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architexts ISSN 1809-6298


abstracts

português
Analisamos as publicações: Rbeur, Urbe, Enanpur e Enanparq, abordando: a distribuição da pesquisa, a influência do contexto e caminhos de uma teorização baseada em qualidades como hibridismo, sincretismo e gambiarra.

english
We bring an analysis of the publications: Rbeur, Urbe, Enanpur and Enanparq, addressing: the research distribution, the context influence, and ways of a theory based on qualities such as hybridism, syncretism and gambiarra.

español
Analizamos las publicaciones: Rbeur, Urbe, Enanpur y Enanparq, abordando: la distribución de la investigación, la influencia del contexto y formas de una teoría basada en cualidades como el hibridismo, sincretismo y gambiarra.


how to quote

NETTO, Vinicius M.; FISZON, Maria; MOREIRA, Maria Clara; MORAES, Ivo. Pesquisa urbana no Brasil. Um panorama inicial [parte 2]. Arquitextos, São Paulo, ano 20, n. 239.07, Vitruvius, abr. 2020 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/20.239/7680>.

Introdução: um panorama inicial

Há uma pesquisa urbana brasileira, com contornos diferenciados dos de outras regiões do Norte e Sul globais? Há certamente partes, temas, campos – mas esses fragmentos formam que mosaico? Se não há uma pesquisa urbana nacional, o que estaria interferindo em uma gênese capaz de expressar problemas empíricos e uma sensibilidade teórica particular?

Este artigo traz a segunda parte de um trabalho (1), que faz o reconhecimento desse cenário: uma taxonomia de eixos e campos temáticos, aqui empregada no estudo empírico de quatro dos principais veículos de publicações em estudos urbanos no país, apresentando uma análise quantitativa da produção nos campos, levando em conta regiões e instituições de origem dos trabalhos. Em seguida, buscamos identificar a influência do contexto e suas urgências empíricas na produção nacional em pesquisa, bem como características e limitações, incluindo a influência de tradições epistemológicas e dificuldades metodológicas sobre escopos e resultados. Ao final apontamos caminhos para a intensificação da pesquisa e teorização em nosso contexto, capazes de expressar sensibilidades empíricas e modos de explicação em qualidades como o hibridismo, sincretismo e a gambiarra.

Conjuntamente, os dois artigos compõem um panorama visando a auto-observação e a autocrítica como formas de entender a área e suas ênfases, realizações, limites, composição e interesses.

O estado dos estudos urbanos: o arranjo de campos e eixos

Entendemos neste trabalho os estudos urbanos como uma área de conhecimento transdisciplinar, mesmo que relacionada fortemente a uma disciplina, arquitetura e urbanismo. Compreendemos a configuração de campo como uma concentração de temas de pesquisa afins em termos substantivos ou empíricos, ainda que haja diferenças entre abordagens quanto a sua epistemologia e métodos. Eixos temáticos são configurações mais amplas, abrangendo conjuntos de campos interconectados, usados para identificar estruturas em meio à heterogeneidade de produção na área.

Buscando afinidade aos eixos encontrados em periódicos e eventos no país, apresentamos os campos dos trabalhos publicados. Esse arranjo busca um balanço entre desagregação e proximidades dos problemas e abordagens, suficiente para reconhecermos diferenças e evitando a extensão a um número de campos que dificultasse seu entendimento.

Tabela de campos e eixos temáticos
Elaboração dos autores

A divisão proposta se baseia em diferenças e afinidades dos trabalhos mapeados e, por limitações de espaço e varredura, muitas publicações e autores não foram incluídos. Certamente não afirmamos a divisão como absoluta, nossa proposta é amparar o debate, que entendemos como necessário na disciplina, e a partir dessa e outras taxonomias ampliar as investigações sobre a pesquisa no país.

A distribuição da produção em estudos urbanos no país

Muitos desses campos e abordagens espelham os desafios concretos que enfrentamos em nossas cidades, com processos de urbanização e constantes transformações que demandam estudo permanente. Assim como o fenômeno urbano, campos e abordagens estão constantemente sujeitos à mudança. Certas questões perdem atenção, enquanto outras emergem em contextos específicos, ou ainda, ganham o status de problemas quase universais. Contudo, determinados problemas podem ser sentidos de modo particularmente forte em determinados cenários, como ocorre no caso brasileiro.

Uma análise ampla da produção de pesquisa urbana no Brasil é uma tarefa que pode facilmente falhar se não for bem delimitada. Devido ao grande número de artigos publicados na área, não tivemos condições de cobrir um número extenso de publicações. É preciso, portanto, estabelecer que periódicos e eventos podem oferecer elementos necessários e suficientes para essa leitura, e o período temporal e amplitude regional a serem observados. Escolhemos analisar dois dos principais periódicos e dois dos principais eventos da disciplina: a Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais Rbeur é uma publicação semestral da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional – Anpur, contínua desde 1999. A Revista Brasileira de Gestão Urbana Urbe iniciada em 2009 com edições semestrais, com mudança para edições quadrimestrais a partir de 2014. Os dois periódicos são focados exclusivamente em estudos urbanos, sendo referências na área, e têm Qualis A2 nas áreas de Planejamento Urbano e Regional da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes, e de Arquitetura, Urbanismo e Design.

Entre os eventos, analisamos os artigos publicados nos Encontros Nacionais da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional – Enanpur, tradicional em estudos urbanos, e nos Encontros Nacionais da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo – Enanparq. O primeiro é multidisciplinar, abrangendo arquitetura e urbanismo, geografia, sociologia e economia, entre outras áreas. O segundo tem foco mais especializado em arquitetura e urbanismo. A Anpur existe desde 1983, inclui 57 programas de pós-graduação de todo o país e realiza seus encontros desde 1986 bianualmente, em diferentes cidades. Já a Anparq abrange os cursos de pós-graduação em arquitetura e urbanismo, formou-se em 2004, tendo 29 programas de pós-graduação filiados, e realiza seus encontros bianuais desde 2010. Definimos como categorias de análise os campos temáticos mapeados acima, tendo como recorte os anos de 1999 a 2016 (Rbeur: 1999-2015; Urbe: 2009-2015; Enanpur: 2001-2015; Enanparq: 2010-2016).

Nosso objetivo não é o de comparar esses veículos entre si, mas analisar como os campos se expressam neles. Há semelhanças de ênfase temática entre Rbeur, Urbe e Enanpur, iniciando pelos termos ‘planejamento’ e ‘gestão’ em seus títulos. Mas há semelhanças que vão além desse foco em comum: esses veículos se mostram abertos o suficiente para abrigarem publicações em temas diversos. Em que pese um possível bias para Gestão, veremos que este campo não predomina em nenhum dos veículos. Já o Enanparq se diferencia ao incluir publicações também em arquitetura. Entretanto, seus eixos temáticos mostram certa sobreposição aos do Enanpur. De qualquer modo, as diferenças entre esses veículos são de interesse para um panorama: elas aumentam a amplitude e a representatividade estatística do levantamento.

Metodologicamente, a definição inicial dos campos amparou o levantamento dos artigos. A classificação nasceu de uma leitura interpretativa a partir do nosso contato especializado com a área, não de uma distribuição estatística – como poderia ter sido o caso, via recursos computacionais. Os artigos passaram a ser classificados de acordo com essa definição. Durante o processo de classificação fizemos checagens recursivas da taxonomia em si, e alguns campos foram reformulados de acordo com os achados e informações trazidos com o exame detalhado.

Os itens analisados foram: autoria; instituição de origem do/a primeiro/a autor/a; veículo e ano da publicação. Para fins de estudo da distribuição dos interesses e da produção de pesquisa no país, foram explorados três conjuntos de informações: 1. O número de artigos publicados nos quatro veículos, de acordo com eixo e campo temáticos; 2. O número de artigos publicados de acordo com a região das instituições de origem dos autores; 3. O número de artigos publicados de acordo com as instituições. A partir da definição das categorias, acessamos títulos, resumos e palavras chaves dos artigos. No caso de dúvidas, acessamos o texto e referências; no caso de persistência de dúvidas, discutimos o artigo entre os coautores. Nosso levantamento não incluiu grupos de pesquisa registrados nas agências de fomento: nosso objetivo não era avaliar o que grupos de pesquisa objetivam fazer, mas a produção efetiva de pesquisa. Foram levantados e categorizados 3897 artigos: 255 na Rbeur, 141 na Urbe, 2488 no Enanpur e 1013 no Enanparq (2). Há uma tendência de crescimento no número de artigos, ao longo do tempo, nos dois Encontros, ultrapassando trezentos no Enanparq e quatrocentos no Enanpur.

Os eventos Enanpur e Enanparq (2001-2016) considerados no estudo
Elaboração pelos autores

Vejamos agora a distribuição dessa produção nos campos temáticos.

A evolução dos campos

O total das publicações distribuídas nos vinte campos nos periódicos e eventos analisados, mesmo não sendo estatisticamente representativo da produção como um todo no país, mostra seus pesos relativos. Encontramos certa similaridade nas distribuições entre Rbeur, Urbe e Enanpur, ao passo em que o campo ‘Historiografia e patrimônio’ exerce maior presença no Enanparq.

Analisando com mais precisão o panorama capturado pelo gráfico:

Pobreza urbana, déficit habitacional e direito à cidade varia de 3% (Enanparq), 5% (Rbeur e Enanpur) a 7% (Urbe), enquanto Habitação social varia de 4% (Enanparq), 6% (Urbe e Enanpur) a 8% (Rbeur).

A Segregação tem presença variada nos veículos, com mais espaço na Rbeur (6%), 3% na Urbe e Enanpur, e presença frágil no Enanparq (1%).

Alguns campos geram menos publicações, talvez por operarem com temas específicos ou serem mais fortemente teóricos, como Morfologia e dinâmicas sociais (de 2% na Rbeur à 4% no Enanparq) e Urbanidade e sociedade-espaço (de 1% na Urbe à 3% na Rbeur).

Entre os campos recentes, Esfera e espaço públicos e sistemas de espaços livres já conta com presença, variando de 2% na Rbeur e Enanpur à 6% no Enanparq, e sem presença significativa na Urbe.

Distribuição dos artigos nos campos para os quatro veículos examinados desde 1999
Elaboração dos autores

Desempenho e infraestrutura tem presença variando de razoável (3 e 4% no Enanparq e Enanpur) a expressiva nos periódicos, Rbeur (6%) e Urbe (12%).

Violência, segurança e tecnologias da vigilância tem 1% no Enanpur e 2% na Rbeur e Urbe, entretanto sem presença significativa no Enanparq (menos de 1%).

Um campo com presença na área desde os anos 1960 encontra, desde 1999, produção pequena no país: Percepção e comportamento tem menos de 1% no Enanparq e 2% nos demais veículos.

Lugar, território e identidades varia entre 1% (Rbeur), 2% (Urbe), 5% (Enanpur) e 6% (Enanparq).

Alteridades e corporeidades, imaginário e cybercultura varia de 1% no Enanparq, 3% na Rbeur e Enanpur a 7% na Urbe.

Cartografias e sociabilidade varia de 1% na Urbe e Enanparq a 5% e 6% na Rbeur e Enanpur, respectivamente.

O campo clássico da Produção do espaço e mercado imobiliário conta com 5 e 6% no Enanparq e Rbeur, e 11 e 12% na Urbe e Enanpur respectivamente.

Gestão e políticas tem forte expressão: 19% na Rbeur, 24% na Urbe, 17% no Enanpur, mas apenas 4% no Enanparq. Três dos quatro veículos examinados têm ênfase em gestão e planejamento, portanto tendem a ter um bias nesse sentido.

Megaprojetos e marketing tem 4% da produção na Rbeur, 3% no Enanparq, 2% no Enanpur, e sem presença significativa em Urbe.

O campo da Historiografia e patrimônio ganha projeção no Enanpur (15%) e Rbeur (12%), e sobretudo ao adicionar estudos em arquitetura no Enanparq (37%) – mas conta com participação menor em Urbe (3%).

Sustentabilidade tem peso similar à temas clássicos no país: de 4% (Enanparq) a 8% (Urbe) da produção no país, com espaço sobretudo na Urbe, e mais do que o campo tradicional Paisagem e ambiente, que varia de 3% (Rbeur), 4% (Enanparq), 5% (Enanpur) a 6% (Urbe).

Ensino e epistemologia tem presença de 5% (Rbeur), 6% (Enanparq), 1% (Enanpur) e sem presença significativa na Urbe.

Finalmente, Novas tecnologias varia de 2% na Rbeur e Enanpur, 3% na Urbe a 6% no Enanparq.

Em geral, há consistência na proporção relativa dos campos nos diferentes veículos – com a exceção de Historiografia e patrimônio no Enanparq. Essa consistência é surpreendente, dado que essas proporções poderiam ser inteiramente distintas. O fato de que elas não o são indica a abertura dos veículos a temas diversos, e a existência de regularidades na distribuição dos diferentes campos. Ainda, o fato de que a divisão de campos proposta encontrou essas regularidades tanto no todo quanto nos campos isoladamente para os quatro veículos examinados, com variações refletindo ênfases dos veículos, sugere que a classificação foi capaz de capturar padrões na produção em pesquisa no país.

Esse padrão é ligeiramente variável no tempo. A análise de um único veículo com grande volume de publicações oferece uma ideia mais precisa da evolução da produção nos campos temáticos. Escolhemos o Enanpur para este fim, com 2488 artigos no período analisado. Os campos experimentam certa variação. Gestão tem em geral produção expressiva. Desempenho urbano e infraestrutura apresenta tendência de crescimento desde 2009, assim como Pobreza urbana, ainda que de modo mais irregular. Sustentabilidade mostra sinais de redução desde 2013. Os campos Pobreza urbana, Déficit e direito à cidade, e Desempenho e infraestrutura têm ganhado presença, enquanto Segregação perdeu força desde 2009. Megaprojetos e marketing urbano mostrou crescimento de 2007 a 2013, possivelmente relacionado à realização de megaeventos, e uma pequena inflexão em 2015, assim como Sustentabilidade. O campo de Novas tecnologias vem experimentando queda desde 2009, enquanto outros mostram variações, mas sem apresentar tendências claras.

Distribuição dos artigos nos campos nos Enanpur (2001-2015)
Elaboração dos autores

O peso das instituições

A distribuição institucional da produção se mostra desigual, considerando os quatro veículos analisados: quase um terço das publicações foi gerada por apenas quatro instituições (Universidade Federal do Rio de janeiro – UFRJ, Universidade de São Paulo – USP, Universidade federal Fluminense – UFF e Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS). Urbe apresenta uma distribuição mais similar entre instituições, com maior presença daquelas localizadas mais ao Sul do país, evidenciando a influência do contexto regional. Outro ponto interessante é a participação de trabalhos internacionais: 37% dos trabalhos publicados na Urbe, 13,90% em Rbeur, 3,1% no Enanpur e 4,06% no Enanparq. O número de artigos publicados por pesquisadores de instituições estrangeiras é de 183 artigos, 4,71% do total. A partir da distribuição das instituições em percentuais das publicações em cada veículo, geramos um ranking.

Distribuição dos artigos por instituição
Elaboração os autores

Ranking das instituições nos quatro veículos examinados
Elaboração os autores

O peso das regiões

A projeção das diferentes regiões do país nos quatro veículos é um ponto que requer atenção, especialmente quando tratamos de publicações que frequentemente problematizam desigualdades regionais. Um item a analisar é o grau de influência dos lugares sedes dos periódicos e eventos sobre a atração e o volume de publicações. Os dois eventos, Enanpur e Enanparq, têm comitês editoriais itinerantes. Rbeur tem editores e secretaria com mandatos de dois anos e localização também variável. Urbe, por sua vez, tem a editoria sediada principalmente na Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC PR. Os trabalhos publicados na Rbeur e nos eventos Enanparq e Enanpur parecem em princípio refletir diferenças na distribuição populacional no país, mostrando predominância da região Sudeste, mas de forma possivelmente mais do que proporcional: o Sudeste aumentou progressivamente sua presença na Rbeur desde 2011 e no Enanparq desde 2014. No Enanpur, a predominância também vem aumentando, mas em menor grau. Vemos também a influência do local onde os eventos ocorrem: por exemplo, há um aumento significativo da participação da região Norte em 2007, ano em que o Enanpur foi realizado em Belém, e da região Sul em 2016 no Enanparq, quando o evento foi realizado em Porto Alegre. Outro indício da força do local é a distribuição na Urbe, com presença mais forte de trabalhos oriundos das regiões Sul e Centro-Oeste, mas sem clara predominância regional ou institucional.

Distribuição dos artigos por região
Elaboração dos autores

Nosso mapeamento não representa a distribuição da produção nos campos de pesquisa urbana no país em termos absolutos – mas sim a distribuição nos quatro veículos, como indícios do panorama real. Além de tecer certa topografia da pesquisa urbana brasileira, esses achados despertam mais perguntas:

  • Quais são as razões para essa distribuição de temas e produção de pesquisa?
  • Qual é o peso dos desafios empíricos que enfrentamos na orientação de abordagens e do cenário da pesquisa no país?
  • Quais são nossas fragilidades?
  • Quais são as condições para a gênese de uma agenda de pesquisa brasileira?
  • Quais são as condições para gerarmos matrizes de teorização mais ambiciosas?
  • Quais são nossas possibilidades de contribuição à produção internacional?

Naturalmente, não é possível responder a essas questões de modo isolado e em um único texto. Mas vejamos como podemos estimular essa discussão.

O peso do contexto: uma leitura da pesquisa urbana no Brasil

O quanto o contexto molda esse cenário de pesquisa? Retornaremos agora à uma leitura interpretativa da produção em pesquisa urbana no país, para além dos quatro veículos analisados quantitativamente na seção anterior. Vemos que temas atraem a atenção de grupos com inclinações empíricas e sensibilidades teóricas específicas. Não há uma agenda de pesquisa coesa, o que é natural em uma área de atuações pluralizadas, mas uma série de abordagens estabelecidas a partir de problemas que determinam campos de maior ou menor amplitude. Um exemplo é a presença mais forte de abordagens críticas em regiões e cidades que apresentam conflitos socioeconômicos mais visíveis espacialmente. Campos se diversificam a partir de fenômenos percebidos e investigados; alguns deles atraem mais atenção, visível no número de publicações, encontrando maior difusão também no ensino. Mas não se pode considerar essas as únicas variáveis influentes na configuração da pesquisa em urbanismo no Brasil. Reconhecendo que esses aspectos não são restritos à pesquisa em urbanismo, vejamos abaixo algumas questões que entendemos como centrais e merecedoras de mais debate em nosso contexto.

Os estudos urbanos parecem ainda marcados por certa ansiedade normativa e colhidos em divisões:

  • Entre a necessidade do entendimento dos problemas urbanos e a urgência da ação através da crítica e do planejamento;
  • Entre abordagens críticas e analíticas, e entre abordagens qualitativas e quantitativas, com rejeições mútuas e difícil diálogo, iniciando por visões distintas de território e configuração espacial, e de como abordar o ‘social’;
  • Entre teorias urbanas e teorias socioespaciais. Lembrando a distinção de David Harvey (3), temos ênfases ora numa relativa autonomia da cidade enquanto unidade de análise, ora no seu status como pano de fundo para processos socioespaciais mais amplos.

Caminhos profícuos de pesquisa poderão se beneficiar com a busca da superação dessas dicotomias. Ao olharmos as condições da produção de explicações teóricas, notamos que nossa pesquisa, centrada nas urgências do contexto, se mostra associada a uma forte tendência ao pensamento indutivo, que constrói explicações a partir do observado. Não se trata de preferir o método indutivo ou o dedutivo, mas de examinar implicações quando há forte predominância de um deles em uma área de investigação. O trabalho dedutivo, que parte de proposições teóricas para abordar problemas que se situam com frequência para além da observação direta, demanda abstração e descrição de processos e estruturas que extrapolam o caso ou contexto específico. Essa dificuldade com o método dedutivo pode impor limitações em explicações de fenômenos ainda sem conteúdo empírico – isto é, que vão além do que pode ser observado diretamente (4).

Isso implica em menos possibilidade de reconhecer aspectos que vão além da percepção dos fatos como se apresentam; mais dificuldades para endereçar relações que transcendem dados isolados ou contextos específicos – e menor poder de proposição sobre processos amplos que estruturam ou desestruturam a realidade em questão. O foco indutivo tende a gerar uma produção baseada em casos específicos, portanto potencialmente mais fragmentada, onde pesquisas encontram pouca condição de estender abordagens anteriores. Isso sugere uma possibilidade: a predominância do indutivismo na pesquisa urbana no Brasil coincide com certa escassez de proposições teóricas. A verificação dessa possibilidade, no entanto, demandará um exame empírico específico.

Mas de modo contraditório, percebemos nosso relativo desinteresse na busca por evidências sistemáticas como formas de sustentação de teorias e argumentos. Em outras palavras, ainda há relativa escassez do uso de evidências para sustentar argumentos. Lembrando a crítica de Émile Durkheim (5), o estudo de poucos casos selecionados não é suficiente para confirmar hipóteses ou afirmar conclusões gerais. Seleções de caso frequentemente não seguem métodos aptos para encontrar representatividade frente a variações do problema – mas seguem escolhas contingenciais, às vezes arbitrárias ou, nos casos extremos, convenientes e auto confirmadoras. Isso implica que nem todas as pesquisas caem estritamente dentro de abordagens científicas, que requerem confirmações empíricas amplas e sistemáticas.

Não afirmamos com isso a verificação como critério definitivo para o que é ou não conhecimento válido, lembrando a provocação de Peter Winch (6) de que “para empiristas, todas as afirmações sobre a realidade devem ser empíricas ou elas são infundadas”. Fenômenos urbanos e sociais incluem aspectos e relações que estão além da observação, e que podem impossibilitar o confronto empírico e a verificação. Ao mesmo tempo, como Bruno Latour (7), reconhecemos a possibilidade de que, quando atores e entidades atuam e processos se desdobram, mesmo elusivos em si, deixam traços que podem ser encontrados e traduzidos em linguagens. A possibilidade de abordagens interpretativas não significa suspender a ênfase na necessidade de estudos empíricos sistemáticos.

Muitos dos trabalhos ainda se mostram baseados em pressupostos e premissas cuja veracidade é assumida e nem sempre examinada como oportunidade de investigação empírica. Frequentemente, explicações são baseadas em paradigmas que antecipam as respostas, em uma espécie de confirmação ex ante: as respostas são obtidas a partir das definições estabelecidas a priori pelo paradigma. Essa forma de pesquisa é mais sujeita a proposições e métodos não abertos ao próprio erro, e pode levar a conclusões não problematizadas ou não confrontadas com outras possibilidades de entendimento – levando a riscos mais altos de circularidade epistemológica: a autoconfirmação dos pressupostos da teoria que sustenta o estudo. Diferentemente disso, o esforço de investigação se beneficia de uma abertura ao fenômeno e às surpresas que podem estar contidas nele, e de métodos que possam mostrar que uma teoria ou hipótese pode, ao final, mostrar-se errada.

Parte expressiva da nossa produção carece do diálogo e confronto amplo, não seletivo com o estado da arte (dentro e fora do país) sobre o problema em questão. Carece, portanto, de definição clara de onde o trabalho se situa, e o que pode contribuir como conhecimento. Esse item aparece atrelado com dificuldades na passagem clara entre a definição do problema de pesquisa, a conceituação e confronto com o estado da arte, a definição rigorosa do método a partir dos aspectos do fenômeno a serem estudados (e não definidos a priori e impostos sobre o fenômeno), e a empiria.

Observamos certa limitação de ambição teórica, com poucos trabalhos de natureza propositiva conceitualmente. Esta limitação aparece associada ao risco de reproduzirmos em nossos ambientes a mera aplicação de teorias – similar a uma cultura que Thomas Kuhn (8) chamava ciência normal”, na qual pesquisadores operam sem questionamentos estruturais dentro de paradigmas desenvolvidos em outros contextos – no nosso caso, o Norte global. Percebemos ainda certo conservadorismo teórico de pesquisadores que se afiliam a determinadas abordagens e reproduzem essas ideias e referências ao longo de sua trajetória de produção.

Parece haver ainda uma curiosa dificuldade de citação e referenciação de trabalhos entre autores distintos abordando os mesmos temas no país – talvez por receios de perda de originalidade ou concessão de autoridade. A média de citações nas humanidades e ciências sociais é menor que nas ciências naturais, em termos globais (9). Esse caso parece especialmente forte em nosso contexto. Essas ausências geram dificuldades potencialmente graves para a pesquisa: a fragmentação e perda de oportunidades de acúmulo de saberes e de incorporação dos ganhos trazidos por outros trabalhos, de modo a permitir mais avanços. O uso rigoroso de referências e citações é central em um ambiente de incentivo, com senso de justiça distributiva.

As referências teóricas utilizadas se mostram frequentemente mais antigas do que a média das citadas em publicações internacionais. Vemos ênfases mais centradas nos clássicos do que no estado da arte. Isso pode ser explicado em parte por uma forte barreira linguística: o fato de que muitos pesquisadores (sobretudo em formação) sentem dificuldades e resistência a textos em outras línguas, sobretudo aquela que termina sendo a mais usada na ciência, o inglês. Infelizmente, poucos textos internacionais ganharão status suficiente para ter tradução em português, e isso pode levar décadas. Sem a fluência em outras línguas, tendemos a enfrentar fortes limitações no diálogo com o estado da arte, o que reforça a endogenia e leva a dificuldades de inovação, sobretudo considerando um contexto de internacionalização da pesquisa e a possibilidade de contribuições brasileiras efetivas nesse cenário.

Algumas perguntas se colocam nesse sentido: como preparar pesquisadores com mais autonomia, mais capazes de se mover entre abordagens e teorias disponíveis, portanto mais aptos a gerar novas sínteses, ou identificar novos problemas e lidar com epistemologias mais atuais? Quais são as formas de pesquisa capazes de impactar a área, movendo a agenda em nossos campos?

Potenciais para abordagens brasileiras: hibridismo, sincretismo e gambiarra

Vemos que não há uma agenda integrada, formal, autoconsciente de pesquisa urbana no país – mas sim um caráter da pesquisa brasileira. Esse caráter se mostra movido por pressões empíricas e urgências reais mais do que por debates focados, por exemplo, na recepção de novas teorias. O volume e foco dos trabalhos sugere que as pressões empíricas que têm ditado as abordagens, mostram uma lógica predominantemente indutiva, e menos ênfase na pesquisa teórica voltada a temas mais amplos, capazes de transcender e amarrar contextos, levando tensões e contradições em conta. Entendemos que nossas agendas (necessariamente plurais e abertas) ainda se beneficiariam de maior atenção ao estado da arte dentro e fora do país, e do aprofundamento do debate sobretudo de inovações teóricas e metodológicas.

Podemos agora retornar a perguntas colocadas acima: como estimular abordagens capazes de refletir nossa atenção empírica e potenciais interpretativos? O que nossa pesquisa pode oferecer em um cenário de crescente internacionalização? Há tradições regionais em ciência e filosofia moderna e contemporânea, como a alemã, a francesa, britânica ou americana, com traços nítidos e distintos. Essas tradições transcendem disciplinas, mas se fazem sentir nelas. Entendemos que há formas contextuais de pesquisar e teorizar. Não podemos demonstrar isso neste trabalho; oferecemos fundamentalmente uma interpretação. Entretanto, negar o peso do contexto significa tornar absolutas as condições para se fazer pesquisa e teoria – como se teóricos pensassem o mundo a partir de suas mentes individuais, livres dos conceitos e modos de compreensão que uma linguagem e uma forma de vida carregam (10). Nossas interpretações e teorizações são dependentes da linguagem, de termos e conceitos que circulam, e de uma realidade empírica que os informam e demandam. Apropriadamente, há debates em andamento sobre urbanismo comparativo (11), urbanismo global (12) e, mais amplamente, as epistemologias do Sul (13), clamando exatamente por mais proposições vindas de outras regiões que não a Europa e Estados Unidos – para além do colonialismo intelectual.

Concluímos discutindo a possibilidade de estímulo à pesquisa e teorização brasileiras como contribuições às epistemologias do Sul e ao urbanismo comparativo. Não se trata de buscar a manifestação de pesquisadores de exceção ou gênios capazes de propor sínteses revolucionárias – mas de estimular o esforço ao desenvolvimento de sínteses próprias e contribuições robustas como algo ao alcance de nossos pesquisadores em geral. A intensificação desses estímulos teria de passar por nossas sensibilidades empíricas e pelas características que nosso contexto urbano coloca – das relações sociais crivadas de complexidades às suas espacialidades e experiências. Entendemos que nossa produção se beneficiaria em ir além da empiria dos casos isolados, em direção a um modo próprio de teorizar, enriquecido por uma condição cultural diversa, expressa em possibilidades de interpretação e criação teórica menos ortodoxas. Essa condição cultural pode corresponder a grande parte deste potencial.

Formas de inovação em pesquisa podem incluir práticas de ruptura e contraposição a abordagens existentes, mas estudos apontam com mais frequência a proposição de novas conexões entre elementos conhecidos (14). Essa postura sintética parece se relacionar particularmente bem com nosso contexto, podendo se materializar em certas práticas, capazes de ampliar nossa capacidade propositiva a partir de características e idiossincrasias. Explicitamos abaixo alguns caminhos, parcialmente sobrepostos e já praticados, para expressar esses potenciais:

Hibridismo: significa forma de gerar algo a partir da interação de fontes heterogêneas – como misturar coisas diferentes para se chegar a uma nova. Na produção de novas abordagens, isso significa aproximar conceitos, matrizes epistemológicas ou métodos distintos, na busca de novas sínteses. Fora do Brasil, um exemplo emblemático de hibridismo é a teoria de Jürgen Habermas (15), que sintetiza o foco crítico de uma teoria de emancipação, em Marx, à teoria da racionalização da sociedade em Weber, expandida via teoria de sistemas em Parsons e Luhmann e conectada à visão subjetiva dos atores via fenomenologia, entre outros recursos como a teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget. Em estudos urbanos no Brasil, exemplos podem ser encontrados em aproximações entre a fenomenologia e o marxismo, e nas leituras alimentadas pela observação etnográfica em conexão com a análise de redes sociais.

Sincretismo: a ideia de ‘sincretismo’ é comumente usada para entender as incorporações de aspectos de uma crença em outra. Mas esse processo não ocorre apenas na mutação de religiões: ele envolve a arte, a música, a transformação de práticas e estilos de vida e o conhecimento. A habilidade cognitiva para incorporarmos conceitos de uma teoria em outra às vezes radicalmente distinta pode pautar a criação de novas abordagens. Pesquisas têm confirmado empiricamente a diversidade cultural e étnica como fator de criatividade e inovação em atividades baseadas em informação e cooperação (16). Em que pesem nossos próprios conflitos e segregações, nossa pesquisa pode se beneficiar e refletir as habilidades geradas em um ambiente de contato e permeabilidade entre saberes e culturas. Essa permeabilidade entre lógicas, ideias, métodos e saberes de naturezas aparentemente incompatíveis, aparece como uma possibilidade natural para conexões capazes de levar à inovação.

Gambiarra: uma das habilidades tidas como típicas em nosso contexto possui conotações negativas, com status de mito em nossa cultura – a gambiarra. Não se trata de fazer a apologia da gambiarra como solução permanente para problemas concretos. Gostaríamos de salientar antes os aspectos criativos da gambiarra: produzir soluções (objetos, ações, tecnologias) de forma ágil, acoplando elementos que não deveriam funcionar juntos – mas funcionam: “uma relação ao mesmo tempo ordinária e inventiva com os objetos técnicos, muito comum na cultura brasileira” (17). Nossa posição aqui se aproxima a de um etnógrafo: abstrair a rejeição moral da gambiarra como solução técnica para examinar as práticas, ideias e soluções que a viabilizam. E há muita criatividade e improbabilidade na gambiarra como busca de ideias e novas sínteses – um exercício da flexibilidade, do experimentalismo e do pendor à anarquia criativa da nossa cultura, nos termos de Roberto Mangabeira Unger (18). Criatividade e improbabilidade das soluções são componentes da inovação. Uma interpretação positiva da gambiarra sob o ponto de vista da produção teórica sugere a criação de conexões improváveis entre conceitos ou métodos aparentemente incompatíveis, superando dicotomias, contradições ou antinomias para gerar resultados e sínteses igualmente improváveis – e potencialmente inovadores. Exemplos incluem aproximações entre visões sistêmicas de cidades e as percepções subjetivas de atores, via conceitos como ‘significado’ e ‘informação’. Sob o ponto de vista logístico, em um contexto com recursos materiais limitados, a lógica da gambiarra se torna uma capacidade de pesquisadores em buscar respostas de forma inusitada, ampliando o leque de possibilidades, como criar redes aptas a compartilhar e solucionar partes de um problema de pesquisa.

Em que pese o rigor necessário no tratamento de conceitos oriundos de diferentes epistemologias, esses nos parecem caminhos para uma teorização com traços próprios em estudos urbanos – derivativa, sintética, idiossincrática, criativa. Mas para tanto, precisamos teorizar mais: lidar com os amplos processos urbanos entre fragmentos e casos, as tramas entre ações e eventos espaciais, sociais e políticos que dão forma à vida urbana em diferentes escalas e condições. Um dos objetivos desse artigo é clamar por mais ambição na proposição de novas sínteses em pesquisa e teoria.

Breves considerações

As análises elaboradas acima são introdutórias, conscientemente provocativas, e evocam uma forma de pesquisa sobre pesquisa que entendemos necessária para o desenvolvimento dos estudos urbanos no Brasil. O que elas sugerem é a urgência de investigações sistemáticas sobre práticas que venham a estimular um desenvolvimento mais robusto da nossa produção em pesquisa. Nossos campos de pesquisa, analisados na parte um deste trabalho (19), se beneficiariam caso se constituíssem como um sistema de discursos atento a si. Em um trabalho de investigação epistemológica como este, ser superficial é um risco. Entendemos que, mesmo nessa superficialidade inicial inevitável, entradas para dentro do tecido que constitui esse corpo heterogêneo de saber permitem reconhecer nexos e amplitudes – elementos para reconhecimentos coletivos e permanentemente abertos.

notas

NA – Agradecimentos à Sophia Psarra e pós-graduandos da Faculdade UCL em visita ao país, pelo estímulo à confecção desta pesquisa e artigo. Aos colegas Andrea Sampaio e José Pessoa, Fernanda Sanchez, Jorge Batista e Werther Holzer e aos doutorandos e mestrandos das disciplinas Interfaces Disciplinares – Estudos Avançados – Idea e Seminários de Dissertação no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade federal Fluminense – PPGAU UFF, pelo debate e aplicação da taxonomia de campos aqui proposta para situar suas pesquisas; a Paulo Rheingantz, Romulo Krafta, e em especial a Frederico de Holanda, por suas leituras críticas a versões anteriores deste trabalho.

1
Ver: NETTO, Vinicius M.; FISZON, Maria; MOREIRA, Maria Clara; MORAES, Ivo. Pesquisa urbana no Brasil. Um panorama inicial [parte 1]. Arquitextos, São Paulo, ano 20, n. 238.06, Vitruvius, mar. 2020 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/20.238/7669>.

2
Os resumos do Enanpur e Enanparq não estão disponíveis em padrão específico. A divisão por temas pode apresentar variações entre eventos. Por exemplo, os dados do II Enanparq (2012) e XV Enanpur (2013) não identificam as instituições dos autores, impossibilitando a definição e do estado e região das publicações, o que limitou a análise aos eixos e campos. O IV Enanparq (2016) teve a estrutura em eixos temáticos que vinha se afirmando nos eventos anteriores alterada, o que dificultou a análise nos mesmos moldes. O Enanpur e Enanparq têm portes distintos, e o segundo inclui trabalhos focados também em arquitetura, que foram categorizados por aproximação temática nos campos propostos.

3
Harvey, David. Social justice and the City. Baltimore, Johns Hopkins University Press, 1973.

4
DEWEY, John (1910). How We Think. Boston, Dover Publications, 1997, p. 240.

5
DURKHEIM, Émile (1893). Da divisão social do trabalho. São Paulo, Martins Fontes, 2016.

6
WINCH, Peter (1958). The idea of a social science and its relation to philosophy. Londres, Routledge, 1990.

7
LATOUR, Bruno. Reassembling the social: and introduction to actor-network theory. Oxford, Oxford University Press, 2005.

8
KUHN, Thomas (1962). A estrutura das revoluções científicas. São Paulo, Perspectiva, 2010.

9
BASTOW, Simon; DUNLEAVY, Patrick; TINKLER, Jane. The Impact of the Social Sciences. London, Sage, 2014.

10
Ludwig, WITTGENSTEIN. Philophical Investigations. Oxford, Basil Blackwell Ltd, 1953.

11
ROBINSON, Jennifer. Comparative urbanism: New geographies and cultures of theorizing the urban. International Journal of Urban and Regional Research, vol. 40, n. 1, dez. 2015, p. 187-199.

12
ROBINSON, Jennifer; ROY, Ananya. Debate on Global Urbanisms and the Nature of Urban Theory. International Journal of Urban and Regional Research (op. cit.), p. 181-186.

13
SANTOS, Boaventeura S. Public Sphere and Epistemologies of the South. Africa Development, vol. XXXVII, n. 1, 2012, pp. 43-67.

14
BEVERIDGE, William I.B (1950). The Art of Scientific Investigation. New Jersey, The Blackburn Press, 2004.

15
HABERMAS, Jürgen. Teoria do Agir Comunicativo. Volume 1: Racionalidade da ação e racionalização social. São Paulo, Martins Fontes, 2012.

16
NATHAN, Max; LEE, Neil. Cultural Diversity, Innovation, and Entrepreneurship: Firm-level Evidence from London. Economic Geography, vol. 89, n. 4, 2013.

17
BRUNO, Fernanda. Objetos técnicos sem pudor: gambiarra e tecnicidade. Revista Eco Pós, vol. 20, n. 1, 2017.

18
MANGABEIRA UNGER, Roberto. O que a esquerda deve propor. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2008; CSIKSZENTMIHALYI, Mihaly. Creativity: Flow and the Psychology of Discovery and Invention. New York, Harper Perennila, 2013.

19
NETTO, Vinicius M.; FISZON, Maria; MOREIRA, Maria Clara; MORAES, Ivo. Op. cit.

sobre os autores

Vinicius M. Netto é doutor em Advanced Architectural Studies (The Bartlett School of Graduate Studies, University College London) e professor associado do Departamento de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense.

Maria Fiszon é mestre em Arquitetura e Urbanismo pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense. Desenvolve trabalhos dentro dos seguintes temas: arquitetura bioclimática, desenvolvimento sustentável e certificações ambientais em arquitetura.

Maria Clara Moreira é graduanda em Arquitetura e urbanismo e bolsista de Iniciação Científica (CNPq EAU UFF).

Ivo Moraes é graduando em Arquitetura e urbanismo e bolsista de Iniciação Científica (CNPq EAU UFF).

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