Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Marco Aurélio Kato comenta sobre a crescente poluição visual na cidade de São Paulo, na qual reina a ótica do excesso, da superexposição e do extremo impacto visual, endossada pelos órgãos fiscalizadores oficiais

english
Marco Aurélio Kato commented on the increasing visual pollution in São Paulo, where the exposure to the extreme visual impact is endorsed by the official inspectors

español
Marco Aurélio Kato comenta sobre la creciente polución visual en la ciudad de San Pablo, en la cual reina la óptica del exceso, de la sobreexposición y del extremo impacto visual, respaldada por los órganos fiscalizadores oficiales

how to quote

KATO, Marco Aurélio. Poluição oficial urbana. O soterramento da paisagem paulistana. Drops, São Paulo, ano 06, n. 014.04, Vitruvius, mar. 2006 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/06.014/1677>.


Poluição visual na Avenida Berrini
Foto Zeuler Lima


“Nothing is impossible” inaugurava em letras garrafais, há poucos meses, o grande outdoor instalado sobre a Estação Cidade Jardim, da CPTM. Agora, apesar das imagens do jogador de futebol anunciando outra marca milionária, a mensagem que fica é mais uma afirmação de conquista, do que um incentivo a dribles acrobáticos: nada mais é impossível na ocupação do espaço visual urbano.

Alguém já imaginou as cidades sem nenhuma placa, faixa, outdoor, backlight, anúncio pintado, luminoso, somente com as edificações? Ou mesmo instalados de forma estruturada, ordenada e legível, em suportes adequadamente desenhados para tal fim? Não dá para acreditar que, há 40 anos, outdoor era uma coisa que alegrava, e comentava-se até que as cidades socialistas eram tristes porque não tinham luminosos. Naquele tempo, em São Paulo, não se reclamava das placas, somente dos muros, onde eram pintadas feias propagandas, mas românticas, se comparadas ao atual caos. Muros, calçadas, veículos, fachadas de prédios, pontes, viadutos, túneis, avenidas: nada mais escapa ileso a uma boa dose de merchandising e publicidade. Parece que a ótica do excesso, da superexposição e do extremo impacto visual se tornou fator dominante na paisagem urbana.

A questão não é atacar a publicidade ou a mídia, mas atentar para o rompimento do limite de percepção, leitura e reconhecimento dos espaços urbanos e suas edificações, que estabelecem referências visuais e ajudam a formar o senso de comunidade e o de domínio destes locais. As gigantescas propagandas, que cobrem a Estação Cidade Jardim, fazem desaparecer a sua arquitetura – uma das raras atuais decentes, em se tratando de área pública –, que tem de ser caracterizada e decifrada como um local coletivo, pertencente, portanto, à população. Um exemplo bem sucedido vem da própria CPTM, o Metrô de São Paulo, com suas estações que possibilitam aos usuários conviver em espaços interessantes, enriquecidos ainda pela presença da arte.

E o pior: a publicidade estampada no topo da fachada da Estação Cidade Jardim é absolutamente legal. Pode parecer que cada um faz o que quer na cidade, porém, temos tudo regulamentado. Os agentes de outdoors e backlights que enfeitavam São Paulo e agora proliferaram tanto quanto a enfeiam, por incrível que pareça, obedecem a uma legislação e submetem seus produtos à aprovação de órgãos municipais que existem e operam, como outros que aprovam, por exemplo, cortes de árvores, reformas e restauros de bens arquitetônicos tombados, abertura de buracos e valetas nas ruas.

Por outro lado, também, são comuns as queixas de profissionais e cidadãos bem intencionados que submetem seus projetos para aprovação. Freqüentemente se deparam com todo tipo de empecilho, numa espécie de conspiração contra o requerente, com sistemas que atrasam execuções e investimentos e, também, não oferecem soluções interessantes para a cidade. Então, se esses órgãos existem, melhor seria não submeter nada a eles, pois a cidade não tem mais bens históricos, as árvores rareiam, as valetas e os buracos se multiplicam – e as placas e demais elementos de comunicação visual, instalados sem critério e de forma desordenada poluem cada vez mais.

Assim, o que temos é uma situação no mínimo insólita: o governo fala em limpeza visual da cidade e ao mesmo tempo promove aberrações em edifícios públicos; os agentes impulsionadores das propagandas em desvairado “empreendedorismo” invadem nosso olhar, sem constrangimentos, aliás, ao contrário, devem vangloriar-se explorando o feito em suas reuniões marquetológicas.

Por isso aqui nem é o caso de se falar dos pequenos vândalos. Suas ações não são para serem defendidas, mas isto mereceria uma outra discussão. O que se torna urgente é uma reflexão que vai muito além das pichações. É preciso encarar o sistema estabelecido e verificar quantas coisas medonhas, públicas e privadas, estamos cometendo na “legalidade”. Aí, sim, o governo e a sociedade estariam exercendo algum poder transformador, capaz de fazer germinar uma nova mentalidade entre seus habitantes.

sobre o autorMarco Aurélio Kato, 33, é arquiteto, designer gráfico, diretor da ADG – Associação dos Designers Gráficos e sócio da Rex Design.

Marco Aurélio Kato, São Paulo SP Brasil

Poluição visual na Zona Sul de São Paulo
Foto Zeuler Lima

 

comments

newspaper


© 2000–2020 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided