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drops ISSN 2175-6716

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Leia o artigo do artista Almandrade, originalmente publicado no jornal A Tarde de Salvador, comentando a exposição de José Resenda na Paulo Darzé Galeria de Arte

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(ALMANDRADE), Antônio Luiz M. de Andrade. A escultura do inesperado. A dúvida e a incerteza da escultura de José Resende. Drops, São Paulo, ano 11, n. 038.01, Vitruvius, nov. 2010 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/11.038/3642>.



Diante da escultura de José Resende (2), experimentamos um estado de dúvida e incerteza. Construídas de materiais diversos alguns menos nobres, é um exemplo de um trabalho de arte contemporâneo realizado com rigor e fundamentação para interrogar o e enfrentar o fazer e a historia da escultura, mais ainda, o que é o objeto de arte nos dias de hoje. Quem as olha inventa seus problemas e soluções que garantem suas condições de obras de arte. Afinal de contas, essas coisas estão colocadas num território culturalmente sinalizado pela ideologia da arte.

O artista trabalha ou trabalhou com os mais inusitados materiais, sem se perder no manuseio de cada um deles, tais como: chapa de ferro, feltro, chumbo, vidro, parafina, couro, plástico, pedra, sem dispensar o oficio do artesão que conhece a propriedade e a possibilidade de cada um.  Á primeira vista, tudo parece precário e instável, um lugar de frágil sustentação, mas por trás, existe uma razão do inesperado. Observamos em certas peças uma organização de coisas diversas, determinada por uma lei que desconhecemos. Como uma prática de um tratado sobre as diferenças. Em outras, procedimentos de propor um equilíbrio delicado com soluções simples e discretas. As tensões provocadas pela associação de diferentes matérias e o equilíbrio instável físico e visual põem em ação a sensibilidade.

Espetáculo de um raciocínio lúdico? São máquinas que não produzem, riem de suas próprias inutilidades, mas um riso silencioso e sutil que lembra a Monalisa do Da Vinci. Não dizem nada ao simples trabalho da retina, desorientam momentaneamente o espectador e insinuam uma estranha ciência que cuida de fazer com o banal uma estrutura imprevisível capaz de acionar o afeto e o pensamento. Apresentam-se como enigmas, ou desenhos que se acomodam no espaço, objetos a ser concluídos, para ser decifrados pelo olhar.

Algumas parecem até transitórias, surgem como uma proposição que poderão desmoronar, assim que forem decodificadas. Outras apresentam operações que parecem submetidas a cálculos construtivos, catalisadores dos contrários e responsáveis pela sustentação da unidade estrutural, sem esconder os atritos. Com gestos aparentemente espontâneos e construções decisivas, o artista extrai dos materiais que utiliza suas qualidades expressivas, o frágil e o durável, o equilíbrio e o movimento. Um embate entre sujeito e matéria. Explorar e indagar as possibilidades da escultura é o tema do trabalho de Resende.

notas

1
Artigo, que comenta a exposição na Paulo Darzé Galeria de Arte em Salvador, foi publicado originalmente no jornal A Tarde, Salvador, 11 ago. 2010.
2
José Resende (São Paulo, 1945), arquiteto (Mackenzie, 1967), estudou gravura na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). É mestrando no Departamento de História da FFLCH-USP. Em 1984 recebeu uma bolsa de pesquisa no John Guggenheim Memorial Foundation. Foi professor na ECA USP, Faap e Mackenzie. A partir de 1966, integrou o Grupo Rex com Wesley Duke Lee, Nelson Leirner, Geraldo de Barros, Carlos Fajardo e Frederico Nasser. Com os dois últimos e Luiz Paulo Baravelli, organiza exposições conjuntas e cria a Escola Brasil, com uma atuação significativa entre os anos de 1970 e 1974. José Resende, além de individuais, no Brasil e no exterior, participou de inúmeras coletivas, com destaque para a Bienal de São Paulo (1967, 1983, 1989, 1998), Brasil 500 anos - mostra do descobrimento (1999), Bienalle de Paris (1980, menção especial), "Arte Brasileira do Século XX" (1987, Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris), Bienal de Veneza (1988) , Arte/cidade (1994 e 2002), Bienal do Mercosul (2001), Documenta (1992), "Latin American Artists of XX Century" (1993, the Museum of Modern Art of N. York ) e "Arte Contemporânea: uma história em aberto", Gabinete de Arte Raquel Arnaud, São Paulo (2004). Em 2003, a editora Cosac & Naify lançou um livro sobre sua obra.

sobre o autor

Almandrade é artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano e poeta. Desde 1972 dedica-se ao pensamento da arte concretizado em suas pinturas, esculturas, instalações e poemas visuais, participando de várias mostras coletivas, nacionais e internacionais. Realizou cerca de trinta exposições individuais em Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo; escreve em jornais e revistas especializados em arte, arquitetura e urbanismo. Recebeu diversos prêmios, dentre eles o da Fundarte em 1986 e da Copene em 1997 e publicou vários livros dentre os quais “Arquitetura de Algodão" e “Escritos sobre arte: arte, cidade e política cultural”.

 

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