um por toldos e transformados em garagens, ou em cinemas, ou em depósitos de mercadorias, ou em oficinas. E, onde se estendia um altiplano ondulante de telhados baixos, cimalhas, mirantes, caixas-d’água, sacadas, clarabóias, alpendres de zinco, agora se ergue a edificação generalizada de andares em cada vão edificável: desaparecem os desníveis intermediários entre o ínfimo solo viários e o céu exclusivo das supercoberturas; [...]

Mas nessa cidade vertical, nessa cidade comprimida onde todos os vazios tendem a ser ocupados e cada bloco de cimento a fundir-se com outros blocos de cimento, abre-se uma espécie de contracidade, de cidade negativa, que consiste em faixas vazias entre muro e muro, em distâncias mínimas prescritas pelo regulamento imobiliário entre duas construções, entre fundos e fundos de duas construções; é uma cidade de interstícios, poços de luz, canais de ventilação, passagens para veículos, pracinhas internas, acessos aos sótãos, como uma rede de canais secos num planeta de reboco e asfalto, e é através dessa rede que, rente aos muros, ainda corre o antigo povo dos gatos” (13).

A cidade negada aos gatos é também a cidade retirada de grande parte da população, senão de toda a população da cidade contemporânea. Os espaços de encontro são reduzidos ao nada, tanto nas áreas onde moram as populações de baixo poder econômico, pela escassez do solo, como nas áreas das grandes e luxuosas propriedades urbanas, visto que seus moradores não são dados aos encontros fortuitos e casuais das calçadas, ruas e avenidas. Afastam-se da cidade para seus condomínios fechados, observados e vigiados pelas câmaras, protegidos por seus muros e grades e camuflados nos seus carros blindados. De fato, a cidade dos gatos e a dos homens já não são a mesma. Uma vive à margem da outra. E isto está tão intimamente incrustado em nós, que às vezes sequer questionamos nossa condição de gatos e de homens. O que isto tem a ver com a vida na cidade e com as ciências urbanas? Tudo. É preciso admitir os contrastes e as formas de vida para que seja possível encontrar caminhos para uma convivência mais solidária, e isto, nas grandes como nas pequenas cidades. São gatos os que não têm espaço fixo na cidade, como também aquele que se considera estrangeiro no lugar; forasteiro que se lança na cidade para tentar sua sorte, pois o campo já o expulsou. É preciso atentar para o contexto, as causas e os efeitos da degradação urbana, bem como dos possíveis caminhos para melhorá-la.

“Inútil dizer-me que não mais existem cidades de província, que elas talvez nunca tenham existido, que todos os lugares se comunicam uns com os outros instantaneamente, que a idéia de isolamento só pode ser experimentada durante o trajeto de um lugar a outro, isto é, quando não se está em lugar nenhum. O fato é que me encontro neste momento sem um aqui nem um lá e sou reconhecível como estrangeiro por não-estrangeiros, ao menos na medida em que os vejo como tal, com inveja. Sim, com inveja. Estou observando de fora a vida de uma noite comum numa cidadezinha comum e percebo que fui excluído das noitadas comuns por sabe-se lá quanto tempo, e penso nos milhares de cidades como esta, nas centenas de milhares de locais iluminados, onde a esta hora as pessoas deixam cair a escuridão da noite, sem que tenham em mente nenhum de meus pensamentos; talvez tenham outros dos quais não sinto inveja, mas neste momento estaria pronto a fazer a troca com qualquer uma delas” (14).

Complex(c)idade

Os caminhos e sensações descritos por Italo Calvino expressam profundas reflexões sobre a temática urbana. Através de suas cidades podemos sonhar ‘a cidade ideal’, ver com os nossos e os outros olhos que existem dentro e fora de nós, podemos passear como os pássaros e viver como os gatos. Os estudos sobre a cidade podem contribuir para uma melhor compreensão dos espaços: as peculiaridades locais, a diversidade de sua gente, a multiplicidade de modos de apreensão e vivência, a variedade de formas da própria cidade. “A cidade de quem passa sem entrar é uma: é outra para quem é aprisionado e não sai mais dali; uma é a cidade à qual se chega pela primeira vez, outra é a que se abandona para nunca mais retornar” (15). E mais ainda: numa conversa com o imperador, Marco Polo diz: “Você sabe melhor que ninguém, sábio Kublai, que jamais se deve confundir uma cidade com o discurso que a descreve. Contudo existe uma ligação entre eles” (16).

O que fazemos ao estudar uma cidade é também: traçar diálogos com o espaço e com as pessoas a quem dedicamos os nossos estudos. E por mais profundo que sejam, mais minuciosos, detalhados e corretos, jamais vão superar as vivências na cidade. Os planos, as análises e os projetos urbanos são descrições e propostas para a cidade, mas quando concretizados, geram por si uma outra realidade; como também as pesquisas se transformam e modificam o seu objeto durante a sua realização. É preciso atentar para a complexidade da vida humana, dos seus espaços e lugares na cidade. Estes são alguns caminhos que podem fazer o diálogo das diferenças e potencialidades na cidade, através de nossa grande aliada – a literatura –, que sabe penetrar no mundo do complexus, e que ainda muito temos a aprender em nossas abordagens urbanas.

Agora, acredito que posso fazer uma parada para viver as Cidades Italianas e suas complex(c)idades. E espero que este percurso sirva como possibilidades para uma abordagem da cidade. Dialogar com a complexidade em Edgar Morin e Italo Calvino é poder olhar – no amplo sentido da palavra – para a cidade, para a ciência e para a literatura, todas como construção coletiva que podem abrigar o homem, fazê-lo refletir sua existência e suas produções, e ainda fazer sonhar na urbanidade da ciência e da literatura, na cientificidade literária do espaço urbano e no caráter literário das nossas cidades e ciências através de pensamentos da Complex(c)idade.

“O caminho que lhe resta aberto é o seguinte: dedicar-se doravante ao conhecimento de si mesmo, explorar sua própria geografia interior, traçar o diagrama dos movimentos de seu ânimo, extrair dele as fórmulas e teoremas, apontar o telescópio para as órbitas traçadas no curso de sua vida preferencialmente às das constelações, “Não podemos conhecer nada exterior a nós se sairmos de nós mesmos”, pensa agora, “o universo é o espelho em que podemos contemplar só o que tivermos apreendido a conhecer em nós.”

E eis que também essa nova fase de seu itinerário à procura de sabedoria se completa. Finalmente poderá vaguear sem olhar dentro de si. Que verá? Seu mundo interior lhe surgirá como um calmo e imenso girar de uma espiral luminosa? Verá navegarem em silêncio estrelas e planetas em parábolas e elipses que determinam o caráter e o destino? Contemplará uma esfera de circunferência infinita que tem o eu por centro e o centro em cada ponto?

Abre os olhos; o que surge ao seu olhar é algo que lhe parece já ter visto todos os dias: ruas cheias de gente apressada que abre seu caminho a cotoveladas, sem se olhar no rosto, entre altos paredões espigosos e descascados. No fundo, o céu estrelado esguicha fulgores intermitentes como um mecanismo emperrado, que chia e estremece em todas as suas junturas não lubrificadas, posto avançado de um universo periclitante, retorcido, sem descanso como ele” (17).

notas

1
O presente artigo foi premiado com o 3º lugar no “2004 – Prize for the Best Essay on Urban and Regional Themes by Young Authors”, promovido pela Foundation for Urban and Regional Studies da Inglaterra, em colaboração com o International Journal of Urban and Regional Research e com a editora Blackwell (ver www.iser.essex.ac.uk/furs).

2
CALVINO, Italo [1991]. Por que ler os clássicos. São Paulo, Companhia das Letras, 1993, p. 147.

3
CALVINO, Italo [1988]. Seis propostas para o próximo milênio. São Paulo, Companhia das Letras, 2ª ed, 1990, p. 127.

4
CALVINO, Italo [1988]. Op. cit., p. 85-86.

5
PROGOGINE, Ilya. O fim das certezas: tempo, caos e as leis da natureza. São Paulo, Editora da Universidade Estadual Paulista, 1996, p. 65.

6
CALVINO, Italo [1972]. As cidades invisíveis. São Paulo, Companhia das Letras, 1990., p. 34-35.

7
MORIN, Edgar.[1999a]. A cabeça bem feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 7ª ed, 2002, p. 88. Ver do mesmo autor MORIN, Edgar; LE MOIGNE, Jean-Louis [1999b]. A inteligência da complexidade. São Paulo, Peirópolis, 2000.

8
CALVINO, Italo [1972]. Op. cit., p. 79.

9
MORIN, Edgar. Op. cit., p. 91-92.

10
CALVINO, Italo [1968]. As cosmicômicas. São Paulo, Companhia das Letras, 1992, p. 122-123.

11
CALVINO, Italo [1968]. Op. cit., p. 154-155.

12
CALVINO, Italo [1983]. Palomar. São Paulo, Companhia das Letras, 1994, p. 51.

13
CALVINO, Italo [1973]. Marcovaldo ou as estações na cidade. São Paulo, Companhia das Letras, 1994, p. 115-116.

14
CALVINO, Italo [1979]. Se um viajante numa noite de inverno. São Paulo, Companhia das Letras, 1999, p. 24-25.

15
CALVINO, Italo [1972]. Op. cit., p. 115.

16
Idem, ibidem, p. 59.

17
CALVINO, Italo [1993]. Um general na biblioteca. São Paulo, Companhia das Letras, 2001, p. 106-107.

sobre o autor

Silvio José Conceição, Arquiteto e Urbanista; Mestrando do Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação da UFBA; Membro da Rede Cooperativa de Pesquisa e Intervenção em (In)formação, Currículo e Trabalho REDPECT; Professor Substituto da Faculdade de Arquitetura da Ufba – Ateliê Integrado I e II


comments

newspaper


© 2000–2019 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided