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Abordagem de alguns dos primeiros edifícios modernos construídos em Goiânia a partir do final dos anos de 1950 e na década seguinte


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VAZ, Maria Diva Araújo Coelho; ZÁRATE, Maria Heloisa Veloso e. A experiência moderna no cerrado goiano. Arquitextos, São Paulo, ano 06, n. 067.05, Vitruvius, dez. 2005 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.067/399>.

Em meio às transformações econômicas, sociais e políticas em processo nas primeiras décadas do século XX, quando se manifestam tensões e conflitos, surge Goiânia. No bojo da revolução de 30, ela é a expressão da busca da modernização no cerrado goiano, no interior do País. A construção da nova capital relaciona-se, localmente, com a luta pelo poder político, há muito estabelecida em Goiás e, nacionalmente, com o processo de acumulação capitalista, via interiorização e industrialização.

Goiânia se particulariza no fato de ser uma cidade planejada, que assume a condição de sítio social, expressão das idéias de modernidade e de progresso. Contemporâneo às iniciais especulações modernistas no Brasil, o plano elaborado para a cidade é uma referência importante do urbanismo brasileiro. Sua implantação inicia-se em 1933, a partir da concepção de Attílio Corrêa Lima, parcialmente alterado por Armando Augusto de Godoy. Nele convivem as idéias acerca da funcionalidade, evidenciada no zoneamento, na hierarquização viária e no controle do uso e da ocupação do solo com a estética do urbanismo clássico identificada nas grandes perspectivas e nos asteriscos.

Verifica-se no espaço edificado, no primeiro momento da sua construção, a adoção da arquitetura presente em outras regiões do país. Prevalece nos primeiros tempos o ecletismo como linguagem arquitetônica das casas construídas para ou pela classe média e média-alta. São erigidos edifícios assobradados neocoloniais, chalés suíços ou normandos, casas térreas de estilo denominadas missões ou construções populares, convencionais de alvenaria com ornamentações variadas em massa ou pedra sobre as paredes e relevos e desenhos decorativos sobrepostos às portas e/ou presentes nas vidraças. O Art Déco recebe a preferência dos edifícios oficiais e comerciais, mas também é assumido, de forma mais contida, nas residências das famílias de maior poder aquisitivo, moradoras do espaço central da nova cidade.

Além dessas residências integravam os espaços dos bairros centrais as casas de diversos modelos construídas pelo Estado, para os servidores públicos de diferentes escalões. Elas eram casas simples, térreas ou assobradadas, onde se utilizavam materiais e técnicas convencionais seguindo as especificações detalhadas para fundação, alvenaria, revestimentos, instalações e equipamentos. Predominavam a alvenaria de tijolo e a telha francesa tipo ‘marselha’ empregada em telhados de múltiplos planos.

Nessas casas o alpendre se faz presente, integrando-se à vida doméstica como lugar de pequenas reuniões, local de descanso, estabelecendo-se o hábito da contemplação. Nota-se que a garagem ainda não participa do programa de atividades, quando muito é aproveitado um dos recuos laterais para estacionamento do veículo das famílias. Estes quadros da arquitetura residencial e da vida cotidiana doméstica permanecem até os anos 1950 sem grandes alterações e significam um grande distanciamento das soluções e comportamentos que perduraram por séculos no interior de Goiás.

É também nessa década que tem início um outro momento da modernização do estado alavancada nas políticas nacionais que têm forte ressonância no âmbito regional. Assim evidenciam-se a política de interiorização de desenvolvimento para a região Centro-Oeste de Juscelino Kubitschek e a criação de Brasília, além da ampliação da infra-estrutura econômica no setor de comunicação, transporte e energia. No âmbito local destacam-se a criação das universidades e a institucionalização do planejamento no estado de Goiás.

Também é no início da década de 1950 que os primeiros edifícios modernos passam a ser construídos. Apesar de muito significativas, como exemplos de uma linguagem nova e diferenciada da produção arquitetônica local, constituindo elementos de destaque na paisagem da cidade, eram ainda obras isoladas. A partir do final dos anos de 1950 e na década seguinte, o número de casas edificadas nos “moldes” modernistas se ampliou muito. Os bairros preferenciais são os centrais, lugares de moradia da classe média e média alta – Centro, Bairro Popular, setores Sul, Oeste e Aeroporto. São responsáveis pela concepção e materialização dos mesmos, aqueles arquitetos graduados no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Belo Horizonte, que trazem de sua formação universitária a influência do pensamento moderno. Entre eles encontram-se registros sobre Eurico Godoy, Elder Rocha Lima, Domingos Roriz, Ariel Costa Campos, Raul Filó, Luiz Osório Leão e Silas Varizo.

Alguns destes têm um significativo número de projetos residenciais nesse período, ao passo que outros são responsáveis também por projetos de edifícios públicos considerados marcos na história da arquitetura da cidade, como a sede do Banco do Estado de Goiás, a Assembléia Legislativa, o Instituto de Previdência e Assistência Social, a Centrais Elétricas de Goiás, o Departamento de Estradas de Rodagem de Goiás e as Faculdades de Filosofia, de Direito e de Educação da Universidade Federal de Goiás.

Fazem ainda incursões em Goiânia, profissionais com experiência no contexto nacional, como David Libeskind e Sérgio Bernardes, que juntamente com aqueles outros produziram uma arquitetura respaldada em um conhecer mais erudito e contemporâneo ao seu tempo.

Com a contribuição destes e outros agentes (engenheiros e projetistas), vários são os edifícios públicos erigidos segundo a linguagem estética moderna numa defasagem temporal, se consideradas as primeiras experiências brasileiras, mas contemporâneas à difusão processada no interior do território nacional. Em compasso com estas realizações, no âmbito da arquitetura residencial, os feitos construtivos se multiplicam com contribuições originais e significativas no contexto da cidade, introduzidas pelos arquitetos mencionados.

O goiano Eurico Godói se forma na Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil. Ele estagia, no Rio de Janeiro, com Oscar Niemeyer e tem uma influência declarada de Lúcio Costa, Afonso Reidy e Attílio Correia Lima. Ele demonstra uma sensibilidade aguçada na leitura das soluções estéticas adotadas por esses arquitetos e ao mesmo tempo apresenta uma atitude apaixonada em relação à arquitetura. Ao retornar à Goiânia em 1951, já graduado, atua profissionalmente no serviço público e em escritório particular, sendo autor de vários projetos, nos quais busca concretizar os ideais modernos incorporados no período de sua formação.

É de sua autoria a primeira casa moderna de que se tem notícia e que tem repercussão em Goiânia por se distinguir funcional e esteticamente das demais e por causar impacto sobre a sociedade local – a casa da Rua 10 esquina com a Rua 91, no Centro, de Dorival e Tereza Barcelar (hoje muito alterada). Essa casa apresenta uma concepção espacial distinta das casas goianienses de então, na medida em que está presente a setorização das atividades e, mais do que isso, a inversão na sua distribuição. O arquiteto traz o setor social e de serviços para a parte anterior (frontal) do edifício e situa o setor íntimo na parte posterior.

Outra novidade é o jardim interno que comparece como elemento importante da organização espacial, ao “reduzir” a dimensão do corredor, imprimindo a sensação de ampliação do espaço, e ao proporcionar maior iluminação e ventilação aos ambientes.

A configuração da residência rompe com o padrão estético dominante nos bairros Central e Norte ao adotar uma geometria mais pura, volume prismático, linhas retas e planos inclinados. O telhado de pequena inclinação é encoberto pela platibanda, que lateralmente converge no centro da fachada, forma popularmente conhecida como “telhado borboleta”. Completando as inovações, o edifício é elevado do solo, com embasamento recuado e a laje de piso projeta-se em pequeno balanço.

Eurico Godói concebe, também, a casa de Alberto Rassi (já demolida). Situado na Av. República do Líbano, no S. Oeste, em frente a uma praça e gozando de uma vista privilegiada, o edifício se volta para ela com toda a sua horizontalidade. A casa tem por característica a sobriedade, um traço que o arquiteto imprime às suas obras e que nesta se evidencia por meio da ausência de ornamentos e, principalmente, de materiais diversos comumente empregados por outros arquitetos nas fachadas dos edifícios. Ele distribui os ambientes de convívio e de serviço no pavimento inferior em que a varanda externa, agenciada sob a laje do primeiro piso, desempenha papel de articulação entre as alas. O pavimento superior destina-se ao repouso e conforma um prisma que se destaca e projeta-se discretamente em relação ao plano inferior.

Para a residência de Eurípedes Ferreira, hoje de Bariani Hortêncio, na Rua 82 no S. Sul, Godói adota também a horizontalidade à qual associa uma inovação – a escada externa que dá acesso ao vestíbulo do edifício. O volume, em forma de ”L”, se volta para o pátio interno (2), sem, no entanto, fechar-se para o exterior público.

Destacam-se no cenário da cidade as casas projetadas pelo arquiteto David Libeskind: a residência de José e Irene Félix Louza, na Avenida Paranaíba esquina com a rua 9, no Centro, a de Ignacy Goldfeld e a de Abdala Abrão, ambas na rua 84, no Setor Sul.

David Libeskind, paranaense, formou-se em 1952 pela Universidade Federal de Minas Gerais, tendo como referência reconhecida em sua formação Silvio de Vasconcelos, Lúcio Costa, de quem admirava as posições perante a arquitetura, Oscar Niemeyer, e nos anos 1960 se aproxima da obra de Oswald Bratke. Profissional de formação ampliada atua como arquiteto, artista plástico e designer e sintetiza em suas obras diálogo entre estas áreas. Atua em São Paulo e é autor de inúmeros projetos residenciais, edifícios de apartamentos e institucionais, sendo o Conjunto Nacional sua obra de maior destaque.

Libeskind, em 1952, projeta para Goiânia a residência da família Félix Louza, que é construída no ano seguinte. Trata-se de uma casa de único pavimento, localizada no centro da cidade, na confluência de duas vias, sendo uma delas uma das principais avenidas da cidade. Em razão desta situação o arquiteto elimina as aberturas para as vias, cria anteparos utilizando painéis revestidos de material cerâmico, ou de cobogós e “volta” a casa para o interior.

A setorização é claramente definida e os diversos setores estão articulados ou margeados por jardins e pátios. O jardim central atua como elemento integrador, possibilitando melhor solução de ventilação e iluminação nos ambientes de estar e circulação.

O volume retangular é marcado pela horizontalidade, enfatizada pelo prolongamento dos muros para além dos limites da cobertura. As fachadas se distinguem, seja pela riqueza de materiais – revestimentos cerâmicos diversos e cobogós nas duas fachadas –, seja pela relação entre cheios e vazios. A laje é de concreto e a cobertura é de telha de cimento amianto.

A segunda residência de Libeskind, para a família Goldfeld, foi projetada na mesma década. Atualmente modificada, o volume principal do sobrado tem forma prismática, é compacto e apresenta acentuada horizontalidade. A caixa superior é fechada nas laterais, ao passo que as demais fachadas são vazadas na totalidade e protegidas por varandas e vidros.

Assim como nos demais projetos de sua autoria, a setorização é rigorosa, sendo os setores social e de serviço localizados no pavimento térreo e o setor íntimo no superior. A novidade do agenciamento está na localização da escada em posição central, destacando-se como elemento focal. Outra solução, adotada pelo arquiteto, ainda não usual na cidade é a associação de banheiros e closets individuais nos quartos. Uma escada e varanda externas são justapostas ao corpo do edifício e permitem acesso independente à sala íntima no pavimento superior.

Em 1961, o arquiteto Libeskind projeta sua última proposta em Goiânia. Trata-se da residência de Abdala Abrão, localizada em terreno de amplas dimensões. Ele estabelece uma distribuição espacial em planta quadrangular, complementada pela edícula. O projeto aprovado e construído se diferencia dos primeiros estudos, em que as relações entre os espaços internos e externos são acentuadas, e é privilegiada a integração entre os ambientes, com espaços fluídos e pouco compartimentados. As suas idéias mais gerais permanecem - a organização em níveis, articulados por pequenas escadas, e a acentuada horizontalidade decorrente das dimensões em planta e elevações. Um traço marcante em suas residências, e aqui presente, é a utilização cuidadosa dos materiais, como madeira, vidro, pedras e elementos cerâmicos, e o trabalho de acabamento.

O arquiteto goiano Luis Osório Leão estuda na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, formando-se em 1959. Quando estudante trabalha nos escritório de Jan Maitrejean, Vilanova Artigas e David Libeskind. Indiscutivelmente os conhecimentos teórico e prático partilhados entre a vida acadêmica e o cotidiano profissional trouxeram ao jovem estudante uma formação privilegiada. Tem uma relação extensa de projetos e obras em Goiás e Brasília, onde continua atuando.

O arquiteto adota nas residências que projeta em Goiânia as características da arquitetura moderna que apreende em sua formação. Elas estão presentes, por exemplo, na residência de Benedito Umbelino de Souza, na Al. Botafogo, projetada em 1961. Localizado em terreno estreito e comprido, o edifício é implantado no sentido da profundidade do lote. O volume retangular resultante tem a face mais reduzida voltada para a rua e reafirma a intenção arquitetural de referências modernas: volume geométrico, unitário, sem elementos decorativos. No agenciamento espacial ele define uma organização em níveis no pavimento inferior, aplicando as lições de Vilanova Artigas. O primeiro nível é reservado ao trabalho, ao estar e ao jantar, que se apresentam integrados e se abrem em amplos painéis envidraçados para o recuo lateral ajardinado, destacando-se, como elemento focal, a rampa que dá acesso ao pavimento superior; o segundo nível é destinado à armazenagem e preparo dos alimentos e à sala de almoço. No piso superior distribuem-se os quartos em seqüência, que se permitem reconhecer externamente na sucessão das varandas laterais.

Silas Varizo, outro arquiteto goiano, gradua-se em 1962 pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil. Quando estudante, estagia com MM Roberto e Sérgio Bernardes. Inicia seu trabalho em escritório particular, atuando, também, no serviço público e na área acadêmica. É autor de inúmeros projetos e permanece trabalhando como projetista em Goiânia.

Em parceria com Armando Norman, projeta na Rua 82, no S. Sul, a casa de Carlos Cunha, em 1963. Essa é uma obra inovadora para o contexto local à época. Dentro de uma geometria nítida concebe volumes diversos que se justapõem e se distinguem por meio dos formatos e da utilização de materiais diversos, como cerâmica, pastilha e pedra, que imprimem coloridos e texturas contrastantes. Além disso, complementam a composição o brise-soleil e o painel de cobogós.

Nessa proposta os projetistas buscam conciliar suas idéias com as exigências da família. Ao mesmo tempo em que asseguram uma setorização mais clara, em contraposição ao que até então prevalecia e introduzem um espaço não comum nas casas goianas, o terraço-jardim, eles cedem à solicitação de um ambiente alpendrado que no projeto ganha maior dimensão, transmutando-se em varanda, colocada em posição frontal, perfeitamente integrada à composição do edifício. Esta solução contraria a convicção do arquiteto sobre a concepção de espaço doméstico voltado para o interior, a casa introspectiva, alheia a cultura de morar local, exige do profissional um permanente exercício do diálogo com os clientes.

Nessas duas décadas atuam em Goiânia não apenas arquitetos, mas engenheiros e projetistas (não graduados), brasileiros ou de outras nacionalidades, que trabalham na concepção e/ou construção de edifícios com características da arquitetura moderna, destacando-se alguns edifícios residenciais.

O projetista Américo Vespúcio Pontes concebe a residência da Getúlio Varanda na Rua 1, no Setor Oeste, em lote de grande profundidade, sentido em que a casa se desenvolve. O corpo principal da edificação encontra-se recuado da testada do lote, mediado por uma plataforma que permite o acesso ao pavimento onde se agenciam as atividades sociais e de repouso. As dependências de serviço e a garagem são distribuídas em níveis diferentes, em espaços sucessivos, na parte inferior do edifício, que toma quase toda largura do lote, mantendo apenas os recuos obrigatórios. O volume é unitário, elevado do solo do solo na parte frontal. Suas linhas são retas e a fachada livre permanece aberta no pavimento inferior e protegida por painel contínuo de vidros no superior.

A residência de Algoraque Afonso Borges, projetada pelo engenheiro Jair Lage de Siqueira, encontra-se na Al. das Rosas, em esplêndido lote de esquina, de amplas dimensões e forte declividade. Voltada em sua frente principal para uma extensa área verde, ele oferece grande oportunidade para o projeto. A casa se assenta densa e parcialmente incrustada no terreno. No pavimento térreo estão a garagem, serviços e espaço de brinquedos, ao passo que no pavimento superior dispõem-se os ambientes sociais e íntimos.

A planta retangular tem sua geometria complementada pela escada externa de acesso que conduz ao pavimento principal sem romper a integridade da fachada e do volume. Em uma das laterais, esse volume é vazado por um pergolado que assegura a ventilação e iluminação interna e traz o jardim para dentro da casa.

Projetada pelo engenheiro Tristão da Fonseca Neto, a residência de Pedro Abrão Filho, na Av. Paranaíba no Centro, apresenta as características mais comumente utilizadas nas casas modernas de Goiânia: sólidos geométricos simples, grandes extensões de janelas (neste caso associando o vidro à veneziana de madeira) e uma marcante horizontalidade. Na organização interna evidencia-se uma acanhada tentativa de integração entre os ambientes sociais, o que nas residências da cidade é pouco experienciada. Os serviços estão na parte posterior do edifício como era o mais freqüente, mas não se apresentam isolados em edícula, e sim agenciados na construção mantendo certa independência. Os locais de repouso se organizam no piso superior contidos em retângulos justapostos que se projetam para além do plano do pavimento inferior.

A casa moderna constitui, sem dúvida, um dos mais significativos meios de expressão da nova arquitetura. Em Goiânia, ela foi construída para a classe média alta da sociedade – artistas, empresários, profissionais liberais, funcionários públicos de altos postos, políticos, etc. As famílias que optam por nela morar mostram-se mais sensíveis às transformações da maneira de viver e mais receptivas às inovações delas decorrentes.

No conjunto das residências construídas depreende-se uma intenção formal mais próxima do repertório moderno do que a organização espacial do edifício. Nele predominam os volumes simples, acentuadamente geométricos; as linhas horizontais, exaustivamente experimentadas em soluções elegantes; os materiais diversos, que dão maior distinção aos volumes e planos; os vão generosos de varandas e/ou janelas se abrem em contrastes com os planos das vedações, geralmente mantidos em cores claras. Essas residências passam a integrar a paisagem da cidade e materializam a imagem de modernidade que será almejada e reproduzida com restrições pela classe média goianiense.

Goiânia é uma cidade extremamente jovem se comparada, por exemplo, às cidades do início da colonização. Paradoxalmente, o espaço edificado nos primeiros tempos de sua construção, objeto desta investigação, tem sido destruído de forma bastante rápida, em razão das mutações próprias do espaço da cidade.

Elas sempre estiveram associadas às transformações maiores, mas a particularidade do tempo atual está no nível destas destruições que agora de tão freqüentes e banalizadas pouco ou raramente têm sido contestadas. O desgaste, a obsolescência, a aspiração do novo e o encanto pela moda também acabam por alimentar a ação de outras destruições – as demolições, substituições e descaracterizações de parcelas ou frações do espaço fazem parte do dia-a-dia dos bairros mais centrais de Goiânia. O ritmo das mutações expõe a fragilidade da memória urbana e neste sentido o registro e a divulgação sobre o universo que persiste é urgente, ainda que se tenha consciência de que o documento não substitui o testemunho vivo do objeto.

notas

1
O texto é resultado de uma pesquisa em desenvolvimento no Núcleo de Estudo do Edifício e da Cidade, do Departamento de Artes e Arquitetura da Universidade Católica de Goiás. As discussões nele apresentadas, apesar de parcialmente abordadas em artigo selecionado para o 6º Congresso Nacional do DO.CO.MO.MO. que se realizará no próximo mês de novembro, são aqui trabalhadas segundo um enfoque mais específico e com complementações pertinentes ao novo interesse.

2
O tema do pátio é recorrente na obra do arquiteto e aparece também na residência de José Ribeiro Parrode, agora gerado pela planta em “U”.

sobre os autores

Maria Diva Araújo Coelho Vaz, arquiteta urbanista, professora da Universidade Católica de Goiás, mestre pela UFG, pesquisa a arquitetura moderna em Goiânia entre 1950-1970.

Maria Heloisa Veloso e Zárate, Arquiteta urbanista, professora da Universidade Católica de Goiás, mestre pelo INAH – México, pesquisa a arquitetura moderna em Goiânia entre 1950-1970.

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