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FEROLLA, José E.. O IAB e os concursos de arquitetura ou não julguemos ou não seremos julgados... Mais uma contribuição a Marcelo Barbosa, Jupira Corbucci e Otávio Leonídio. Arquitextos, São Paulo, ano 06, n. 064.04, Vitruvius, set. 2005 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.064/424>.

 

Caros colegas,

Chamou minha atenção o texto de Marcelo Barbosa e Jupira Corbucci (1). Havia até pedido ao Abílio Guerra, editor do Portal Vitruvius, o email de vocês e estava apenas esperando um tempo para refletir sobre o assunto. Tendo participado de mais de 40 concursos, privados, regionais, nacionais e internacionais, ora como concorrente, ora na comissão julgadora, poderia colaborar, mas saiu o (excelente, por sinal) texto do Otávio Leonídio (2), e vi que a coisa estava encorpando, e o debate tornado público. Optei então por esta mesma mídia para tentarmos chegar a algumas conclusões e, quem sabe, sugestões que possam ser encaminhadas à direção nacional para uma revisão nos procedimentos de organização de concursos pelo IAB.

De cara engrosso fileira com o Leonídio: nada melhora garantir a predominância total de arquitetos nos processos decisórios de concursos. Nem só porque não temos este direito, mas, e principalmente, porque a origem dos problemas está muito, e mesmo, com nosotros (querem coisa mais tucana que este pronome em espanhol?...).

Por quê – para quê – concursos?

Se o objetivo é acomodar instituições públicas, adaptando do que disse o Leonídio, ruim com os concursos, pior sem eles. Não conheço outra maneira mais legal, nem mais democrática, de se resolver esta questão. E se o processo democrático tem suas imperfeições, por outro lado tampouco conheço outro melhor.

Não são, contudo, somente estes quesitos – democracia e legalidade – que levam o cliente a esta opção: pode ser também o desejo de se obter a melhor solução para atender a um programa nada corriqueiro, de grande complexidade; pode decorrer de aspectos simbólicos, até mesmo políticos, inerentes do caráter da instituição, a exigir, na sua solução, o melhor, algo que se transforme num marco até mesmo histórico, enfim, o fato é que concursos de arquitetura sempre foram vistos – pelo menos para a gente – como momentos em que a profissão se "solavanca". Para todos nós, viciados nesta encrenca, é um desafio às nossas competências, pois está a se nos exigir a superação do nosso modus operandi usual, logo a expectativa é de algo realmente excepcional. Por mais estimulantes que possam nos parecer, por mais exigentes que sejam os nossos clientes, não há como recriar, no dia-a-dia dos nossos escritórios, o élan, as condições para este estado de espírito com o qual nos lançamos nestas empreitadas. Por isso afirmo, sem a menor sombra de dúvida, que os maiores capítulos da história da arquitetura foram escritos pelos concursos.

Porquê, então, alguns – e vem me assustando o fato disto estar se tornando cada vez mais recorrente – não estão dando certo? Por quê, cada vez mais, anunciados os resultados, encantamo-nos muito mais com o terceiro lugar, ou com uma menção honrosa? Para tentarmos entender estes problemas, remontemo-nos à sua gênese.

Arquiteto consultor: charadista ou charlatão?

Refiro-me à fase que antecede o concurso, à preparação dele.

Qual é o procedimento? Contratado, o IAB nomeia um arquiteto consultor, que se incumbirá de traduzir para a nossa linguagem as demandas do cliente. Estarão eles sendo, senão eficazes, pelo menos eficientes? A experiência demonstra que estão passando muito ao largo disto. Leonídio, pelo que escreveu (não participei do "milionário" Petrobras), que o diga...

Muitas vezes, alegando evitar "dirigir soluções" – a famosa frase "o concorrente tem total liberdade para interpretar o programa..." – informações da maior relevância são omitidas, senão expostas de forma tão subjetiva ou enigmática que, adiante, levarão às mais diversas interpretações, tanto dos concorrentes quanto dos jurados.

Se alguns são admiravelmente sardônicos em seus esclarecimentos, e o que se lê nalgumas perguntas a eles dirigidas é de tal nível que só rindo mesmo (prá não chorar), outros não sabem distinguir autoridade de autoritarismo, e acabam apelando para a grossura, senão mesmo para a falta de ética e respeito para com seus colegas.

Um exemplo? Consultem as respostas aos concorrentes no Primeiro Prêmio Usiminas Arquitetura em Aço – sede do IAB-MG. Um concurso em que os clientes, pasmem, eram nós mesmos (aqui o nosotros não se aplica...).

A lição que daí tirei, passo adiante, e de graça, aos neófitos: nunca, mas nunca mesmo, encaminhem perguntas, salvo se estritamente no âmbito das normas de apresentação. Só faz piorar. Se há dúvidas, deixe que a sua proposta as interprete. O júri também as terá, e nada haverá escrito – portanto, por força de lei – afirmando que você está errado.

Tem mais: se é sabido que o ótimo é inimigo do bom, muitas vezes o ideal passa a tantas léguas do real que se torna – inclusive por questões financeiras – irrealizável. Falha de quem? Freqüentemente do arquiteto consultor.

Levantadas as demandas, com a aptidão que a profissão lhe exige, seu papel é saber a hora de puxar o freio de mão. O cliente é leigo, não cabe a ele perceber o porte do conjunto, dependendo da instituição envolvida estas informações são colhidas setorialmente, cada um querendo para si o maior e o melhor, daí que a área da sala do presidente, para ritualisticamente reafirmar a "hierarquia" do conjunto, muitas vezes acaba por comportar o nosso escritório inteiro. Mesmo se o cliente for uma Petrobras, se claramente conhecer o montante a ser gasto e disto poder dispor, mesmo assim é papel deste consultor alertá-lo contra os absurdos. Se mesmo assim continuar insistindo, e podendo, paciência, é um direito dele. Senão, já furou. Não dá nem pra começar um concurso fingindo ser possível colocar um peru no pires.

Embora seja norma do IAB não organizar concursos sem garantia de alocação da verba necessária para construção, somos – vejam bem, os profissionais com a obrigação de conhecer estes custos – facilmente levados na conversa, ora subestimando o custo real da empreitada, ora confiando no valor político do projeto para levantar recursos.

Um exemplo? Precisa? É mais regra do que exceção... Aqui mesmo, na terrinha, ocorreu certamente o mais assombroso: de novo o concurso para a sede do IAB-MG.

Pública e veementemente me manifestei contra, em vista da indisponibilidade de recursos para realizá-lo. A maioria preferiu fingir desconhecer estas condições e, avalizando o absurdo, seguir adiante. Mais de dez anos já se passaram e até hoje não saiu do papel. Pior ainda: foi o segundo concurso para a nossa sede. O primeiro, ganharam (um belo projeto) Éolo Maia e Márcio Lima. Contestados pela ultra-esquerda da classe por incorporar processos usuais de mercado para sua viabilização com acréscimo de andares comerciais – hoje chamamos isso de "sustentabilidade" – foi engavetado. Perdemos a oportunidade, e com a posterior mudança da Lei de Uso e Ocupação do Solo, reduzindo o aproveitamento na região, nem isso hoje é possível.

Querem agora outro exemplo, fresquinho? Vejam o recém lançado concurso para o Teatro de Natal. Verba: R$ 12 milhões. Área: 12 mil m². Nem na China, com mão de obra escrava, se constrói um teatro a R$ 1.000/m², nem se for sem palco, urdimento, iluminação, ar condicionado (em Natal...), e sem mobiliário.

Mas a culpa não é só do consultor, pois a gente não resiste e morde a isca...

O cliente, onde está o cliente?

Ainda neste âmbito preliminar, outras questões relacionadas a procedimentos merecem reflexão, principalmente naquilo que mais distancia os concursos de nossa prática cotidiana: a ausência do contato com o cliente durante o processo de projetação. Esta, a meu ver, é a maior aberração dos nossos concursos de arquitetura, a maior responsável pelo sem número de fiascos.

É aqui, caros Barbosa & Corbucci, onde divirjo radicalmente de vocês, e voto junto com o Leonídio: sem essa atitude corporativista de nos consideramos os únicos capazes de entender e julgar a arquitetura. Do cliente é que surge a demanda, é ele quem banca toda a organização do processo, inclusive as custas do IAB, mais honorários, mais a própria obra, será ele quem vai usar aquilo ali, e não pode abrir a boca? Só louco...

Quem acompanhou o recente concurso para remodelação dos quarteirões dos Les Halles, em Paris pôde aprender alguma coisa a respeito de processo democrático (3): programas e regulamentos foram precedidos de ampla consulta com usuários, comerciantes e vizinhos do empreendimento, e por toda a comunidade aprovados. Definidas as equipes de projeto qualificadas pelos pré-requisitos (Jean Nouvel, OMA, MVRVD, SEURA), tiveram elas que se reportar a todos os participantes e envolvidos durante todas as etapas do processo. Apresentadas as propostas, foram de novo submetidas ao crivo geral, com exposição dos projetos, audiências públicas e um grande fórum (real e virtual. Só depois de tudo isto foi escolhido o vencedor: David Mangin – SEURA – na minha opinião, o melhor.

E não parou aí: o fórum público continua a participar do desenvolvimento do projeto. Tempo despendido até então? 19 meses. Gente fina é outra coisa, pode-se argumentar. Responsabilidade, perante a cidade, por parte de gente fina, também, é outra coisa...

Logicamente estamos falando de um gigantesco empreendimento de importância mundial, no coração histórico da rive droite, mas ignoremos o porte e fixemo-nos na questão das responsabilidades.

Como trabalhamos? Gradativamente apresentamos nossas propostas para o cliente, a cada etapa com ele discutindo produtos, acolhendo críticas, sugestões e alterações. Chegado a um consenso, submetemo-nos ainda ao crivo legal, às compatibilizações com os projetos complementares e processos construtivos.

Se, na prática cotidiana, o procedimento é este, como esperar resultados com qualidades muito superiores, como se espera dos concursos, sem a participação direta do cliente durante todo o processo? Sou, por isso, adepto fervoroso dos concursos em duas etapas.

Mas é um processo difícil de ser aceito pelos promotores.

Mesmo hoje, com todas as ISO 9001-e-dois-e-tempo-afora, a cultura brasileira continua no vício de subestimar o valor do tempo gasto em planejar. Colega meu, da Usiminas, relatou-me a experiência que vivenciou no acompanhamento de uma obra de 60 mil m² (Kenzo Tange): 6 anos de projeto e 19 meses de obra.

Como aqui não é Paris, nem Tóquio, nem o areal dos mensahib de Dubai, mas a terra do mensalão severino, a mentalidade ainda é aquela de horrorizar, não só com o tempo necessário, mas com os custo de projeto ("isto tudo por um pedaço de papel?...").

A persistir esta mentalidade, meus caros amigos, nada melhora, nada muda, e o sertão continuará ao deus-dará, e nós, prosseguimos como meros adornos do processo.

O concurso em duas etapas é o único que permite a aproximação entre arquiteto e cliente. Terminado a anonimato da primeira fase, os autores selecionados identificados, o diálogo torna-se possível e enriquecedor, e, principalmente, mais chegado ao "mundo real".

Sem mencionar, por não onerar demasiado a participação dos concorrentes numa primeira fase de apresentação mais enxuta, e com uma segunda já remunerada, a grande virtude de eliminar a cruel exploração de centenas de cabeças para benefício de umas poucas.

Poderíamos explorar muito mais as possibilidades de concursos nesta modalidade, mas nossas experiências ainda são poucas neste processo. Poucas também as oportunidades que se nos apresentam justificando procedimentos tão complexos e demorados de consulta à comunidade como no caso do Les Halles, mas propostas envolvendo remanejamentos de áreas urbanas, conjuntos históricos ou paisagísticos, por exemplo, deveriam extrapolar as decisões de seus promotores e serem mais abertos à participação em seus processos decisórios.

Tivemos uma única experiência aqui em Belo Horizonte, num concurso para pintura das fachadas da edificação tombada, do Hospital da Santa Casa (Raffaelo Berti), em que uma pré-seleção foi submetida à votação popular, e que deu certo.

Do outro lado, procedimentos intra muri, em recente concurso fechado, escassamente divulgado, com júri desconhecido, levaram à recente aberração de premiar proposta de guardar em museu réplicas dos profetas de Congonhas enquanto os originais prosseguem no tempo, apodrecendo sob agressiva poluição e ações de vandalismo, como que padecendo do mesmo mal que vitimou o seu criador.

Decisões assim, envolvendo patrimônios privados, ocorrem toda hora, podemos quando muito lamentar a irreversibilidade de uma canhestra intervenção comprometendo irremediavelmente um trecho da nossa paisagem urbana, ou destruindo para sempre um sítio natural, mas num lugar histórico, tombado, daquela importância, não se trata de divergências de ponto de vista, mas de crime. Seria o mesmo o resultado de um concurso destes, ainda que mantida restrita a participação de concorrentes, mas ouvidos outros além dos doutos senhores do Projeto Monumenta, da diocese e do alcaide (que outro nome mais atual poderia eu dar a um personagem conivente com esta situação) locais?

Mesmo assim, a turma aí, que participou deste concurso da Petrobras, ainda que em duas etapas, parece que não gostou... Terá sido problema do processo, ou da forma como foi avaliado?

Não julguemos, que não seremos julgados...

Quem já participou de comissões julgadoras conhece a angústia da responsabilidade de julgar colegas.

Conhece também o poder da imagem, freqüentemente levando a desconsiderar a priori propostas posteriormente reabilitadas numa leitura mais atenta, ou levar logo ao topo outras que sábia e espetacularmente demonstraram, depois, apenas ocultarem os seus equívocos.

É recorrente o despreparo e a irresponsabilidade de nossas comissões julgadoras. Várias vezes me deparei com colegas que, mesmo sabendo há meses de seu papel, compareceram demonstrando nada saber do que se tratava, ou com atitudes bem piores: vieram já sabendo em que projeto votar.

Aconteceu (com sucesso) no concurso da Biblioteca Pública do Rio de Janeiro (participei como concorrente) e pelo menos numa das premiações nacionais do Opera Prima em que participei do júri. Tentaram, mas bateu na trave, no concurso da Usiminas para o Grupo Corpo, em que participei do júri (o esforço que levou o promotor, por falta de consenso, a levar a decisão para uma segunda etapa) e no recente concurso para a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (participei como concorrente, mas fui muito bem informado).

Quem vê o resultado destes concursos sabe do quê e de quem estou falando: fica fácil, por isto, compreender porque trabalhos bem aquém dos demais estão ali, premiados. Nesta onda generalizada de hipocrisia e desonestidade, acabamos nos acostumamos com estas atitudes desleais e antiéticas, mas na primeira vez (Biblioteca do Rio), considerando ainda de quem partiu esta atitude, foi chocante. Tanto quanto o colega que já chegou no concurso da OSMG apadrinhando um "afilhado" e noutro, internacional, impetrou recurso alegando ter sido, pelo mesmo "procedimento", prejudicado...

E tudo, como de resto, acaba em pizza, por causa da draconiana cláusula, contida em todos os editais, de que "as decisões da comissão julgadora são inapeláveis". Ora, vamos...

Precisamos, e muito, melhorar o nível das nossas comissões julgadoras, reavaliando, inclusive, a forma como os nossos IABs compõem o seus corpos de jurados. Da mesma forma que não basta ser um bom arquiteto para ser um bom professor, tampouco isto é critério para ser um bom analista, ou crítico. Nem mesmo aqueles que a este mister se dedicam podem cumprir este papel se, ao mesmo tempo, não dispuserem de um bom nível de conhecimento e convivência real com as técnicas e seus processos.

Apesar de todas estas nossas limitações, alguns pré-requisitos poderiam ajudar.

O primeiro – e aí retornamos às relações do arquiteto consultor com o cliente – implicam em determinar com muita clareza, sem subjetividades, pegadinhas, ou disses-que-não-disses, as intenções do concurso, suas reais demandas e expectativas, quanto para isso – de verdade, por favor – se quer, ou se pode gastar, definir claramente os critérios de avaliação, como a comissão julgadora deverá aos concorrentes se reportar etc, etc.

Concurso com extensa lista de perguntas de concorrentes é claro indicativo de coisa mal elaborada.

Concurso com ata sucinta é claro indicativo de irresponsabilidade, desrespeito o perante o esforço dos concorrentes ou superficialidade na definição de critérios – ou mesmo ausência deles – por parte da comissão julgadora.

A segunda seria destinar mais tempo ao processo de avaliação. Se fica mais caro para o promotor, o que representa isto perante o custo da obra? Problemas decorrentes de análises superficiais decorrem muito por falta dele.

A terceira é realizar um primeiro crivo, apenas indicativo, a especialistas.

Por mais que o reconhecimento da alta qualidade de uma arquitetura possa ser generalizado, cada concurso carrega em seu bojo questões técnicas e funcionais específicas que não podem ser relevadas a segundo plano, muito menos superficialmente avaliadas, pois nenhum de nós, por mais experiente que possa ser, terá esta capacidade.

Isto ocorreu no concurso (em duas etapas) em que participei da comissão julgadora, para a reitoria da Universidade Federal de Uberlândia. Ao chegarmos, já recebemos estes indicativos, elaborados pelos especialistas da instituição. No mínimo, posso assegurar que os problemas relatados pelo Leonídio na Petrobras – claro indicativo de análise extremamente superficial numa primeira avaliação, só percebidos quando já era tarde – não ocorreriam.

A quarta refere-se à composição mesma da comissão julgadora e ao seu modo de atuação.

Antes, cabe avaliar a abrangência do empreendimento e as suas repercussões no meio.

Radicalizando, para exemplificar: um concurso para o edifício sede do Confea em Brasília, todo amarrado àquelas projeções que o plano diretor dali impõe, e um plano de intervenção para o quarteirão do Les Halles, jamais poderão ser avaliados pelos mesmos processos ou por composição similar de jurados.

No primeiro caso, o impacto é mínimo, senão esperado, as questões gerais já estão pré-determinadas. No outro caso, ou se abre o debate, ou se impõe um clima absolutista e autoritário para soluções haussmanianas.

No primeiro caso, um júri com maioria, ou até mesmo totalmente composto por arquitetos não realizaria grandes estragos. No outro, impossível sem a colaboração interdisciplinar.

Não temo como – como determinam as normas do IAB – padronizar a composição de um júri. Uma coisa é uma coisa, andam dizendo, e outra coisa é outra coisa. Novamente voltamos à extrema importância do papel do arquiteto consultor, um consultor apenas arquiteto podendo chegar inclusive à incapacidade de delinear o quadro adequado. É preciso deixar bem claro para o promotor quais serão as repercussões, que áreas do conhecimento podem contribuir, que segmentos da comunidade devem se fazer representar e por aí afora.

Finalmente, não podemos perder de vista que tudo isto, no final, pretende chegar ao modo mais democrático de se estabelecer uma relação de trabalho. E o cliente, não tem sempre a razão?...

Quantas vezes nada acontece porque escolheram, nem de longe, o que esperava, ou desejava o promotor?

Partindo do princípio de que na maioria das vezes (mas nem sempre, às vezes, como no caso do Grupo Corpo, um dos trabalhos muito se distancia dos demais) a diferença entre o primeiro e o segundo lugar não passa de diferenças de ponto de vista.

Considero fundamental a presença do promotor durante o processo, não necessariamente na composição da comissão, mas dela participando ativamente. Ajuda, a cada discussão, clarear melhor o que se deseja.

Aconteceu sito no julgamento da sede do Grupo Corpo. Aconteceu também no julgamento da sede do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais. Nas duas ocasiões, tivemos a oportunidade de presenciar a satisfação deles com o resultado.

Bem, meus caros, é isso o que por hora posso contribuir, mas com certeza outras contribuições irão clarear muito mais o que poderemos fazer a este respeito.

notas

1
BARBOSA, Marcelo; CORBUCCI, Jupira. "Concursos Públicos de Arquitetura e Urbanismo. Sugestões para mudanças". Drops, nº 12.01. São Paulo, Portal Vitruvius, ago. 2005 <http://www.vitruvius.com.br/drops/drops12_01.asp>.

 

2
LEONIDIO, Otavio. "O IAB e os concursos de arquitetura. Carta a Marcelo Barbosa e Jupira Corbucci". Arquitextos nº 063. Portal Vitruvius, São Paulo, ago. 2005 <http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq063/arq063_00.asp>.

 

3
Cf. Projet Les Halles <www.projetleshalles.com>.

sobre o autor

José Eduardo Ferolla é arquiteto e professor da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais

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