Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

architexts ISSN 1809-6298


abstracts

português
A segunda parte do artigo a respeito da reconstrução integral ou parcial de edifícios em sua evolução na história do patrimônio arquitetônico com especificidade no caso da Alemanha

english
Read the second part of Luiz Antonio Lopes de Souza's article about the full or partial reconstruction of buildings especially in countries like Germany

español
Lea la segunda parte del artículo de Luiz Antonio Lopez de Souza sobre la reconstrucción integral o parcial de edifícios, especificamente en el caso de Alemania


how to quote

SOUZA, Luiz Antonio Lopes de. Wiederaufbau: a Alemanha e o sentido da reconstrução. Parte 2: do Novo Patrimônio ao Pós-Guerra. Arquitextos, São Paulo, ano 10, n. 112.06, Vitruvius, set. 2009 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/10.112/29>.

Na Alemanha, a reconstrução estava no âmbito dos debates no final do século XIX, quando se deram os primeiros debates para o estabelecimento de uma nova teoria do patrimônio. Uma abordagem moderna, cujo início se deu com os escritos de Ruskin na Inglaterra, começava a ser então adotada. Restaurações estilísticas como as das Catedrais de Colônia e Munique foram passaram a ser fortemente criticadas. De um lado estavam os historicistas, seguidores de Viollet-le-Duc, e do outro aqueles que, sob a influência do autor de The Stones of Venice, divergiam sob as instâncias históricas ou artísticas a predominarem na preservação dos monumentos. A obra o austríaco Alois Riegl (1858 – 1905), Der Moderne Denkmalkultus (O Culto Moderno aos Monumentos) estipulou pela primeira vez as categorias de valor dos monumentos a serem preservadas, sendo determinante para o debate da nova visão do patrimônio nos países de língua alemã. Propostas como as de reconstrução do Castelo de Heidelberg (fig.1), recusadas em 1891 e 1901, sofreram grande oposição por Georg Gottfried Dehio (1850 – 1936), que escreveu em 1901 Was wird aus dem Heidelberger Schloβ werden? (O que será do Castelo de Heidelberg?). Com este importante texto, em que repudia a segunda proposta de reconstrução de uma das alas do castelo, chamando atenção para a importância histórica e o valor de suas ruínas, que deveriam ser apenas conservadas, o historiador de arte e professor Dehio é considerado o fundador da abordagem moderna de preservação na Alemanha. Was wird... é concluído com a reflexão do autor, dramática e apaixonada, sobre as conseqüências das decisão a ser tomada sobre o destino da ruína de Heidelberg, tornada monumento em sua incompletude:

Perdas e ganhos podem ser vislumbrados claramente no caso do contínuo agravamento da situação do castelo. Perderíamos o autêntico e ganharíamos a imitação; perderíamos aquilo que se tornou histórico e ganharíamos a arbitrariedade fora do tempo; perderíamos a ruína, que com a sua pátina ainda nos fala tão viva, e ganharíamos uma coisa, que não é nova nem velha, uma abstração acadêmica morta. Entre estes devemos decidir (1).

 Entretanto, paralelamente às discussões que marcaram os primeiros Tage für Denkmalpflege (dias para a preservação do patrimônio), iniciativas de reconstrução continuavam sendo promovidas. A reconstrução do castelo Hohkönigsburg (fig.2), executada pelo arquiteto Bodo Ebhardt (1865-1945) e patrocinada pelo imperador, configura um dos eventos mais importantes e discutidos na época.

O Hohkönigsburg constitui o exemplo mais significativo da contradição entre reconstrução e a moderna teoria de patrimônio que surgia no final do século XIX. A reconstrução deste castelo, localizado na região da Alsácia, atualmente território francês (2), foi protagonizada por Ebhardt, personalidade de destaque no cenário do patrimônio naquele momento. Situado a 755 metros acima do nível do mar, a construção tem o seu passado ligado ao nome do primeiro clã da história alemã: o dos Hohenstaufen, que durante o século XIV foram os seus senhores.

Com o romantismo havia crescido o interesse pelo passado, em especial pela idade média, e a conservação de restauração de edifícios de valor histórico ganhava ainda maior significado. Em conseqüência disto, foram promovidos no Hohkönigsburg diversos trabalhos de consolidação, constantemente interrompidos devido ao seu alto custo. Em 1901, a cidade de Schlettstadt, que desde 1871 pertencia a o Império Alemão, presenteou as ruínas ao imperador Guilherme II. Este incumbiu então Bodo Ebhardt, da reconstrução do castelo. O arquiteto encontrou em ruínas 75 por cento do original da idade média (3), isto é, do período entre os séculos XII e XVI. Com exceção da sala do imperador (Kaisersaal), todos os pavimentos foram reconstruídos em sua forma original.

Esta reconstrução não foi um caso único. Ao longo do século XIX governantes anteriores a Guilherme II se envolveram em uma ativa política de restauração de castelos da idade média, como por exemplo, os castelos Hohenschwangau na Baviera, Marienburg na Prússia e Wartburg na Saxônia. Com o Hohkönisgurg o imperador tinha a intenção de superar Napoleão III e a sua reconstrução do castelo Pierrefonds (4) na França, executada por Viollet-le-Duc. Em Pierrefonds, o mobiliário e a decoração foram desenhados segundo temas da idade média, porém na visão de 1850. No Hohkönigsburg, em um enfoque diferente, Bodo Ebhardt adquiriu armas e peças de mobiliário originais, e criou um museu que retratava uma imagem plausível de um castelo medieval. Na mesma época, intelectuais como Georg Dehio opunham-se mesmo à cuidadosa postura de Ebhardt, alegando que restaurações como esta alteravam a verdade histórica dos monumentos, devendo estes ser apenas preservados em sua substância original.

Nascido na cidade de Bremen, Bodo Ebhardt foi o autor de uma da mais completas obra sobre o tema, Der Wehrbau Europas im Mittelalter (As fortificações na Europa medieval), de 3 volumes, além de diversos trabalhos sobre os castelos alemães. Participou ativamente das discussões do primeiro encontro Tage für Denkmalpflege (Dia da preservação do patrimônio), em Dresden (1900), quando todas as atenções voltavam-se para o tema da reconstrução do castelo de Heidelberg. Entretanto, no segundo encontro Georg Dehio iria manifestar-se contra qualquer discussão sobre o caso do Hohkönisburg, devido ao argumento de Ebhardt de que a reconstrução era tecnicamente o melhor meio para a preservação do castelo.

A reconstrução do Hohkönigsburg destaca-se dentro do cenário do patrimônio arquitetônico alemão no início do século XX, pois para atingir-se o objetivo de legitimação incontestável do império foi utilizada pela primeira vez a tecnologia mais avançada da época. Ao contrário do momento anterior do século XIX, onde uma visão romântica predominava na concepção de imagem a ser reconstruída, Bodo Ebhard baseou-se em uma profunda pesquisa arqueológica, aliada ao estudo comparativo com outras construções semelhantes. Todo o sítio do castelo foi exaustivamente estudado, sendo realizados levantamentos de todos os componentes estruturais remanescentes da ruína. Nos escombros também foram reunidas inúmeras peças, aproximadamente 6 mil, entre elementos de arquitetura, utensílios e armas oriundos desde a era romana (5). Em uma primeira fase das obras, foram realizados trabalhos de contenção e reestruturação da ruína, a fim de preservar os elementos originais remanescentes. Entretanto, devido ao imenso custo, que envolvia uma cara tecnologia, principalmente para o transporte das pedras para o local, além de divergências políticas do império alemão com a região da Alsácia, a reconstrução foi alvo de grande repercussão e críticas na imprensa da época. Ebhardt combateu veementemente os opositores da reconstrução.

Esta especial situação do Hohkönigsburg, em contraponto ao castelo de Heidelberg, o alçou a uma nova dimensão em sua condição de monumento. Uma reconstrução agora regida por critérios científicos e históricos, ao invés dos critérios eminentemente estéticos do momento anterior, que se colocava como desafio ao posicionamento moderno, e, defendida por Ebhardt, tornava-se também uma alternativa viável para a preservação dos monumentos arquitetônicos.

Em 1905, o arquiteto publicou o pequeno volume Ueber Verfall, Erhaltung und Wiederherstellung von Baudenkmalen – mit Regeln für praktische Ausführungen (Sobre a ruína, conservação e reconstrução de monumentos – com regras para a sua execução prática), de 41 páginas, onde desenvolve conceitos sobre técnicas de restauração e conservação voltadas principalmente para os castelos. Nesta publicação Ebhardt pretendeu expor suas idéias com a intenção explícita de realizar uma defesa de suas posturas em relação ao seu campo de atuação. A partir do Hohkönigsburg ele iria reconstruir diversos outros castelos na Alemanha.

Com relação específica aos castelos, é ressaltada nesta obra importância destes para as cidades alemãs, além do seu testemunho da construção de uma nação através das guerras para as quais foram erguidos. Conhecer e estudar os castelos é preservar a memória desta evolução. O autor exemplifica o conhecimento obtido na pesquisa do Hohkönigsburg, que, mesmo que não fosse utilizado para a reconstrução, constitui material valioso neste campo. Ebhardt ainda discorre sobre procedimentos específicos para a preservação de castelos. Mas antes, voltando a referir-se às belas ruínas, ele deixa claro que o lugar destas é na imaginação romântica e não no âmbito do patrimônio arquitetônico:

“Em cada pequena fenda uma planta cria raízes, ela tem um efeito embelezador, mas também destruidor. A ruína irá morrer em sua beleza.” (6)
“(...)Se se quer evitar a ruína, a reconstrução, apesar de todos os ataques que sofre, permanece como a única salvação. Inevitável é que uma construção vá ao chão, quando ela é deixada ao seu próprio destino, ou somente escorada por emergência; seguro é que uma ruína cujo telhado foi roubado, como um ser humano com feridas abertas, tem relativamente um curto tempo de vida. Cada caso de reconstrução será então uma questão pessoal.” (7)

No fim da era de Bismarck, a Alemanha experimentava um surto de explosão demográfica e a superprodução das indústrias, para a qual o mercado interno já havia se tornado insuficiente. Guilherme II adotou uma política interna visando sempre impor a sua posição de supremacia, aumentando ainda mais o isolamento e a animosidade com a França, a Rússia e a Inglaterra. Estava sendo estabelecido o clima de tensão cujo ápice, o assassinato Arquiduque Ferdinando e sua esposa em Sarajevo (8), iria provocar o início da Primeira Guerra Mundial em 1914. O império alemão iria associar-se ao império austro-húngaro nas primeiras declarações de guerra. Derrotada após quatro anos pela Tríplice Entente (França, Rússia e Reino Unido) com a participação dos Estados Unidos, a Alemanha teve que mais uma vez resignar-se à condição de perdedora submetendo-se às duras condições do Tratado de Versalhes. (9)

A criação da República de Weimar (10) veio demonstrar o crescente distanciamento entre as classes dominantes tradicionais e a massa de trabalhadores social democrata. A fim de mobilizar esta massa era necessário um líder cujas estratégias bélicas e retórica estivessem de acordo com as necessidades destes grupos. A fragilidade da república instituída em 1919 contribuiu para a expansão de movimentos radicais de esquerda e de direita e facilitou sobretudo o fortalecimento do nacional-socialismo. Esta seria a chance para a ascensão de Adolf Hitler.

Apesar dos tempos de fragilidade política, os anos vinte foram na Alemanha uma época de intensa efervescência cultural. A década anterior já havia produzido importantes movimentos de artes plásticas como o Expressionismo Alemão, em Berlim, com a participação de artistas como Emil Nolde e Ernst Ludwig Kirchner. Em Munique, em 1911, foi fundado o Blaue Reiter, por Wassily Kandisky e Franz Marc, aos quais se juntariam mais tarde August Macke e Paul Klee. Fundada em 1919 em Weimar e posteriormente transferida para Dessau, a Bauhaus tornou-se a escola referência do movimento moderno na década de 20. Com sua nova proposta para a união de artes plásticas e arquitetura produzindo para a indústria, reuniu em seu corpo de professores nomes da vanguarda da época como Walter Gropius (11), Klee, Kandinsky, Lazlo Moholy-Nagy e Joseph Albers dentre outros. A escola seria fechada pelos nazistas em 1933.

O ocaso da República de Weimar começou com o crash da bolsa de Nova York e a crise econômica mundial de 1929. A história alemã dos anos seguintes foi marcada pela ascensão, nas eleições de 1930 (12), dos ultranacionalistas (nacional-socialistas) e dos marxistas (comunistas). Em seu radicalismo, ambos aproveitaram-se do desemprego (4,4 milhões em 1930) e da miséria geral. Em 1931, a crise levou à falência dos bancos e, em 1932, tudo piorou ainda mais. Os desempregados somavam então 5,66 milhões.

O Terceiro Reich significou o anseio da volta a um passado grandioso. A Alemanha, humilhada e diminuída durante os séculos, lançava-se com o projeto de recuperação de seu poderio como nação na Europa. O discurso de Hitler conseguiu mobilizar praticamente toda a sociedade em um regime autoritário e violento, cuja conseqüência natural seria a guerra. Logo após assumir o poder, em janeiro de 1933 (13), Hitler começou a montar um sistema ditatorial caracterizado pela repressão a todos que não lhe fossem convenientes, pela perseguição aos judeus motivada por uma ideologia anti-semita (14) e pela expansão militar e territorial.

Sua política militarista tomava forma e as forças armadas passaram a prestar-lhe juramento como Führer (líder ou guia). Em 1935, foram declaradas extintas as restrições militares do Tratado de Versalhes, introduzindo-se o serviço militar geral e obrigatório, com o que se restabeleceu a soberania militar do Reich. O caos durante esse período deixou muitos alemães propensos à aceitação da ditadura nacional-socialista. Os violentos conflitos internos e o desemprego em massa haviam abalado a relação de confiança entre povo e governo. Hitler, porém, conseguiu dinamizar novamente a economia. Seu regime impôs uma combinação extrema de capitalismo e socialismo estatal, em que tanto os proprietários de grandes empresas como os operários estavam subordinados ao controle do Estado e ao poder público totalitário. Programas de geração de empregos e a produção de armas levaram à diminuição do número de desempregados. O fim da crise econômica mundial favoreceu tal política. Os judeus foram sendo excluídos da vida econômica, sendo que teriam seus bens confiscados em novembro de 1938.

No âmbito da política externa, Hitler também conseguiu impor seus objetivos, pelo menos inicialmente. A pouca resistência encontrada foi fortalecendo sua posição (15). O avanço para a formação do Terceiro Reich prosseguiu: em 1938, a Áustria foi anexada (Anschluss) e ainda a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia, em 1939. Com a invasão da Polônia, em setembro de 1939, foi deflagrado o conflito mundial que se estenderia até 1945.

Foi durante o Terceiro Reich que muitos restauradores preocupavam-se sistematicamente na eliminação da arte do século XIX. Aquelas obras mais antigas, que no século anterior haviam tido sua forma modificada, eram tidas como “desfiguradas”, e a sua conseqüente volta a uma forma original ideal era estimulada. É conhecido caso de Danzig (atual Gdansk na Polônia), onde entre os anos de 1936 e 1939 arquiteto Erich Volmar dedicou-se a uma reforma ideologicamente forçada nestes moldes, com o objetivo de corrigir a imagem da cidade (16). O traçado das ruas foi totalmente refeito, e todas as restaurações feitas ao longo do século XIX removidas. Edifícios da era Beaux-arts e do Jungendstil tiveram suas fachadas totalmente destruídas, sendo então refeitas em um desenho que imitava o período da renascença. O objetivo desta ação era obter uma imagem da cidade limpa e renovada, através de uma possível unidade estilística. Um pretenso paradigma de cidade histórica que deveria ser apresentado ao povo polonês.

A Segunda Guerra Mundial provocou a destruição generalizada de grande parte do patrimônio arquitetônico em quase todas das mais importantes cidades da Alemanha. Em Dresden, por exemplo, o bombardeio da Noite do Apocalipse em 1945 devastou 75% da cidade, com o início imediato da reconstrução dos monumentos mais importantes como por exemplo o Zwinger (17). A reconstrução no pós-guerra identificou-se com o processo geral de reconstrução do país. Na mesma cidade de Dresden, a Frauenkirche, concluída em 1743 e destruída também em 1945, teria sua reconstrução promovida somente no início da década de 90, após a Reunificação, em uma iniciativa simbolizadora daquele momento histórico. Entretanto no pós-guerra alemão podem ser também identificados exemplos onde não se optou pela reconstrução como forma de preservação.

A Segunda Guerra Mundial, com os conflitos devastadores que a caracterizaram da Europa à Ásia e à África, significou mais uma vez o isolamento da nação alemã, que novamente teria que pagar duramente pelas conseqüências das ações do nazifacismo. O seu fim significou mais uma outra ruptura no desenvolvimento . A perda dos territórios anexados durante a guerra e a divisão do próprio país sob o domínio das potências vencedoras (18) desestruturaram mais uma vez o país.

Neste momento da história alemã a palavra Wiederaufbau adquiriu sua maior dimensão. Significou a reconstrução da sociedade, das cidades à cidadania, dos edifícios à vida diária, das ruas e das fábricas às relações sociais. Foi o início da reconstrução da vida urbana. A sua importância consistiu na tentativa de recuperação de um patrimônio que abrangia toda a identidade de um povo, destruído em uma escala nunca vista em toda a sua evolução.

Neste ponto, para uma melhor compreensão de como o termo reconstrução é abordado na literatura sobre o patrimônio arquitetônico, é necessário analisar o significado desta palavra na língua alemã. Ela nos é apresentada sobre duas formas: Rekonstruktion (19) e Wiederaufbau (20). A forma latina Rekonstruktion aparece com mais freqüência quando se abordam aspectos relativos às técnicas de restauro arquitetônico (21). A reconstrução está neste contexto mais relacionada aos materiais empregados quando do trabalho de restauro e as suas formas de utilização. A forma germânica Wiederaufbau é composta por três partes: Wieder, que significa repetição, de novo; auf, que está relacionado ao ato, à ação de levantar; e Bau, que significa construção. Esta forma é mais abrangente, empregada para referir-se à ação da reconstrução como um todo (22). É o processo de reconstrução em todas as usas fases, pode-se dizer até mais: é o “ideal” da reconstrução que abrange todo o processo. Por isso pode-se ler a palavra com freqüência quando da reconstrução das cidades no pós-guerra, ou ainda quando da reconstrução da Frauenkirche de Dresden no período das pós-reunificação. Pode-se dizer então que o termo Wiederaufbau engloba o termo Rekonstruktion, mas não o contrário.

“É para se pensar, que cada vez mais se fala em reconstrução, e não somente em novas construções. O “re” de reconstrução encerra o ideal do passado, a saudade de algo que se perdeu, e algumas vezes vêm daí uma quase nostalgia do paraíso perdido. O “re” abrange uma esperança. Seria uma injúria removê-lo. Em um país com tantas imponentes obras do passado, esta esperança fica paralizada diante dos escombros dos monumentos.” (23)

Este trecho do livro Ruinen, Denkmäler e Gegenwart (Ruínas, Monumentos e o Presente), escrito pelo Dr. Werner Bornheim gen. Schilling, responsável pelo patrimônio do estado de Rheinland-Pfalz e publicado em 1948, retrata a premência da reconstrução no momento logo após o fim da guerra. No texto o autor justifica a reconstrução em toda a evolução do patrimônio arquitetônico alemão, que desde o início da formação do estado teve de conviver com as ruínas. Elas sempre constituíram as provas de sua evolução, fornecendo o material justificativo para que sobre elas mesmas o país fosse mais uma vez reconstruído e assim avançasse em direção ao futuro. O Dr. Schilling, fazendo uma avaliação do papel da preservação do patrimônio, aponta o instante em que necessidade da reconstrução se confirma:

“A lembrança indestrutível da substância intacta da obra de arte com toda a sua expressão plástica proporciona em muitos casos a garantia de uma reconstrução válida. Ela não vai depender só de projetos, ilustrações e relatos, mas também da lembrança mais profunda como força recriadora. O impulso espontâneo de, no primeiro instante após a ruína, reverter-se a sua desgraça, configura quase sempre a melhor oportunidade para a reconstrução.” (24)

Ao final da grande guerra uma tempestade abateu-se sobre a Alemanha, como não se poderia imaginar desde a Guerra dos Trinta Anos. A partir de 1943, inicialmente em alguns locais, para finalmente transformar-se nos anos de 1944 e 1945 em um verdadeiro inferno de bombas, fogo e pilhagens. Tudo se resumiu a escombros, cinzas, e destroços. Diante das cidades em ruínas ficou uma pergunta: o que ainda a Alemanha possuía dos seus tesouros de cultura e arte?

A destruição generalizada estendeu-se por todas as principais cidades do território alemão, trazendo com ela o caos para as condições de vida. No âmbito do patrimônio arquitetônico, tomando apenas como exemplo o caso do estado da Baviera (25), na capital Munique aproximadamente 65 igrejas e 57 edifícios históricos haviam sido destruídos. A cidade de mais notável arquitetura da Alemanha encontrava-se com feridas e fraturas que dificilmente seriam curadas. Todavia Munique ainda possuía muito de suas casas e edifícios públicos e comerciais ainda ocupados, dando energia à vida urbana. Duas cidades da Baviera em especial, ficaram mortas e paralisadas: Würzburg e Nuremberg. A cidade de Würzburg ruiu em 16 de março de 1945. Toda a silhueta da cidade foi devastada, sobrando apenas a torre da Marienkapelle. Nuremberg teve de volta as imagens da muralha que só eram conhecidas nos desenhos de Dürer. Os seus principais monumentos, as igrejas de St. Sebald e St. Lorenz, a Frauenkirche am Markt, a Prefeitura, e o castelo dos Hohenzollern não passavam mais de um monte de escombros e ruínas.

Uma total noção das perdas não pode ser avaliada. Inúmeros palácios foram alvo de pilhagens, mosteiros incendiados e muitos dos seus tesouros de arte e cultura perdidos. Tinha-se a certeza de que as cidades eram o verdadeiro alvo dos bombardeios, sendo que em muitas os bens preciosos foram removidos, e na maioria dos casos salvos. Mas não somente obras de arte foram destruídas. Livros, manuscritos, processos e documentos foram perdidos, e com eles toda a pesquisa científica de anos e até de séculos. Bibliotecas de obras raras e pequenas bibliotecas particulares foram também destruídas.

Na Residência de Munique, os ambientes oriundos do período final da renascença, do barroco, do rococó até do classicismo de Ludwig I, documentos únicos do desenvolvimento cultural da Europa, não poderiam ser mais totalmente recuperados, apesar do mobiliário, pinturas e tapeçarias terem sido salvos. Na Residência de Würzburg, apenas a monumental escadaria de pedra permaneceu. Entretanto, como que por um milagre, os célebres afrescos de Giovanni Battista Tiepolo e a Hofkirche conseguiram permanecer íntegros. E em Aschaffenburg, o palácio da cidade foi deixado em escombros por bombas e granadas.

Felizmente poucas igrejas foram totalmente destruídas, como a Annadamenkirche de Munique, cujo esplendor do trabalho rococó foi totalmente perdido; a igreja de São Pedro em Würzburg, a igreja do mosteiro de Regensburg e, como já citado, a Frauenkirche am Markt de Nuremberg. A maioria, entretanto, teve pouco de sua arquitetura perdida, a maior delas, a catedral de Munique, que perdeu a cobertura da abóbada e o presbitério. Também em Munique, a Michaelskirche, primeira grande igreja do período renascentista na Alemanha, perdeu totalmente o forro abobadado. Perguntou-se na época como seria possível a reconstrução destes monumentos de valor inestimável. Também preciosos elementos artísticos de igrejas foram perdidos, como os bustos, imagens e lápides.

O líder nazista Goebbels anteriormente havia declarado que todos estes monumentos poderiam ser reconstruídos em dois ou três anos, e que seria apenas uma questão de dinheiro para se poder reconstruir todo o patrimônio perdido. Esta postura totalmente leviana foi um dos fatores que levaram a perdas irreparáveis na guerra de se desencadeou. Na Alemanha se deixou a grande massa da população até o momento da derrocada da guerra na ilusão de que no último instante o inimigo cederia, que não seria necessário o enfrentamento interno nos conflitos. Por esta alienação intencional, a preservação na época desenvolvia-se de forma primitiva e provisória, pois materiais e mão-de-obra específicos eram escassos naquele momento. E então veio a destruição, não primeiramente na Alemanha, mas na Polônia, Holanda, Bélgica, Holanda e Inglaterra. O problema da reconstrução se impôs aos sobreviventes. Uma tarefa com a envergadura da destruição, descendo à suas mais profundas raízes, como em nenhum período histórico jamais acontecido e estendendo-se por toda a Europa. Cada povo teria de desenvolver uma forma própria para lidar com a situação.

Com isto, algumas questões foram formuladas para o problema da reconstrução: Dever-se-ia investir em soluções temporárias ou na reconstrução a longo prazo? Dever-se-ia considerar somente o ponto de vista social econômico ou também os interesses culturais de forma mais ampla? E quando a tarefa cultural da reconstrução era reconhecida, como recuperar através dela os valores artísticos e espirituais? A reconstrução deveria partir da simples reutilização dos elementos originais ou do cuidadoso ajuste de novas técnicas de construção às partes antigas? Dever-se-ia reconstruir somente aqueles edifícios notáveis e únicos ou toda uma imagem e ambiência do porte de um bairro, localidade ou cidade? A complexidade destas questões encerrava a importância do estudo de caso a caso.

Naquele momento não seriam mais aceitas cidades com ruas abafadas, distantes do positivismo da vida moderna. Os anseios voltavam-se então para o ideal de uma cidade radiante, que correspondesse às novas exigências de higiene e conforto. Estas propostas iam de encontro às características da vida urbana tradicional, que principalmente na Alemanha definia seus espaços baseada em condições climáticas e regionais muito específicas. Era urgente, por exemplo, dar uma solução ao problema da falta de moradia para milhões de desabrigados; famílias que eram obrigadas a coabitar em um único cômodo e aqueles que agora migravam do campo para a cidade. A construção de moradias provisórias não foi bem sucedida, devido à falta de materiais e planejamento. Esta era uma prioridade que se impunha diante da destruição generalizada das áreas urbanas.

No caso das as construções históricas, havia a necessidade de cuidar para que fosse evitada a total ruína dos remanescentes. Como deveria ser a partir daí pensada a reconstrução? Tome-se, por exemplo, o caso da Michaelskirche de Munique, construção renascentista que perdeu a totalidade de sua abóbada do período barroco. Seria mais fácil então se reproduzir os elementos barrocos perdidos ou se retornar a uma imagem pós-medieval da igreja? Decidiu-se que alguns exemplos nunca haveriam de ressurgir, como se deu com o castelo de Heidelberg, sendo deixadas apenas as suas ruínas, sombria lembrança do passado recente. Entretanto, um intenso processo de reconstrução iria se iniciar em todas as principais cidades alemãs a partir daquele momento, a nível patrimonial e urbano, denotando a necessidade premente de recuperação pela sociedade dos referenciais que norteariam a sua recuperação.

notas

1
Tradução aproximada: “(…)Verlust und Gewinn im Falle fortgesetzer Verschäferung des Schlosses lassen sich deutlich übersehen. Verlieren würden wir das Echte und gewinnen die Imitation; verlieren das historisch Gewordene und gewinnen das zeitlos Willkürliche; verlieren die Ruine , die altersgraue und doch so lebendig zu uns sprechende, und gewinnen ein Ding, das weder alt noch neu ist, eine tote akademische Abstraktion. Zwischen diesen beiden wird man sich zu entscheiden haben.” DEHIO, Georg. Was wird aus dem Heidelberger Schloβ werden? (1901) . In: HUSE, Norbert (Org.). Deutsche Texte aus Drei Jahrhunderten. München: C.H. Beck, 1996 (1a ed. 1984). 256p. p. 108.

2
Município de Orschwiller.

3
Interview mit Monique Fuchs, Konservatorin der Hohkönisburg. Disponível em <http://archives.arte-tv.com/special/dixans/dtext/Hohkoenigsburg_interview.htm>. Acesso em 9 de novembro de 2005.

4
O castelo ao norte de Paris encontrava-se em ruínas quando o imperador decidiu reconstruí-lo como sua residência de verão. A reconstrução abrangeu da estrutura totalmente nova ao mobiliário. Este foi um dos últimos trabalhos de Viollet-le-Duc, tendo as obras durado de 1858 a 1870.

5
Ver EBHARDT, Bodo. Denkschrift über die Wiederherstellung der Hohkönigsburg bei Schlettstadt im Elsaβ. Berlin: Ernst, 1900. 09 p. pp. 3 e 4.

6
Tradução aproximada: “In jeder kleinsten Fuge wurzelt eine Pflanze, sie wirkt verschönend, aber auch zertörend. Die Ruine wird vergehen, aber sie wird in Schonheit sterben.“ Idem p. 9.

7
Tradução aproximada: “Will man den sichern Verfall nicht, so werden immmer wieder, trotz aller Angriffe, Wiederhertellung die einzige Rettung bleiben. Unausbleiblich ist es , dass ein Bauwerk zu Grunde geht, wenn es sich selbst überlassen bleibt, oder nur notdürftig abgestüzt wird; sicher ist dass eine Ruine , die der Dächer beraubt ist, wie ein Mensch mit offenen Wunde nur noch eine verhältnismässsig kurze Lebenzeit vor sich hat. Jede Wiederherstellungsfrage wird dann freilich ein Personenfrage werden.“EBHARDT, Bodo. Idid p. 10.

8
28 de junho de 1914. O assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro, durante sua visita a Sarajevo (Bósnia-Herzegovina). As investigações levaram ao criminoso, um jovem integrante de um grupo Sérvio separatista chamado Mão Negra, contrário a influência da Áustria-Hungria na região dos Bálcãs. O império austro-húngaro não aceitou as medidas tomadas pela Sérvia com relação ao crime e, no dia 28 de julho de 1914, apoiado pela Alemanha, declarou guerra a Servia.

9
O Tratado de Versalhes, de 28 de junho de 1919, impunha aos países fortes derrotados severas restrições e punições. A Alemanha teve seu exército reduzido, sua indústria bélica controlada, perdeu a região do corredor polonês, teve que devolver à França a região da Alsácia Lorena, além de ter que pagar os prejuízos da guerra dos países vencedores.

10
Instituída em 11 de agosto de 1919. Tendo-se distanciado das idéias revolucionárias do passado, os social-democratas consideravam como sua principal tarefa garantir a transição ordenada para a nova forma de Estado. As tentativas de introdução do socialismo por forças revolucionárias de esquerda haviam sido reprimidas pela força das armas em 1918. A eleição de 1919 – a primeira em que mulheres votaram – resultou em grande maioria para a democracia parlamentar. A constituição promulgada em agosto daquele ano, em Weimar, acentuou a unidade alemã, pois os Estados não dispunham de soberania. As dificuldades econômicas do pós-guerra e as rigorosas condições impostas pelo Tratado de Versalhes alimentaram um profundo ceticismo em relação à República. Os distúrbios atingiram seu ponto culminante em 1923, quando a inflação assumiu proporções dramáticas (um dólar chegou a valer 4,2 bilhões de marcos). Franceses e belgas ocuparam a região do Rio Ruhr, quando os alemães deixaram de pagar as parcelas da indenização de guerra. Nesse ambiente conturbado, Adolf Hitler tentou um golpe malogrado em Munique, como chefe do pequeno Partido Nacional-Socialista (NSDAP), e também os comunistas fariam tentativas de tomar o poder.

11
Walter Gropius (1883-1969) dirigiu a Bauhaus de 1919 a 1928, tendo seu livro Architektur (em português Bauhaus: Novarquitetura) destacando-se como mundialmente como divulgador dos princípios da arquitetura moderna. Mies Van der Rohe substituiu-o na direção da escola até o seu fechamento.

12
A partir de 1930 o movimento nazista de Adolf Hitler adquiriu importância, aproveitando-se do descontentamento popular com as crises econômica e política. O Partido Nacional-Socialista era antidemocrático, anti-semita e de um nacionalismo exaltado. Com uma pregação pseudo-revolucionária, tornou-se a maior força política em 1932. Com a demissão de Franz von Papen, o último chanceler da República de Weimar, o presidente Hindenburg chamou Hitler para constituir o novo governo.

13
Nomeado chanceler do Reich em 30 de janeiro de 1933, Hitler, que considerava o cargo apenas um passo para a tomada do poder absoluto, desfez-se rapidamente dos aliados que permitiram sua ascensão, reservando para si plenos poderes. Através de uma lei aprovada pelos partidos burgueses, proibiu todas as agrupações políticas, com exceção do seu NSDAP. O Partido Social Democrata e o Partido Comunista foram dissolvidos e os demais, forçados à autodissolução. O incêndio do prédio do Reichstag (o Parlamento) em Berlim, em 27 de fevereiro de 1933, logo atribuído aos comunistas, serviu de pretexto para a aprovação de leis que revogaram os direitos fundamentais, puseram fim à liberdade de imprensa e desmantelaram os sindicatos.

14
Pouco a pouco os judeus foram despojados de seus direitos individuais e civis, proibidos de exercer a profissão e de freqüentar certos locais, expulsos de universidades, agredidos, forçados a entregar ou vender empresas e propriedades. Quem podia tentava fugir para o exterior para pôr-se a salvo das espoliações, injustiças e vexações. A perseguição política e a ausência de liberdade de expressão e informação também levaram milhares de pessoas a abandonar o país. A emigração forçada de inúmeros intelectuais, artistas e cientistas de renome representou uma perda irreparável para a vida cultural da Alemanha.

15
Em 1935, a região do Sarre, até então sob a administração da Liga das Nações, foi reintegrada ao território nacional. Em 1936, as tropas alemãs invadiram a Renânia, zona desmilitarizada desde 1919. A assinatura de um pacto com o Reino Unido, em 1935, permitiu o rearmamento naval da Alemanha até 35 por cento do poderio britânico. Desmoronava, assim, todo o esquema de contenção da Alemanha, armado pelos franceses desde o fim da Primeira Guerra Mundial. A Guerra Civil Espanhola, iniciada em 1936, motivou um confronto entre esquerda e direita. Enquanto o governo republicano foi apoiado pela União Soviética, os rebeldes adeptos do general Franco tiveram ajuda da Itália e da Alemanha. Os dois países aliaram-se em outubro do mesmo ano, no eixo Roma-Berlim. Japão e Alemanha, por outro lado, haviam se unido no Pacto Anti-Komintern. Com a adesão da Itália a este, em 1937, configurava-se a Tríplice Aliança, que se manteria até a Segunda Guerra.

16
O caso de Danzig foi abordado por Thomas Starke em Erich Volmar, Danzigs Bauwerke ind ihre Wiederherstellung. Ein Rechenschaftbericht der Baudenkmalpflege, Kulturpolitische Schriftenreihe für den Reichsgau Danzig (1940) , em BROCK, Ingrid (Org.). Dokumentation der Jahrestagung 1986 in Danzig. Thema: Probleme des Wiederaufbaus nach 1945. Bamberg: Arbeitskreis für Theorie und Lehre der Denkmalpflege, 1991. Citado por HUBEL, Achim (Org.). Dokumentation der Jahrestagung 1989 in Hildesheim. Thema: Denkmalpflege zwischen Konservieren und Rekonstruiren. Bamberg: Arbeitskreis für Theorie und Lehre der Denkmalpflege, 1993. Nota 26 . p. 102.

17
O Palácio já havia sido anteriormente restaurado e parcialmente reconstruído após um incêndio em 1849.

18
As quatro potências vencedoras – Estados Unidos, Inglaterra, França e União Soviética – assumiram o poder e dividiram o território em quatro zonas de ocupação. Sob o controle soviético, ficaram os territórios a leste dos rios Oder e Neisse. Berlim também foi dividida em quatro setores.

19
re|kon|stru|ie|ren <sw. V.; hat> [frz. reconstruire, aus: re-ÿ= wieder u. construire < lat. construere, konstruieren]: 1. den ursprünglichen Zustand von etw. wieder herstellen od. nachbilden: einen antiken Tempel r. (tradução: recompor ou copiar o estado original de algo: reconstruir um templo antigo) (...) Duden - Deutsches Universalwörterbuch, 5. Aufl. Mannheim 2003 [CD-ROM].

20
wie|der|auf|bau|en <sw. V.; hat>: den früheren Zustand von etw. wiederherstellen: nach dem Krieg die Industrie w. (tradução : recompor o estado anterior de algo: reconstruir a indústria após a guerra.) Fonte: Duden - Deutsches Universalwörterbuch, 5. Aufl. Mannheim 2003 [CD-ROM].

21
Exemplo: Dokumentation der Jahrestagung 1989 in Hildesheim. Thema: Denkmalpflege zwischen Konservieren und Rekonstruiren (Documentação do Encontro Anual de 1989 em Hildesheim. Tema : A preservação entre o conservar e o reconstruir )

22
Exemplo: Das Neue München – Vorschläge zum Wiederaufbau. (A nova Munique: propostas de reconstrução)

23
Tradução aproximada: “Es gibt zu denken, daβ man immer wieder den Wiederaufbau zitiert, nicht also den absoluten Neubau. Dieses “Wieder” schlieβt das ideal des Vergangenen ein, die Sehnsucht, etwas verlorenes zu retten, und manchmal erklingt darin fast ein Heimweh nach dem verlorene Paradiese mit. Das “Wieder” umschlieβt eine Hoffnung. Ein Frevel wäre es , diese zu nehmen. In einem mit gewaltigen Bauwerken der Vergangenheit durchsäten Land staut sich diese Hoffnung vor den Trümmern der Monumente.” SCHILLING, Werner Bornheim gen. Ruinen, Denkmäler und Gegenwart. p.46.

24
Tradução aproximada: “Die ungebrochene Erinnerung an den unbeschädigten Zustand des Kunstwerkes mit ihrer ganzen plastischen Vorstellung bietet in vielen Fällen die sicherste Gewähr für eine wahre Wiederherstellung. Denn dies hängt nicht nur von Plänen, Abbildungen und Darstellungen ab, sondern auch von der innersten Erinnerung als wiedererschaffender Gewalt. Der spontane Trieb, sofort nach dem Einsturz das Unheil zu wenden, bildet fast stets die beste Chance für eine Wiedergutmachung.“ Idem p.52.

25
Ver LILL, Georg. Um Bayerns Kulturbauten. Zerstörung und Wiederaufbau (1946). Em HEMMETER, Karlheinz (org.). Bayerische Baudenkmäler in Zweiten Weltkrieg. pp. VII a XVIII.

sobre o autor

Luiz Antonio Lopes de Souza (1963) possui graduação em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1986) e mestrado em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2006). Atualmente é arquiteto chefe do Núcleo de Arquitetura da Fundação Biblioteca Nacional

comments

newspaper


© 2000–2020 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided