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architexts ISSN 1809-6298

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Este trabalho busca descrever as técnicas de preservação usadas no Cine Teatro Central, em Juiz de Fora, construído na década 1920 e tombado pelo IPHAN em 1994, bem como propor uma metodologia para a recuperação de sua vida útil


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BARBOSA, Maria Teresa; et. al. Patologias de Edifícios Históricos Tombados. Estudo de Caso – Cine Teatro Central. Arquitextos, São Paulo, ano 11, n. 128.05, Vitruvius, jan. 2011 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/11.128/3720>.

Fig. 1 - Cine Teatro Central em Juiz de Fora.
Foto autores

1. Introdução

O termo Patrimônio Cultural pode ser entendido como o conjunto de bens de interesse para a memória do Brasil e de suas correntes culturais formadoras, abrangendo os patrimônios: arquitetônico, artístico, bibliográfico, científico, histórico, museológico, paisagístico, entre outros. Dentro deste contexto, engloba as representações, as expressões, os conhecimentos, as técnicas e também os instrumentos, os objetos, os artefatos e os lugares que a eles estão associados; as comunidades, os grupos e, em alguns casos, indivíduos que se reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural, e está associado a construção e a acumulação de bens e à sua permanência, no tempo e no espaço, portanto, à História e à sua continuidade e trajetória. São os testemunhos da história e da cultura, produzidos pelos grupos sociais, que permitem conhecer o modo de vida de pessoas que viveram em outras épocas e lugares, em situações diferentes das nossas. Tudo isto nos conscientiza de que fazemos parte de um todo maior, que continua nos dias de hoje e se estenderá para o futuro (1).

Se a ocorrência de problemas patológicos é grande nos edifícios atuais, é bem maior nos antigos, como no caso do Cine Teatro Central (vide figuras 1 e 2), que constitui uma das principais atrações turísticas da cidade de Juiz de Fora (Minas Gerais – Brasil). A caracterização da sua estrutura é o principal objetivo, sendo também importante o conhecimento da sua história, projeto e intervenções, a partir de dados coletados e depoimentos de pessoas envolvidas, direta ou indiretamente, em concepção e realização (2).

Fig. 2
Foto autores


Deve-se, portanto, levantar dados suficientes buscando detectar o envolvimento das autoridades no que se refere à preservação e restauração para se evitar a destruição do patrimônio arquitetônico e o rompimento da consciência histórica.

A edificação se encontra com a fachada frontal direcionada para Praça João Pessoa e os fundos para Rua Barão São João Nepomuceno; as laterais encontram-se as galerias Ali Halfeld e Azarias Vilela. Possui os serviços: água, luz, telefone, rede de esgotos e águas pluviais, rede viária pavimentada e coleta de lixo.

Sua estrutura é constituída, basicamente, em alvenaria de tijolo maciço com elementos de pórticos em concreto armado. A laje principal é reforçada com estrutura metálica, devido a sua pequena espessura. Constata-se a presença de marquises e platibandas em todo o seu perímetro; o telhado é constituído de duas águas em telha cerâmica, tipo francesa, apoiada sobre uma estrutura mista composta por: madeira (caibros e ripas) e aço (tesoura); entre a telha e a ripa há uma película impermeável para promover a prevenção contra possíveis vazamentos.

O teatro pode ser subdividido em duas partes: a área técnica e área de acesso público. A área técnica é constituída por 4 (quatro) pavimentos, sendo o primeiro, o subsolo, composto por: área de serviço, 2 (dois) banheiros, 2 (dois) depósitos, caixa d’água, 1 (uma) entrada de serviço e um fosso destinado a uso de orquestra. O segundo pavimento encontra-se o palco, 2 (dois) camarins e área de circulação. O terceiro, contempla 2 (dois) camarins, sala da antiga projeção e área de circulação e, finalmente, o quarto pavimento, além da sacada há o urdimento.

A área de acesso ao público é composta por 3 (três) pavimentos e o sótão. No primeiro verifica-se a existência do Foyer, de 2 (duas) bilheterias, de 2 (dois) halls de acesso às escadas, de 4 (quatro) escadas, da plateia, do hall da plateia, de 2 (dois) balcões laterais, de 9 (nove) banheiros e de 3 (três) depósitos. O segundo pavimento é constituído pela área para camarotes, 2 (dois) camarotes especiais, balcão nobre, hall, 4 (quatro) banheiros e 2 (duas) escadas com hall. O terceiro apresenta além da área da galeria, sala de projeção, 5 (cinco) banheiros, 2 (dois) halls de acesso às escadas e 1 (uma) escada de acesso ao sótão e, finalmente, ao nível do sótão há uma sacada.

2. Metodologia

O programa foi dividido em cinco etapas. Considerando as mesmas de forma sucinta, tem-se: pesquisa bibliográfica; estudo de manutenção de imóveis históricos tombados; estudo de casos: análise, inspeção preliminar, detecção da necessidade de intervenção; análise das condições de manutenção de bens públicos tombados (análise histórica do edifício, levantamento fotográfico das patologias encontradas, seleção da estratégia a adotar, levantamento e diagnóstico) e, finalmente, uma sistemática de proposta para recebimento dos serviços a serem desenvolvidos.

Este trabalho pretende atingir resultados que possam contribuir para se estimar, com maior consistência, os efeitos produzidos pela má conservação dos patrimônios antigos e bens tombados bem como, das consequências dos maus tratos com relação à conservação dos mesmos, o que poderá proporcionar, no futuro, restaurações, recuperações e revitalizações mais precisas.

3. Avaliação e diagnóstico das patologias da edificação

3.1. Vistoria nas fachadas da edificação

A área externa do teatro reflete a aparência e a beleza do patrimônio histórico – Cine Teatro Central, necessitando de observações nas questões podem vir a contribuir para a degradação e o comprometimento da vida útil da edificação. Neste sentido, constatam-se algumas anomalias que deverão ser sanadas a fim de restaurar/ recuperar e garantir o perfeito funcionamento dos elementos construtivos da edificação.

3.1.1. Fissuras na união parede - piso externo

Constatou-se a presença de fissuras na união parede/pavimento externo (calçamento) em praticamente toda a extensão do teatro, principalmente nas regiões localizadas nas galerias; essas são oriundas de movimentações higrotérmicas entre componentes distintos, conforme ilustrado na Figura 3. Deve-se considerar inclusive, o declive inadequado do pavimento que propicia o acúmulo de água nessas regiões, bem como o desenvolvimento de fungos e bolores e favorece o acesso da água para o interior da edificação.

Fig. 3
Foto autores

3.1.2. Recalque no piso do passeio na fachada frontal

Observou-se, conforme ilustrado na Figura 4, um recalque próximo à escada de acesso a entrada principal do teatro, oriundo, provavelmente, de vazamentos na rede de capitação e/ou distribuição de água pluvial e/ou esgoto da cidade. Verifica-se a ocorrência, sem sucesso, de intervenções a fim de sanar tal transtorno.

Fig. 4
Foto autores

3.1.3. Fissuras por atuação de sobrecarga nas aberturas de janelas

Observa-se o aparecimento de fissuras, com inclinação de cerca de 450, no canto das aberturas de janelas e basculantes geradas pela falta e/ou deficiência de vergas e contra-vergas, oriundo de erros no processo construtivo da edificação, vide Figura 5. Salienta-se que esta patologia possibilita a percolação de água e, posterior deterioração da argamassa de revestimento, bem como dos materiais constituintes devido às movimentações higroscópicas.

Fig. 5
Foto autores

3.1.4. Degradação da marquise, sobre muros e guarda-corpo das fachadas da edificação 

Constatou-se o desenvolvimento de bolor e fungos, bem como o desprendimento do emboço nas extremidades das marquises devido à inexistência de pingadeira, vide Figura 6. Tal fato foi observado em toda a extensão da fachada da edificação.

Fig. 6
Foto autores

A presença de umidade constante no guarda corpo e nos muros das fachadas propiciam o desenvolvimento de microorganismos (fungos e bolores) resultando na degradação da pintura e da argamassa de revestimento, comprometendo, assim a vida útil dos materiais, conforme ilustrado na Figura 7.

Fig. 7
Foto autores

3.1.5. Fissuras nas paredes externas

Constata-se a presença de fissuras na parede da varanda frontal, exposta, diariamente a variação de temperatura, vide Figura 8. Verifica-se que é oriunda da má execução dos serviços de reparo efetuados que desrespeitaram os procedimentos necessários a serem adotados quando da união entre materiais distintos, ocasionando tensões e resultando na ruptura, ou seja, fissura.

Fig. 8
Foto autores

3.1.6. Telhas quebradas e/ou empenadas no telhado

Recentemente ocorreu uma reforma no telhado, sendo assim, constata-se que sua estrutura está adequada, porém nota-se a ocorrência de telhas quebradas e/ou empenadas que poderão ocasionar o aparecimento de vazamentos que serão minimizados pelo sistema de impermeabilização existente entre as telhas e as ripas, vide Figura 9.

Fig. 9
Foto autores

3.1.7. Infiltração oriunda do sistema de impermeabilização (marquise e sacada frontal)

A Figura 10 apresenta as imagens do teto da laje situada na entrada principal do teatro, onde constata-se diversos pontos com presença de umidade (infiltração de água), oriundos do vazamento do sistema de impermeabilização utilizada na marquise (manta), bem como a deficiência no funcionamento dos ralos, que se encontram, muitas vezes, entupidos.

Fig. 10
Foto autores

3.2. Vistoria na parte interna da edificação

A área interna, assim como a externa do Cine Teatro Central, reflete a aparência e a beleza do patrimônio histórico, necessitando de uma atenção especial nas questões que podem contribuir para a degradação e o comprometimento da vida útil da edificação. Neste sentido, observa-se algumas anomalias que deverão ser sanadas a fim de restaurar/ recuperar e garantir o perfeito funcionamento dos elementos construtivos da edificação. A seguir são apresentadas as patologias identificadas com suas respectivas medidas corretivas

3.2.1. Conservação dos pisos

Por meio de uma análise visual constataram-se diversas patologias nos pisos da edificação, a saber:

  • Ladrilhos hidráulicos: observou-se a existência de ladrilhos quebrados e/ou com elevado índice de desgaste superficial e/ou deteriorados pela ação das intempéries. Deve-se considerar, inclusive, a presença de fissuras e o descolamento de algumas peças, que sofreram reformas com o emprego de cimento queimado, muitas vezes, de coloração e textura diferenciadas, evidenciando a deficiência no controle tecnológico na execução deste serviço; vide Figura 11.
  • Piso queimado das plateias: o piso de cimento liso, queimado (vermelhão), apresenta-se com pontos de deterioração com o aparecimento de fissuras e elevado desgaste.
  • Pisos vinílico: os pisos de PVC, existente nos camarins e na bilheteria apresentam-se desgastados e deteriorados.
  • Pisos cerâmicos: os pisos cerâmicos utilizados nos banheiros dos camarins e dos Funcionários apresentam-se deteriorados, trincados e manchados com vida útil comprometida pelo uso e falta de manutenção.Deve-se considerar inclusive que os azulejos utilizados nos banheiros dos camarins, das plateias, dos servidores e das bilheterias apresentaram algumas patologias, sendo as principais: deficiência no material de rejunte, descolamento de placas de azulejo, danos oriundos dos serviços de manutenção de rede hidráulica, trincas devido à atuação de sobrecargas (falta de contraverga).

Fig. 11
Foto autores

3.2.3. Conservação das pinturas e revestimentos das paredes

As paredes da edificação merecem muita atenção ao se propor qualquer alteração, uma vez que, a maioria, está incluída no tombamento do patrimônio histórico. As principais patologias identificadas e suas medidas de correção são listadas a seguir.

  • Fissuras devido a falta de verga e contraverga: as fissuras devido à falta contra-vergas, conforme se observa na Figura 5, é um exemplo de patologia presente em cerca de 80% das paredes nas regiões próximas as janelas, basculantes e portas(vergas) da edificação. Tal fato é oriundo da atuação de sobrecargas, ocasionando a entrada de água (umidade) e a deterioração.
  • “Cantos vivos” danificados: verifica-se vários “cantos vivos” (quinas) quebrados nas paredes do teatro, vide Figura 12, bem como no detalhe artísticos existente no palco, que comprometem o sistema de pintura. Essas patologias são geradas pelo atrito e impactos de equipamentos e utensílios utilizados nas apresentações realizadas.
  • Umidade ascensional: vários locais na edificação, no primeiro pavimento, apresentam patologias ocasionadas por umidade ascensional, conforme de observa na Figura 13. Esta corresponde a um foco de umidade na parte inferior de paredes com descolamento/estufamento da pintura/revestimento causando deterioração da mesma.
  • Inclinação inadequada dos peitoris das janelas: as janelas, em praticamente sua totalidade, apresentaram peitoris com inclinação para região interna da edificação. Como não existe pingadeira tem-se o retorno da água de chuva e consequentemente a deterioração da argamassa de revestimento e da pintura, vide Figura 14.
  • Reparos mal executados: o teatro tem sofrido pequenas intervenções (reparos), contudo a sua efetivação necessita de cuidados, conforme ilustrado na Figura 15. Ressalta-se, nesses casos, principalmente as pinturas da parede devido a sua importância histórica.
  • Patologias de umidade causados por vazamentos nas calhas de esgotamento pluvial do telhado: observou-se, nas regiões superiores do teatro, a presença de manchas de umidade oriundas, possivelmente, de vazamentos da tubulação de captação de água do telhado. A Figura 16 apresenta o detalhe de um dos cantos superiores do teatro. Pode-se observar que os vazamentos estão deteriorando a pintura e ocasionando a formação de microrganismos (fungos).

Fig. 12
Foto autores

Fig. 13
Foto autores

Fig. 14
Foto autores

Fig. 15
Foto autores

Fig. 16
Foto autores

3.2.6. Recalque da região frontal do palco

Verificou-se que a parte frontal do palco apresenta 2 cm de desnível em relação ao piso de cimento situado em região posterior. Percebe-se riscos aos artistas e aos operadores. A Figura 17 mostra os detalhes deste desnível no palco.

Fig. 17
Foto autores

3.2.7. Conservação das portas

As portas encontram-se desgastadas, com presença de umidade e cupins, partes quebradas, falta de fechaduras e/ou dobradiças.

Nas portas de vários cômodos é possível verificar as más condições das fechaduras, trincos e dobradiças. Algumas portas da edificação detectam-se a presença de cupins (60%) danificando a sua estrutura e estética.

3.2.8 – Conservação das Janelas

Durante a vistoria diagnosticou várias patologias nas janelas da edificação. A maioria oriunda da ação do intemperismo e da falta de manutenção, destacando-se: janelas apodrecidas oriunda da presença de umidade, regiões danificadas devido a falta de serviços de manutenção, janelas com vidros quebrados e/ou desuniformes com os modelos existentes no teatro.

4. Sistemática de produção e recebimento da obra

As fases de planejamento e projeto dizem respeito à previsão da edificação, portanto, as decisões tomadas nessas fases são aquelas que influenciam diretamente na qualidade do ambiente construído. Salienta-se que o planejamento é um instrumento de integração entre a concepção e a produção, enquanto que o projeto é o instrumento que viabiliza a produção do empreendimento, concretizando a concepção (3).

No que se refere ao projeto, constata-se que se for efetuado inadequadamente ocorrerá o surgimento de falhas, na relação com: o planejamento, a determinação de fabricantes e fornecedores de materiais, além de graves problemas na execução dos serviços, refletindo para os usuários e para a etapa de operação e manutenção.

Dentre deste contexto, verifica-se que a etapa de projeto está configurada como o fluxo de atividades de decisões que caracterizam por momentos fundamentais, como: análises dos vínculos e objetos do projeto, elaboração de hipóteses de soluções, determinação de soluções e a verificação da correspondência das mesmas com os objetivos propostos. Essa verificação é uma condição necessária e suficiente para um bom projeto, controlando e validando a garantia de qualidade de um projeto de construção.

A fase preliminar de um projeto consiste em definir os vínculos e os objetos do mesmo, conhecida também, por instruções. O responsável pode ser o contratante com a ajuda de construtores e projetistas, para que se definir os objetivos iniciais da qualidade em termos de funcionalidade e ambiente ou então, mais genericamente, tecnológica. Nesta fase, são definidos todos os objetivos, tanto técnicos quanto econômicos e, como será possível alcança-los em função dos recursos disponíveis.

Na fase seguinte, denominada projeto funcional, são definidas as características morfológicas e dimensionais dos espaços e dos elementos a fim de se satisfazer as exigências dos usuários, terminando-a com a identificação dos defeitos que devem ser estudados nas fases seguintes.

A fase de definições das tecnológicas de uma edificação, considerando a durabilidade de um edifício e suas partes, poderá ser denominada por projeto tecnológico. Esta, também, e uma fase prescritiva onde se define os elementos técnicos que garantam as condições de funcionalidade, habitabilidade e conforto dos ambientes. E, finalmente, efetua-se o controle da durabilidade do projeto, que resulta em soluções técnicas, em definições dimensionais, materiais e construtivas, da partes que constituem cada elemento da edificação.

O quadro 1 apresenta alguns fatores que podem ser gerados nas diferentes fases do projeto. O controle da durabilidade de uma solução poderá ser analisado através da “análise do mecanismo de falhas”, podendo ser realizado concomitantemente com o comportamento dos materiais, através de ensaios diretos e indiretos, podendo ser obtida por:

  • Determinação dos elementos técnicos e instalações que constituem o sistema tecnológico do edifício;
  • Determinação dos agentes degradantes, aos quais aos materiais estão sujeitos;
  • Estabelecimento de uma correlação entre as alterações dos materiais e a modificação geométrica e funcional dos elementos;
  • Determinação da gravidade da falha e sua estimativa quantitativa e qualitativamente.

Um exemplo ilustrativo da proposta apresentada está descrito no Quadro 2, no que se refere à confecção de argamassas. Estes requisitos fundamentais devem garantir a garantia da qualidade e durabilidade das mesmas. Salienta-se que para o controle da durabilidade a solução proposta deve determinar os possíveis erros patológicos mediante uma análise dos mecanismos de falhas.

Conhecer as principais propriedades das argamassas no estado fresco (p. ex.: trabalhabilidade, retenção da água), que resultam nas propriedades do estado endurecido (p.ex.: capacidade de absorver deformações) é uma forma eficaz de evitar alguns erros grosseiros que resultam em patologias.

Ao longo do tempo, independente do tipo do material ou do uso à que se destina, deve-se exigir sempre as mesmas funções básicas das argamassas: unir; vedar; regularizar e proteger.

Quadro 1 – Definições para cada uma das fases do projeto de uma edificação

Fase do projeto

Produto

Fatores a considerar

Instrução

Objetivos e características gerais da edificação, tempo previsto, usuário, atividades, requisitos e especificação funcional, dos ambientes e tecnológicas.

Erros na definição do objetivo da qualidade.

Projeto funcional

característica morfológica-dimensional dos espaços e dos elementos, tipo de ação para o usuário em cada ambiente (tipologia do elemento espacial)

Espaço inadequado para o desenvolvimento das atividades previstas

Projeto tecnológico

Requisitos e especificações tecnológicas, modelos funcionais e tecnológicas.

Erro na definição tecnológica, nos objetivos relacionados a caracterização do uso.

Durabilidade do projeto

Modelo de funcionamento primário da edificação e suas partes onde se determina as soluções técnicas a serem adotadas

Erros na determinações dos materiais, deficiência na análise dos agentes internos e externos.

Quadro 2 – Exemplo de análise dos fatores que podem ser alterados para a execução de argamassa

Função

Argamassa

(concepção)

Argamassa (material)

Argamassa

(execução)

Materiais

Especificar espessura, traço que garanta durabilidade da edificação.

Emprego de materiais livre de impurezas e traço

Garantir a perfeita execução do serviço.

Causas

Proteção e impermeabilidade a penetração de agentes agressivos

Comprometimento da durabilidade e da vida útil devido a má qualidade dos materiais

Uniformidade e garantia na perfeita execução dos serviços.

Efeito

Aumento da durabilidade

Aumento da durabilidade

Garantia da qualidade e da durabilidade

Gravidade

Alta

Alta

Alta

Frequência

Alta

Alta

Alta

Alternativa

Normalização técnica vigente ou definição do emprego de outra.

A ser definida

Gerenciamento da produção.

5. Conclusão

A manutenção de edifícios possui um significado abrangente tanto econômico, social, acadêmico, cultural e técnico quanto jurídico. Nos países desenvolvidos, o valor em cada ano pode atingir 2% do valor total dos prédios, no Brasil, este valor poderá ser maior devido ao baixo controle de qualidade.

Segundo a normalização brasileira entende-se por manutenção de edifícios “o conjunto de atividades a serem realizados para conservar ou recuperar a capacidade funcional da edificação e de suas partes constituintes, de atender as necessidades e segurança dos seus usuários. Dentre as necessidades dos usuários enquadram-se as exigências de segurança, saúde, conforto, adequação ao uso e economia cujo, atendimento é condição para realização das atividades previstas no projeto” (4).

O diagnóstico das patologias de um edifício como um todo ou em suas partes significa identificar as manifestações e sintomas das falhas, determinar as origens e mecanismos de formação, estabelecer procedimentos e recomendações para a prevenção. A partir do diagnóstico é possível planejar as atividades de recuperação, restauração, dentre outras. Estes dados apóiam os serviços de manutenção, que busca maximizar o desempenho quanto à segurança e habitabilidade dos edifícios e minimizar os custos dos serviços e as intervenções a serem efetuadas no mesmo.

As patologias do Cine Teatro Central indicam os problemas que vêem surgindo através dos tempos, por isso, o objetivo é preservar as referências culturais relevantes, remontar as características tradicionais e intrínsecas à sua condição. No entanto, um projeto de preservação desse tipo não é simples de ser implantado, mas, uma vez que se começa, fica muito mais fácil de continuar.

Espera-se, através deste enfoque, obter resultados que possam contribuir para se estimar, com maior consistência, os efeitos produzidos pela má conservação dos patrimônios antigos e seus acervos, bem como das consequências dos maus tratos com relação à conservação dos mesmos, proporcionando, no futuro, restaurações, recuperações e revitalizações mais precisas.

A simples ação de preservação e conscientização pode fazer crescer a sociedade no futuro, pois o presente e o passado são coisas importantes para o crescimento. Portanto, é preciso criar uma consciência ativa para preservar os patrimônios culturais, ou as gerações futuras conhecerão o passado apenas através dos álbuns de fotografias. Se não for levada a sério a preservação, breve só restará o arrasamento de marcos, a destruição de patrimônios arquitetônicos e muito arrependimento.

notas

1
BARBOSA, Maria Teresa; FINOTTI, Marzio H.; SOUZA, Vicente C. “Patologias de Edifícios Históricos Tombados de Propriedade da Administração Pública”, In: Congresso Internacional sobre Patologia e Reabilitação de Estruturas. Aveiro, Portugal, 2008.

2
Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF (2007). Cine Teatro Central. Disponível em: <http://www.ufjf.edu.br >.

3
BARBOSA, Maria Teresa; SANTOS, W. “Controle de Projeto como Instrumento de Prevenção de Patologias nos Postos de Saúde localizados na cidade de Juiz de Fora”, In: X Congreso Latinoamericano de Patología y XII Congreso de Calidad en la Construcción. CONPAT 2009. Anais. Valparaíso, de 29 de setembro a 2 de outubro, 2009.

BARBOSA, Maria Tereza; PIRES, Verônica L. “Prevenção de Fissuras em Argamassas de Revestimento através do Controle na Etapa de Produção de Uma Edificação”, In: 4th International Conference on Structural Defects and Repair (CINPAR). Portugal, 2008.

ANGELIS, E.; POLTI, S.; TISO, A. “El Controle del Proyecto como Instrumento para la Prevención de lãs Patologias de la Co0nstrucción”, In: IV Congresso Iberoamericano de Patologia das Construções. (CONPAT). Porto Alegre, v. 2, 1997, p. 309-318.

GUS, Marcio. “Um Modelo para Gestão da Qualidade na Etapa de Projeto”, In: Gestão da Qualidade na Construção Civil. Porto Alegre. 1997, pp. 29-58.

SOUZA, Roberto; MEKBEKIAN Geraldo; SILVA, Maria A.; LEITÃO, Ana C.; SANTOS, Márcia M. Sistema de Gestão da Qualidade para Empresas Construtoras. São Paulo, PINI, 1995.

4
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS: NBR 5674. (1999). Manutenção de Edifícios – Procedimentos.

sobre os autores

Maria Teresa Gomes Barbosa é Engenheira Civil, D.Sc. pela COPPE/UFRJ, Professora Associada da UFJF, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ambiente Construído/UFJF. Áreas de interesse: materiais de construção civil, patologia das construções, inovação tecnológica, enfocando, principalmente o Ambiente Construído e sua sustentabilidade.

Antônio Eduardo Polisseni é Engenheiro Civil, D.Sc. pela UFRGS, Professor Associado da UFJF. Áreas de interesse: materiais de construção civil, patologia das construções, inovação tecnológica, enfocando, principalmente o Ambiente Construído e sua sustentabilidade.

Maria Aparecida Steinherz Hippert é Engenheira Civil, D.Sc.pela COPPE/UFRJ, Professora Adjunta da UFJF. Áreas de interesse: materiais de construção, gerenciamento de empreendimento, inovação tecnológica e informação tecnológica.

White José dos Santos é Engenheiro Civil, aluno do curso de Mestrado Acadêmico em Ambiente Construído/ UFJF. Áreas de interesse: materiais de construção, manutenção de edifícios, sustentabilidade da edificação.

Igor Moura de Oliveira é Bolsista de Treinamento Profissional da UFJF – Projeto: Cine Teatro Central, graduando do curso de Engenharia Civil da UFJF.

Karla Teixeira Monteiro é Bolsista de Treinamento Profissional da UFJF – Projeto: Cine Teatro Central, graduando do curso de Engenharia Civil da UFJF.

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