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architexts ISSN 1809-6298


abstracts

português
Este artigo analisa os papéis dos edifícios de mercados públicos em São Paulo, identificando motivações para sua concepção e mudanças no contexto socioeconômico e cultural no decorrer do tempo, compreendendo melhor sua função contemporânea.

english
This paper analyzes the roles of public market buildings in São Paulo, identifying motivations for their design and changes in the socioeconomic and cultural context over time, better understanding their contemporary function.

español
Este artículo analiza los roles de los edificios del mercado público en São Paulo, identificando motivaciones para su diseño y cambios en el contexto socioeconómico y cultural a lo largo del tiempo, entendiendo mejor su función contemporánea.


how to quote

VARGAS, Heliana Comin; SILVA, Diego Vernille da. Revisitando o papel dos mercados públicos em São Paulo. Arquitextos, São Paulo, ano 20, n. 236.07, Vitruvius, jan. 2020 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/20.236/7620>.

Os edifícios de mercado existentes na cidade de São Paulo, objeto de estudos por parte da prefeitura do município visando a sua concessão à iniciativa privada, merecem ser devidamente entendidos, quanto aos diferentes papéis exercidos desde a sua origem. Isto nos conduz à necessidade de melhor compreender as motivações para a sua concepção e as mudanças nos contextos urbanos no decorrer do tempo, que implicaram, e que ainda demandam, transformações.

Lembrando ainda, que a função original dos edifícios de mercado voltados ao abastecimento de gêneros alimentícios, cuja magnitude e perfil da população têm significativa relevância na sua criação e permanência, receberá sempre a interferência direta das alterações nos meios de comunicação e transporte, da tecnologia de produção e conservação dos alimentos, das técnicas do varejo, do comportamento e aspirações dos indivíduos, e das políticas urbanas, dentre outras, entre as quais podemos incluir, também, as mudanças nas técnicas construtivas das edificações (1).

Mercado Municipal de São Paulo, 1928, escritório de Ramos de Azevedo
Foto Andrés Otero

Para dar conta do entendimento pretendido, o presente artigo busca resgatar as reais funções exercidas pelos edifícios de mercados públicos na cidade de São Paulo, desde o século 19, de acordo com o contexto socioeconômico e cultural no qual estiveram inseridos, para então se debruçar na análise do papel que estes mercados estão desempenhando no momento atual.

Neste percurso, identificamos quatro momentos significativos da política de implantação de mercados públicos no município: 1) o período de 1860 a 1930, marcado por políticas de ordem sanitária, quando os mercados exitosos possuíam, de fato, características de entrepostos comerciais; 2) de 1930 a 1945 como parte da política de embelezamento da cidade; 3) 1945 a 2014 período de crescimento, consolidação e descaracterização do modelo de mercados distritais focados no abastecimento da cidade em expansão; 4) 2014 a 2019 período transformação e reflexão sobre as funções dos mercados públicos na cidade.

Mercado Municipal de São Paulo, 1928, escritório de Ramos de Azevedo
Foto FlaviaC [Wikimedia Commons]

Os mercados como entrepostos comerciais de alimentos 1860-1930

A cidade de São Paulo, a partir do terceiro quartel do século 19 quando a cidade começa a usufruir da expansão da cultura cafeeira na Província de São Paulo, vai experimentar um crescimento significativo da sua população, passando este de 31385 habitantes em 1872 para 1033202 em 1934 (2). Crescimento este, marcado pelas políticas de imigração, criadas para abastecer as lavouras de café com mão de obra assalariada, tendo em vista a abolição da escravidão em 1888. Os fluxos interurbanos que, pouco a pouco vão substituindo o uso das tropas de burro e cedendo lugar para a ferrovia, também vão auxiliar nesse processo.

A este cenário soma-se o fato de que as praças de mercado, onde as populações se aglomeravam, eram vistas como o local propício para a disseminação de epidemias e doenças, veiculadas de acordo com a teoria miasmática (3), fazendo com que o controle do abastecimento de gêneros perecíveis passasse a se fazer urgente.

No entanto, nem sempre os mercados planejados, no último quartel do século 19, atendiam aos requisitos locacionais ou as demandas sociais, sendo que alguns deles tiveram vida efêmera, foram demolidos ou transferidos e, outros não chegaram a sair do papel. Aqueles que permaneceram, ainda que com edifícios substituídos, assumiram funções de entrepostos, distante do abastecimento cotidiano da população.

Na categoria de mercados de vida efêmera incluímos seis edificações. O Barracão do Carmo (1835) e as Cazinhas da Ladeira do Carmo (1835); o Mercado de Verduras (do Palácio), (1873); o Mercado de São João (1890); o Mercado do Anhangabaú (1914); o Mercado do Riachuelo, funcionando entre 1892 e 1898; o Mercado do Largo da Concórdia (por volta de 1896) (4).

Entre os mercados que tiveram vida longa, para além das primeiras cazinhas que duraram cerca de cem anos e acabaram por dar nome à rua na área central da vila, incluímos o complexo da 25 de Março que incorporava o Mercado principal (1867) e dois outros edifícios anexos, ou pavilhões: o mercado dos Caipiras (de verduras), e o mercado de Peixes, na “Ilha do Amores”, construídos na década de 1880 (5); o mercado de Santo Amaro (1891); e, o de Pinheiros (1910).

Localização dos edifícios utilizados como mercado na cidade de São Paulo entre 1800-1930, com indicação do primeiro anel viário pensado para a cidade, iniciado em 1850
Imagem divulgação

Todos os três com clara função de entrepostos, marcados por sua localização fora da área urbanizada (6), e em locais de entroncamento de tropas ou barcos que transportavam mercadorias para a cidade e para outras regiões.

Limite do Município de São Paulo em 1887, com a localização dos entrepostos comerciais existentes em 1910
Imagem divulgação

Desta fase inicial, do ponto de vista da inserção dos edifícios de mercado no espaço urbano e suas funções, a partir da leitura de autores clássicos que se dedicaram à história urbana da cidade (7) três constatações importantes podem ser extraídas.

A primeira constatação sobre os edifícios de mercado que tiveram vida efêmera indica que a intenção principal das suas criações não esteve relacionada à criação de um ambiente de abastecimento cotidiano para a população, pois este já ocorria por meio dos inúmeros armazéns de secos e molhados (ou lojas de fazenda), dos açougues e dos mercados a céu aberto existentes no período. Em 1858 as lojas de fazenda (de secos e molhados) eram 45 e açougues 16, entre os 320 estabelecimentos comerciais e de ofícios distribuídos em cerca de cinquenta ruas (8), para uma população próxima de 20.000 habitantes. Em 1888, já eram cerca de 260 estabelecimentos varejistas de secos e molhados e mais de 20 estabelecimentos do gênero no ramo do atacado, para uma população de cerca de 65.000 habitantes, além de 36 açougues, espalhando-se por um total de cerca de 120 ruas (9) que compunham a cidade.

Toda esta situação de extensa oferta se amplia, tendo em vista a regulamentação das feiras livres, em 1914, quando a população já supera os 240000 habitantes. Tendo como intenção levar o abastecimento para as áreas urbanas menos densas da cidade em expansão, começa com três feiras e, em 1915 já eram sete. Vários decretos vão acontecer, na sequência, ora como regulamentação do trabalho, ora sobre aspectos de higiene (10), passando a participar significativamente do abastecimento da cidade, até os dias atuais.

A segunda constatação reforça o fato de que o foco não estava no abastecimento cotidiano, mas em questões de ordem sanitária, pois as localizações dos edifícios de mercado escolhidas não correspondiam aos maiores fluxos de pessoas e acabavam por não se viabilizarem. Mesmo quando bem localizados, não era uma atividade que os moradores gostassem de ter por perto, não chegando a fazer parte das políticas de melhoramentos urbanos impostas à cidade neste período, o que só ocorrerá a partir de 1930.

A terceira constatação indica que o êxito e a permanência de alguns edifícios de mercados na cidade, neste período 1870-1930, deveu-se, fundamentalmente, à organização da distribuição regional de mercadorias que passavam pela cidade e a abasteciam, assumindo, de fato, a condição de entreposto. Possuindo localização externa à área urbanizada, propriamente dita. Até mesmo o complexo da 25 de Março ficava posicionado no extremo da área urbanizada, junto ao Tamanduateí.

O entreposto como ícone arquitetônico. 1930-1950

O sucesso da cafeicultura vai repercutir de várias formas no cenário paulistano. Por um lado, respondeu pela injeção de capital na cidade contribuindo para o surgimento de comerciantes exportadores e importadores, expandiu as elites intelectuais, implantou o transporte ferroviário, acabando por contribuir para o nascimento e crescimento da indústria paulista. Por outro lado, respondeu por um aumento significativo da população do Estado e da cidade de São Paulo, inicialmente com forte contribuição da imigração, trazida para substituir os negros na lavoura do café e, posteriormente, pela migração interna. Este aumento significativo da população cria, também, um mercado consumidor para os produtos industrializados, principalmente durante a primeira guerra mundial.

A população da cidade de São Paulo era de 64.934 habitantes em 1890, passa para 1.033.202 em 1934, e em 1950 já era de 2252313 habitantes e sua área urbanizada se expande consideravelmente.

Dentro deste clima de embelezamento, chamado por alguns estudiosos de Belle Époque Paulistana (1889-1930) o centro de abastecimento da capital começa a ser objeto de críticas quanto à falta de higiene e da carência de produtos básicos sendo que, em 1920 foi autorizada, mediante a lei 2346, a construção do novo mercado na Várzea do Carmo, na atual rua da Cantareira n. 306, em substituição do antigo mercado demolido em 1939. Com projeto do escritório Ramos de Azevedo, as obras se iniciam em 1925, sendo muitas vezes interrompidas. Foi implantado no entroncamento de três estações ferroviárias. Norte, Pari e Cantareira (11).

Aos poucos, o mercado começa a assumir uma condição de abastecimento da população local, para além de entreposto, oferendo produtos diferenciados que também abasteciam os restaurantes da época, principalmente a partir de 1936, com a construção do Entreposto Municipal da Cantareira, atual mercado Municipal Kinjo Yamato, voltado fundamentalmente às verduras, como substituto do Mercado dos Caipiras demolido também em 1939 (12).

Evolução da Mancha Urbana de São Paulo (1872-2000), com a localização dos mercados municipais em 2019
Imagem divulgação [Secretaria Municipal de Planejamento – Sempla/ Dipro]

Os mercados distritais ascensão e declínio 1930-2000

A partir de 1930, as dificuldades políticas e econômicas vão conduzir a queda do governo federal e a formação de um governo provisório liderado por Getúlio Vargas que se torna presidente por voto indireto em 1934 e, com o golpe de estado em 1937 torna-se ditador até 1945, ficando este período de ditadura, conhecido como Estado Novo (13).

O governo provisório, segundo este mesmo autor, teria que enfrentar: uma produção do café que não encontrava mercado para absorvê-la, fazendo cair a receita das exportações; a consequente ruína de fazendeiros; e, o desemprego urbano.

A partir de então, o Brasil adota uma política econômica voltada ao desenvolvimento industrial pleno, com forte viés nacionalista e centrada na proteção e controle da classe trabalhadora. Entre 1933 e 1939 a indústria paulista dobrou o número de estabelecimentos de 6555 para 12850 e o número de aumentou de cerca de 50% (14).

Como reflexo no território, o desenvolvimento industrial abre espaço para o fluxo de migração de brasileiros provenientes de outros estados para São Paulo, que além de funcionar como mão de obra para a indústria e construção civil, contribuiu para o grande crescimento da população bem como para o processo de periferização urbana, conforme pode ser observado pela evolução da mancha urbana entre 1930 e 1950. Esta periferização vai acompanhar os trilhos das ferrovias, iniciadas em 1867, em cujo caminho as indústrias se instalam. Assim, a cidade se expande criando núcleos urbanos em torno das estações de trem (15), e registrando, em alguns deles, as maiores populações.

O crescimento expressivo da população vai reforçar a necessidade de organização do abastecimento conduzindo a novas ações que implicaram na expansão das feiras livres (16) e nas ações para construção de mercados distritais regulamentados pelo decreto n.1029 de 1947.

População do município de São Paulo e distritos municipais mercados inaugurados – 1950, 1960 e 1970
Elaborado pelos autores

Distritos e subdistritos, ferrovias e mercados públicos no município de São Paulo
Sempla-Dipro / PITU 2020

Depois do Distrito da Sé e da Mooca, ambos mais centrais e mais bem servidos pelos dois mercados já existentes, os distritos que receberam mercados na década de 1940 e 1950, foram os mais populosos em 1950 e contavam com uma estação de trem nas proximidades. Foram eles: o Mercado do Ipiranga, fundado em 1940, e transferido em 1949, para a Rua Silva Bueno, reformado e reinaugurado em 1975; O mercado da Lapa inaugurado em 1954, contava com duas estações de trem, de ferrovias diferentes, embora não interligadas até hoje, o que continua a lhe garantir a condição de alta centralidade.

O mercado de Pinheiros, fundado em 1910, se fortalece como mercado distrital, ao receber uma estação de trem com a inauguração do ramal para Jurubatuba, da Estrada de Ferro Sorocabana, entre 1952-1957. O mercado de Santo Amaro, cujo distrito também recebe uma estação de trem do ramal Jurubatuba tem novo prédio em 1958, embora sua população fosse pouco expressiva na década.

Na década de 1960 e o início da de 1970, sempre com demandas anteriores, vão ser inaugurados mais cinco mercados distritais. Três deles em distritos localizados no traçado da estrada de Ferro Central do Brasil: O mercado de São Miguel Paulista, em 1967, Mercado da Penha em 1971, e o da Vila Formosa/Carrão também em 1971. Entre esses três, apenas o distrito de São Miguel possuía população menor do que 250 mil habitantes em 1970, mas era o mais distante dentro malha urbana. O mercado do Tucuruvi de 1969, foi o primeiro na região norte do município. Esta região apresentou forte crescimento de sua população em 1970, compreendendo os distritos de Santana, Freguesia do Ó, Casa Verde e Vila Maria, todos com mais de 250 mil habitantes cada um. Ainda, na região norte, foi inaugurado em 1972, o mercado de Pirituba, que embora não apresentasse população significativa quando comparado aos demais distritos, continha a estação Pirituba, embora ainda hoje tenha um uso inexpressivo. A inauguração do novo mercado de Pinheiros em 1971, fecha o quadro do período de consolidação dos mercados distritais.

Silva (17) relata que, segundo a base de dados da prefeitura (18), foram identificados quarenta projetos de lei, entre 1949 e 1965, relativos a construção de mercados em cerca de 26 bairros, porém não efetivados. A partir de 1970, outras demandas, surgiram, mas não foram efetivadas. Diferentemente dos dois períodos anteriores, predominava a função de abastecimento da população local.

A partir de então, o quadro de abastecimento da cidade vai adquirir outras feições e conduzir a uma descaracterização do modelo, tendo como principais fatores: a criação do Ceagesp, (Central dos Armazéns Gerais do Estado de São Paulo), em 1969; a regulamentação dos supermercados (19) pela lei n 7208, de 13 de novembros de 1968; e, a regulamentação das feiras livres, em 1974, pelo Decreto nº 11.199, de 02/08/74, que passam a ter um caráter suplementar no abastecimento, com exigências de equipamentos e uniformes pelos feirantes, algo que se observava nos supermercados.

Enquanto a Ceagesp incorpora fundamentalmente a distribuição atacadista, o abastecimento do cotidiano passa a contar com os supermercados na preferência dos consumidores, cujos hábitos de compra passam por fortes mudanças. Entre essas mudanças destacamos: O tempo maior gasto no movimento pendular casa-trabalho, agora também realizado pela mulher que adentra o mercado de trabalho, tornando ociosos os mercados nos dias da semana, em distritos mais periféricos; abastecer-se em áreas mais centrais, onde a concorrência é maior, também é uma estratégia importante do abastecimento doméstico, quando de retorno do trabalho; a oferta de produtos semi prontos, ou congelados nos supermercados, também facilita a realização das tarefas domésticas; a possibilidade de fazer compras conjuntas, diminuindo o tempo gasto nesta tarefa; a crescente motorização dos consumidores; além dos preços mais convidativos.

Com a inflação alta, na década de 1980, o armazenamento em casa para o consumo de um mês, tornou-se uma necessidade e transformou-se também em hábito, o que fez dos hipermercados o melhor lugar para compras. Até mesmo os Shopping Centers, que surgem em São Paulo em 1968, vão passar a utilizar os super/hipermercados como âncoras onde, o exemplo mais significativo desta condição foi o Shopping Center Eldorado, inaugurado em 1981, que tinha no supermercado homônimo, o seu maior atrativo (20).

Para manter a política pública de abastecimento, num período de alta inflação, na década de 1980, várias ações foram implementadas no sentido de garantir o atendimento aos mais necessitados. Entre essas ações vão estar criação de: minimercados, centrais de abastecimento (1988) e os sacolões (21), em 1989.

A partir daqui já fica evidente a descaracterização do modelo “Mercado Municipal”. As centrais de abastecimento tinham uma intenção regional, inseridas em edifícios muito maiores e grandes espaços para estacionamento, muito na linha dos hipermercados. Três centrais foram criadas em 1988: a central de Abastecimento Leste que acabou sendo convertida em Sacolão, em 1991; a Central Norte que passou a ser utilizada como unidade administrativa da Secretaria de Abastecimento; e a Central Sul que tinha grandes espaços ociosos. Mais recentemente, foi criada a Central de Abastecimento Pátio do Pari em 2013.

Já na categoria de Sacolões surgiram Mercado Municipal de Sapopemba (1989) e o Mercado Municipal de Teotônio Vilela (1993) que nascem como sacolões e se transformam em Mercados, em 2006 (22).

Essa descaracterização dos mercados públicos se evidencia, pelo lado da demanda, que tem migrado para os supermercados e se mantido fiel às feiras livres que atualmente são cerca de 900. Do ponto de vista da oferta, ou seja da operacionalização dos mercados, eles estão, na sua maioria, bem localizados, são edifícios de grande porte, mas a receita dos concessionários e da prefeitura não tem dado conta da sua manutenção, o que pode está sinalizado pela intenção da prefeitura em privatizá-los.

Esta situação leva, pois, à necessidade de reflexão sobre o papel dos mercados públicos na cidade, na atualidade, seguindo o caminho que vem ocorrendo em vários países (23), mas que exige considerar as especificidades locais.

Assim reunidos, sob a rubrica de mercados municipais, eles somam 16 na cidade de São Paulo, conforme definidos pela Prefeitura.

Do lugar de Mercado ao Mercado como lugar a partir de 2000

A entrada no século 21 traz com ela uma série de transformações para além dos avanços da refrigeração e conservação dos alimentos, das técnicas de venda como o self servisse associado aos supermercados. Atrelado ao avanço das comunicações, liderado pela internet, as transformações começam a ser disruptivas seguindo as novas tecnologias, tanto do lado da oferta como da demanda (24). Demanda esta que, na cidade de São Paulo atinge a marca de mais de 11 milhões de habitantes em 2010, fazendo com que a cidade assuma a condição de capital cultural do país e da América do Sul, onde o turismo urbano e a busca de experiências começam a assumir lugar de destaque.

As possibilidades de: comprar online, serviços de pronta entrega de toda a ordem, acesso veloz a um conhecimento acumulado e emergente, receber informações em tempo real; e, de se auto promover via mídias sociais, vão ter impacto no comportamento das pessoas, na forma como se utilizam da cidade e nos valores que visam o reconhecimento social. Afinal a forma de comprar produtos e serviços tem se alterado sensivelmente.

A intenção de gastar menos tempo com as compras obrigatórias para ter mais tempo com as compras hedônicas, a troca do consumo exclusivo de bens como fator de reconhecimento social pelo consumo de experiências, também adentra o espaço dos mercados públicos, antes voltados apenas à venda de produtos alimentícios in natura para o abastecimento cotidiano e, agora também voltados à experiência gastronômica e a explosão de odores e sabores (25).

Diante destas mudanças e do caráter inercial das nossas edificações, como preservá-las sem abrir mão das demandas dos novos tempos que viabilizam o seu uso?

Com relação aos dezesseis estabelecimentos considerados como mercados públicos pela Prefeitura do Município, os dados e informações reunidos irão instruir as análises da situação dos mercados atuais.

Importante mencionar, inicialmente, a clara existência de duas categorias principais de mercados que parecem reforçar uma situação histórica. Ou seja, continuam a se misturar os mercados cuja principal função é de entreposto, trabalhando com o comércio atacadista, com aqueles onde predominam as atividades varejistas de atendimento ao consumidor individual.

Na condição de entreposto encontram-se: O mercado central (25 de Março), o Mercado Kinko Yamato, a Central de Abastecimento do Pari e a Central Leste de Abastecimento.

Os três primeiros encontram-se numa mesma região, de densidade considerada baixa 108,84 hab/ha, com extratos sociais de renda também baixa. Assim, dificilmente se sustentariam se voltados fossem, apenas para o abastecimento cotidiano da população local.

Todos com forte atuação no ramo atacadista, seja pelo tamanho da área destinada a este uso, seja pelo funcionamento ampliado adentrando o período noturno. É importante destacar, ainda, a grande quantidade de permissionários existentes no Mercado Central (268), na Central do Pari (215) e no mercado Kinjo Yamato (111) o que valoriza a sua função social no que se refere à oferta de emprego e renda.

No caso do Mercado Central, embora com funcionamento noturno, a distribuição dos ramos de atividades é mais uniforme, tendo em vista sua condição de ícone arquitetônico, tombado pelo patrimônio histórico, bem como as reformas realizadas para adaptação aos novos tempos. Este mercado tem assumido uma função de atrativo turístico, com destaque para o papel da gastronomia que ocupa 28,3% entre os ramos de atividades. Também se apresenta como possibilidade de serviço de alimentação para uma região que oferece 2 a 6 empregos por habitantes.

Na segunda categoria, dos mercados que trabalham predominantemente com o abastecimento varejista, encontramos dois grupos distintos, com características diferentes. Aqueles inseridos em áreas predominantemente residenciais e aqueles inseridos em áreas residenciais com forte presença do uso de comércio e serviços.

O primeiro grupo, se caracteriza pela inserção em áreas de baixa oferta de empregos, mais distantes do centro da cidade, apresentando, na sua maioria, rendas familiares mais baixas. São eles: São Miguel, Vila Formosa, Penha, Guaianases, Sapopemba, Teotônio Vilela e Pirituba.

Entre todos esses, apenas o de São Miguel fecha aos domingos, o que reforça a condição de distritos dormitórios. Nem todos oferecem produtos hortifrútis, colocando mais ênfase nos produtos de empório e mercearia, que são itens menos perecíveis, acrescido do fato de haver forte oferta de feiras livres nestas áreas.

O mercado de Pirituba, aqui também incluído, apresenta renda média e a maior quantidade de área por permissionário, que não somam mais do que quinze. Isto porque, parte da área é ocupada por um supermercado, além de possíveis áreas ociosas.

No caso destes mercados, seria interessante verificar a rentabilidade dos concessionários e da própria prefeitura, a ociosidade no uso dos espaços bem como o fluxo de consumidores. Estas informações poderiam auxiliar no sentido de buscar alternativas para o uso destes edifícios, podendo, muitas vezes, suprir a região com outros equipamentos sociais demandados, diferente das atividades de abastecimento oferecidas pelos mercados.

No segundo grupo de mercados distritais incluímos o Mercado do Ipiranga, Lapa, Pinheiros, Tucuruvi e Santo Amaro. Embora cada um deles guarde uma especificidade decorrente do próprio local onde estão inseridos, apresentam algumas condições semelhantes. Estão localizados em áreas de uso misto, onde as áreas residenciais apresentam rendas médias e altas, em processo de adensamento e valorização. Os três primeiros são bem servidos por transportes públicos, terminais de ônibus e integração com metro e trem. O de Santo Amaro e o do Tucuruvi contam com estações de metrô nas suas imediações.

Dados dos subdistritos para avaliação da inserção urbana dos mercados municipais no município de São Paulo
Elaborado pelos autores

Dados operacionais dos mercados municipais de São Paulo
Elaborado pelos autores

(*) Foram consideradas com área de influência dos mercados, apenas o(s) subdistrito(s), no(s) qual (ais) o mercado está inserido. Assim, na área central foram incluídos subdistritos de 2 distritos diferentes. (Sé e Mooca). No caso dos mercados de Sapopemba e Teotônio Vilela, eles estão inseridos num mesmo Distrito, o de Sapopemba. Fonte: a partir de Silva, 2017, op cit.

Distribuição da ocupação por ramo de atividades e função principal. Mercados públicos de São Paulo – 2016
Elaborado pelos autores

(*) Compartilha o número de feiras com o mercado central e com o mercado Kinjo Yamato

Fontes: a partir dos dados de: Coordenadoria de Segurança Alimentar e Nutricional – Cosan Prefeitura do Município de São Paulo, 10jun. 2016. Apud Silva, 2017 (op.cit); Feiras Livres, Mercados e Sacolões Municipais. Município de São Paulo, Subprefeituras e Distritos Municipais. 2003 a 2017 <https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/urbanismo/dados_estatisticos/info_cidade/abastecimento/>.

No mercado do Ipiranga, nota-se uma tendência à diversificação dos produtos ofertados, sendo que 39,6% da área são ocupados por estabelecimentos (outros) alheios àqueles tradicionais dos mercados, e com uma tendência maior para a instalação de bares e restaurantes (15,1%).

Já o mercado da Lapa e o de Pinheiros, tem quase 50% ocupado com produtos de empório e mercearias e são os dois maiores mercados em área construída, depois daqueles considerados como entrepostos. O mercado do Tucuruvi, por sua vez, embora numa área predominantemente residencial de renda média, tem uma dimensão bastante local, sendo um mercado pequeno com 1835m2 de área construída e com uma distribuição dos ramos de atividades mais equilibrada.

Destacamos a tentativa do Mercado de Pinheiros de incentivar a implantação de serviços de restaurantes, com algumas grifes da gastronomia paulistana, atrelado às expectativas de mudanças do entorno, decorrente da reurbanização do Largo da Batata, no qual o mercado está inserido. Esta dinamização tem trazido um uso de serviços mais qualificado, com alta oferta de emprego terciário, o que poderia incentivar o uso do mercado como praça gastronômica, se a reforma do largo tivesse levado isso em consideração.

Nesta mesma direção está o Mercado de Santo Amaro que, além do uso residencial de alta renda, também apresenta um uso de serviços mais qualificado com forte oferta de empregos. Este mercado apresentava uma alta ocupação (30,5%) por bares e restaurantes, além da presença de um supermercado, o que já mostrava o seu distanciamento das práticas tradicionais dos mercados públicos. Isso antes do incêndio ocorrido em 2017. Esta relação com a oferta de alimentação para os trabalhadores da região justificava seu fechamento aos domingos. No entanto, quando o uso para lazer se intensifica, a abertura aos domingos passa a ser uma boa alternativa, como acontece com o mercado central.

Considerações finais

Diante do exposto, identificamos quatro diferentes categorias entre os dezesseis mercados existentes na cidade de São Paulo, cujas especificidades merecem ser mais profundamente analisadas no sentido de melhor orientar as propostas de intervenção e políticas de privatização: Entreposto atacadista; mercados como equipamentos sociais ampliados; mercados públicos diversificados; espaços de consumo, lazer e turismo.

Na primeira categoria estão incluídos os três mercados centrais, mais a Central de Abastecimento Leste, todos com clara função de abastecimento atacadista, sendo que esta última poderia melhor adequar seus horários ao atendimento do setor atacadista.

Na categoria de Mercados públicos como equipamentos sociais ampliados, incluímos os mercados de São Miguel, Vila Formosa, Penha, Guaianases, Sapopemba, Teotônio Vilela e Pirituba. Todos se encontram em áreas periféricas de uso predominantemente residencial, sofrendo forte concorrência com outros estabelecimentos mais centrais, contando com a presença de inúmeras feiras livres, e podendo ter seu uso otimizado com introdução de outras atividades socais.

Os mercados da Lapa, Ipiranga e Tucuruvi, incluídos na terceira categoria, continuam com a sua função de mercado municipal ainda bastante preservada, mostrando uma alta capacidade de adaptação às mudanças do entorno, seja buscando um equilíbrio entre o abastecimento residencial, com diversificação de estabelecimentos, seja com a oferta de alimentação para os trabalhadores do entorno.

 Por último, tem-se o mercado central, o mercado de Pinheiros e o de Santo Amaro. O que une estes três mercados é a especificidade do entorno que apresenta grande oferta de empregos terciários, sendo que nos dois últimos mercados os empregos exigem maior qualificação. Assim, podem crescer os serviços de alimentação que, se melhor qualificados, podem atrair o público de alta renda existente no entorno de ambos, como já vem sendo observado. Estas aberturas para a gastronomia e o lazer, ainda que mantendo as atividades tradicionais de mercado, podem funcionar como atrativos turísticos, como já acontece no Mercado Central, acrescentando no seu interior atividades de recreação e lazer, e transformando o “lugar do mercado” tradicional no “Mercado como o lugar” contemporâneo.

notas

1
VARGAS, Heliana Comin. Comércio. Localização estratégia ou estratégia na localização? Tese de doutorado. São Paulo, FAU USP, 1992; VARGAS, Heliana Comin. Mercados del siglo XIX: génesis Y permanência. Ciudades 114, abr./ jun. 2017a, RNIU, Puebla, México

2
Prefeitura de São Paulo. Município e Região metropolitana de São Paulo, Estado e Brasil. 1872-2010 <http://smul.prefeitura.sp.gov.br/historico_demografico/tabelas/pop_brasil.php acessado em 25/03/2019>.

3
Segundo a teoria miasmática, considerava que o processo de transformação de matérias orgânicas, ao provocarem emanações pútridas se tornariam necessariamente mortais, provocando doenças e epidemias, sendo incluídos nestas condições os mercados públicos. SALGADO, Ivone. Introdução das ideias de saneamento e da estética neoclássica das cidades brasileiras (1750-1900). Relatório Final de Pesquisa. Campinas, Fapesp/PUC Campinas, 2001; GIORDANO, Carolina C. Ações Sanitárias na Imperial Cidade de São Paulo: Mercados e Matadouros. Dissertação de Mestrado. Campinas, PUC Campinas, 2006; JORGE, Karina C. Urbanismo no Brasil Império. A Saúde Pública na Cidade de São Paulo no século XIX (Hospitais, Lazaretos e Cemitérios). Dissertação de Mestrado. Campinas, PUC Campinas, 2006; MURILLA, Douglas. O higienismo e a construção dos matadouros e mercados públicos. Dissertação de mestrado. Campinas, PUC Campinas, 2011.

4
SILVA, Diego Vernille da. Mercados Públicos em São Paulo: arquitetura, inserção urbana e contemporaneidade. Dissertação de Mestrado. São Paulo, FAU USP, 2017.

5
ALVES, Alberto de C. Mercado Municipal de São Paulo. 70 anos de cultura e sabor. São Paulo, Abooks, 2004.

6
O traçado o primeiro anel perimetral da cidade, iniciado em 1850, tinha como intenção evitar o tráfego de passagem das tropas de mulas no centro da cidade. CAMPOS, JÚNIOR, Eudes de Mello. A cidade de São Paulo e a era dos melhoramentos materiais: obras públicas e arquietura vistas por meio de fotografias de autoria de Militão Augusto de Azevedo, datadas do período 1962-1863. Anais do Museu Paulista: história e cultura material. São Paulo, Museu Paulista, jan./ jun. 2007, v. 15, n. 1, p. 11-114.

7
Entre esses autores destacamos: BRUNO, Ernani Silva. História e tradições da Cidade de São Paulo. Rio de Janeiro, José Olympio, 1954; SANTANA, Nuto. São Paulo histórico. Departamento de cultura, São Paulo 1937 a 1944. São Paulo, s/d; SAINT HILAIRE, A. Viagem à província de São Paulo. São Paulo, Livraria Martins, 1940; MARTINS, Antonio Egydio. São Paulo Antigo 1554-1910. São Paulo, Paz e Terra, 2003; REIS Filho, Nestor G. São Paulo e outras cidades: produção social e degradação dos espaços urbanos. São Paulo, Hucitec, 1994.

8
MARQUES E IRMÃO. Almanak, administrativo, mercantil e Industrial. Província de São Paulo. São Paulo, MARQUES E IIRMÃO, 1858.

9
SECKLER, Jorge. Almanac Província de São Paulo. Administrativo, commercail e Industrial. São Paulo, Jorge Seckler &Comp, 1988.

10
História das Feiras Livres. As Feiras Livres fazendo parte da história de São Paulo. Prefeitura de São Paulo, 3 mai. 2018 <https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/desenvolvimento/abastecimento/feiras_livres/index.php?p=6637>.

11
ALVES. Op. cit; SILVA. Op. cit.

12
SILVA. Op. cit.

13
FAUSTO, Boris. História Concisa do Brasil. São Paulo, Edusp, 2009.

14
SUZIGAN, Wilson. A industrialização de São Paulo- 1930-1945. Revista Brasileira de economia, Rio de Janeiro 25 (2), abr./ jun. 1971, p. 89-111.

15
LANGUENBUCH, Juergen R. A estruturação da grande são Paulo. Rio de Janeiro, IBGE, 1971.

16
Em 1948, há uma expansão das Feiras Livres, quando o prefeito Paulo Lauro, por meio de Lei, determina a instalação de, pelo menos, uma feira semanal em cada subdistrito ou bairro da cidade. O que coincide com a demanda por construções de mercados municipais a partir de então. História das Feiras Livres. As Feiras Livres fazendo parte da história de São Paulo. Prefeitura Municipal de São Paulo, 03 mai. 2018 <https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/desenvolvimento/abastecimento/feiras_livres/index.php?p=6637>.

17
SILVA. Op. cit.

18
Câmara Municipal de São Paulo
<http://www.camara.sp.gov.br/atividade-legislativa/projetos-apresentados-desde-1948/>.

19
O número de unidades no país passa de 997 em 1966, para 2527 em 1970, quando então surgem os hipermercados. ABRAS. Cinquenta Anos de supermercados no Brasil. São Paulo, Fundação ABRAS, 2002.

20
VARGAS, Heliana Comin. Comércio. Localização estratégia ou estratégia na localização (op. cit.).

21
Veja o funcionamento dos mercados e sacolões na cidade. Notícias. Prefeitura Municipal de São Paulo, 30 abr. 2019 <http://www.capital.sp.gov.br/noticia/veja-o-funcionamento-dos-mercados-e-sacoloes-na-cidade>.

22
SILVA. Op. cit.

23
GUARDIA, M.Oyón J.L. Hacer ciudad a través de los mercados. Europe, siglos XIX y XX. Barcelona, MUHBA, 2010; GUIMARÃES, Pedro. A revitalização dos mercados municipais em Lisboa e Reflexos na gentrificação comercial dos centros de comércio. Book of abstracts – VI Internacional Seminar City, Retail and Consumption, Lisbon, IGOT, Universidade de Lisboa, Setembro, 2017. DELGADILLO, Victor. Patrimonialización de los mercados. Ciudades 114, abr./ jun. 2017, RNIU, Puebla, México

24
VARGAS, Heliana Comin. Espaço Terciário. O lugar, a arquitetura e a imagem do comércio. São Paulo, Senac, 2018.

25
VARGAS, Heliana C. Motivaciones del consumidor en la definición del tempo y espacio de las atividades comerciales y de servicios. In ZAMPRA, J G. MARTINEZ, P .O. Ciudad, Comercio urbano y Consumo. Experiencias desde Latinoamérica y Europa. Ciudad del Mexico, Universidad Autónoma 7. Instituto de investigaciones Económicas, 2017b.

26
a) Quanto à população e densidades os dados são de 2010 e estão disponíveis em https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/subprefeituras/subprefeituras/dados_demograficos/index.php?p=12758. Tabela “Dados demográficos dos distritos pertencentes às subprefeituras”. Foram consideradas as populações e densidades dos subdistritos, em 2010, no qual, ou nos quais, os mercados estão inseridos e não o distrito como um todo, pois a densidade dos distritos não é uniforme. (b) Quanto à renda, os dados são de 2010 disponíveis em https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/urbanismo/dados_estatisticos/info_cidade/economia/index.php?p=260269. Tabela e mapas “Distribuição de munícipios segundo faixas de renda. Município de são Paulo, 2010”. A avaliação destes documentos permite definir três categorias diferenciadas para os subdistritos: de renda baixa onde, entre 30 a 45% da população tem renda inferior à 3 salários mínimos; de renda alta onde, entre 30% a 45% da população tem renda superior a 20 salários mínimos; e, renda média que mostra uma renda intermediária entre estes dois extremos. (c) Fonte: Rede Nossa Brasil. Mapa da desigualdade 2017 <https://www.nossasaopaulo.org.br/portal/arquivos/mapa-da-desigualdade-2017.pdf .acessado em 20/05/2019> (d) Rede de Transportes metropolitano. Município de São Paulo. 2017 <https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/desenvolvimento_urbano/transportes_2017.pdf acessado em 20/05/2019>.

sobre os autores

Heliana Comin Vargas é arquiteta e urbanista pela FAU USP (1974); economista pela PUC SP (1982); mestre (1986) e doutora (1993), em arquitetura e urbanismo pela FAU USP. Professora titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Autora do Livro Espaço Terciário. O lugar, a arquitetura e a imagem do comércio (Manole, 2018).

Diego Vernille da Silva é arquiteto e urbanista (2011) e mestre em Arquitetura e Urbanismo (2017) pela FAU USP. Autor da dissertação Mercados públicos em São Paulo: arquitetura, inserção e contemporaneidade, trabalha como arquiteto da Receita Federal, Ministério da Economia.

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